BLOG DO TOTONHO

  • SEMANA LIA NAVARRO 2

    Praia do Siqueira – Lia Navarro 2

  • PEQUENAS DOSES

    Luiz Antônio Nogueira da Guia.

    Taxa do Lixo

    O embate entre o governo de Serginho Azevedo, acrescido dos vereadores contra setores importantes da sociedade insatisfeitos com a taxa de lixo deve levar algum tempo e certamente vai desaguar no processo eleitoral de 2026. Nenhum imposto ou taxa passa incólume, sem um acirrado debate junto a sociedade organizada. Transparência é fundamental.

    Transparência

    A Câmara Municipal, independente de sua composição política e ideológica, obrigatoriamente tem que primar pela transparência. Afinal, os vereadores são representantes da sociedade como um todo e não de categorias profissionais e de determinados bairros. Existem questões que incomodam a sociedade e não a uma comunidade específica.

    O voto é proporcional

    Existem vereadores que se preocupam unica e exclusivamente com os bairros ou comunidades, que teoricamente os teriam colocados confortavelmente sentados nas poltronas do Plenário Oswaldo Rodrigues: pensam apenas numa frase: como garantir a reeleição. E o futuro do município?

    O voto é proporcional 2

    Trabalham, quando o fazem, voltados unica e exclusivamente para aquele bairro ou comunidade. Esquecem, que, no sistema eleitoral brasileiro, no caso do Legislativo, seja ele municipal ou estadual, a eleição é proporcional, portanto, o vereador é eleito pela sociedade como um todo.

    Vergonha

    A inauguração da igreja neopentecostal dentro de um hotel, na entrada da cidade, deveria despertar o repúdio da sociedade organizada ou não, mas vivemos tempos de “vale-tudo”. O que esperar de algo criado por um homem que utiliza um linguajar chulo, com palavrões e agressões de toda natureza?

    Vergonha 2

    O vídeo que melhor define o empresário da fé é quando ele se dedica a mostrar a colegas de púlpito, sem qualquer constrangimento, como arrancar a grana dos fieis através de dízimos e ofertas. O grande jornalista Ricardo Boechat definiu Malafaia como “pilantra”, “tomador de dinheiro” e o mandou “caçar uma rola”.

    Confrontos no Bloco Conservador?

    Há quem diga que nos bastidores existem confrontos entre diversas correntes do “bloco conservador” e que as críticas ao governo de Serginho Azevedo (PL) e a atuação do seu vice, Miguel Alencar (União Brasil) são decorrentes dessas divisões. Segundo essas mesmas fontes, essas divergências existiriam desde a campanha eleitoral, de 2024.

    Bilionários sem nenhuma fé

    São poucos os jornalistas corajosos como Ricardo Boechat, que incomodava os poderosos e não tinha nenhum medo dos siricuticos, pitis, faniquitos e chiliques dos Macedos, Malafaias, RR Soares ou Valdomiros, que tanto mal fazem ao povo brasileiro. Estão todos bilionários, esbanjam acintosamente a riqueza, enquanto o povo os cobre de dízimos.

    Combate aos maus-tratos aos animais

    A médica veterinária Fenela Assed está realizando bom trabalho no canil municipal e na atenção e prevenção aos maus tratos de animais. Atendendo a denúncias de maus-tratos, a veterinária esteve na área do Lido (Canto do Forte) e com o apoio da Guarda Ambiental, da ROMU e da Superintendência do Canil Municipal, resgatou os animais e prendeu os responsáveis.

    Falta punição para os grileiros

    A secretaria de meio ambiente também tem feito um bom trabalho contra os grilheiros, que invadem áreas públicas do município. Entretanto, esse trabalho não é completo, porque não se vê punição para essa turma, que reiteradamente, na mais completa ilegalidade, continua a tentar, quase diariamente se assenhorar de terras, que não lhe pertencem, estimulando a favelização da cidade.

  • A POLÍTICA E SUA DINÂMICA PARTIDÁRIA

    Cláudio Leitão (*)

    Acabou o Carnaval e vamos entrar novamente num ano de eleições. Os processos vão começar a acelerar e as candidaturas começarão a ser mais bem definidas. A política em seu dia a dia segue sendo um ambiente complexo, emocional e muitas vezes não verdadeiro. Os interesses se confundem. A definição de ética muda e passa a ter um sentido próprio e específico. Tem agentes políticos que sempre colocam os seus interesses privados acima do público, mas também tem o contrário, gente bem-intencionada que sempre coloca o interesse público em primeiro lugar, porém também preserva seus interesses pessoais e eleitorais.
    Aprendi ao longo dos anos de militância que não existe perfeição no campo político. Minha primeira filiação partidária foi no PT em 1984, quando jovem estudante de Economia em Niterói. O partido tinha 4 anos de fundação. Depois da faculdade fui morar no Nordeste durante alguns anos da minha vida e minha filiação se perdeu. Naquela época era tudo no papel e a filiação muitas vezes precisava ser renovada.
    Quando me mudei para Cabo Frio, no final dos anos 80, me afastei um pouco da política por necessidades profissionais. O meu trabalho na indústria farmacêutica demandava muitas viagens e tive dificuldades em atuar politicamente. Os anos se passaram e no início dos anos 2000 o PT chega ao poder fazendo opções e escolhas contrárias ao seu discurso de fundação. Escolhas “pragmáticas”, da chamada política real, que seguiam as regras habituais dos demais partidos. A cúpula partidária dizia que o partido tinha que se adaptar à realidade concreta da política nacional.
    Discordando destas escolhas do PT, mas seguindo na luta, junto com vários companheiros ex-petistas, ajudei a fundar o PSOL no Rio de Janeiro, e mais particularmente em Cabo Frio, no ano de 2005. Segui militando nesta linha ideológica e fui três vezes candidato a prefeito da cidade. Em 2008, 2012 e 2016. Aqui em Cabo Frio me formei também em História.
    Em 2018 deixei o PSOL e adotei também uma linha mais pragmática. As pessoas me cobravam e diziam que eu fazia muitas críticas e não conseguia viabilizar minhas propostas. Recebi um convite de Adriano (Rede Sustentabilidade) para num projeto de união derrotar um dos caciques da política local, Marquinho Mendes. Vencemos aquela fatídica eleição suplementar e me tornei Secretário de Educação. Agora “poderia fazer” e responder aos críticos.
    Fiquei apenas dez meses no governo e sofri uma enorme decepção política. Adriano traiu os compromissos de campanha e quase todos os companheiros que o ajudaram a ganhar a eleição. Esta história muitos já conhecem. Saí do governo denunciei desvios de recursos da educação e isso gerou uma Ação Civil Pública impetrada pelo MP, que infelizmente hoje, segue a “passos de tartaruga” na Segunda Vara Cível de Cabo Frio. Mas neste curto período de gestão, apesar das dificuldades, tivemos várias realizações reconhecidas pelos profissionais de educação e analistas políticos. Sem falsa modéstia, provei aos críticos que era capaz de fazer e realizar.
    O tempo correu e veio a eleição municipal de 2020. Recebi um convite do saudoso prefeito José Bonifácio, que depois venceu a eleição, me filiei ao PDT e disputei a eleição para a Câmara dos Vereadores. Não me elegi, mas tive uma votação que contribuiu para fortalecer a legenda. Mas assim são as urnas e vida que segue!
    Em 2024, a convite do companheiro de longa data, Rafael Peçanha, que foi candidato a prefeito pela Rede Sustentabilidade, retornei ao PSOL e me candidatei novamente a vereador. Com votação abaixo, também não me elegi. A luta política é muito dura para quem participa do processo eleitoral cumprindo regras e agindo com ética e princípios republicanos.
    Contei esta história relatando alguns aspectos da minha modesta trajetória para mostrar que a política…

    (*) Cláudio Leitão é Economista e Professor de História.

  • SEMANA LIA NAVARRO 1

    Itajuru – Lia Navarro

  • PEQUENAS DOSES

    Luiz Antônio Nogueira da Guia

    Semana difícil

    A semana tem sido dura para as famílias cabofrienses, em especial a Família Ferreira, que há bem pouco tempo perdeu Francisco de Assis, o Kiko de Timinho. No fim de semana morreu João Eduardo Ferreira Novellino, Dudu, economista e irmão do falecido prefeito José Bonifácio. Dudu foi velado e cremado, em Niterói, na tarde de domingo.

    Questão de espaço?

    A pergunta é, por que setores da direita e ultradireita batem tanto no governo de Serginho Azevedo (PL)? Isso pode ser verificado diariamente nos sites e portais de notícias nas redes da internet onde denúncias de toda sorte são colocadas contra o governo, que a primeira vista deveria ser reconhecido como parceiro. É uma questão de espaço?

    Questão de espaço? 2

    O governo de Serginho Azevedo (PL) foi montado com base no bloco conservador, que o elegeu, inclusive com o monopólio político na Câmara onde não existe nenhuma voz do bloco progressista ou mesmo da esquerda. Por que então apanha tanto da ultradireita? A resposta possível é que o tamanho da administração pública, apesar dos engordamentos artificiais, não comportou todo mundo.

    A Taxa do Lixo

    Nenhum novo imposto ou taxa é bem recebida pela população, mas ainda quando ela é votada e sancionada sem debates em audiências públicas, com a participação, mesmo que limitada da sociedade. A Câmara monolítica, cuja hegemonia pelo bloco conservador é absoluta, vai ter que segurar a onda da evidente rejeição popular.

    A Taxa do Lixo 2

    A Câmara monolítica está começando a se explicar, mas erroneamente tenta colocar a culpa da nova taxa na falta de mobilização popular. Brota então nova pergunta que não quer calar: e os vereadores não estão no Legislativo eleitos exatamente como representantes das suas comunidades, dos seus bairros, da população? Por que não questionaram?

    Lugar apropriado

    A cidade ganha mais um templo neopentescostal, mais uma dissidência da Assembleia de Deus, dessa vez em nome de Malafaia, de retórica raivosa, agressiva e ultraconservadora. O “pastor” notabilizou-se por divulgar vídeos na internet com “aulas” de como os outros “pastores” devem arrancar dízimos dos fieis.

    Lugar apropriado 2

    A nova igreja ou templo ou empreendimento da fé (escolham o nome) está localizada em hotel de luxo, em importante avenida da cidade, certamente com intenção de influenciar a vida política e religiosa do município Talvez um estabelecimento de luxo seja mesmo o lugar apropriado para esse tipo de firma se fixar.

    Cadê o “Tapetinho”

    Bairros como Jardim Caiçara, Parque Burle, Guarany e São Cristovão estão precisando com urgência do “tapetinho”, que o governo tem implantado em outras áreas administrativas. São muitos anos de abandono, sem a devida atenção das políticas municipais, que se refletem no dia a dia dos cidadãos pagadores de impostos.

    Jornalismo do Departamento de Estado dos EUA

    Uma vergonha a matéria do Fantástico, já justificando uma possível intervenção militar dos EUA e Israel sobre o Irã. As acusações sobre o regime iraniano vão do autoritarismo e corrupção e ameaças a estabilidade do Oriente Médio. A reportagem esquece de citar muitas coisas, inclusive o golpe de estado de 1953 (Operação Ajax), que derrubou o governo de Mohammed Mossadegh, 1º ministro iraniano, que ousou nacionalizar o petróleo. Seguido da violenta repressão do regime sangrento do Xá Reza Pahlavi, que sobreviveu até 1979, sempre com o apoio “liberal e democrático” do governo dos EUA.

  • INVOCA-SE O CÉU E NEGOCIA-SE A TERRA

    Mauro Porto (*)

    Em Cabo Frio, cidade de cerca de 230 mil habitantes e já abarrotada com mais de mil igrejas, lá vem mais um templo inaugurado por Silas Malafaia.

    Se fé virasse alvará, a prefeitura tinha que abrir uma secretaria exclusiva para administrar milagre por metro quadrado.

    Enquanto comércio fecha as portas, ambulante sua no sol e morador faz malabarismo pra pagar a obscena taxa de lixo aprovada na surdina pela Câmara — sempre diligente quando o assunto é pesar no bolso do contribuinte — há um setor blindado contra tempestades: o da religião-empresa.

    A Constituição promete igualdade perante a lei. Na prática, o fiel paga imposto, o pequeno empresário aperta os cintos, mas o templo navega na imunidade tributária como cruzeiro em mar calmo.

    As Assembleias de Deus chegaram ao Brasil em 1910 como missão pentecostal, fincando os pés nas camadas mais pobres e crescendo vertiginosamente ao longo do século XX até se tornarem o principal segmento evangélico do país.

    Eram culto simples, Bíblia aberta e consolo para quem só tinha fé e esperança. Hoje, parte dessa herança parece capturada por meganhas de paletó que descobriram na política uma extensão natural do púlpito — não basta o poder do céu, querem também o poder dos homens.

    E a nova etapa dessa “obra” começou em grande estilo: as reuniões foram inauguradas no luxuoso Hotel Paradiso Corporate. Paradiso, de paraíso mesmo, só para os ricos e abastados da cidade. Porque os pobres fiéis — aqueles que sustentam a engrenagem com dízimos pingados no meio da dor cotidiana — raramente atravessam as portas giratórias do luxo.

    O evangelho que nasceu nas periferias agora estreia sob lustres e ar-condicionado central.

    Inventou-se até uma teologia sob medida para o caixa: a “prosperidade”, onde fé vira investimento e Deus assume o papel de sócio do sucesso financeiro.

    Uma narrativa que transforma miséria em falta de fé e riqueza em certificado divino — uma afronta direta ao projeto de Jesus de Nazaré, que caminhava entre pobres, párias e desassistidos, não entre suítes executivas e auditórios climatizados.

    Pelo andar da carruagem e pelo histórico do líder falastrão, o novo “templo” soa menos como casa de oração e mais como comitê político em temporada eleitoral.

    Entre um culto e outro, palanque. Entre um louvor e outro, articulação.

    O objetivo já não parece apenas inaugurar o reino dos céus, mas consolidar influência aqui embaixo.

    Se há um deus preferido nesse projeto, atende pelo nome de Mamom.

    Como ironizou Voltaire, o príncipe deve parecer devoto — porque um povo que teme a Deus hesita antes de tocar no ungido. No Brasil de hoje, há quem tenha entendido perfeitamente a lição: mistura-se altar e palanque, invoca-se o céu e negocia-se a terra.

    Em Cabo Frio, onde falta saneamento, sobra templo. Onde falta política pública, sobra retórica ungida. E o céu — convenientemente — virou o investimento imobiliário mais lucrativo da cidade.

    (*) Advogado

  • CABO AZUL

    Vento frio, praia rasa…
    Estou de volta aos amigos que aqui deixei
    De volta aos cafés e as discussões políticas
    As risadas com o mau humor da vida
    Matando a saudade com abraços apertados
    Pois pode ser que não volte mais
    O acaso e o destino se convergem
    Um barco fantasma navega no canal.

    José Sette de Barros é artista plástico, escritor e cineasta. 19/02/24.

  • GARÇA NO CANAL DO ITAJURU

    Garça no Canal do Itajuru – Cabo Frio/RJ – 2025 – Antônio José Christovão.

  • PEQUENAS DOSES

    Luiz Antônio Nogueira da Guia.

    O embate é na ultradireita

    A rápida observação dos portais e sites de notícias nas redes sociais da internet permite dizer que as dissenções e os embates se dão na direita e ultradireita. Talvez pela divisão do poder não ter sido feita de tal maneira a repartir com mais “igualdade” e “fraternidade” as fatias ou parcelas sempre tão cobiçadas.

    Progressistas & Esquerda

    Os progressistas e a esquerda propriamente dita não tem se pronunciado na redes sociais com a radicalidade e a agressividade da ultradireita ou extrema-direita, em Cabo Frio e Região dos Lagos. Talvez pelo resultado da última eleição, que deixou esses arcos ideológicos e políticos fora das Câmaras de Vereadores. A conferir!

    Câncer na Garganta?

    É vergonhosa e ultrajante a maneira pela qual a ultradireita dita cristã procura impor seus valores tradicionais, particularmente as relações familiares a toda a sociedade. Tenta impor a censura e utiliza um linguajar de baixíssimo nível, inclusive com ameaças, como o “pastor” que convoca orações para que os que não são iguais tenham “câncer na garganta”.

    Religião como instrumento de poder

    Cada pessoa ou família tem o direito moral, ético, político e constitucional de se instituir oficial ou oficiosamente da maneira que lhe for mais apropriada. Ninguém, muito menos uma religião ou seita, tem o direito de querer impor e subordinar o indivíduo e a coletividade aos seus princípios religiosos, utilizados, em regra, como instrumentos de dominação.

    Pastor ou Demônio?

    Coloco “pastor” entre aspas, porque o ser humano, especialmente aquele que se intitula pastor, não tem moral e respeito por si mesmo e pelos outros ao desejar o mal para aqueles que não pensam de forma semelhante. Não pode ser chamado de pastor e tem que ser defenestrado da corrente religiosa que diz representar. Usa o nome de Deus em benefício próprio.

    Um homem mal

    O pior é que tem gente no meio político que teme esse tipo de “pastor” ou “pregador” e fica contemporizando, tentando encontrar explicações e direitos onde eles não existem. Um cara que se diz “homem de Deus” e deseja aos outros um câncer ou qualquer outra doença, não é de Deus, de Alá, Maomé, Buda ou qualquer outra divindade. É apenas um homem mal, que pode até ser do demônio, mas de Deus não é.

    Deus não é jagunço de “pastor”

    É preciso lembrar a esse tipo de gente rançosa e autoritária, que Deus não é jagunço de pastor para fazer o que ele manda. Deus não está a serviço de homens maus como esse tipo de “pastor” para disseminar doenças entre o povo. Deus é a representação mais pura do amor e rejeita o ódio como instrumento de convivência humana.

    O enfrentamento

    É preciso que os progressistas parem de temer o avanço dos neopentecostais, que pregam a abolição do estado laico, a censura e o autoritarismo como arma religiosa e política. O neopentecostalismo não respeita os outros credos e propaga o racismo religioso contra as religiões afro-brasileiras. É preciso parar de mimimi e enfrentá-los.

    Jardim Caiçara & Parque Burle

    Muito se fala nas periferias, mas pouco se observa bairros como o Jardim Caiçara e o Parque Burle, ambos precisando da presença constante do poder público. Está na hora do “tapetinho” chegar nesses bairros e a Comsercaf estar mais atenta aos anseios da comunidade. Que tal melhorar a qualidade e a quantidade da arborização?

  • HOMENAGEM A UM VITORIOSO

    Luciana G. Rugani (*)

    Os enredos das escolas de samba costumam girar em torno de temas relevantes de nossa história e cultura, e também em torno de personalidades. Homenagens também são muito frequentes, seja a pessoas que já partiram como também a pessoas que seguem entre nós. E algumas homenagens costumam gerar polêmicas, principalmente quando se trata de nomes ligados à política. Aliás, permitam-me um parênteses, não somente em relação a homenagens, mas tudo que se refere a políticos acaba gerando alguma controvérsia.
    No carnaval deste ano, a escola de samba Acadêmicos de Niterói resolveu homenagear o presidente Lula na Sapucaí. Recém chegada ao grupo especial, a escola abriu os desfiles na noite de domingo, a primeira noite dos desfiles cariocas, e caprichou na organização. Com um samba-enredo contagiante, um ritmo de bateria que nos impulsiona a sambar e uma letra marcante, a história de Lula foi contada desde os tempos de criança em Garanhuns até os dias atuais, juntamente com lances de nossa história e da cultura do agreste nordestino de Pernambuco. O desfile não teve nenhuma conotação eleitoral, foi apenas uma homenagem, muito bem feita, a uma personalidade pública, assim como foi também a segunda escola a desfilar, a Imperatriz Leopoldinense, que homenageou o cantor Ney Matogrosso. Mas, como eu disse antes, tudo que envolve políticos gera controvérsia, a começar pela oposição, que logo se manifestou dizendo que o desfile configuraria campanha antecipada e teria sido organizado com recursos públicos. É importante esclarecer esses dois pontos.
    Em relação a configurar campanha antecipada, o debate começou até bem antes da entrada da escola na Sapucaí. E os juristas, inclusive dos tribunais superiores, deixaram bem claro que poderia haver o risco de ilícito eleitoral caso houvesse alguma atitude que envolvesse pedido explícito de votos. Entretanto, isso não aconteceu. O desfile transcorreu normalmente, como eu disse acima. E essa foi também a opinião da grande maioria dos profissionais do Direito consultados após o desfile. A maioria concordou que não houve nada que remetesse ao processo eleitoral de 2026, muito menos qualquer atitude que configurasse pedido explícito de voto, e disseram que, certamente, como uma atitude típica de oposição para tentar penalizar o presidente, deverão ser propostas ações pelos adversários, mas que, de acordo com a lei, não darão em nada porque não ficou configurado nenhum ilícito eleitoral. Segundo os juristas, a Lei Federal nº 9.504/97, em seu art. 36-A, estabelece o pedido explícito de voto como condição para configuração de propaganda eleitoral antecipada.
    E, sobre a questão do recebimento de verba pública pela escola, é importante dizer que, segundo os mesmos especialistas, tradicionalmente e legalmente, o poder público investe no carnaval, pois o carnaval é um investimento, um negócil cultural, e isso em todas as esferas: nacional, estadual e municipal. A verba pública é encaminhada para a Liga das Escolas de Samba, e a liga é quem decide se o dinheiro será aplicado na organização do carnaval ou se será destinado diretamente às escolas. A liga decidiu repassar para as escolas, então todas recebem o mesmo valor. E ainda, caso a Acadêmicos de Niterói não recebesse nada, aí sim estaria configurado tratamento diferenciado, pois todas as escolas têm direito a esse repasse.
    O desfile certamente provocará ruídos por parte da oposição, mas, considerando que tudo se dará dentro do processo legal, serão apenas ruídos naturais e previsíveis.
    E vale dizer: que mal há em homenagear em vida uma personalidade política, em ano eleitoral? Isso já aconteceu em outras ocasiões e com muitos outros políticos, inclusive com nomes apoiados pela direita que, agora, se posiciona contra a homenagem a Lula. Já houve homenagens de todos os tipos, seja em grandes eventos, como recebimentos de títulos, honrarias e medalhas, como também em redes sociais. E a norma sempre foi clara: o que não pode haver é qualquer atitude que configure pedido explícito de voto.
    Para concluir, vale dizer que foi um desfile muito emocionante, pois a escola soube retratar, de maneira detalhada, em cada coreografia, em cada carro alegórico e em cada ala, a história como se fosse contada pela mãe deste que, gostem ou não, superou e venceu as maiores diversidades, com coragem e sem fugir dos desafios, e tornou-se o grande líder internacional que é nos dias atuais: Luiz Inácio Lula da Silva.
    E o carnaval, mais uma vez, cumpriu seu papel como festa popular, levando para a avenida alegria, história, cultura, homenagem e diversidade.

    (*) Luciana G. Rugani
    Pensadora, escritora e poeta

  • PONTE FELICIANO SODRÉ – 1926

    Foto da Ponte Feliciano Sodré, da Revista Fon – Fon, de 1926. Provavelmente no dia, ou próximo da sua inauguração, naquele mesmo ano.
    Não custa lembrar: a Ponte Feliciano Sodré completará, este ano, um século de existência! (Publicação de Antônio José Christovão em seu perfil no Facebook).

    Arquivo da Biblioteca Nacional
    https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=259063&Pesq=cabo%20frio&id=2218509451367&pagfis=57392

    — em Cabo Frio.

  • A ARTE DE PORTINARI

    Portinari – Carnaval de 1960

    Portinari – Lavadeira – 1947.

    Cândido Portinari – 1903/1962.

  • PEQUENAS DOSES

    Luiz Antônio Nogueira da Guia.

    Enseada das Palmeiras

    A enseada das Palmeiras e os quiosques ao longo da orla ficaram cheios durante os quatro dias de Carnaval. O bairro se consolida como destino turístico, mas também procurado pelas famílias locais, que buscam música boa, alegria, segurança, sem a superlotação das praias do Forte, Peró e Conchas.

    Francisco de Assis Ferreira dos Santos (Kiko de Timinho)

    Nesse Carnaval o Bloco Cê Filho de Quem? brincou pelas ruas do Centro de Cabo Frio, com a alegria de sempre dos foliões, que “rasgam a fantasia” para curtir. O seu criador, organizador e folião-mor, Kiko de Timinho (apelido no qual revelava o seu imenso amor pelo pai) partiu, mas deixou sua presença no coração dos amigos e foliões. Viva Kiko!

    DiCabo a Rabo

    A Praça Gentil Cordeiro de Farias, no final da Avenida Nossa Senhora da Assumpção, já no bairro da Passagem, recebeu na quarta-feira de cinzas o bloco nordestino, DiCabo a Rabo. O bloco, de raiz pernambucana e de alma cabofriense, tradicionalmente ensaia e se apresenta, na Praça da Cidadania, no entorno da Praia do Forte.

    Dom Cabral

    O Dom Cabral, o maior e mais bem transado botequim de Cabo Frio e Região dos Lagos abriu todos os quatro dias de Carnaval e rebateu qualquer tristeza, na quarta-feira de cinzas a partir das 18:30h. O seu proprietário, o jornalista Moacir Cabral. oriundo da estância hidromineral de São Fidélis, dá plantão diário no estabelecimento.

    Uma Viagem ao Sul

    O profesor José Américo Trindade, na “capivara” conhecido por Babade, está em viagem com a amada Eloisa pelas bandas do Rio Grande do Sul. Eloisa o carregou para um programa romântico no Hotel Majestic, calma caro leitor, é apenas o Museu Mário Quintana e lá se dedicou a ouvir Elis Regina. Antes visitou a Catedral Metropolitana para receber a benção do Cardeal Jaime Spengler: dois litros de água benta caprichada.

    Doutor Borborema na folia?

    Doutor Borborema, aquele médico, que nunca acertou um diagnóstico, depois que perdeu a perereca para um caminhão da Comsercaf, sumiu entre mil lamúrias. Segundo interlocutores mais chegados o Doutor Borborema refugiou-se em um albergue construído para abrigar idosos ainda serelepes. Não há notícias de siricuticos.

    O que muda no estado?

    As descompatibilizações nos cargos executivos para concorrer as eleições de outubro, devem ocorrer em abril. O governador Cláudio Castro, quer ser senador, mas antes enfrenta a Justiça Eleitoral (TSE): se for cassado muita coisa muda na política do Estado do Rio. Um novo governador terá que ser eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa (ALERJ).

    Tarefa hercúlea

    Apesar do desgaste político evidente o prefeito de Búzios, Alexandre Martins (Republicanos) ainda pensa em fazer deputado estadual, com o apoio do governador Cláudio Castro (PL). Como o universo eleitoral de Búzios é muito restrito, o prefeito terá que expandir muito rápida a sua esfera de influência na Região dos Lagos. É uma tarefa hercúlea como dizia o ex-deputado Wilson Mendes.

    Cabo Frio e a ALERJ

    Entre todas as cidades da Região dos Lagos, aquela que tem o maior eleitorado e grande influência política é Cabo Frio. Até o momento, porém, o prefeito Serginho Azevedo (PL) parece não ter definida a sua escolha para uma cadeira na Assembleia Legislativa (ALERJ). Não pode esperar muito, a política não admite espaço vazio.

    Família Reis com Eduardo Paes

    A adesão da Família Reis, leia-se Washington Reis, em Duque de Caxias a candidatura ao governo do estado de Eduardo Paes (PSD) é um forte baque para a extrema direita. Há quem diga (Anthony Garotinho), que o governador Cláudio Castro (PL) será cassado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por esses dias.

  • CONTOS DE CARNAVAL

    Rubem Braga (*)

    A MOÇA DO CARNAVAL

    Minha amiga Lila Bôscoli, que faz com muita eficiência e graça a crônica feminina de Ultima Hora do Rio, telefonou outro dia para saber o que eu achava da mulher foliona. Ela se referia a essa que dança cantando, de braços abertos, no salão ou em cima da mesa, nos bailes de carnaval. Pela maneira de Lila fazer a pergunta percebi que ela esperava que eu “pichasse” a foliona. Pois respondi com sinceridade: “adoro”.

    Lila acha que há falta de linha e exibicionismo nessa maneira de brincar. Exibicionismo ou “semonstração”, como dizia Mário de Andrade, há muito no carnaval; mas o que em outras ocasiões é ridículo e de mau gosto, no carnaval fica sendo engraçado e bem. É próprio do espírito carnavalesco a pessoa perder o medo ao ridículo que a inibe o ano inteiro, se soltar, se espalhar, se exibir. Já conheci muita moça bonita, de ar sério e recatado, que passa o ano inteiro cultivando o mito da própria altivez e no carnaval se veste de prata, de escrava ou de havaiana e se esbalda, sorrindo e rebolando para todos, cantando as letras maliciosas, saltando durante horas em volta do salão, em cima da cadeira ou da mesa.

    Sim, adoro mulher fantasiada, porque sua beleza ganha uma graça nova, inesperada, uma como que verdade superior, uma completação de sonho. Nunca vi mulher tão bonita como mulher bonita em carnaval; o instinto a leva a se despir e vestir com a sabedoria do jogo dos espaços de carne e de cores, ela põe a imaginação a serviço do esplendor e da graça de si mesma. Ah, é uma grande coisa, o carnaval!

    Impossível negar o que há de sensualismo e de malícia em um baile de carnaval; mas exatamente nas grandes folionas é que essa malícia e esse sensualismo atingem um grau de gratuidade e de pureza, se desligam do prazer individual para ser uma integração na música e na alegria de todos; ela não tem par, ou não dá ao par nenhuma importância especial, ela goza o prazer de todos e de si mesma, ela se entrega ao ritmo com uma espécie de devoção. Essa, sim, essa é quem brinca o carnaval, é quem lhe dá o encanto e o prestígio, a ilusão, a misteriosa grandeza humana que outra festa nenhuma tem. Viva a moça do carnaval, a que se entrega toda, braços abertos para o alto, à sua magia e ao seu generoso fascínio, viva a moça que avança no fervor das noites acesas de fevereiro, princesa de lantejoulas imortais, guerreira de joelhos incessantes, e graça imperecível — viva para sempre, no seu minuto feliz de esplendor e alegria, a moça do carnaval!

    (*) Rubem Braga – 1913/1990.

    Lima Barreto (*)

    O MEU CARNAVAL

    Mas fôste mesmo recrutado?

    – Fui; e comi fogo que não foi graça.

    – Como foi a história?

    – Aproximava-se o carnaval. Como era meu costume, vim para a oficina, onde trabalhava. Eu morava em Santa Alexandrina, pelas bandas do Largo do Rio Comprido.

    – Ao chegar à oficina, na Rua dos Inválidos, o mestre me disse: “Valentim, você hoje tem um serviço externo. Você vai até Caxambi, no Méier, para assentar as caixas d’água de um prédio novo.” Deu-me o dinheiro das passagens e parti. Conhecia aquela zona e, a fim de poupar níqueis, desprezei o bonde e fui a pé. Passava eu por uma rua tranversal à Imperial, quando fui abordado por três ou quatro tipos fardados, do mais curioso aspecto. Eram de diversas cores, formando uma escolta, cujo comandante, um cabo, era um preto. E que preto engraçado! Desengonçado, pernas compridas e arqueadas, pés espalhados – era mesmo um macaco. A farda, blusa e calça, estava toda pingada; o cinturão subira-lhe até quase ao peito… Enfim, era um verdadeiro jagodes, um “Judas”.

    – Que é que eles te disseram?

    – O cabo veio direito a mim e perguntou-me com toda a empáfia: “Onde é que você vai?” Disse-lhe; mas a feroz autoridade parecia ter implicado comigo, tanto que me intimou: “Você vai à presença do senhor capitão Lulu.” “Mas não fiz nada”, objetei. Ele foi inabalável e não quis atender os meus rogos. Chorei, roguei, mas nada! Num dado momento, um dos soldados disse: “Seu cabo está com muitos luxos. Se fosse comigo, esse paisano ia já.” E fez menção de desembainhar um enorme sabre de cavalaria que tinha à cinta.

    – Mas que soldados eram estes?

    – Não estás vendo logo? Eram guardas nacionais.

    – Percebo. Foste?

    – Fui. Que remédio?

    – Que te fizeram?

    – Vou contar-te tintim por tintim. Levaram-me a presença do oficial. Era um mulato forte, simpático, e o seria intensamente se não fosse a sua presunção e pernosticidade. Era assim o capitão Lulu. Muito apurado no seu uniforme, disse-me num tom imperativo: “Você é um reles desertor. É um ignóbil brasileiro que recusa servir a sua pátria.” Objetei-lhe cheio de susto: “Mas, senhor capitão, nunca fui soldado, como posso ser desertor?” O capitão Lulu não respondeu diretamente à minha interrogativa, mas perguntou-me: “Como é que você se chama?” Disse-lhe. Indagou ainda: “Onde é que você mora.” Indiquei: “Rua tal, em Santa Alexandrina.” Isto pareceu-lhe contrariar; mas nada disse. Pôs-se a escriturar num livro e, por fim, falou- me: “Encontrei os seus assentamentos. Você está há muito tempo qualificado neste batalhão – 01.723.436. regimento de cavalaria da Guarda Nacional. Apesar de reiteradas intimações, você não se tem apresentado. Está preso disciplinarmente por oito dias.” Fiquei tonto, atordoado: “Mas senhor”, fiz eu, a tremer. “Cabo”, gritou o Lulu, “cumpra as ordens. Já sabe!”

    – Puseram-te na cadeia?

    – Não. Revistaram-me, tiraram-me as ferramentas e o dinheiro que levava. Isto tudo, na presença do marcial Lulu. Quando este viu os cobres, gritou: “Dá cá! Esses cobres vão para a caixa do regimento.” Após o que, levaram-me para um outro compartimento, onde me fizeram despir a roupa e vestir uma calça e blusa do uniforme. Das peças que lá havia, a única blusa que me chegava, tinha as divisas de cabo. Não quiseram arrancá-las e fui feito cabo de esquadra. Isto não impediu, porém, que me pusessem em serviço árduo.

    – Qual foi?

    – Meteram-me uma enxada na mão e fizeram-me capinar a chácara durante quase oito dias, passando fome.

    – Como?

    – A comida era café ralo e pão duro, pela manhã; e, às duas horas, um ensopado de mamão verde, muito mal feito, no qual encontrar uma pastilha de carne seca era uma raridade de fazer alegria até chorar. Na sexta-feira que precedia o sábado, véspera do carnaval, descansei. Ordenaram-me que lavasse a farda e a roupa branca, o que fiz vestindo em cima do corpo a fatiota com que fora preso. Mandaram passar a roupa lavada a ferro; e, no sábado, ordenaram-me que a envergasse e fosse à presença do comandante. Apresentei-me, fiz a continência que me haviam ensinado e esperei as ordens. O Lulu disse para o superior: “Está aí coronel, o desertor que capturei.” O comandante recostado na cadeira, acariciou o ventre proeminente com as duas mãos e disse com sotaque italiano: “Que vai ele fare?” O capitão Lulu respondeu: “Vai ser minha ordenança, no patrulhamento do carnaval.” O coronel ítalo-brasileiro só se limitou a dizer: “Bene!” À tarde, no sábado, Lulu, antes de sairmos, mandou-me chamar e aconselhou-me: “Você me parece boa pessoa, disciplinada. Procede muito bem. ‘A submissão é a base do aperfeiçoamento’, disse Victor Hugo. Se sou oficial, se cheguei à posição em que estou, devo, não só ao meu esforço, como também a ser obediente aos meus superiores. Você veio, acompanhou-me; porte-se bem que não terá de arrepender- se.”

    – O que era esse tipo, além de guarda nacional?

    – Era servente do Senado.

    – Que magnata!

    – Não te rias. À hora marcada, saímos, eu e Lulu, para a ronda. Deu-me cinco mil-réis, para despesas; mas não os pude gastar em uma feijoada, porque o aguerrido Lulu não me dava tempo. Andamos pelas ruas e, à noite, fomos aos clubes, onde pude beber e comer à vontade. No domingo foi a mesma coisa e já tinha ganho a intimidade de Lulu, a ponto de bebermos os nossos calistos juntos. Na segunda-feira, deu-me licença de ir até em casa; e eu que já estava ensoberbado de ser guarda nacional, fui de farda, facão e tudo! Quando cheguei ao Largo do Rio Comprido, saltei para tomar alguma coisa. Topei logo com um conhecido que, surpreendido e cheio de espanto, me disse: “Valentim! Que é isso? Você pode ser ‘pegado’ !” “Porque?” “Ninguém se pode fantasiar com os trajes militares do país.” Mal tinha dito isto, quando fui preso imediatamente por um polícia que me levou à delegacia onde não me quiseram ouvir e me meteram no xadrez até quarta-feira de cinzas. Está em que deu a Guarda Nacional e como foi o meu carnaval, naquele ano.

    (*) Lima Barreto – 1881/1922.

  • VERÃO 2026

    Verão de 2026 – João Félix

  • CARLOS MENDONÇA – CABO FRIO
    1. Salina – 2) Dunas – 3) Barcos – Carlos Mendonça

  • PEQUENAS DOSES

    Luiz Antônio Nogueira da Guia.

    Bastidores

    Há quem diga nas rodas de conversa na Câmara, no Suisso e adjacências, que as denúncias e críticas generalizadas, que ocuparam nos últimos dias as redes sociais da internet são a expressão da guerra de bastidores entre os grupos do prefeito Serginho Azevedo e o seu vice, Miguel Alencar. Ambos pertencem ao chamado “Bloco Conservador”. A conferir!

    A Entrevista 1

    A princípio, o jornalista Sidnei Marinho fez uma excelente entrevista com Aquiles Barreto, ex-vereador em Cabo Frio e ligado politicamente a candidatura do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes ao governo do estado. Aquiles Barreto contribuiu para o apoio do PSD a campanha de Serginho Azevedo a Ptefeitura, além de ser amigo pessoal de Miguel Alencar.

    A Entrevista 2

    Na entrevista a Sidnei Marinho, na Litoral News, Aquiles Barreto reforçou a ideia, que o tempo é de Serginho Azevedo, que perdeu ao mesmo tempo a companheira de vida e sua candidata a Assembleia Legislativa. Segundo ele o tempo é de esperar e que o prefeito deve lançar uma candidatura, que expresse o seu tamanho eleitoral.

    Destruição de reputações

    A internet se transformou numa rede de destruição de reputações onde através de “metralhadoras giratórias” se ataca tudo e a todos, não popupando ninguém. Não é bom para a sociedade, que parece se dividir em guetos ou bolhas, muito menos para a Democracia, na medida em que todos são colocados em um mesmo saco de linhagem pouco conhecida. Daí é um pulo para a pilantragem autoritária.

    Articulações políticas

    Cláudio Castro tem dois caminhos se deixar o governo do Estado do Rio: pode sair por decisão do TSE ou para disputar uma vaga no senado (em 2026, são duas em disputa por estado). A Assembleia Legislativa então elegerá o substituto de Cláudio Castro. O nome de André Ceciliano, ex-presidente da ALERJ e assessor especial de Lula é um dos cotados, mas pode também ser o vice de Eduardo Paes.

    Fortalecendo o interior

    Eduardo Paes (PSD), prefeito da capital, aparece como favorito em todas as pesquisas, mas á “gato escaldado”, porque já foi derrotado e sabe que precisa se fortalecer no interior. Não é por acaso que o prefeito de Campos, a maior cidade do interior, Wladimir Garotinho é cotado para fazer parte da chapa de Paes.

    Operação Especial de Carnaval

    A CCR ViaLagos espera receber mais de 413 mil veículos durante o período do Carnaval, de 2026, na medida em que é a principal via de acesso a Região dos Lagos. A concessionária montou a Operação Especial de Carnaval, reforçando o atendimento e o monitoramento em toda a extensão da rodovia.

    Cursos FIRJAN/SENAI – 1

    A Firjan SENAI está com inscrições abertas para 640 vagas gratuitas em cursos de qualificação profissional na unidade da Região dos Lagos, em São Pedro da Aldeia. Ao todo, são 8.880 vagas distribuídas por 28 unidades pelo estado. A previsão é de que o início das aulas seja entre os meses de fevereiro e abril, a depender de cada turma. As inscrições já estão abertas e devem ser feitas presencialmente na unidade de interesse

    Cursos FIRJAN/SENAI – 2

    São 369 turmas que abrangem áreas tecnológicas como Alimentação, Construção Civil, Eletroeletrônica, Energias Renováveis, Gestão e Logística, Indústria Metalúrgica e Mecânica, Manutenção Industrial, Moda e Vestuário, Tecnologia da Informação, Automotiva, Audiovisual e Comunicação Digital, Design e Criação, Refrigeração e Climatização, Produção Industrial, Artes Gráficas e Marcenaria e Mobiliário.

  • ADOLESCÊNCIA

    Luís Fernando Veríssimo (*)

    O apelido dele era “cascão” e vinha da infância. Uma irmã mais velha descobrira uma mancha escura que subia pela sua perna e que a mãe, apreensiva, a princípio atribuiu que era sujeira mesmo.

    – Você não toma banho, menino?

    – Tomo, mãe.

    – E não se esfrega?

    Aquilo já era pedir demais. E a verdade é que muitas vezes seus banhos eram representações. Ele fechava a porta do banheiro, ligava o chuveiro, forte, para que a mãe ouvisse o barulho, mas não entrava no chuveiro. Achava que dois banhos por semana era o máximo de que uma pessoa sensata precisava. Mais do que isso era mania.

    O apelido pegou e, mesmo na sua adolescência, eram freqüentes as alusões familiares à sua falta de banho. Ele as agüentava estoicamente. Caluniadores não mereciam resposta. Mas um dia reagiu.

    – Sujo, não.

    – Ah, é? – disse a irmã. – E isto o que é?

    Com o dedo ela levantara do seu braço um filete de sujeira.

    – Rosquinha não vale.

    – Como não vale?

    – Rosquinha, qualquer um.

    Entusiasmado com a própria tese, continuou:

    – Desafio qualquer um nesta casa a fazer o teste da rosquinha! A irmã, que tomava dois banhos por dia, o que ele classificava de exibicionismo, aceitou o desafio.

    Ele advertiu que passar o dedo, só, não bastava. Tinha que passar com decisão. E, realmente, o dedo levantou, da dobra do braço da irmã, uma rosquinha, embora ínfima, de sujeira.

    – Viu só – disse ele, triunfante. – E digo mais: ninguém no mundo está livre de uma rosquinha.

    – Ah, essa não. No mundo? Manteve a tese.

    – Ninguém.

    – A rainha Juliana?

    – Rosquinha. No pé. Batata.

    No dia seguinte, no entanto, a irmã estava preparada para derrubar a sua defesa.

    – Cascão… – disse simplesmente. – A Catherine Deneuve. Ele hesitou. Pensou muito. Depois concedeu. A Catherine Deneuve, realmente, não.

    A irmã, sadicamente, ainda fingiu que queria ajudar.

    – Quem sabe atrás da orelha?

    – Não, não – disse o Cascão tristemente, renunciando à sua tese. – A Catherine Deneuve, nem atrás da orelha.

    *

    Já o Jander tinha quatorze anos, a cara cheia de espinhas e como se não bastasse isso, inventou de estudar violino.

    – Violino?! – horrorizou-se a família.

    – É.

    – Mas Jander…

    – Olha que eu tenho um ataque.

    Sempre que era contrariado, o Jander se atirava no chão e começava a espernear. Compraram um violino para ele.

    O Jander dedicou-se ao violino obsessivamente. Ensaiava dia e noite. Trancava-se no quarto para ensaiar. Mas o som do violino atravessava portas e paredes. O som do violino se espalhava pela vizinhança.

    Um dia a porta do quarto do Jander se abriu e entrou uma moça com um copo de leite.

    – Quié? – disse o Jander, antipático como sempre.

    – Sua mãe disse que é para você tomar este leite. Você quase não jantou.

    – Quem é você?

    – A nova empregada.

    Seu nome era Vandirene. Na quadra de ensaios da escola era conhecida como “Vandeca Furacão”.

    Ela botou o copo de leite sobre a mesa-de-cabeceira, mas não saiu do quarto. Disse:

    – Bonito, seu violino. E depois:

    – Me mostra como se segura?

    Depois a vizinhança suspirou aliviada. Não se ouviu mais o som do violino aquela noite.

    O pai de Jander reuniu-se com os vizinhos.

    – Parece que deu certo.

    – É.

    – Não vão esquecer o nosso trato.

    – Pode deixar.

    No fim do mês todos se cotizariam para pagar o salário da Vandirene. A mãe do Jander não ficou muito contente. Pobre do menino. Tão moço. Mas era a Vandirene ou o violino.

    – E outra coisa – argumentou o pai do Jander. – Vai curar as espinhas.

    (*) Luis Fernando Veríssimo – Escritor/Jornalista – 1936/2025.

  • NÉVOA EM CABO FRIO

    Névoa em Cabo Frio – João Félix.

  • PEQUENAS DOSES

    Luiz Antônio Nogueira da Guia.

    Jardim Caiçara

    O bairro Jardim Caiçara não está no glamuroso entorno da Praia do Forte e muito menos na periferia do Jardim Esperança, onde sempre os candidatos a cargos públicos aparecem a cata de votos e prestígio. Portanto, o Caiçara poucas vezes é lembrado e suas ruas estão precisando e muito do tal do “tapetinho” tão difundido pelo governo e sua comunicação social. Que tal uma chegada por lá?

    Pesquisas

    A comunicação social da Prefeitura é sempre muito rápida na difusão das atividades do governo e o faz com efeiciência pouco comum em Cabo Frio. Portanto, seria o organismo municipal adequado para aferir o grau de satisfação do morador do Jardim Caiçara, um bairro bem cabofriense, que vem sofrendo há anos em função da ineficiência da máquina pública.

    Divergências?

    Sites e portais das redes sociais da Internet tem divulgado com bastante frequência possíveis “rachas” nas releções políticas entre o prefeito Serginho Azevedo (PL) e seu vice, Miguel Alencar (União Brasil). Ao menos publicamente possíveis divergências não vieram a tona, mas também não aconteceram desmentidos formais. A conferir!

    Proliferação de sites

    A proliferação de sites e portais de notícias é vertiginosa e as informações são as mais desencontradas, de acordo com os interesses do “proprietário” do site ou da página, sei lá. Acusações aparecem de todos os lados, sem provas, sem qualquer cuidado ou respeito com a honra alheia. É complicado!

    Anthony Garotinho

    Anthony Garotinho transformou seu espaço na Internet em uma metralhadora giratória e passou a se colocar como anti-sistema, logo ele que já foi a cabeça do “sistema ” no Estado do Rio como governador e candidato a presidente dessa tão maltratada república. O ex-governador anda tão animado, que deu uma aula, explicando como funciona o tal “sistema”. É interessante, digamos assim.

    Aquiles Barreto no Programa Sidnei Marinho

    Muito boa a entrevista do ex-vereador Aquiles Barreto no Programa Sidnei Marinho, na Litoral News. Aquiles utilizou expressões de respeito sobre o momento vivido pelo prefeito Serginho Azevedo, mas ressaltou a necessidade de Serginho escolher a seu tempo uma candidatura, que expresse o seu tamanho político.

    “Liberdade de Expressão”

    Entre tantas novidades que a Internet disponibiliza em “bolhas” para os interessados está a oportunidade de escrever sobre a vida alheia, como se tudo fosse permitido em nome da famosa “liberdade de expressão”. Não há quem possa viver na Democracia sem “liberdade de expressão”, mas muita gente esquece, que ela vem acompanhada pela responsabilidade social e constitucional. Pois é!

    Coração agasalhado

    O famoso boteco “Dom Cabral”, na Rua Getúlio Vargas (ao lado da delegacia) abriga, boa parte dos amores perdidos na cidade, dando a eles o agasalho necessário para corações despedaçados pela “espada dos amores perdidos” tão presente na sociedade individualista, na qual viemos nus, sem qualquer adereço reconfortante.

    Coração agasalhado 2

    Passei pelo Dom Cabral na noite dessa quarta-feira calorosa: pensei encontrar o Doutor Borborema, mas foi em vão, depois do desaparecimento da perereca está soturno e pouco sai de casa. Após duas ou três bicadas numa “branquinha” de respeito servida com fidalguia pelo zeloso proprietário do luxuoso estabelecimento noturno, me senti agasalhado, como dizia um veteraníssimo político cabofriense. Vim pra casa sereno, como observaram meus amigos Enilcea e Gabriel.


220 respostas em “BLOG DO TOTONHO”

Que delícia ler o Blog do Totonho, leitura variada, focada, informativa, inteligente… O leitor alem de boa informação, tem cultura e notícias da terrinha. Parabéns Totonho!

Sr. Totonho, bom dia
A Associação Nossa Lagoa Viva vem por este intermédio solicitar esclarecimentos sobre a origem da matéria divulgada nessa mídia, alegando que são palavras expressas na Instituição. Informamos que tal matéria desvincule nossa instituição e também encaminhamos uma nota oficial que talvez desconhecida por voces.

O Blog recebeu do Sr. Carlos Alberto Cardozo o seguinte texto:
Bom dia
Ong Nossa Lagoa Viva, vai atuar com esperança , atenção e vigilancia com relação a retirada do lodo e seu início.
Sabemos que a palavra FISCALIZAR incomoda a muitos, mas se faz necessário por algumas questões:
Está em jogo a comunidade Siqueirense.
1) O custo da obra. A placa que está lá não traz nada é completamente obscura, e sem aquela famoso QRCODE de pesquisa?
2)O cronograma da obra, Se foi elaborado estudo de impacto e se a obra de retirada do lodo atingirá até a extensão da veiga de Almeida?
3) Vai ser cumprido o que foi dito pelo INEA na reunião do pier, com boias de contensão e ainda a contratação de mão de obra do povo Siqueirense.
São preocupações legítimas até porque o histórico do governador e de deixar obras inacabadas, assim foram as 8 Faetecs desde 2023, com custos já gastos em torno de 170 milhões.
Dinheiro do povo!!
Estamos de olho vivo e faro fino!!
Vamuquivamu!!!!!

Sem qualquer problema o Blog publicará a nota oficial da instituição. O Blog está a disposição da Ong Nossa Lagoa Viva

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Equipe DivulgaMais

Totonho adoro ler o seu blog , como cabo-friense saudosista mato minha curiosidade com suas informações sobre nossa cidade . Política e arte combinam bem para desanuviar esses tempos difíceis.

Boa noite Totonho.Que maravilha, a casa do ex-prefeito Edilson Duarte, de arquitetura única, é que não tem igual em toda a cidade, ser DEMOLIDA , e construírem uma drogaria Pacheco……com uma “arquitetura” que tem em qualquer lugar. Porque eu soube há muitos anos atrás, que foi a Pacheco que comprou…..e o PT cabofriense ??? Continua como se não existisse por aqui….fraco,…….igual a chuchu , sem gosto…., ninguém viu ,ninguém sabe, sou LULA sempre , ser petista tá difícil , mudou presidente, executiva, diretório….tudo como antes e…..nada…..!!! E o festival sabores….!!!!???? Qual a novidade????chovendo no molhado……ninguém sai do Rio, São Paulo ou seja de onde for para um ” festival” que não tem nada de diferente e atrativo…comida???? Qualquer “buteco” tem…..programação pachorrenta, chata, sem encanto, nada interessante, conquistador…….

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