- DO CANTO DO FORTE PARA À PRAIApor blogdototonho


Antônio José Christovão – 2023.
- PEQUENAS DOSESpor blogdototonho

Luiz Antônio Nogueira da Guia.
Populismo em desespero
O prefeito de Búzios, Alexandre Martins (Republicanos), fotografado de enxada na mão, tentando limpar e desobstruir ralos da rede de águas pluviais é um exemplo claro de desenfreado de populismo oportunista. No mínimo, fazendo um trabalho, que seu governo já deveria ter executado com bastante antecedência para que a população não fosse prejudicada.Como diria minha avó, “Babau seu Chico”.
As nuvens celestes engordaram
Os prefeitos tendem a colocar a culpa no velho e bom São Pedro, que durante muito tempo controlou as gordas torneiras das nuvens celestes. Acontece que com o passar dos anos e a falta de consciência das tribos dos humanos se desenvolveu o tal do aquecimento global, que foi tirando das mãos do velho santo o controle das torneiras celestes, provocando desastres aqui, ali e acolá. Quem sofre? A população mais pobre.
Demagogia é sinônimo de crueldade.
Outros prefeitos, também numerosos, tem a audácia de colocar a culpa dos desastres ditos “naturais” na população mais pobre que, mora em lugares inadequados, digamos assim. O problema é que nenhum desses prefeitos cumpre a legislação como deveria, impedindo a construção em lugares perigosos e criando políticas habitacionais, que atendessem as necessidades habitacionais.
Demagogia é sinônimo de crueldade 2
O resultado dessa inércia ou descaso administrativo por parte das prefeituras leva a população mais pobre a se ajeitar em áreas consideradas de risco. Na hora das chuvas torrenciais, obviamente é o setor da população mais atingido, o que mais sofre. Fazer demagogia nesses momentos é sinônimo de crueldade.
A Biblioteca
A Biblioteca Municipal Walter Nogueira executa belo trabalho em benefício da população, especialmente dos estudantes das redes públicas do estado e do município. O prédio, porém, que abriga a biblioteca está em péssimo estado e em outras coisas não recebe mais doações por falta de espaço. Uma pena que a mesma prefeitura, que tão rapidamente reformou o “Correão” não tenha a mesma presteza para atender a biblioteca.
Na Faixa de Gaza
O professor José Américo Trindade, conhecido como o “russo branco”, Capitão Babadovsky ou simplesmente Babade, Octávio Perelló, João Sérgio e o militante do PSOL, Cláudio Leitão, formaram na tarde de ontem a linha de frente contra o avanço sionista e imperialista no Oriente Médio. Todos sentiram a falta do maior defensor da Palestina, na Região dos Lagos, Juninho Nogueira, que anda sumido lá pelas bandas do Jardim Flamboyant ou entocado na Faixa de Gaza. A conferir!
Nas redes sociais …
As redes sociais da Internet tem sido palco de conflitos e denúncias de toda sorte, particularmente contra o governo municipal, o que de certa maneira espelha o início da corrida eleitoral. Lamentavelmente, percebe-se que boa parte das denúncias não vem acompanhadas de provas contundentes, mas dotadas de muita agressividade.
Fissuras na Câmara?
A tendência é aparecerem algumas fissuras, na Câmara, eliminando o monopólio político do governo no Legislativo. Alguns vereadores, obviamente apoiarão candidatos (acordos antigos) que não aqueles do prefeito Serginho Azevedo. É bom ficar de olho nos efeitos na administração pública, principalmente nas relações Executivo/Legislativo.

- DIVULGAÇÃOpor blogdototonho




- CASA TOMADApor blogdototonho

Júlio Cortázar (*)
Gostávamos da casa porque, além de ser espaçosa e antiga (as casas antigas de hoje sucumbem às mais vantajosas liquidações dos seus materiais), guardava as lembranças de nossos bisavós, do avô paterno, de nossos pais e de toda a nossa infância.
Acostumamo-nos Irene e eu a persistir sozinhos nela, o que era uma loucura, pois nessa casa poderiam viver oito pessoas sem se estorvarem. Fazíamos a limpeza pela manhã, levantando-nos às sete horas, e, por volta das onze horas, eu deixava para Irene os últimos quartos para repassar e ia para a cozinha. O almoço era ao meio-dia, sempre pontualmente; já que nada ficava por fazer, a não ser alguns pratos sujos. Gostávamos de almoçar pensando na casa profunda e silenciosa e em como conseguíamos mantê-la limpa. Às vezes chegávamos a pensar que fora ela a que não nos deixou casar. Irene dispensou dois pretendentes sem motivos maiores, eu perdi Maria Esther pouco antes do nosso noivado. Entramos na casa dos quarenta anos com a inexpressada ideia de que o nosso simples e silencioso casamento de irmãos era uma necessária clausura da genealogia assentada por nossos bisavós na nossa casa. Ali morreríamos algum dia, preguiçosos e toscos primos ficariam com a casa e a mandariam derrubar para enriquecer com o terreno e os tijolos; ou melhor, nós mesmos a derrubaríamos com toda justiça, antes que fosse tarde demais.
Irene era uma jovem nascida para não incomodar ninguém. Fora sua atividade matinal, ela passava o resto do dia tricotando no sofá do seu quarto. Não sei por que tricotava tanto, eu penso que as mulheres tricotam quando consideram que essa tarefa é um pretexto para não fazerem nada. Irene não era assim, tricotava coisas sempre necessárias, casacos para o inverno, meias para mim, xales e coletes para ela. Às vezes tricotava um colete e depois o desfazia num instante porque alguma coisa lhe desagradava; era engraçado ver na cestinha aquele monte de lã encrespada resistindo a perder sua forma anterior. Aos sábados eu ia ao centro para comprar lã; Irene confiava no meu bom gosto, sentia prazer com as cores e jamais tive que devolver as madeixas. Eu aproveitava essas saídas para dar uma volta pelas livrarias e perguntar em vão se havia novidades de literatura francesa. Desde 1939 não chegava nada valioso na Argentina. Mas é da casa que me interessa falar, da casa e de Irene, porque eu não tenho nenhuma importância. Pergunto-me o que teria feito Irene sem o tricô. A gente pode reler um livro, mas quando um casaco está terminado não se pode repetir sem escândalo. Certo dia encontrei numa gaveta da cômoda xales brancos, verdes, lilases, cobertos de naftalina, empilhados como num armarinho; não tive coragem de lhe perguntar o que pensava fazer com eles. Não precisávamos ganhar a vida, todos os meses chegava dinheiro dos campos que ia sempre aumentando. Mas era só o tricô que distraía Irene, ela mostrava uma destreza maravilhosa e eu passava horas olhando suas mãos como puas prateadas, agulhas indo e vindo, e uma ou duas cestinhas no chão onde se agitavam constantemente os novelos. Era muito bonito.

Como não me lembrar da distribuição da casa! A sala de jantar, uma sala com gobelins, a biblioteca e três quartos grandes ficavam na parte mais afastada, a que dá para a rua Rodríguez Pena. Somente um corredor com sua maciça porta de mogno isolava essa parte da ala dianteira onde havia um banheiro, a cozinha, nossos quartos e o salão central, com o qual se comunicavam os quartos e o corredor. Entrava-se na casa por um corredor de azulejos de Maiorca, e a porta cancela ficava na entrada do salão. De forma que as pessoas entravam pelo corredor, abriam a cancela e passavam para o salão; havia aos lados as portas dos nossos quartos, e na frente o corredor que levava para a parte mais afastada; avançando pelo corredor atravessava-se a porta de mogno e um pouco mais além começava o outro lado da casa, também se podia girar à esquerda justamente antes da porta e seguir pelo corredor mais estreito que levava para a cozinha e para o banheiro. Quando a porta estava aberta, as pessoas percebiam que a casa era muito grande; porque, do contrário, dava a impressão de ser um apartamento dos que agora estão construindo, mal dá para mexer-se; Irene e eu vivíamos sempre nessa parte da casa, quase nunca chegávamos além da porta de mogno, a não ser para fazer a limpeza, pois é incrível como se junta pó nos móveis. Buenos Aires pode ser uma cidade limpa; mas isso é graças aos seus habitantes e não a outra coisa. Há poeira demais no ar, mal sopra uma brisa e já se apalpa o pó nos mármores dos consoles e entre os losangos das toalhas de macramê; dá trabalho tirá-lo bem com o espanador, ele voa e fica suspenso no ar um momento e depois se deposita novamente nos móveis e nos pianos.
Lembrarei sempre com toda a clareza porque foi muito simples e sem circunstâncias inúteis. Irene estava tricotando no seu quarto, por volta das oito da noite, e de repente tive a ideia de colocar no fogo a chaleira para o chimarrão. Andei pelo corredor até ficar de frente à porta de mogno entreaberta, e fazia a curva que levava para a cozinha quando ouvi alguma coisa na sala de jantar ou na biblioteca. O som chegava impreciso e surdo, como uma cadeira caindo no tapete ou um abafado sussurro de conversa. Também o ouvi, ao mesmo tempo ou um segundo depois, no fundo do corredor que levava daqueles quartos até a porta. Joguei-me contra a parede antes que fosse tarde demais, fechei-a de um golpe, apoiando meu corpo; felizmente a chave estava colocada do nosso lado e também passei o grande fecho para mais segurança.

Entrei na cozinha, esquentei a chaleira e, quando voltei com a bandeja do chimarrão, falei para Irene:
— Tive que fechar a porta do corredor. Tomaram a parte dos fundos.
Ela deixou cair o tricô e olhou para mim com seus graves e cansados olhos.
— Tem certeza?
Assenti.
— Então — falou pegando as agulhas — teremos que viver deste lado.
Eu preparava o chimarrão com muito cuidado, mas ela demorou um instante para retornar à sua tarefa. Lembro-me de que ela estava tricotando um colete cinza; eu gostava desse colete.
Os primeiros dias pareceram-nos penosos, porque ambos havíamos deixado na parte tomada muitas coisas de que gostávamos. Meus livros de literatura francesa, por exemplo, estavam todos na biblioteca. Irene pensou numa garrafa de Hesperidina de muitos anos. Frequentemente (mas isso aconteceu somente nos primeiros dias) fechávamos alguma gaveta das cômodas e nos olhávamos com tristeza.
— Não está aqui.
E era mais uma coisa que tínhamos perdido do outro lado da casa.
Porém também tivemos algumas vantagens. A limpeza simplificou-se tanto que, embora levantássemos bem mais tarde, às nove e meia por exemplo, antes das onze horas já estávamos de braços cruzados. Irene foi se acostumando a ir junto comigo à cozinha para me ajudar a preparar o almoço. Depois de pensar muito, decidimos isto: enquanto eu preparava o almoço, Irene cozinharia os pratos para comermos frios à noite. Ficamos felizes, pois era sempre incômodo ter que abandonar os quartos à tardinha para cozinhar. Agora bastava pôr a mesa no quarto de Irene e as travessas de comida fria.
Irene estava contente porque sobrava mais tempo para tricotar. Eu andava um pouco perdido por causa dos livros, mas, para não afligir minha irmã, resolvi rever a coleção de selos do papai, e isso me serviu para matar o tempo. Divertia-nos muito, cada um com suas coisas, quase sempre juntos no quarto de Irene que era o mais confortável. Às vezes Irene falava:
— Olha esse ponto que acabei de inventar. Parece um desenho de um trevo?
Um instante depois era eu que colocava na frente dos seus olhos um quadradinho de papel para que olhasse o mérito de algum selo de Eupen e Malmédy. Estávamos muito bem, e pouco a pouco começamos a não pensar. Pode-se viver sem pensar.
(Quando Irene sonhava em voz alta eu perdia o sono. Nunca pude me acostumar a essa voz de estátua ou papagaio, voz que vem dos sonhos e não da garganta. Irene falava que meus sonhos consistiam em grandes sacudidas que às vezes faziam cair o cobertor ao chão. Nossos quartos tinham o salão no meio, mas à noite ouvia-se qualquer coisa na casa. Ouvíamos nossa respiração, a tosse, pressentíamos os gestos que aproximavam a mão do interruptor da lâmpada, as mútuas e frequentes insônias.
Fora isso tudo estava calado na casa. Durante o dia eram os rumores domésticos, o roçar metálico das agulhas de tricô, um rangido ao passar as folhas do álbum filatélico. A porta de mogno, creio já tê-lo dito, era maciça. Na cozinha e no banheiro, que ficavam encostados na parte tomada, falávamos em voz mais alta ou Irene cantava canções de ninar. Numa cozinha há bastante barulho da louça e vidros para que outros sons irrompam nela. Muito poucas vezes permitia-se o silêncio, mas, quando voltávamos para os quartos e para o salão, a casa ficava calada e com pouca luz, até pisávamos devagar para não incomodar-nos. Creio que era por isso que, à noite, quando Irene começava a sonhar em voz alta, eu ficava logo sem sono.)

É quase repetir a mesma coisa menos as consequências. Pela noite sinto sede, e antes de ir para a cama eu disse a Irene que ia até a cozinha pegar um copo d´água. Da porta do quarto (ela tricotava) ouvi barulho na cozinha ou talvez no banheiro, porque a curva do corredor abafava o som. Chamou a atenção de Irene minha maneira brusca de deter-me, e veio ao meu lado sem falar nada. Ficamos ouvindo os ruídos, sentindo claramente que eram deste lado da porta de mogno, na cozinha e no banheiro, ou no corredor mesmo onde começava a curva, quase ao nosso lado.
Sequer nos olhamos. Apertei o braço de Irene e a fiz correr comigo até a porta cancela, sem olhar para trás. Os ruídos se ouviam cada vez mais fortes, porém surdos, nas nossas costas. Fechei de um golpe a cancela e ficamos no corredor. Agora não se ouvia nada.
— Tomaram esta parte — falou Irene. O tricô pendia das suas mãos e os fios chegavam até a cancela e se perdiam embaixo da porta. Quando viu que os novelos tinham ficado do outro lado, soltou o tricô sem olhar para ele.
— Você teve tempo para pegar alguma coisa? — perguntei-lhe inutilmente.
— Não, nada.
Estávamos com a roupa do corpo. Lembrei-me dos quinze mil pesos no armário do quarto. Agora já era tarde.
Como ainda ficara com o relógio de pulso, vi que eram onze da noite. Enlacei com meu braço a cintura de Irene (acho que ela estava chorando) e saímos assim à rua. Antes de partir senti pena, fechei bem a porta da entrada e joguei a chave no ralo da calçada. Não fosse algum pobre-diabo ter a ideia de roubar e entrar na casa, a essa hora e com a casa tomada.
Nota: Fonte e autoria da tradução não identificadas. O conto Casa Tomada foi publicado pela primeira vez em 1946 no periódico argentino Los Anales de Buenos Aires.
Júlio Cortázar – 1914/1984.
- O FORTE SÃO MATHEUSpor blogdototonho

Antônio José Christovão – Foto de 2013. O Forte São Mateus é um ponto de referência histórico e turístico para a cidade. Fica num dos extremos da Praia do Forte, no topo de uma ilhota, ligada ao continente por uma pequena ponte.
Apesar de não ser muito alto, a subida até lá em cima não é isenta de risco de queda. Esse risco tende a aumentar, naturalmente, com a idade e com quaquer problema físico, visual ou motor, de quem deseja subir, conhecer o Forte por dentro e apreciar a linda vista.
O piso, muito irregular, é, em alguns trechos, parcialmente pavimentado por pedras incrustadas no solo, aparentemente realizado há séculos. Em outros trechos, pisa-se nas próprias pedras inclinadas que formam a ilha. Só existe uma corrente lateral para apoio, simulando um corrimão, a qual não inspira nenhuma confiança.
Sei que não se pode desfigurar o sítio, em função da necessidade de se manter as suas características o mais próximo possível do original. Por outro lado, acredito que esse monumento mereceria um estudo das autoridades visando a encontrar e viabilizar uma forma de acesso segura, mas que o agredisse ao mínimo.
Antônio José Christovão – Texto de 2026.
- PEQUENAS DOSESpor blogdototonho

Luiz Antônio Nogueira da Guia.
O Teatro continua fechado
Apesar dos inúmeros anúncios que a reforma doTeatro Municipal Inah de Azevedo Mureb está praticamente no fim, a sua reinauguração não acontece e o teatro para desgosto dos cabofrienses continua fechado. Quantas plateias deixaram de ser formadas nos últimos anos? Quantos grupos teatrais minguaram sem o teatro?
Prateleiras diferentes
As imagens da operação policial na prisão de um procurado pela justiça escondido no Condomínio da Ilha do Anjo refletem bem a assimetria da ação policial. Na favela, tiro, porrada e bomba, mas em condomínio de luxo a ação é bem conduzida, cirúrgica, sem disparar qualquer tiro. No vídeo, ao ser recolhido ao helicóptero o capturado não estava sequer algemado.
Só Imagine
Pois é, primeiro ressaltar a diferença e a importância da Polícia Federal quando ela comanda a investigação. Imagine meu caro leitor uma ação dessa natureza feita pela PM e Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro no Complexo do Alemão. Complexo da Penha ou mesmo por aqui, em bairros populares de Cabo Frio e Região dos Lagos.
A culpa é de São Pedro?
Mais uma vez as chuvas causaram grandes estragos em Cabo Frio e na Região dos Lagos. Não adianta colocar a culpa em São Pedro, que está com as costas cansadas de tanto ser acusado de tudo e mais um pouco pelos governantes terrenos. Não custa lembrar que é justamente São Pedro que tem em mãos as chaves para entrada no céu, portanto, não é bom brigar com ele
Aquecimento global
Que tal lembrar ao governo do Estado e aos senhores que administram a região que profundas alterações climáticas estão acontecendo e é preciso se preparar para elas? Certamente, ouviram falar em aquecimento global e suas consequências para a humanidade, principalmente para as cidades litorâneas. Que tal refletir sobre o tema?
Impostos, Taxas e Contas a pagar
No dia-a-dia de Cabo Frio nota-se grande irritação na sociedade pela maneira como foi aprovada e implementada a Taxa do Lixo, especialmente pela chamada classe média. Importante não esquecer que é essa camada da sociedade a mais gravada por impostos, particularmente no início do ano: a lista de impostos, taxas e contas a pagar é grande e explica a irritação da opinião pública.
O humor nas redes sociais
O governo e os técnicos em comunicação social da administração do prefeito Serginho Azevedo precisam começar a examinar com paciência e firmeza as razões do desgaste junto as redes sociais. O governo que tinha a hegemonia nas redes tem perdido gradativamente o apoio e sofrido uma chuva, quase diária, de questionamentos.
O Desgaste
É claro que parte do problema vem do desgaste natural do próprio governo e junto com ele o processo eleitoral de 2026, que aguça as denúncias mesmo nas almas mais recolhidas: desgastar o adversário em ano de eleição é quase um mantra na política brasileira. Não é só isso, é preciso colocar o pé no chão e tentar acertar o passo.
Praia do Siqueira
O lodo continua a ser retirado da tradicional Praia do Siqueira. É pouco, muito pouco para os anos de estragos no bairro, que segundo os fotógrafos, tem o mais belo por do sol da cidade. A Praia do Siqueira está precisando de uma reforma e maquiagem na orla, mais cuidado com o bairro que dá tanta coisa bonita para Cabo Frio.





- CONTRABANDISTApor blogdototonho

João Simões Lopes Neto (*)
Batia nos anos o corpo magro mas sempre teso do Jango Jorge, um que foi capitão duma maloca de contrabandistas que fez cancha nos banhados do Ibirocaí.
Esse gaúcho desabotinado levou a existência inteira a cruzar os campos da fronteira: à luz do sol, no desmaiado da lua, na escuridão das noites, na cerração das madrugadas…; ainda que chovesse reiúnos acolherados ou que ventasse como por alma de padre, nunca errou vau, nunca perdeu atalho, nunca desandou cruzada!…
Conhecia as querências, pelo faro: aqui era o cheiro do açouta-cavalo florescido, lá o dos trevais, o das guabirobas rasteiras, do capim-limão; pelo ouvido: aqui, cancha de graxains, lá os pastos que ensurdecem ou estalam no casco do cavalo; adiante, o chapechape, noutro ponto, o areão. Até pelo gosto ele dizia a parada, porque sabia onde estavam águas salobres e águas leves, com sabor de barro ou sabendo a limo.
Tinha vindo das guerras do outro tempo; foi um dos que peleou na batalha de Ituzaingo; foi do esquadrão do general José de Abreu e sempre que falava do Anjo da Vitória ainda tirava o chapéu, numa braçada larga, como se cumprimentasse alguém de muito respeito, numa distância muito longe.
Foi sempre um gaúcho quebralhão, e despilchado sempre, por ser muito de mãos abertas.
Se numa mesa de primeira ganhava uma ponchada de balastracas, reunia a gurizada da casa, fazia — pi! pi! pi! pi! — como pra galinhas e semeava as moedas, rindo-se do formigueiro que a miuçalha formava, catando as pratas no terreiro.
Gostava de sentar um laçaço num cachorro, mas desses laçaços de apanhar a paleta à virilha, e puxado a valer, tanto, que o bicho que o tomava, ficando entupido de dor, e lombeando-se, depois de disparar um pouco é que gritava, num — caim! caim! caim! — de desespero.
Outras vezes dava-lhe para armar uma jantarola, e sobre o fim do festo, quando já estava tudo meio entropigaitado, puxava por uma ponta da toalha e lá vinha, de tirão seco, toda a traquitanda dos pratos e copos e garrafas e restos de comidas e caldas dosdoces!…
Depois garganteava a chuspa e largava as onças pras unhas do bolicheiro, que aproveitava o vento e le echaba cuentas degran capitãn… Era um pagodista!
Aqui há poucos anos — coitado — pousei no arranchamento dele. Casado ou doutro jeito, estava afamilhado. Não nos víamos desde muito tempo.
A dona da casa era uma mulher mocetona ainda, bem parecida e mui prazenteira; de filhos, uns três matalotes já emplumados e uma mocinha — pro caso, uma moça —, que era o — santo-antoninho-onde-te-porei! — daquela gente toda.
E era mesmo uma formosura; e prendada, mui habilidosa; tinha andado na escola e sabia botar os vestidos esquisitos das cidadãs da vila. E noiva, casadeira, já era. E deu o caso, que quando eu pousei, foi justo pelas vésperas do casamento; estavam esperando o noivo e o resto do enxoval dela. O noivo chegou no outro dia, grande alegria; começaram os aprontamentos, e como me convidaram com gosto, fiquei pro festo.
O Jango Jorge saiu na madrugada seguinte, para ir buscar o tal enxoval da filha. Aonde, não sei; parecia-me que aquilo devia ser feito em casa, à moda antiga, mas, como cada um manda no que é seu…
Fiquei verdeando, à espera, e fui dando um ajutório na matança dos leitões e no tiramento dos assados com couro.
Nesta terra do Rio Grande sempre se contrabandeou, desde em antes da tomada das Missões.
Naqueles tempos o que se fazia era sem malícia, e mais por divertir e acoquinar as guardas do inimigo: uma partida de guascas montava a cavalo, entrava na Banda Oriental e arrebanhava uma ponta grande de eguariços, abanava o poncho e vinha a meia-rédea; apartava-se a potrada e largava-se o resto; os de lá faziam conosco a mesma cousa; depois era com gados, que se tocava a trote e galope, abandonando os assoleanos.
Isto se fazia por despique dos espanhóis e eles se pagavam desquitando-se do mesmo jeito.
Só se cuidava de negacear as guardas do Cerro Largo, em Santa Tecla, no Haedo… O mais, era várzea!
Depois veio a guerra das Missões; o governo começou a dar sesmarias e uns quantíssimos pesados foram-se arranchando por essas campanhas desertas. E cada um tinha que ser um rei pequeno… e aguentar-se com as balas, as lunares e os chifarotes que tinha em casa!…Foi o tempo do manda-quem-pode!… E foi o tempo que o gaúcho, o seu cavalo e o seu facão, sozinhos, conquistaram e defenderam estes pagos!…
Quem governava aqui o continente era um chefe que se chamava o capitãogeneral; ele dava as sesmarias mas não garantia o pelego dos sesmeiros…
Vancê tome tenência e vá vendo como as cousas, por si mesmas, se explicam. Naquela era, a pólvora era do el-rei nosso senhor e só por sua licença é que algum particular graúdo podia ter em casa um polvarim… Também só na vila de Porto Alegre é que havia baralhos de jogar, que eram feitos só na fábrica do rei nosso senhor, e havia fiscal, sim, senhor, das cartas de jogar, e ninguém podia comprar senão dessas!
Por esses tempos antigos também o tal rei nosso senhor mandou botar pra fora os ourives da vila do Rio Grande e acabar com os lavrantes e prendistas dos outros lugares desta terra, só pra dar flux aos retnois…
Agora imagine vancê se a gente lá de dentro podia andar com tantas etiquetas e pedindo louvado pra se defender, pra se divertir e pra luxar!… O tal rei nosso senhor não se enxergava, mesmo!… E logo com quem!… Com a gauchada!…
Vai então, os estancieiros iam em pessoa ou mandavam ao outro lado, nos espanhóis, buscar pólvora e balas, pras pederneiras, cartas de jogo e prendas de ouro pras mulheres e preparos de prata pros arreios…; e ninguém pagava dízimos dessas cousas.
Às vezes lá voava pelos ares um cargueiro, com cangalhas e tudo, numa explosão de pólvora; doutras uma partilha de milicianos saía de atravessado e tomava conta de tudo, a couce d’arma: isto foi ensinando a escaramuçar com os golas-de-couro.
Nesse serviço foram-se aficionando alguns gaúchos: recebiam as encomendas e pra aproveitar a monção e não ir com os cargueiros debalde, levavam baeta, que vinha do reino, e fumo em corda, que vinha da Bahia, e algum porrão de canha. E faziam trocas, de elas por elas, quase. Os paisanos das duas terras brigavam, mas os mercadores sempre se entendiam…
Isto veio mais ou menos assim até a guerra dos Farrapos; depois vieram as califórnias do Chico Pedro; depois a guerra do Rosas.
Aí inundou-se a fronteira da província de espanhóis e gringos emigrados. A cousa então mudou de figura. A estrangeirada era mitrada, na regra, e foi quem ensinou a gente de cá a mergulhar e ficar de cabeça enxuta…; entrou nos homens a sedução de ganhar barato: bastava ser campeiro e destorcido. Depois, andava-se empandilhado, bem armado; podia-se às vezes dar um vareio nos milicos, ajustar contas com algum devedorde desaforos, aporrear algum subdelegado abelhudo…
Não se lidava com papéis nem contas de cousas: era só levantar os volumes, encangalhar, tocar e entregar!… Quanta gauchagem leviana aparecia, encostava-se. Rompeu a guerra do Paraguai. O dinheiro do Brasil ficou muito caro: uma onça de ouro, que corria por trinta e dois, chegou a valer quarenta e seis mil-réis!… Imagine o que a estrangeirada bolou nas contas!…
Começou-se a cargueirear de um tudo: panos, águas de cheiro, armas, minigâncias, remédios, o diabo a quatro!… Era só pedir por boca! Apareceram também os mascates de campanha, com baús encangalhados e canastras, que passavam pra lá vazios e voltavam cheios, desovar aqui…
Polícia pouca, fronteira aberta, direitos de levar couro e cabelo e nas coletarias umas papeladas cheias de benzeduras e rabioscas… Ora… ora!… Passar bem, paisano!…
A semente grelou e está a árvore ramalhuda, que vancê sabe, do contrabando de hoje. O Jango Jorge foi maioral nesses estropícios. Desde moço. Até a hora da morte.
Eu vi.
Como disse, na madrugada véspera do casamento o Jango Jorge saiu para ir buscar o enxoval da filha. Passou o dia; passou a noite.
No outro dia, que era o do casamento, até de tarde, nada. Havia na casa uma gentama convidada; da vila, vizinhos, os padrinhos, autoridades, moçada. Havia de se dançar três dias!… Corria o amargo e copinhos de licor de butiá.
Roncavam cordeonas no fogão, violas na ramada, uma caixa de música na sala. Quase ao entrar do sol a mesa estava posta, vergando ao peso dos pratos enfeitados.
A dona da casa, por certo traquejada nessas bolandinas do marido, estava sossegada, ao menos ao parecer.
Às vezes mandava um dos filhos ver se o pai aparecia, na volta da estrada, encoberta por uma restinga fechada de arvoredo.
Surgiu dum quarto o noivo, todo no trinque, de colarinho duro e casaco de rabo. Houve caçoadas, ditérios, elogios.
Só faltava a noiva; mas essa não podia aparecer, por falta do seu vestido branco, dos seus sapatos brancos, do seu véu branco, das suas flores de laranjeira, que o pai fora buscar e ainda não trouxera. As moças riam-se; as senhoras velhas cochichavam.
Entardeceu.
Nisto correu voz que a noiva estava chorando: fizemos uma algazarra e ela — tãoboazinha! — veio à porta do quarto, bem penteada, ainda num vestidinho de chita de andar em casa, e pôs-se a rir pra nós, pra mostrar que estava contente.
A rir, sim, rindo na boca, mas também a chorar lágrimas grandes, que rolavam devagar nos olhos pestanudos…
E rindo e chorando estava, sem saber por quê… sem saber por que, rindo e chorando, quando alguém gritou do terreiro: — Aí vem o Jango Jorge, com mais gente!…
Foi um vozerio geral; a moça porém ficou, como estava, no quadro da porta, rindo e chorando, cada vez menos sem saber por quê… pois o pai estava chegando e o seu vestido branco, o seu véu, as suas flores de noiva… Era já fusco-fusco. Pegaram a acender as luzes.
E nesse mesmo tempo parava no terreiro a comitiva; mas num silêncio, tudo. E o mesmo silêncio foi fechando todas as bocas e abrindo todos os olhos. Então vimos os da comitiva descerem de um cavalo o corpo entregue de um homem, ainda de pala enfiado…
Ninguém perguntou nada, ninguém informou de nada; todos entenderam tudo…; que a festa estava acabada e a tristeza começada…
Levou-se o corpo pra sala da mesa, para o sofá enfeitado, que ia ser o trono dos noivos. Então um dos chegados disse:
— A guarda nos deu em cima… tomou os cargueiros… E mataram o capitão, porque ele avançou sozinho pra mula ponteira e suspendeu um pacote que vinha solto.., e ainda o amarrou no corpo… Aí foi que o crivaram de balas… parado… Os ordinários!… Tivemos que brigar, pra tomar o corpo!
A sia-dona mãe da noiva levantou o balandrau do Jango Jorge e desamarrou o embrulho; abriu-o.
Era o vestido branco da filha, os sapatos brancos, o véu branco, as flores de laranjeira…
Tudo numa plastada de sangue… tudo manchado de vermelho, toda a alvura daquelas cousas bonitas como que bordada de cobrado, num padrão esquisito, de feitios estrambólicos… como flores de cardo solferim esmagadas a casco de bagual!…
Então rompeu o choro na casa toda.
(*) João Simões Lopes Neto – 1865/1916.
(**) Conto incluído na coletânea “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”, organizado pelo crítico literário Italo Moriconi
- SEMANA LIA NAVARRO 5por blogdototonho

Enseada das Palmeiras – Lia Navarro 5
- PEQUENAS DOSESpor blogdototonho

Luiz Antônio Nogueira da Guia.
A prisão não foi feita na favela
Foi preso, em Cabo Frio, aquele que é considerado pela polícia um criminoso de altísima periculosidade. Engraçado que o criminoso não foi capturado no Jacaré, no Manoel Corrêa e muito menos no Jardim Esperança e adjacências. O homem estava muito bem instalado em um dos condomínios mais luxuosos de Cabo Frio e da Região dos Lagos, o Condomínio da Ilha do Anjo. Caso estivesse em São Paulo poderia estar em Alphaville ou mesmo na Avenida Faria Lima.
A violência interessa a quem?
Não houve matança, tiroteios e violência extrema como a ultradireita tanto gosta e procura tirar ganhos eleitorais: tiro, porrada e bomba, só em favelas e bairros populares, onde as famílias dos jovens mortos é que são obrigadas a explicar, que seus filhos não pertenciam a organizações criminosas.
A violência interessa a quem? 2
A captura ocorrida em Cabo Frio de um suspeito considerado um dos líderes do crime organizado não foi na favela. Será que um dia os que defendem a violência e o genocídio contra as comunidades pobres, especialmente de jovens negros, vão finalmente perceber a realidade? Ou não interessa entender?
O modelho é falho e incompetente
Diariamente os jornais, sites e portais de notícias trazem vídeos, fotos de operações políciais contra o tráfico. quase sempre em comunidades populares. Os “rambos” são fotografados e se postam no entorno das pequenas apreensões. No dia seguinte realizam ritual semelhante de “enxugar gelo”, num processo que não termina, algo semelhante ao “moto perpétuo”. Alguém tem explicar a essa turma, que esse modelo falhou e que não dá mais.

36 anos da Folha dos Lagos
A contagem é regressiva para a Folha dos Lagos comemorar 36 anos de fundação. O jornal circulou pela primeira vez em abril de 1990, no dia 30. Detalhe importante: o fundador, jornalista Moacir Cabral, expandiu os negócios e criou o Dom Cabral, o “maior bar do mundo”, que faz sucesso entre os boêmios da cidade.
É triste
É triste: Teatro Municipal Inah de Azevedo Mureb fechado, a Biblioteca Walter Nogueira caindo aos pedaços e… o Cine Recreio, fechado há muitos anos, sem qualquer utilização. Também é doloroso ver o antigo prédio da Telerj transformado em Palácio dos Ratos

Cacique de Ramos no Itajuru
O Cacique de Ramos, histórico bloco carnavalesco carioca, berço de gente como Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho e Sombrinha, se apresenta neste sábado na Quadra do Itajuru. Criado em 1961 o Cacique é patrimônio imaterial do Estado e durante muito tempo teve como rivais o Bafo da Onça e o Boêmios de Irajá. O evento é da Escola de Samba Império de Cabo Frio.
O Desgaste!
Alguns “analistas de café”, encontrados no perímetro, da Prefeitura até o Largo de Santo Antônio estão surpresos como Serginho Azevedo (PL) tem apanhado nas redes sociais. A pergunta que não quer calar é: o que está pegando no governo do “tapetinho”? A já famosa Taxa de Lixo não consegue explicar o desgaste. O desgaste é real ou se manifesta com mais ênfase na rede?
Cerco ao Irã
Continua a pressão dos EUA contra o Irã, com Trump caindo mais uma vez em contradição, embora a grande imprensa não dedique muito tempo a qualquer análise, que não tenha a visão ofcial do governo norte-americano. Afinal, se os EUA destruiram, após bombardeios ditos arrasadores, a capacidade iraniana de produzir bombas atômicas, qual é realmente o problema?
Vira-latas
Não consegui ver na TV aberta nenhuma análise concreta sobre o discurso de Trump ao Congresso dos EUA. Foi uma encenação vergonhosa! Tão mal produzida, que, certamente os animadores de auditório brasileiros fariam bem melhor. A mídia corporativa brasileira dentro do seu manual de vira-latas não arranha a expressão de decadência das relações políticas dos EUA expressas na fala de Trump.
- UNIVERSALpor blogdototonho

José Sette de Barros (*)
Não há o que entender
Nem Sócrates, Hegel
Kant, Espinosa, Marx
Nietzsche, Eisenstein…
Mesmo outros super-homens
Nunca viajaram para fora e
Para dentro deste e doutros
Infindáveis mundos…
Como entender o infinito
O fim do ser, o nada
Além…
Alguém, Ninguém.
(*) José Sette de Barros é Cineasta, Escritor e Artista Plástico.
- SEMANA LIA NAVARRO 4por blogdototonho

Forte São Matheus – Lia Navarro 4

- PEQUENAS DOSESpor blogdototonho

Luiz Antônio Nogueira da Guia.

A vida de Noel Rosa
O espetáculo musical sobre a história do samba e a vida do grande Noel Rosa estreia em 20 de março, às 20 horas, no Teatro Átila Costa, em São Pedro da Aldeia. O texto é do escritor Geraldo Afonso. A direção é de Daniel Ericsson e a produção da Samburá Multiartes.
Críticas
O ex-deputado Janio Mendes e os sites de notícias do ex-vereador e ex-secretário Dirlei Pereira e Juarez Volotão tem se notabilizado pelas críticas ao governo de Serginho Azevedo. Janio Mendes tem concentrado seu discurso nas áreas de economia/finanças, especialmente sobre o IPTU e a cobrança da Taxa de Lixo.
Caminhos opostos
Depois de muitos anos de atuação política, inclusive ocupando cargos no executivo municipal, Dirlei Pereira e o ex-prefeito Alair Corrêa ficaram em caminhos opostos politicamente. Dirlei é um crítico ácido da administração de Serginho Azevedo e Alair, desde a eleição em 2024, tem demonstrado apoio ao prefeito de Cabo Frio.

A Praça da Ferradura precisa de bancos
Manoel Eduardo (Marreco) o veterano “vereador do povo”, aquele que há muitos anos defende as causas populares de Búzios pergunta ao prefeito Alexaandre Martins: por que na Praça da Ferradura não há bancos? Como sempre o veterano político buziano sai em defesa dos direitos da população. O prefeito precisa trabalhar mais rápido e melhor.
Rússia X Ucrânia
O Blog colocou hoje a segunda etapa da matéria jornalística sobre o conflito entre a Rússia e Ucrânia. A guerra completou quatro anos essa semana e é alvo de desinformação generalizada, produção em massa de “fake news”. O Blog, sem juízo de valor, expõe matéria com o outro lado da informação, de origem russa, quase nunca publicada pela mídia corporativa ocidental.
Baixaria
Melodramas e baixarias de toda a sorte marcaram o discurso de Donald Trump frente ao Congresso dos EUA. A cada fala, por mais curta e sem importância que fosse, os republicanos levantavam-se e cobriam Trump de palmas: parecia ensaio comandado por Roque, ajudante de palco de Sílvio Santos: o homem do Baú fazia melhor.
Modelo nefasto
Grande parte do Congreso Nacional Brasileiro (Câmara de Deputados Federais e Senado Federal da República), com clara hegemonia da direita e ultradireita parece ter pegado como modelo o norte-americano. As cenas de explícita baixaria e leis absolutamente exdrúxulas são cada vez mais comuns.
Programa “Minha primeira arma”
O Portal da Câmara de Deputados mostra os absurdos perpetrados pela extrema direita no Parlamento. A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou em fevereiro de 2026 projetos que facilitam a compra de armas, incluindo o PL 2.959/2025 (Programa “Minha Primeira Arma”) e o PL 4.750/24. Ambos visam facilitar a aquisição de armas por jovens, reduzem impostos e chegam ao ponto de criar linhas de crédito específicas para facilitar as compras.
Vergonha da Nação
Os deputados poderiam ter criado programas como “Meu primeiro livro” ou “Minha primeira peça de teatro” ou mesmo “O meu 1º Filme”. Nada disso interessa a eles, que dentro da arrogância típica do nazi-fascismo, desejam violência e morte como solução para os múltiplos problemas da sociedade.




- A HIPOCRISIA COMO CONFLITO SOCIALpor blogdototonho

Luciana G. Rugani (*)
Alguns acontecimentos dos últimos dias deixaram muito material sobre o qual a sociedade precisa se debruçar e pensar, cada um se autoanalisar e refletir sobre as tantas mudanças sociais pelas quais já passamos e sobre a necessidade de seguir pra frente, deixando pra trás aquilo que não cabe mais e que representa o atraso e o preconceito.
Frequentemente, acontecem tragédias em que homens, covardemente, por meio de violência contra a mulher ou contra os filhos, destroem a própria família. Dias atrás, um tribunal absolveu um homem que mantinha relação marital com uma criança de 12 anos (a enorme repercussão contrária acabou levando à revisão da sentença). No carnaval, houve o desfile de uma escola de samba que buscou promover um importante debate crítico por meio de uma de suas alas.
E o que teriam em comum tantos fatos diferentes?
Na base de todos encontra-se um conflito social que precisamos reconhecer e sobre o qual é preciso refletir: a hipocrisia, o distanciamento entre os rótulos e as atitudes, hipocrisia essa que, às vezes, costuma enganar algumas pessoas a ponto de elas nem perceberem que a reforçam. Em alguns casos, essa hipocrisia tem raiz em conceitos arcaicos, impregnados culturalmente e ocultos sob enganosos entendimentos oriundos de um orgulho dominador e possessivo. Conceitos como “Deus, Pátria e Família”, por exemplo, totalmente deturpados, fora da nossa realidade atual, interpretados de maneira arcaica como uma maneira de impor um domínio cuja raíz é um orgulho eivado de arrogância e preconceito.
Não entrarei aqui no campo de nenhuma religião específica, mas, se fizermos uma reflexão básica sobre o conceito de “Deus”, considerando a ideia de um criador de todo o universo, atemporal, onisciente, sem começo e nem fim, que é a ideia básica de qualquer discussão sobre o tema, é claro que a imagem de alguém humano, imperfeito e dotado dos mesmos erros e características de qualquer ser humano é incompatível com a ideia de uma fonte criadora de todo o universo. Então por que compreendê-lo da mesma maneira humanizada que os antigos, de inteligência primária, que constituíam uma sociedade ainda primitiva e brutalizada, o compreendiam? Já não é tempo de rever, mais profundamente, os conceitos? Uma comparação básica que muito ajuda nessa reflexão: por que muitos desses que usam a máscara religiosa como algo formal, como uma capa para esconder as aberrações que executam, quase nunca falam em Jesus? Por que preferem se agarrar a passagens do Antigo Testamento e pouco se importam com as falas de Cristo? O Novo Testamento abriu uma nova era, em que, segundo o ensino pregado por Jesus, a força e a imposição de domínio sobre o outro seriam substituídos por leis de amor, pelo respeito e pelo não-julgar, portanto abraçar esse novo entendimento certamente exigiria abrir mão do orgulho pernicioso, do preconceito, da visão de superioridade e de posse sobre o outro.
E o conceito de “Pátria”, tão utilizado para transmitir uma sensação de que a sociedade deve estar sempre pronta a seguir um comando forte e ditatorial, esquecendo que pátria se defende é na defesa da soberania roubada no dia a dia, que pátria se fortalece é no combate às injustiças sociais e na defesa da democracia, pois uma sociedade mais justa e próspera para todos é que a tornará mais forte e independente.
E o que dizer então do conceito de “Família”! Esse, então, é um dos mais deturpados a todo instante. A imagem de bela família mas que, por dentro, no lar, impera a violência contra a mulher, a visão dos filhos e da mulher como propriedade, a visão preconceituosa da mulher, esquecendo que ela também é um ser livre, que, ao unir-se a um homem, não passou a ser propriedade dele. Uma imagem de bela família que contrasta com a imposição da ideia de que o homem é quem domina e que à mulher cabe “edificar” o lar, ou seja, o homem pode errar à vontade que o lar está nas mãos da mulher, e ela nunca deve errar, sob pena de pesado julgamento. Uma visão totalmente arcaica, enganosa, sem nenhum sentido de realidade, que deveria ter sido deixada lá atrás, nas dobras do tempo, nos primórdios de séculos passados. A mulher não é propriedade. A menina, criança, tem direito a estudar, a se formar, a tornar-se uma mulher e cidadã livre para, a partir daí, escolher seus caminhos e tomar suas decisões. Jamais se deve encarar como normal a relação conjugal de um homem com uma criança, nem justificá-la como comum em razão de ser costume em alguma localidade. Não, isso não é normal, foi um costume normal no passado arcaico, em que a subjugação feminina era aceita, porém há séculos isso ficou pra trás e lá deve permanecer. A sociedade evoluiu, e os conceitos também precisam evoluir. E se é para utilizar o mesmo verbo, hoje o lar é “edificado” sobre pilares como respeito, amor, companheirismo e responsabilidades compartilhadas. Fruto de uma parceria horizontal, e não de uma relação de superioridade ou de domínio, não de uma hierarquia rígida e baseada na posse.
Incrível como tantas pessoas se escondem sobre os rótulos enganosos desses conceitos e aprontam as piores aberrações! Sabemos que não há perfeição, pois somos humanos, somos imperfeitos e por isso estamos vivos, para evoluir ao menos um pouco e deixar pra trás preconceitos e conceitos arcaicos. Mas não estamos aqui para conservar hábitos, costumes e entendimentos que já não cabem mais em nossa sociedade.
Costumam usar também o termo “conservador” como se fosse algo saudável e bom. Quando que conservar entendimentos equivocados e ultrapassados é algo saudável? Basta refletir um pouco mais!
Outra coisa que tem se tornado muito comum é o uso da interpretação mais conveniente para garantir a preservação de outros interesses. Vimos isso na questão da ala da escola de samba à qual me referi no início. No desfile, o que houve foi uma crítica social a comportamentos, à hipocrisia presente nos comportamentos. Não houve nada relativo a religiões específicas, entretanto alguns políticos e líderes religiosos sem escrúpulos, que usam as máscaras e os rótulos da religião como meio de defender interesses outros, sejam econômicos ou políticos, articularam a divulgação, para seus seguidores, de uma interpretação equivocada, como se a escola estivesse se referindo aos membros de determinado nicho religioso. Com isso, buscaram atrair a indignação dos religiosos contra a escola, e aqueles que não param para analisar profundamente e se deixam levar pelos rótulos, mais uma vez entraram no jogo enganoso dos hipócritas, morderam a isca e perderam uma boa oportunidade de compreender a crítica social feita e abrir os olhos para perceber os falsos e hipócritas da atualidade.
Nos dias atuais, a hipocrisia pode ser encarada como um importante conflito social, pois sua propagação tem promovido intolerância, radicalismo e profundas dissensões. E, no âmbito religioso, a hipocrisia aliada à fé sem questionamentos, à política e impulsionada pela força da internet e das redes sociais torna-se uma venda imposta a grande parte de seguidores das mais diversas religiões, a ponto de alguns defenderem justamente aquilo que mais mal faz para a essência real dessas religiões.(*) Luciana G. Rugani – Pensadora, escritora e poeta.
- Raízes da operação militar especial russa: história do conflito ucraniano – 2por blogdototonho

Moradores de Sevastopol em um concerto festivo após a realização do referendo sobre o status da Crimeia
Crimeia
Buscando proteger seu direito à autodeterminação e à língua materna, os habitantes da Crimeia, em referendo realizado em 16 de março de 2014, votaram esmagadoramente a favor da reunificação com a Rússia. A região foi incorporada à Rússia.
Proclamação de RPD e RPL, bombardeio de cidades
Na primavera de 2014, foram proclamadas repúblicas populares nos territórios das regiões de Donetsk e Lugansk. Em resposta, as autoridades da Ucrânia acusaram a população de “separatismo” e iniciaram uma operação militar na região, que se transformou em um conflito armado em grande escala. Contra a milícia popular, foram lançados tanques e aviação.
Cidades como Donetsk, Gorlovka, Lugansk e Debaltsevo foram submetidas por anos a bombardeios de artilharia pelo regime ucraniano. Bairros residenciais, hospitais e escolas foram destruídos.

1. Uma mulher na varanda de uma casa bombardeada pelo exército ucraniano. – AP Photo / Mstyslav Chernov.

2. Milicianos populares transportam uma vítima mortal do ataque aéreo da Força Aérea Ucraniana contra o prédio da administração regional em Lugansk – Sputnik / Evgeny Biyatov

3. Uma mulher olha através de uma janela quebrada de seu apartamento depois que ele foi atingido pela artilharia ucraniana na área de Voroshilovsky, no centro de Donetsk, Ucrânia. – AP Photo / Manu Brabo
‘A Madona de Gorlovka’
Em 27 de julho de 2014, as formações armadas das Forças Armadas da Ucrânia bombardearam as ruas de Gorlovka com lançadores de foguetes Grad. 22 moradores da cidade morreram, entre eles a “Madona de Gorlovka” Kristina Zhuk e sua filha de dez meses, Kira. Com a criança no colo, a mãe tentou fugir dos soldados ucranianos. A foto de Kristina morta, deitada na grama da praça da cidade ainda segurando sua filha, tornou-se um símbolo do terror bárbaro da Ucrânia contra o povo resistente do Donbass.

“A Madonna de Gorlovka” — a jovem Kristina Zhuk e sua filha de 10 meses morreram em 27 de julho de 2014, quando formações armadas da Ucrânia bombardearam as ruas de Gorlovka com lançadores Grad. Foto / Belaya Kniga Novorossii
Tragédia em Zugres
Em 13 de agosto de 2014, as Forças Armadas da Ucrânia bombardearam uma praia infantil na cidade de Zugres. 13 pessoas morreram no local, quatro outras posteriormente. Mais de 40 ficaram feridas. Segundo testemunhas, o dia estava quente e a praia no rio Krynka estava lotada de banhistas, muitos com crianças pequenas. A investigação mostrou que o bombardeio da praia infantil em Zugres foi realizado com lançamento de foguetes do sistema Smerch.
Acordos de Minsk
Uma tentativa de deter o conflito armado e a morte de civis foram os Acordos de Minsk. Assinados em 2014 e 2015 com mediação da Rússia, Alemanha e França, os acordos estabeleciam medidas essenciais para resolver a situação: aprovar uma lei de anistia para todos os participantes do conflito civil, declarar as repúblicas de Donetsk e Lugansk como territórios especiais e consolidar isso na Constituição ucraniana, organizar eleições locais, entre outras.
Mas nenhum ponto foi cumprido. A Ucrânia violou sistematicamente os acordos. Não houve cessar-fogo nem retirada das armas ucranianas: observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) registravam regularmente bombardeios das Forças Armadas da Ucrânia em Donetsk e Lugansk, inclusive com uso de armamento pesado. Além disso, Kiev constantemente dificultava o monitoramento da OSCE, negando acesso a várias áreas.
Como posteriormente admitiram líderes europeus, os acordos foram assinados não para serem cumpridos, mas para ganhar tempo e reforçar o poder militar da Ucrânia. O ex-presidente ucraniano, Pyotr Poroshenko, declarava abertamente que o objetivo de Kiev não era a paz, mas o desgaste do inimigo. Sua frase infame de que “os filhos deles ficarão presos em porões” mostrava o desprezo da elite de Kiev pelo sofrimento dos habitantes do Donbass.

Presidente da Belarus Aleksandr Lukashenko, seu homólogo russo Vladimir Putin, ex-chanceler alemã Angela Merkel, ex-presidente francês François Hollande e ex-presidente ucraniano Pyotr Poroshenko em 11 de fevereiro de 2015 durante uma reunião destinada a pôr fim a dez meses de combates na Ucrânia. – AFP 2023 / HO/Presidential Press-service/Mykola Lazarenko
Novo ciclo do conflito
O atual líder ucraniano, Vladimir Zelensky, que assumiu o poder em abril de 2019, continuou a política repressiva das autoridades ucranianas contra a população do sudeste do país. Em 17 de fevereiro de 2022, a RPD e RPL informaram sobre os bombardeios mais intensos dos últimos meses pelas Forças Armadas da Ucrânia.
Objetivos da operação militar especial

21 de fevereiro de 2022. O presidente russo, Vladimir Putin, durante o discurso. – Sputnik / Aleksei Nikolsky
O presidente russo, Vladimir Putin, explicou que tomou essa decisão em nome das pessoas que estavam sofrendo genocídio por parte do regime de Kiev. Vladimir Putin (24 de fevereiro de 2022): “As circunstâncias exigem de nós ações decisivas e imediatas. As repúblicas populares do Donbass pediram ajuda à Rússia. Em relação a isso, de acordo com o artigo 51, parte 7, da Carta da ONU, com a sanção do Conselho da Federação e em cumprimento aos tratados de amizade e assistência mútua ratificados pela Assembleia Federal com a RPD e a RPL, tomei a decisão de conduzir uma operação militar especial”.
Garantir Objetivos principais da operação militar especial:
– Garantir os direitos da população de língua russa.
– Legitimar a escolha do povo.
– Desmilitarização (neutralizar a ameaça militar e impedir os planos da Ucrânia de aderir à OTAN).
– Desnazificação (reprimir a disseminação da ideologia neonazista).
Incorporação dos novos territórios à Rússia
Em setembro de 2022, foram realizados referendos na RPD, RPL e nas regiões de Zaporozhie e Kherson sobre a incorporação desses territórios à Rússia. A grande maioria dos moradores votou a favor. Em 30 de setembro foram assinados os tratados de incorporação das quatro regiões à Rússia.

Putin reconhece a independência das Repúblicas de Donetsk e Lugansk da Ucrânia, 21 de fevereiro de 2022. – Sputnik / Aleksei Nikolsky
- SEMANA LIA NAVARRO 3por blogdototonho

Portinho – Lia Navarro 3
- PEQUENAS DOSESpor blogdototonho

Luiz Antônio Nogueira da Guia
Sem candidatos
Estamos no final de fevereiro e até o momento não se tem qualquer notícia de candidatos do campo da esquerda, em Cabo Frio. Os movimentos que se percebe são de cabos eleitorais, trabalhando politicamente para candidatos a Assembleia Legislativa ou Câmara Federal da capital e de outras cidades.
Tem consequências
É óbvio que a ausência de candidatos próprios da esquerda, no município para a Assembleia Legislativa e a Câmara Federal, enfraquece esse campo para em 2028 ter candidaturas fortes para a Câmara de Vereadores e até para Prefeito. É um dos fatores que contribui para que hoje a Câmara tenha o monopólio político e ideológico de vereadores do “bloco conservador”.
Questão de aliança
Para mudar o panorama político e ideológico da Câmara de Vereadores de Cabo Frio é necessário que o “bloco progressista”, representado pelo PT, PDT e PSB e a esquerda (PSOL, Rede Sustentabilidade e Unidade Popular) façam sólidas alianças. Com “rachas” a tendência é o “bloco conservador” continuar a ter monopólio do Legislativo.
Cambalhotas
É claro que a vida política é cheia de nuances e reviravoltas, mas Aldo Rebelo, ex-presidente do Partido Comunista do Brasil (PC do B), na Democracia Cristã (DC) é um pouco demais. A política brasileira não para de nos reservar surpresas. Ela não pula ou mesmo grita, mas dá cambalhotas dignas de circo do interior.
Trump e a Decadência
O governo Donald Trump, com sua fanfarronice e caminhos belicosos e tortuosos, está expondo ao planeta a decadência dos EUA, que com a queda e fragmentação da URSS, havia se transformado em potência unipolar. O dólar derrete aceleradamente e muito em breve as transações internacionais serão realizadas através de uma bolsa de moedas.
Rússia X Ucrânia
Para quem quer se informar para além da mídia corporativa, em especial Organizações Globo, Estado de São Paulo (Estadão), Folha de São Paulo, Reuters, Assoc Press, o Blog trás, dividida em capítulos, ampla matéria sobre o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, com a visão russa, produzida pelo Portal Sputnik. Vale conferir.
Nem os Keynesianos
O Blog convida seus leitores a buscar veículos alternativos, na medida em que a grande mídia corporativa dá uma visão distorcida da realidade. Focam em apenas um lado do universo político/ideológico, que é bem mais amplo. Exemplo: todos são contrários a derrubada da semana 6 X 1, como já se posicionaram contra o salário mínimo e o 13º.

John Maynard Keynes – 1883/1946.
Nem os Keynesianos 2
Basta ver, que os “jornalões”: só buscam a opinião dos economistas liberais (Escola de Chicago) e neoliberais, ligados a especulação financeira. São tão caras de pau, que até mesmo os economistas de orientação keynesiana não são chamados a debater. Ao grande público é dado apenas a visão do mercado financeiro.
- Raízes da operação militar especial russa: história do conflito ucraniano -1por blogdototonho

Golpe de Estado na Ucrânia
Os eventos do Euromaidan levaram à crise política na Ucrânia. Em novembro de 2013, o presidente ucraniano Viktor Yanukovich recusou-se a assinar o Acordo de Associação com a União Europeia, temendo a ruptura das relações já existentes com a Rússia. Essa decisão provocou protestos em massa em Kiev.
O confronto de três meses entre as forças de segurança e os manifestantes – muitos dos quais nacionalistas – resultou em dezenas de mortes e um golpe de Estado.
Na noite de 22 de fevereiro, os ativistas do Euromaidan tomaram o complexo governamental, assumindo o controle dos prédios do parlamento, da presidência e do governo. Como resultado do golpe de Estado, o poder foi transferido para a oposição. O presidente legítimo Viktor Yanukovich foi forçado a fugir urgentemente para a Rússia.




1. Policiais durante confrontos com manifestantes na Praça da Independência em Kiev – Sputnik / Andrei Stenin
2. Policiais durante confrontos com manifestantes na Praça da Independência em Kiev – Sputnik / Aleksei Furman
3. Participante de ações em apoio à integração europeia da Ucrânia na rua Grushevsky em Kiev – Sputnik / Andrei Stenin
4. Policiais são vistos na Praça Maidan, em Kiev, onde começaram os confrontos entre manifestantes e a polícia – Sputnik / Andrei Stenin
Perseguições à língua russa

Desde 2014, as autoridades de Kiev iniciaram uma ofensiva sistemática contra a população de língua russa. Foram aprovadas leis que limitam o uso da língua russa:
– Foi revogada a Lei de Bases da Política Linguística do Estado, de 2012.
– Reduziu-se o número de escolas onde o ensino era realizado em língua russa. A partir de 1º de setembro de 2020, as escolas que ensinavam em idioma russo na Ucrânia passaram a ensinar no idioma oficial.
– Foram aprovadas emendas à Lei da Televisão e Radiodifusão. A quota de transmissão em ucraniano na televisão e rádio de âmbito nacional e regional aumentou para 75% por semana, e para 60% na mídia local.
– Foi suspensa a transmissão de canais de TV russos, proibida a exibição de filmes russos e vedada a participação de artistas incluídos na “lista de pessoas que representam ameaça à segurança nacional”.
– Foi aprovada a Lei de Garantia do Funcionamento do Ucraniano como Língua Nacional.
– Foram aprovadas as leis sobre os povos autóctones da Ucrânia e sobre as minorias nacionais da Ucrânia, que excluíram definitivamente os russos da proteção jurídica do Estado.
Perseguição da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscou

Mosteiro feminino de Santa Iveron (à direita) e a igreja de Santa Olga, princesa igual aos apóstolos (à esquerda), destruídos durante as hostilidades em Donetsk.
A perseguição da Igreja Ortodoxa Ucraniana, historicamente ligada ao Patriarcado de Moscou, se tornou norma, incluindo a tomada de templos e a perseguição de clérigos desta Igreja:
– Em 23 de setembro de 2024, entrou em vigor a lei “Sobre a proteção da ordem constitucional no campo das atividades das organizações religiosas”. Na Ucrânia, a atividade da Igreja Ortodoxa Ucraniana foi praticamente proibida.
– A lei “Sobre liberdade de consciência e organizações religiosas” incluiu um artigo especial que proíbe a atividade na Ucrânia de organizações religiosas ligadas à Igreja Ortodoxa Russa.
– Houve a tomada do Mosteiro de Pechersk de Kiev e do Mosteiro de Pochaev, com a remoção de parte das relíquias religiosas, incluindo as relíquias de santos.
– Tomadas em massa de templos. Foram tomadas catedrais e outras igrejas em Ivano-Frankovsk e Lvov, deixando essas cidades sem templos da Igreja Ortodoxa Ucraniana. As autoridades retiraram as catedrais da Santíssima Trindade e da Transfiguração em Chernigov da posse da comunidade da Igreja Ortodoxa Ucraniana. Em Cherkasy, foi tomado o Mosteiro do Nascimento da Santíssima Virgem.
– Cerca de 180 processos criminais foram abertos contra clérigos e arcebispos da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscou. 20 bispos e sacerdotes foram privados da cidadania ucraniana.
– Uma nova forma de repressão contra os clérigos da Igreja Ortodoxa Ucraniana foi a sua mobilização forçada para as Forças Armadas da Ucrânia.



1. Igreja destruída após bombardeio aéreo na cidade de Krasnodon – Sputnik / Valery Melnikov
2. Moradores de Lugansk após bombardeio da cidade – Sputnik / Valery Melnikov
3. Cúpula e teto destruídos do templo em honra à Ícone da Mãe de Deus de Iverskaya do Mosteiro Iverskaya feminino de Donetsk, localizado perto do aeroporto da cidade de Donetsk, destruído durante os combates no Sudeste da Ucrânia. – Sputnik / Vera Kostamo
Insatisfação da população de língua russa no sudeste do país
Após o golpe de 2014, começaram intensos protestos no Leste do país, onde predominava a população de idioma russo, inclusive no Donbass e na Crimeia. Os moradores dessas regiões exigiram uma solução para a questão do status da língua russa e a realização de uma reforma constitucional, incluindo a federalização da Ucrânia.
No Donbass, foi formada uma milícia popular.
O massacre de Odessa

Incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa – Sputnik / Aleksandr Polishuk
Em 2 de maio de 2014, dezenas de pessoas morreram e foram queimadas vivas na Casa dos Sindicatos de Odessa. Os apoiadores do Euromaidan destruíram o acampamento dos ativistas que discordavam da política das autoridades ucranianas. As pessoas tentaram se salvar na Casa dos Sindicatos, mas foram bloqueadas e morreram no incêndio.
Os acontecimentos em Odessa marcaram o episódio final do confronto civil entre os apoiadores do governo ucraniano da época e os opositores do golpe de Estado.




1. Incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa – Sputnik / Aleksandr Polishuk
2. Incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa (a entrada central está pegando fogo) – Sputnik / Aleksandr Polishuk
3. As pessoas saíram para o parapeito durante o incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa. À direita: o rosto e o cabelo da moça foram atingidos por um trapo ensopado numa mistura inflamável de uma garrafa de “coquetel Molotov” jogada. – Aleksandr Polishuk
4. O corpo da pessoa que morreu em decorrência do incêndio no edifício da Casa dos Sindicatos em Odessa – Sputnik / Denis Petrov
- SEMANA LIA NAVARRO 2por blogdototonho

Praia do Siqueira – Lia Navarro 2
- PEQUENAS DOSESpor blogdototonho

Luiz Antônio Nogueira da Guia.
Taxa do Lixo
O embate entre o governo de Serginho Azevedo, acrescido dos vereadores contra setores importantes da sociedade insatisfeitos com a taxa de lixo deve levar algum tempo e certamente vai desaguar no processo eleitoral de 2026. Nenhum imposto ou taxa passa incólume, sem um acirrado debate junto a sociedade organizada. Transparência é fundamental.
Transparência
A Câmara Municipal, independente de sua composição política e ideológica, obrigatoriamente tem que primar pela transparência. Afinal, os vereadores são representantes da sociedade como um todo e não de categorias profissionais e de determinados bairros. Existem questões que incomodam a sociedade e não a uma comunidade específica.
O voto é proporcional
Existem vereadores que se preocupam unica e exclusivamente com os bairros ou comunidades, que teoricamente os teriam colocados confortavelmente sentados nas poltronas do Plenário Oswaldo Rodrigues: pensam apenas numa frase: como garantir a reeleição. E o futuro do município?
O voto é proporcional 2
Trabalham, quando o fazem, voltados unica e exclusivamente para aquele bairro ou comunidade. Esquecem, que, no sistema eleitoral brasileiro, no caso do Legislativo, seja ele municipal ou estadual, a eleição é proporcional, portanto, o vereador é eleito pela sociedade como um todo.
Vergonha
A inauguração da igreja neopentecostal dentro de um hotel, na entrada da cidade, deveria despertar o repúdio da sociedade organizada ou não, mas vivemos tempos de “vale-tudo”. O que esperar de algo criado por um homem que utiliza um linguajar chulo, com palavrões e agressões de toda natureza?
Vergonha 2
O vídeo que melhor define o empresário da fé é quando ele se dedica a mostrar a colegas de púlpito, sem qualquer constrangimento, como arrancar a grana dos fieis através de dízimos e ofertas. O grande jornalista Ricardo Boechat definiu Malafaia como “pilantra”, “tomador de dinheiro” e o mandou “caçar uma rola”.
Confrontos no Bloco Conservador?
Há quem diga que nos bastidores existem confrontos entre diversas correntes do “bloco conservador” e que as críticas ao governo de Serginho Azevedo (PL) e a atuação do seu vice, Miguel Alencar (União Brasil) são decorrentes dessas divisões. Segundo essas mesmas fontes, essas divergências existiriam desde a campanha eleitoral, de 2024.
Bilionários sem nenhuma fé
São poucos os jornalistas corajosos como Ricardo Boechat, que incomodava os poderosos e não tinha nenhum medo dos siricuticos, pitis, faniquitos e chiliques dos Macedos, Malafaias, RR Soares ou Valdomiros, que tanto mal fazem ao povo brasileiro. Estão todos bilionários, esbanjam acintosamente a riqueza, enquanto o povo os cobre de dízimos.
Combate aos maus-tratos aos animais
A médica veterinária Fenela Assed está realizando bom trabalho no canil municipal e na atenção e prevenção aos maus tratos de animais. Atendendo a denúncias de maus-tratos, a veterinária esteve na área do Lido (Canto do Forte) e com o apoio da Guarda Ambiental, da ROMU e da Superintendência do Canil Municipal, resgatou os animais e prendeu os responsáveis.
Falta punição para os grileiros
A secretaria de meio ambiente também tem feito um bom trabalho contra os grilheiros, que invadem áreas públicas do município. Entretanto, esse trabalho não é completo, porque não se vê punição para essa turma, que reiteradamente, na mais completa ilegalidade, continua a tentar, quase diariamente se assenhorar de terras, que não lhe pertencem, estimulando a favelização da cidade.

- A POLÍTICA E SUA DINÂMICA PARTIDÁRIApor blogdototonho

Cláudio Leitão (*)
Acabou o Carnaval e vamos entrar novamente num ano de eleições. Os processos vão começar a acelerar e as candidaturas começarão a ser mais bem definidas. A política em seu dia a dia segue sendo um ambiente complexo, emocional e muitas vezes não verdadeiro. Os interesses se confundem. A definição de ética muda e passa a ter um sentido próprio e específico. Tem agentes políticos que sempre colocam os seus interesses privados acima do público, mas também tem o contrário, gente bem-intencionada que sempre coloca o interesse público em primeiro lugar, porém também preserva seus interesses pessoais e eleitorais.
Aprendi ao longo dos anos de militância que não existe perfeição no campo político. Minha primeira filiação partidária foi no PT em 1984, quando jovem estudante de Economia em Niterói. O partido tinha 4 anos de fundação. Depois da faculdade fui morar no Nordeste durante alguns anos da minha vida e minha filiação se perdeu. Naquela época era tudo no papel e a filiação muitas vezes precisava ser renovada.
Quando me mudei para Cabo Frio, no final dos anos 80, me afastei um pouco da política por necessidades profissionais. O meu trabalho na indústria farmacêutica demandava muitas viagens e tive dificuldades em atuar politicamente. Os anos se passaram e no início dos anos 2000 o PT chega ao poder fazendo opções e escolhas contrárias ao seu discurso de fundação. Escolhas “pragmáticas”, da chamada política real, que seguiam as regras habituais dos demais partidos. A cúpula partidária dizia que o partido tinha que se adaptar à realidade concreta da política nacional.
Discordando destas escolhas do PT, mas seguindo na luta, junto com vários companheiros ex-petistas, ajudei a fundar o PSOL no Rio de Janeiro, e mais particularmente em Cabo Frio, no ano de 2005. Segui militando nesta linha ideológica e fui três vezes candidato a prefeito da cidade. Em 2008, 2012 e 2016. Aqui em Cabo Frio me formei também em História.
Em 2018 deixei o PSOL e adotei também uma linha mais pragmática. As pessoas me cobravam e diziam que eu fazia muitas críticas e não conseguia viabilizar minhas propostas. Recebi um convite de Adriano (Rede Sustentabilidade) para num projeto de união derrotar um dos caciques da política local, Marquinho Mendes. Vencemos aquela fatídica eleição suplementar e me tornei Secretário de Educação. Agora “poderia fazer” e responder aos críticos.
Fiquei apenas dez meses no governo e sofri uma enorme decepção política. Adriano traiu os compromissos de campanha e quase todos os companheiros que o ajudaram a ganhar a eleição. Esta história muitos já conhecem. Saí do governo denunciei desvios de recursos da educação e isso gerou uma Ação Civil Pública impetrada pelo MP, que infelizmente hoje, segue a “passos de tartaruga” na Segunda Vara Cível de Cabo Frio. Mas neste curto período de gestão, apesar das dificuldades, tivemos várias realizações reconhecidas pelos profissionais de educação e analistas políticos. Sem falsa modéstia, provei aos críticos que era capaz de fazer e realizar.
O tempo correu e veio a eleição municipal de 2020. Recebi um convite do saudoso prefeito José Bonifácio, que depois venceu a eleição, me filiei ao PDT e disputei a eleição para a Câmara dos Vereadores. Não me elegi, mas tive uma votação que contribuiu para fortalecer a legenda. Mas assim são as urnas e vida que segue!
Em 2024, a convite do companheiro de longa data, Rafael Peçanha, que foi candidato a prefeito pela Rede Sustentabilidade, retornei ao PSOL e me candidatei novamente a vereador. Com votação abaixo, também não me elegi. A luta política é muito dura para quem participa do processo eleitoral cumprindo regras e agindo com ética e princípios republicanos.
Contei esta história relatando alguns aspectos da minha modesta trajetória para mostrar que a política…(*) Cláudio Leitão é Economista e Professor de História.
- março 2026 (7)
- fevereiro 2026 (61)
- janeiro 2026 (71)
- dezembro 2025 (60)
- novembro 2025 (81)
- outubro 2025 (93)
- setembro 2025 (82)
- agosto 2025 (83)
- julho 2025 (108)
- junho 2025 (75)
- maio 2025 (105)
- abril 2025 (108)
- março 2025 (84)
- fevereiro 2025 (70)
- janeiro 2025 (97)
- dezembro 2024 (73)
- novembro 2024 (81)
- outubro 2024 (82)
- setembro 2024 (71)
- agosto 2024 (79)
- julho 2024 (93)
- junho 2024 (77)
- maio 2024 (77)
- abril 2024 (91)
- março 2024 (77)
- fevereiro 2024 (72)
- janeiro 2024 (63)
- dezembro 2023 (53)
- novembro 2023 (62)
- outubro 2023 (49)
- setembro 2023 (67)
- agosto 2023 (74)
- julho 2023 (53)
- junho 2023 (39)
- Artes Plásticas (11)
- Artigo (560)
- Charges & Caricaturas (35)
- Crônica/Conto/Poesia (398)
- Editorial (102)
- Fotos (456)
- Pequenas Doses (760)
- Sem categoria definida (213)
222 respostas em “BLOG DO TOTONHO”
BOA NOITE TOTONHO. HÁ UM BOM TEMPO NÃO ESCREVO NADA.MAS, VOU APROVEITAR….rrrrssss . O PT CABO FRIO NINGUEM SABE,NINGUEM VIU. NINGUEM OUVE,SUMIU…TENHO PROCURADO PARA SABER DE NOVIDADES,MAS….