BLOG DO TOTONHO

  • PAISAGISMO EM CABO FRIO

    Trabalho de paisagismo executado por ISABEL GRUBEL, na Avenida Nilo Peçanha, no centro de Cabo Frio.

    Fotos: Valéria Nogueira.

  • PEQUENAS DOSES

    Luiz Antônio Nogueira da Guia.

    Café da manhã

    A pré-campanha dos candidatos a Câmara Municipal pelo PDT começa pra valer no sábado, 13. Afinal, toda a “nominata” foi convidada pela médica Ana Valladão (PDT), viúva do prefeito José Bonifácio (PDT) para um café da manhã caprichado a partir das 10 horas. A ideia é fortalecer o companheirismo e os laços de união entre os membros do grupo político e debater o planejamento da campanha eleitoral.

    PDT & MDB

    O PDT está próximo politicamente ao ex-prefeito Marquinho Mendes e escolheu caminhar junto ao MDB na eleição de outubro. Apesar disso, como a legislação proíbe coligação, os dois partidos, MDB e PDT, apresentam listas separadas de candidatos a Câmara. Até o momento, o MDB apresentou Kamilla Mendes como candidata a prefeita, mas o nome do companheiro ou companheira de chapa ainda não foi escolhido.

    Correlação de forças

    Há um pequeno grupo no meio político, que ainda acredita na possibilidade do ex-prefeito Marquinho Mendes sair candidato a prefeito pelo MDB. Nesse caso mudaria a correlação de forças dentro da coligação? O papel dos pedetistas, especialmente do ex-deputado Janio Mendes permaneceria o mesmo? Afinal, e a vice?

    Reuniões & Entrevistas

    Saído de uma virose, que o deixou arriado, Rafael Peçanha, candidato da Federação PSOL/REDE, retoma os trabalhos no início da próxima semana. O professor vai enfrentar seguidas reuniões com a “nominata”, as executivas dos dois partidos, que estão na Federação, entrevistas com a mídia local e com a comunicação do seu grupo político. É só o começo de uma campanha, que não vai ser mole para ninguém.

    Ocupação de espaços

    O deputado Serginho Azevedo (PL) não perde tempo na estruturação política de sua campanha. Está fazendo uma coleção de vereadores, que buscam a reeleição e também de novos candidatos a ocupar um lugar na Câmara Municipal. O deputado desenvolve uma política bastante agressiva de ocupação de espaços, procurando deixar os adversários sem alternativas políticas e eleitorais.

    Os Apoios

    Essa forma de angariar apoios parece que dá resultados eficientes. Basta ver as reuniões que tem sido feitas no entorno do deputado Serginho Azevedo (PL), geralmente massivas. De um modo geral as reuniões acontecem promovidas por vereadores ou pessoas muito próximas ao candidato, que representa o chamado “Bloco Conservador”, em Cabo Frio.

    Rede de apoios

    Muita gente se pergunta se a rede de apoio a prefeita Magdala Furtado (PV) resistirá ao tempo, isto é, quando a Lei estabelecer proibição a demissões em pleno cenário eleitoral. Tudo vai depender das pesquisas de opinião pública. Caso as pesquisas demonstrem a total inviabilidade eleitoral da prefeita, até a base na Câmara pode se desmanchar, de tal maneira, que parecerá nunca ter existido.

    A poluição da lagoa

    A questão da poluição da Lagoa de Araruama promete ser fundamental na eleição majoritária em Cabo Frio. O primeiro a abordar a questão foi o deputado Serginho Azevedo (PL). Segundo ele as obras da estação terciária, na orla da Praia do Siqueira foram iniciadas após o debate sobre a situação da lagoa e do próprio bairro, formado predominantemente por pescadores.

  • LUMA LOPES
  • O CALOR DAS COISAS

    Nélida Piñon (1937/2022)

    Os vizinhos o chamavam de pastel. E a mãe, enternecida, repetia, meu pastel amado. A alcunha devendo-se à gordura que Oscar jamais combateu, mesmo através de rigorosos regimes. Certa vez viveu de água por cinco dias, sem o corpo reagir ao sacrifício. Após o quê aceitou a explosão do apetite e esqueceu o próprio nome.

    Desde cedo, habituou-se a medir a idade pelos centímetros da cintura em acelerada dilatação, borrando os anos festejados com bolos, feijoadas e travessas de macarrão. Por isso, sentiu-se logo velho entre os jovens. Sobretudo porque nenhuma roupa disfarçava as suas protuberâncias. Se ao menos usasse saias godés, esconderia aquelas regiões do corpo que lhe davam forma de pastel.

    Insurgia-se constantemente contra um destino que lhe impusera um corpo em flagrante contraste com a alma delicada e magra. Especialmente quando os amigos admitiam sem cerimônia a falta que ele lhes fazia junto ao chope gelado. E só não mastigavam Oscar ali na mesa do bar por temerem as conseqüências. Mas beliscavam-lhe a barriga, queriam à força extrair do seu umbigo uma azeitona preta.

    A casa se ensombrecia nos aniversários. A mãe apagava a metade das luzes. Só as velas do bolo iluminavam os presentes sobre o aparador. Sempre os mesmos, escovas de cabo longo para o banho, pois a barriga não lhe deixava alcançar os pés, e cortes de fazenda de incomensurável metragem. Depois de assoprar as velas, exigia que o espelho lhe mostrasse o próprio rosto constituído de inúmeras trilhas em torno dos olhos, bochechas flácidas, o queixo multiplicado. Via as extremidades do seu corpo como se amassadas pelo garfo de cozinha, com o propósito de evitar que as sobras da carne moída fugissem da massa de farinha, manteiga, leite, sal, de que se formava.

    Apesar da sua visível mágoa pelos pastéis, comia dezenas deles por dia. E não os podendo encontrar a cada esquina, abastecia a sacola com óleo de soja, frigideira, pastéis por fritar, e discreta chama que o fervor do seu hálito alimentava. Nos terrenos baldios, antes de fritá- los, afugentava os estranhos que lhe queriam roubar a ração.

    O seu corpo amanhecia sempre diferente. Talvez por certas gorduras deslocarem-se para outro centro de maior interesse, em torno do fígado, por exemplo, ou por conquistar às vezes quatro quilos em menos de dezesseis horas. Um desatino físico que contribuía para destituí-lo do orgulho. Do orgulho de ser belo. Em troca desabrochando em seu coração grande rancor contra os amigos que não o tinham ainda devorado naquela semana, apesar de cada vez mais se parecer ao pastel vendido na esquina.

    Na hora de maior tristeza, agarrava-se à medalhinha de Nossa Senhora de Fátima em torno do pescoço, sob cuja proteção a mãe o entregara, à falta de uma santa que especialmente resguardasse os gordos. Em casa, assoviava para disfarçar o desgosto. Mas as lágrimas de certos prantos vinham-lhe tão fortes que molhavam o assoalho que justamente a mãe secava. Ela fingia não perceber. Só quando a poça parecia de chuva, como se a água vencesse o telha- do, a mãe ia com moedas nas mãos até os amigos escalados para ao menos uma vez no mês acompanhar Oscar ao cinema. Os que aceitavam um dia, resistiam ao próximo, apesar do peso do ouro. E já escasseavam, quando o próprio Oscar, que já não cabia em nenhuma cadeira, desistiu de assistir aos filmes de pé.

    Aos domingos, as travessas fumegavam sobre a mesa. Oscar se via no lugar do assado, e trinchado com garfo e faca de prata, em meio à exuberância familiar. Para evitar essas visões punitivas, recolhia-se ao quarto nesses dias.

    No verão, seu tormento intensificava-se, pois escorria-lhe do peito, em vez de suor, azeite, vinagre e mostarda, temperos prediletos da mãe, que se comovia ante as graças de tal natureza. Acariciava então os cabelos do filho, extraía-lhe alguns fios encrespados e, no quarto, os repassava um a um, na aflição de descobrir por quanto tempo teria em casa o filho incólume e protegido.

    Este consolo materno Oscar recolhia à caixa destinada a estocar as sobras de gordura da sua frigideira itinerante. E, querendo recompensar o sacrifício da mãe a beber-lhe o azeite e o vinagre do peito, sorria para em troca ela exclamar, que beleza o teu sorriso. É o sorriso da euforia, filho. A estas palavras sucediam-se as que lhe feriam o coração e que a mãe, em prantos, não conseguia evitar: Ah, meu pastel amado!

    A expressão deste afeto, que seu disforme corpo não podia inspirar, arrastava Oscar para o quarto, amargurado pela erosão das palavras maternas, que só pretendiam atraí-lo para dentro da frigideira abrasada de zelo, paciência e fome.

    Previa para si um desfecho trágico. Gomo abutres, os amigos dispostos a bicar a sua carne. O quadro da própria dor levava-o a ler nas paredes um minucioso balanço dos seus haveres. Duvidava da riqueza da terra. A coluna das dívidas crescera de modo a jamais quitá-las quantos anos vivesse. Aos homens devia a sua carne, porque eles tinham fome. E embora eles lhe devessem um corpo de que se orgulhar, não tinha como cobrá-lo.

    Depois do banho, já perfumado, imaginava como seria o amor entre criaturas, os corpos na cama libertos do desgoverno de uma gordura inimiga. Nestes instantes, iludido com algum modesto saldo, chegava a se ver batalhando os adversários. Bastava porém um gesto brusco, para a realidade falar-lhe de uma obesidade em que não havia lugar para a poesia e o amor. E, em seguida, a perspectiva de ser comido com garfo e faca transformava-se na mais obscura questão.

    A mãe combatia seus olhos esgazeados, a alma sempre de luto. O que há de ruim no mundo para olhar-nos com esta suspeita? Oscar regalou-a com um broche de platina, que o cravasse para sempre no peito. Da sua carne deviam pingar gotas de veneno e a certeza da própria cruz. Diante do enigma que Oscar lhe propunha, a mãe, que ao longo da vida repudiara as frases límpidas, pronunciou, ah, meu pastel tão bom filho!

    Quanto mais ela enaltecia virtudes que, em verdade, ambos desprezavam, depressa Oscar preocupava-se em eliminar das bordas do corpo resíduos que porventura não haviam cabido dentro do pastel que era ele. Finalmente, abandonou os terrenos baldios, onde fritara seus pastéis. Já não tolerava que o olhassem com uma fome a que não podia atender. Não tinha como alimentar os miseráveis. Eles deviam morrer sem socorro.

    À medida que se intensificavam suas consultas ao espelho embaçado, o cristal mal o deixava ver o corpo costurado todos os dias pela eficácia do garfo da cozinha. Vestia-se de pastel a cada manhã. Como represália, instalou a sua poltrona na cozinha, dali saindo só para dormir. Atendia às necessidades básicas, e ao novo hábito de espalhar farinha de trigo pelo corpo. Com as cavidades das unhas engorduradas, recebia as visitas ali, forçando-as a alisarem sua pele polvilhada.

    A mãe insurgiu-se contra a grosseria. Não queria os amigos expostos a tal provação. Se ele era prisioneiro da gordura, que a suportasse com dignidade. O filho devolveu-lhe a ofensa com os dentes movendo-se como uma serra elétrica, quase triturou-lhe os braços. E seu desempenho foi tão convincente, que a mãe passou a proteger os membros com espessas peças de lã, mesmo no calor. De fora deixava o rosto. E quando Oscar cobrava-lhe a presença ao alcance das mãos, esquivava-se sob os casacos e as botas.

    Aos trinta anos, Oscar se cansou. Era sua vez agora de comer a quem indicasse pastel. Se havia se prestado a tal papel por tanto tempo, exigia carne humana para o seu apetite. Designaria a vítima com todo esmero. Embora particularmente se inclinasse por pessoas da casa, o sangue fraterno. E, de acordo com seus planos, fingiu-se de cego, tropeçava contra os objetos, para ter os inimigos distraídos. A mãe pediu socorro aos vizinhos que se revezaram junto a ela na primeira semana, para mais tarde a deixarem só. Com tantos encargos, a mãe adotou roupas leves, esquecida das ameaças do filho.

    Por sua vez, Oscar surpreendia-se com os encantos da fala. Nunca o viram discursar com tanto arrebato sobre os objetos que justamente lhe faltavam à vista. Recém-descobrindo ao seu alcance o poder de coincidir a sua fome com uma voracidade verbal que estivera sempre em seu sangue, mas a que não dera importância, entretido em defender-se contra os que o queriam atirar à frigideira.

    A mãe cedo acostumou-se à sua cegueira. Tinha-o como um passageiro de um túnel sem fim. Descrevia-lhe a casa, como se ali fosse hóspede. Queria-o participante do cotidiano, e ganhava súbitas cores no rosto diante da doçura do filho. Foi quando Oscar abriu os olhos, certo de que vencera. E ali estava ela a sorrir, os braços de fora, o corpo exposto. Rapidamente repassou na memória as vezes que ela, movida pela força do amor, chamara-o de pastel, quase a comê-lo. Logo a mãe, que havendo padecido por ele, surpreendia agora no seu olhar um brilho que não era de candeeiro, de alegria, ou de remota verdade de um filho que mal conhecia. O que a mãe descobria no filho era uma labareda empenhada em viver, e um inequívoco jeito de algoz.

    Ela ficou quieta ao seu lado. Oscar tomaria as providências necessárias. Enxergava-o como homem pela primeira vez. Ele aproximou sua poltrona à da mãe, que a havia arrastado para a cozinha. Pediu que se sentasse. Também sentou-se, antes recolhendo alguns fios de cabelos da mulher. E só com o consentimento da mãe passou a vigiá-la.

     

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  • URUBU DE CABEÇA VERMELHA

    Urubu de cabeça vermelha (Cathartes aura)

    Foto: Evangelos Pagalidis

  • PEQUENAS DOSES

    Luiz Antônio Nogueira da Guia.

    Desistência

    Entre os “medalhões” que sonham em estar na Câmara Municipal a partir de 2025, o médico Carlos Victor da Rocha Mendes (Vivique), irmão do ex-prefeito Marquinho Mendes (MDB), comentou entre amigos, que está desistindo da empreitada, na eleição de 6 de outubro. Carlos Victor foi secretário poderoso no governo de Marquinho e recebeu expressiva votação quando suplente de deputado federal.

    Nova tentativa

    Enquanto um “medalhão” desiste, outro insiste. O ex-deputado Paulo César Guia, que teve dois mandatos na Câmara Federal e quase se elegeu prefeito de Cabo Frio, volta a tentar sentar no Plenário Oswaldo Rodrigues. Paulo César, médico cirurgião, ficou conhecido no meio da população como “a mão que salva” e com essa fama se elegeu vereador e depois deputado federal.

    Praia do Siqueira = Descaso

    Entre tantos bairros que sofrem com o descaso da Prefeitura e a ausência de uma política de tratamento adequado (estação terciária) do esgoto, o tradicional bairro da Praia do Siqueira é um dos que mais sofre. A poluição desastrosa de suas outrora límpidas águas, repletas de um lodo fétido e a falta de urbanização da orla contribuem para que a população, em grande parte de pescadores, desacredite da ação do poder público.

    A aliança está engordando

    Nos últimos dias o meio político de Cabo Frio tem assistido intensa atividade no sentido de fortalecer a aliança MDB/PDT, que, a princípio tem como candidata a prefeita Kamilla Mendes (MDB). Os principais articuladores tem sido o ex-prefeito Marquinho Mendes (MDB) e o ex-deputado e presidente do PDT, Janio Mendes e segundo alguns atentos observadores a prefeita Magdala Furtado (PV) não está fora das conversas.

    O nó da aliança – 1

    Segundo alguns peritos em bastidores da política cabofriense a aliança com a prefeita Magdala Furtado (PV) só ainda não aconteceu, porque ela exige ser a “cabeça de chapa”, na majoritária. O ex-prefeito Marquinho Mendes (MDB), que é uma espécie de tutor da coligação, não aceita: ele exige Kamilla Mendes, talvez tentando replicar os exemplos de Araruama e Saquarema.

    O nó da aliança – 2

    O presidente do PDT, Janio Mendes, que é também candidato a vereador, tem acompanhado as posições do ex-prefeito Marquinho Mendes (MDB). Pelo jeito, como diz o velho presidente do conselho, Bibiu (Manoel Lopes da Guia) em suas mensagens psicografadas ao seu neto preferido, “muita água ainda vai passar embaixo da Ponte Feliciano Sodré”. Portanto, paciência caros leitores, contenham a ansiedade.

    O Imbróglio

    O imbróglio entre o grupo político ligado a Rafael Peçanha (agora filiado a Rede Sustentabilidade) e o PT não acabou com a saída de Rafael e sua candidatura a prefeito pela Federação PSOL/REDE. O assunto continua rendendo com o PT atirando contra Rafael apesar do próprio PT ter provocado a saída do professor quando optou por pela presença da prefeita de Cabo Frio dentro da Federação Brasil da Esperança.

    Faniquitos & Chiliques

    No meio desse barraco, que nada tem de institucional, onde a ética passou longe, não cabem os faniquitos do que sobrou do adesista PT de Cabo Frio, que se entregou ao “canto da sereia” da prefeita Magdala Furtado. Muito menos os chiliques do deputado petista Lindbergh Farias, cujo papel pode ser descrito no mínimo como desastroso, digamos assim.

    PT – Preço Alto

    Certamente, o PT de Cabo Frio vai pagar um preço muito alto pelo apoio a uma prefeita, que está fazendo uma administração impopular e conservadora. O que aconteceu no município foi uma intervenção disfarçada da estadual e da nacional, prevalecendo interesses que, obviamente não são os do município e do próprio partido.

    Magdala passeou pelo Podemos e PL

    Importante não esquecer que há bem pouco tempo Magdala passou pelo Podemos, no qual se tornou vice e PL, do qual só saiu, porque o espaço estava ocupado pelo deputado Serginho Azevedo, líder do governo Cláudio Castro, na Assembleia Legislativa (ALERJ). Poderia ter vindo candidata pelo PSB? Claro, mas aí teria um tempo muito acanhado no horário eleitoral gratuito.

    Praça da Cidadania Box A 12 -Tel/Zap – (22) 998689743.

  • E O POMBO ESQUECEU-SE DAS ASAS

    Luciana G. Rugani (*)

    Algumas espécies animais parecem estar se familiarizando até demais com os humanos e suas invenções. Nas ruas, tenho observado um comportamento de muita tranquilidade dos pombos em relação à proximidade dos veículos em movimento. O carro se aproxima e eles seguem tranquilamente pela rua e, além disso, esquecem totalmente que possuem asas. Não voam! Simplesmente não lembram que possuem a capacidade de voar e, quando muito, apenas apertam o passo e se põem a correr para atravessar a rua. O pombo pode voar e fugir rapidamente do perigo, porém acostumou-se tanto com a civilização humana que pouco voa e, por isso, acaba tornando-se vítima do perigo.
    Esse comportamento dos pombos me fez pensar nos tantos seres humanos que, assim como os pombos, também esquecem que possuem “asas”, ou seja, esquecem-se de seus potenciais, de sua própria capacidade e força de superação. Perdem a confiança em si mesmos, não acreditam em sua própria inteligência, descreem totalmente de si. Alguns, talvez por pertencerem a classes sociais e profissões que, por séculos, foram sufocadas e desprovidas de toda forma de direito, ou talvez em função de terem sido submetidos a uma educação muito rígida em que a força e a imposição eram regras e o diálogo nulo, veem-se incapazes de contrapor argumentos e de se defenderem em situações abusivas. Há também aqueles que possuem potenciais artísticos incríveis, capacidades múltiplas para as artes, para as ciências e para a literatura, mas não conseguem enxergar seus dons, agarram-se a pensamentos limitantes e negam suas capacidades. Não percebem o potencial que possuem e precisam, às vezes, de outros que os percebam e os impulsionem. Há também aqueles que ambientam-se tão fielmente à sociedade em que vivem que acabam se agarrando a pensamentos e hábitos já ultrapassados e negam-se a aprimorar suas ideias, não se veem capazes de lidar com o novo. Enfim, há inúmeras situações do comportamento humano que são como o pombo esquecido das asas.
    Essa reflexão cabe também a sociedades. Quantos cidadãos, por exemplo, pensam que não há saída, que a eles cabe apenas se submeterem ao poder daqueles que, por anos, manipulam setores da sociedade por meio do poder ou do dinheiro, perpetuando hábitos coronelistas e controladores. Sociedades inteiras que esquecem seus potenciais, passam a não mais percebê-los e, muito menos, valorizá-los. Esquecem que possuem capacidade para ir além, tornando-se livres da manipulação secular.
    O pombo se enfraquece quando não se lembra mais de suas asas, torna-se a vítima perfeita para os violentos e insensíveis motoristas. Assim, também, o ser humano e as sociedades humanas se enfraquecem, se anulam, perdem a autoestima quando não enxergam seus potenciais e não os valorizam; quando se diminuem perante o impositor, ao invés de se apoderarem, com inteligência, de sua dignidade.

    (*) Luciana G. Rugani
    Academia de Letras e Artes de Cabo Frio – ALACAF e
    Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – ALSPA

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147 respostas em “BLOG DO TOTONHO”

Bom dia, Totonho!
Ver Cabo Frio de longe por suas lente é enxergar um pouco melhor a realidade.
Agradeço pelo retorno!
Fco Póvoas

Boas falas e boas letradas. Agora é hora do saber, o melhor da informação.
Viva a volta do Blog do Totonho!
Salve, o velho Tonhão!

Minha alegria é imensa, Totonho!
Já que não posso ir à Cabo Frio, tu trazes Cabo Frio para mim através do teu blog, tão apreciado por mim desde sempre! Obrigada!

O retorno do Blog do Totonho e a certeza que teremos uma revista recheada de bom humor, poesias, contos, crônicas, provações políticas e memórias infindáveis deste aprazível recanto do país! Como senti falta dele na onda nefasta que nos abateu por quatro anos…

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