UM JOVEM CASAL

É jovem esse casal que eu agora vejo. Ela grávida, com a pele da barriga esticada a ponto de me dar agonia. Parece que vai explodir ali mesmo na calçada para, de súbito, nascer uma criança que saiba andar e falar. É que nesse mundo é preciso nascer sabendo muitas coisas para poder sobreviver a esses homens que nos cobram duas vezes por um mísero AS.

Porém a barriga permanece porque ainda não é hora do parto. E eu não sei se o rapaz está chegando ou saindo. Mas eles se abraçam com uma força cuidadosa. Ele sequer desce da bicicleta velha. Tem as mãos sujas de graxa e um boné empinado no alto da cabeça. Logo se beijam na via pública sem qualquer constrangimento, afinal os jornais ainda não noticiam a ditadura.

Há entre eles algo que condição política alguma poderá impedir. É o segredo cochichado ao pé do ouvido. Ela ri. Ele franzi a testa. Talvez façam promessas, uma noite sensual a essa altura do campeonato ou um doce de abóbora com coco. Não sei.

Olho para os lados, dizem que a cidade está perigosa. Receio que alguém espione os cochichos desses jovens que agora vejo. Ultimamente fiquei demasiado prevenido e creio que esse pode ser um sinal de que não sou mais tão jovem quanto esse casal que se beija e faz promessas sem se preocupar com quem os observa.

Por fim, sigo adiante. Na padaria peço uma xícara de café e telefone para minha namorada. Digo uma boa mentira e ela me responde que está a caminho! Quando chegar a beijarei na via pública e lhe contarei um segredo ao pé do ouvido! E que essa seja uma forma de lutar contra quem nos quer ver borocoxôs e assexuados no bonito sofá na sala de estar.

Rafael Alvarenga

Cabo Frio, 11 de fevereiro de 2020

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PEQUENAS DOSES

Acordo com o governador

Adriano Moreno e Antônio Carlos Vieira, o Cati, estão no Democratas, de César e Rodrigo Maia, mas não deixam de noivar com Wilson Witzel. Iranildo Campos na saúde cabofriense revela acordo político também com o governador.

O poder de Miguel Alencar

A presença do vereador Miguel Alencar, servindo de “guia turístico” ao novo secretário de saúde, o policial reformado Iranildo Campos, mostra quanto o atual secretário de governo é poderoso junto ao esquema político dominante na prefeitura de Cabo Frio.

Recursos Humanos?

Muita gente não imaginava que Miguel Alencar pudesse ter em mãos tanto poder. As paredes do cafonérrimo (foi construído por Alair Corrêa) Palácio Tiradentes chegam a confundir o gabinete do secretário de governo com o departamento de recursos humanos.

Folha inchada

Na tentativa de se salvar e se possível conseguir a reeleição, o governo de Adriano Moreno faz acordo com gente de qualquer segmento político: Alair Corrêa, Marquinhos Mendes, Bolsonaro, Witzel etc. Não é por acaso que a folha está tão inchada.

Cláudio Leitão X Adriano Moreno

O ex-secretário de educação, Cláudio Leitão e o prefeito Adriano Moreno, continuam batendo de frente. O prefeito foi a Programa Sidnei Marinho e bateu firme em Leitão, que terá direito de resposta e promete responder a altura.

Como no PSD das antigas

O presidente da câmara, Luis Geraldo, lidera um grupo que opera de forma muito semelhante ao PSD de Tancredo Neves, Juscelino Kubitschek e Benedito Valadares: a discrição no trato da política. No momento, o assunto é o fortalecimento das nominatas para a eleição de vereadores.

Iranildo e as OS’s

Hoje, o vereador Rafael Peçanha, líder da oposição na câmara, vai estar a partir das 9 horas no Programa Sidnei Marinho, na Litoral News. O vereador deve abordar a relação da nomeação de Iranildo Campos para a secretaria de saúde e a implantação das Organizações Sociais (OS’s), no município.

Entre “tapas e beijos”

A extrema direita cabofriense vive crise intestina. Eleito com o PSL e Witzel, o deputado Sérgio Luiz Azevedo muda de “armas e bagagens” para a APB, com Bolsonaro. No mesmo campo, o rival deputado Mauro Bernardo, ainda no PROS, pode ficar sem partido para concorrer à prefeitura de Cabo Frio.

Tsunami ou Marola?

Gurgel, Sérgio Luiz Azevedo, Mauro Bernardo e Adriano/Cati disputam o populismo de ultra direita, tão em moda com a onda bolsonarista, que varreu o país. A eleição vai mostrar até que ponto o tsunami se transformou em marola.

PSOL, querendo crescer em Tamoios

O PSOL procura ampliar sua atuação no 2º Distrito de Tamoios e ao mesmo tempo tenta estabelecer conversa com a recém-criada UP (Unidade Popular). O professor Betinho Póvoas considera que é necessário o aprofundamento do debate com a nova legenda.

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NA COMEMORAÇÃO DOS 30 ANOS DA FOLHA DOS LAGOS.

O vice-prefeito Felipe Monteiro, o ex-prefeito José Bonifácio e o empresário José Martins, na comemoração dos 30 anos da Folha dos Lagos.

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CARTA DE NAVEGAÇÃO DE UM CASO QUE ACABA – Carlos Heitor Cony

É preciso fazer um histórico, porque você sempre esquece a cronologia dos fatos, talvez por dar pouca importância ao que acontece comigo. Sejam quais tenham sido meus erros, já sofri tanto e é claro que sofri por opção. Por isso passei do estado de graça para o choque da revelação brutal: você estava casado outra vez.

Tentei me adaptar à nova situação e o consegui, sangrando. Depois você viajou, me escreveu uma carta quando fazia o percurso Havana-Praga, descreveu o avião, a noite sobre o oceano e falou que me amava -acho que foi a única vez que você teve a coragem de admitir que também me amava. No seu regresso, nos trancamos em Teresópolis, quatro dias e quatro noites de chuva, nunca ninguém foi de ninguém como você foi meu. Eu estava salva.

Aí soube que você já se casara com outra. Pensava mais nela do que em você. Vi-a na rua, dentro do seu carro. Eu vivia apavorada de que alguém viesse a saber, porque lutei para impô-lo, você foi a causa do rompimento com meu pai. Tinha um álibi e o perdi: você era apenas um homem desquitado. Sustentei a mentira para evitar uma situação que era insustentável.

Um dia, encontrei-o com sua mulher na rua. Uma mulher enganada, mas segura. Nosso amor transformou-se no apartamento na Barra da Tijuca que você alugava por mês. Até aquele chalé de Friburgo, onde eu era a sua mulher dois dias por semana, tudo diluiu-se, comecei a jogar errado, como se não tivesse mais nada a perder. Comecei a perturbar a sua tranqüilidade, a paz do seu charuto fumado todas as noites. Tentei viver a minha vida antiga, procurar amigos, sair.

Uma noite, desesperada para ficar alguns minutos com você, fiz aquela besteira e fui ao Leme. Na minha alucinação, nem reparei que você estava com outra moça. Foi o choque maior de todos. Era mais uma estranha em sua vida. O investimento novo que você havia escolhido e que eu não percebera. Nem mil anos de análise poderão me curar daquele impacto. Mas no dia seguinte você abriu o jogo. Confessando que se apaixonara por outra, estava agindo decentemente.

E agora não vejo mais sua mulher nas ruas, mas essa moça que é tão mais jovem que você, tão da minha idade. Vejo-a em todas as esquinas. Via-a dentro do seu carro, em frente ao mar. Nos sábados, a humilhação de saber que você está no mesmo apartamento, mas com outra. Talvez a mesma rotina, o café da manhã, o seu suco de laranja bem gelado, o charuto cubano depois do jantar.

Sozinha, às 8 horas me tranco no quarto para chorar em paz a minha noite vazia. Tentei reagir, sair com amigos, mas não era boa companhia para eles, carregava comigo meu pavor de ver o seu carro à minha frente, na porta de um restaurante, com gente estranha sentada no meu lugar.

Tentei me desligar de você. Aceitaria os fatos: seria sua amante e pronto. De repente, a situação em minha casa estourou pra valer. Minhas noites passadas fora, seu nome dito abertamente na hora das refeições. Mandaram que eu vivesse a minha vida -mas longe deles. Aluguei um quarto e procurei uma oportunidade para lhe comunicar. Queria apenas o seu apoio para sustentar a barra de morar sozinha, em casa de estranhos.

Numa sexta-feira, consegui pegá-lo na saída do escritório. Falei o que devia, sem emoção. Depois fomos jantar, você fumou o seu precioso charuto, andando de um lado para o outro, pensando em voz alta. Abracei muito você, mas não era gratidão. A idéia de um apartamento era demais. Eu passava a ser a amante oficializada, a terceira em importância e necessidade. Aquela que não tem o encanto da namorada com que se janta, que não ganha os presentes de ocasião porque apresenta todos os meses a conta da luz e do condomínio. Pensei nisso tudo, mas assim mesmo não pude dormir aquela noite. Era alegria, alegria bruta, selvagem.

Seguiu-se o sábado mais importante da minha vida. Saímos para procurar apartamento. Falei de igual para igual com todos. Tinha de conseguir o que os outros conseguem, embora o meu passo fosse, em termos de vida, um passo para baixo. Na verdade, eu seria apenas a amante-quarto-e-sala-conjugado.

Depois falei com minha mãe. Fizemos um levantamento do que restava do meu antigo enxoval de noiva. As roupas de dormir estavam reduzidas. Usei-as com você, em quartos de hotéis. Mas sempre restavam algumas peças que eu poderia usar nas noites em que você aparecesse.

Quando você me mostrou a posição da cama no quarto, tive vontade de lhe abraçar, mas você estava muito sério. Jurei que, com a tranqüilidade que ia adquirir, você se surpreenderia com uma maturidade que não conhece -nem pode conhecer porque nunca tive oportunidade de mostrá-la.

Mas houve novamente um sábado em que quis você. Joguei errado outra vez e atrapalhei o seu programa. Finquei o pé, fiz malcriação, chorei. Ela chegou. Perguntou o que estava havendo. Você disse tudo quando respondeu: “Nada”.

Nada. Deste meu nada, receba este amontoado de pranto que foi o meu amor. E por toda a vida, toma a minha vida.

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PEQUENAS DOSES

Saúde Pública

Na noite de sexta-feira, o PDT, leia-se José Bonifácio, organizou em sua sede, no Parque Riviera, palestra sobre a saúde pública. Foi o primeiro evento da série “Cabo Frio do Amanhã”. Entre um “pito” aqui e “silêncio” acolá a “aula” foi até o final.

O governo entrega os pontos na saúde

Entregar a saúde pública de Cabo Frio a um ex-deputado de São João de Meriti, município pérola da Baixada Fluminense, é acinte político e demérito para os profissionais da saúde de Cabo Frio. É como se o governo estivesse dizendo que em Cabo Frio não existe ninguém competente para o cargo.

Baixada ta mandando.

Engraçado é que tanto os dois deputados da Região dos Lagos, Sérgio Luiz Azevedo e Mauro Bernardo e o prefeito Adriano Moreno prestigiam os políticos da Baixada Fluminense. Cada vez mais Cabo Frio se consolida como uma praia da Baixada Fluminense, São Gonçalo e assim por diante.

Que tal mais sobriedade?

Os dois deputados da Região dos Lagos têm chamado a atenção da mídia carioca pela “qualidade” do gabinete e por gastos legais, mas considerados largos demais. A crise não deveria permitir excessos e sim resgatar a sobriedade. O deputado Sérgio Luiz Azevedo está à frente da montagem da APL, em Cabo Frio.

A insegurança é geral

A sensação de insegurança que existe em Cabo Frio tem como resposta do setor conservador mais e mais repressão. Cresce o número de homens das empresas privadas de segurança pelas ruas da cidade. Resultado: muito lucro para elas. Para a sociedade: aumento da violência.

Advogado & Policial Militar

O ex-deputado Iranildo Campos não é profissional da área de saúde, mas advogado e policial militar reformado. O vereador oposicionista Rafael Peçanha teme que o novo secretário de saúde tenha sido nomeado para implantar as tão criticadas OSs.

Apenas o “venha a nós”

Empresários do charmoso bairro da Passagem também não respeitam como deveriam, o espaço urbano. Restaurantes e bares avançam e ocupam o asfalto sem a menor cerimônia. Na hora de colaborar com a Paróquia de Nossa Senhora da Assunção para restaurar a Igreja de São Benedito aparece alguém?

Betinho e a Eleição

Sábado pela manhã, passeando tranquilamente pela Praça Porto Rocha, o candidato do PSOL, Roberto Póvoas, o Professor Betinho, encostou no “Parada Obrigatória”. Betinho fez uma rápida análise da política local e falou sobre os rumos do partido, na eleição de 2020. E foi cuidar do neto, porque “ninguém é de ferro”.

Búzios: mudança de eixo

Em Búzios, o PSB percebe a importância política da figura de Thomás Weber e quer composição de centro esquerda com o PDT de Mirinho Braga e Leandro do Bope. A possível aliança, caso seja confirmada, mudaria completamente o eixo da política buziana.

Salve a Folha dos Lagos

O jornalista e empresário Moacir Cabral está feliz da vida comemorando os 30 anos da Folha dos Lagos, hoje sob a batuta do seu filho, também jornalista, Rodrigo Cabral e tantos outros brilhantes profissionais. A sociedade de Cabo Frio e Região dos Lagos agradece a todos que colaboram direta e indiretamente para manter viva a liberdade de imprensa e expressão.

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PEQUENAS DOSES

São João de Meriti na saúde de Cabo Frio.

O ex-deputado Iranildo Campos é o novo secretário de saúde de Cabo Frio. Iranildo tem sua base política em São João de Meriti e assumiu no lugar do médico ortopedista cabofriense, Carlos Ernesto. Segundo fontes que não quiseram se identificar, a sua indicação foi do governador Wilson Witzel.

Virou bagunça?

O governo de Adriano Moreno/Antônio Carlos Vieira (Cati) e Miguel Alencar é mesmo curioso, sejamos cordiais: o próprio Iranildo Campos anunciou em programa de rádio a sua nomeação. Cabe uma pequena pergunta: virou bagunça?

A Baixada na Saúde

A nomeação de Iranildo Campos reflete o avanço dos políticos da Baixada Fluminense sobre a Região dos Lagos, especialmente Cabo Frio. Caso a sociedade não se mobilize para conter a expansão, as práticas políticas da Baixada Fluminense se tornarão hegemônicas por aqui. E todo mundo sabe o que isso significa.

Errático & Nocivo

Nem o mais pessimista dos observadores políticos acostumados a lidar com a realidade cabofriense não poderia imaginar, que o atual governo fosse tão errático. Mais que isso, nocivo a cidade de Cabo Frio, que não merece tantas “chicotadas do destino”.

O Diagnóstico!

Carlos Ernesto Dornellas é médico ortopedista, oficial do Corpo de Bombeiros, e secretário de saúde em dois momentos da vida pública cabofriense: governos de Alair Corrêa e Adriano Moreno. Em ambos, teve que administrar severa crise no seu setor, mas mesmo assim é candidato a sentar em uma das macias poltronas do Plenário Oswaldo Rodrigues.

Felipe Monteiro na mídia.

O vice-prefeito Felipe Monteiro, ainda sem partido, esteve mais uma vez na mídia, e transbordou em elogios ao ex-prefeito José Bonifácio. Fez também severas críticas ao governo de Adriano Moreno/Antônio Carlos Vieira, o Cati e sua ‘trupe’.

Esperando o Parókia

O Café PerTutti lotou na tarde de ontem. A turma marcou ponto para esperar a hora de ir para o ensaio do Parókia: Mardônio Lima, Aroldo Pereira, o tabelião-surfista Flávio Rosa, Cláudio Leitão, Octávio Perelló, o vice-prefeito Felipe Monteiro, Marco Aurélio Abreu, Kiko de Timinho, Babade e Juninho Caju.

Salve o carnaval!!!!!

O Carnaval de rua de Cabo Frio promete muitas novidades. A maior delas é o ressurgir das cinzas do Bloco Parókia, mas também a consolidação do “É Filho de Quem?” e o nascimento do bloco nordestino “Di Cabo a Rabo”, com zabumba, triângulo e sanfona.

Tenera, no nevoeiro

Marcelo Tenera foi ao Programa do Dirlei Pereira e esculhambou o governo de Adriano Moreno com acusações gravíssimas. O governo não se defendeu e o acusador, que ficou de voltar para comprovar o que disse, sumiu no nevoeiro.

Qual será a próxima manobra?

Depois de tanto tempo sumido da cena política não é que o tal do Tenera retornou e logo anunciou que é candidato a prefeito. Trouxe na bagagem, como vice, o prestigiado médico otorrino Tenório, mas parece que já mudou de companheiro.

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