RECUPERAÇÃO DA ECONOMIA

Foto: Marco Aurélio Abreu

RECUPERAÇÃO DA ECONOMIA – 1

Eventos como o Aloha Spirit são importantes para Cabo Frio recuperar o turismo mais qualificado e ao mesmo tempo desenvolver o esporte náutico na cidade. O comércio e todo o setor de serviços precisa se recuperar da profunda crise em que vive e nada melhor como um evento dessa natureza.

RECUPERAÇÃO DA ECONOMIA – 2

A prefeitura poderia dar inestimável ajuda à economia cabofriense se mantivesse sempre o salário dos servidores em dia. Estaria fazendo sua obrigação, diminuiria o impacto social e o dinheiro circularia com bem mais intensidade no município. Seria pedir muito o mínimo de responsabilidade social?

O GOLEIRO E O FRANGO – João Saldanha.

O GOLEIRO E O FRANGO

Posição ingrata é a do goleiro. Em todas as outras, não é raro aparecer o jogador jovem acabando com o jogo. No gol não dá pé. Para um goleiro fazer nome, são indispensáveis duas condições fundamentais: o amadurecimento do jogador e ganhar a confiança da torcida. Ambas excluem o goleiro recém-iniciado.

E não adianta pensar o contrário. No caso do amadurecimento do jogador é necessário que ele compreenda que está numa posição em que seu papel é apenas agarrar a bola e mais nada. Parece fácil para quem reúna as qualidades inerentes à posição. Mas acontece que o goleiro imaturo se preocupa em aparecer mais do que a realidade do jogo permite e cai do andaime ou então atravessa uma fase má.

É que muitas vezes o jogo não dá oportunidade ao goleiro de brilhar e só um goleiro cancheiro tem paciência para esperar pela outra partida. O garotão não espera. Sai da área e vai lá fora tentar aparecer, quer cortar centros em ângulo desfavorável, faz ponte para os fotógrafos, conversa com eles, enfim, por inexperiência, faz uma porção de coisas além da sua simples obrigação de agarrar a bola na sua hora. E a verdade, é que pouco adianta falar e ensinar porque é do próprio espírito dos jovem querer assaltar a lua logo que descobre a sua existência. Por enquanto, apesar dos progressos, isto ainda não está fácil. Pelo menos para os goleiros.

No outro caso, que é o de conquistar a confiança da torcida, a cana é mais dura ainda. O público só aceita o frango quando inclusive o goleiro reúne qualidades para engolir o galináceo com categoria, sem dar a impressão que ficou nervoso e pode engolir outros. Isto também é muito difícil que o goleiro jovem possa conseguir em meia dúzia de atuações por mais brilhante que tenham sido. Se na sétima partida vem o tal frango, a torcida implacavelmente berra que o cobra era um enganador.

É a típica posição onde a modéstia e a constância, aliadas às qualidades naturais de físico e reflexos, se transformam em leis invioláveis para o seguimento normal da mais dura carreira de jogador de futebol.

Se o Orlando do São Cristóvão, por exemplo, não entender bem isto, ele, que tem tudo para ir muito longe, pode, também, ir facilmente para o vinagre.

TUBARÃO PELÉ

Na esquina da rua Miguel Lemos, com Copacabana, Macaé (dono do biriba) discorria sobre a paixão brasileira por futebol. “Imaginem vocês que um dia nós estávamos no racha da praia quando a bola caiu dentro da água, mais ou menos ali onde dá pé na altura da barriga. Eu já ia entrar para buscar a bola quando vi, pertinho, um tubarão com aquela ponta de fora. Parei de estalo e pensei que o desgraçado ia rasgar a bola na ponta do bico e carregou ela lá pra longe. Eu só fiquei olhando a bola desaparecer na linha do horizonte.

Além de mim, estavam presentes as seguintes pessoas: Flávio Ramos, Benjamim, Lamana, Larry, Betovem, Washington e o italiano da banca de jornal. Eram duas e meia da madrugada de segunda-feira. Depois que Macaé contou o caso reinou o mais profundo silêncio e todos foram para casa dormir.

DO BURRO ATROPELADO À LUTA DO SÉCULO

Ontem aqui na página de esportes, publicamos uma fotografia do ex-campeão mundial de pesos pesados, George Foreman, carregando um bicho nas costas, como treinamento para uma luta contra cinco canadenses. O bicho é um terneiro “Hererford”, de duzentos e vinte e cinco quilos.

Francamente não vejo muita vantagem. O terneiro, ou bezerro, como chamam por aqui, está vivo e peso vivo é mais fácil de carregar do que peso morto. Vantagem faz um português que trabalha de ajudante no caminhão da carne que vem todos os dias (todos os dias, não. Em certas épocas o caminhão desaparece), trazer carne para o açougue aqui perto de casa.

O patrício carrega nas costas, com facilidade, um boi inteiro. Sobe e desce a escadinha do caminhão várias vezes e em vários açougues. O diabo é que não luta boxe e assim não terá seu retrato no jornal. É a triste sina dos carregadores de animais mortos. A propósito, lembro aquela história que corre na Limpeza Urbana: “Um dia ia o cidadão pela Rua Almirante Cockrane quando viu um burro ser atropelado e morto por um caminhão. Foi a um telefone, ligou para o LDU e disse “olha, tem um burro aqui que está morto na Rua Almirante…” mas ao tentar dizer o nome Cockrane embatucou e o funcionário mal-humorado berrou: “vá ver direito o nome da rua e depois dê a informação correta!” O pacato e exemplar cidadão foi. Meia hora depois voltou ao telefone: “Olha aqui é aquele cidadão…” e já o berro do funcionário: “qual cidadão? Ora pombas!” e o paciente cidadão disse: “É aquele… o do burro que morreu…” O funcionário perguntou: “Ah, sim, onde está o burro?” Veio a resposta: “O burro está na Rua Pareto”. O burocrata pipocou e berrou como de costume: “mas o senhor não disse que era Rua Almirante… não sei o que lá?” O cidadão com firmeza e já aborrecido respondeu enérgico: “Olha aqui ó gajo, era a tal Rua do Almirante, sim, mas era um nome muito difícil e levei-o para a Rua Pareto, está bom? Se quiser mande buscar o burro e se não quiser deixe-o lá. Pois dane-se, o burro é seu”.

O caso é que o George Foreman que treine de uma vez e o Cassius Clay também. Do contrário, a próxima luta que farão para decidir o título de campeão mundial será outra vez a luta do século. Mas não deste. A luta do século que vem.

MINHA VIDA É UM “FLASH”

DEMAGOGIAS EXPLÍCITAS

O deputado Mauro Bernardo foi para o asfalto, no Vinhateiro fazer de conta que estava resolvendo os problemas da população tapando três ou quatro buracos no meio da pista. Por outro lado, o prefeito Adriano Moreno que permitiu que a cidade fosse transformada em solo lunar tal a quantidade de crateras, posando para fotos em “operação tapa buracos”, na Avenida Júlia Kubitschek.

MINHA VIDA É UM “FLASH

Ambos, Bernardo e Adriano precisam entender que ser deputado e prefeito é muito mais que forçar uma barra para parecer que trabalham. O exercício da vida pública é bem maior que correr atrás de “flashs” para sair na mídia e tentar impressionar a população, procurando catar um votinho aqui outro acolá. É a tal “pequena política” que continua a grassar e fazer muito mal ao Estado do Rio de Janeiro.

INSATISFAÇÃO DENTRO DO MOVIMENTO NEGRO

Às manifestações entorno da moção de repúdio colocada pela vereadora Letícia Jotha contra Rafaela Fernandes é reveladora. Apesar de não ter sido aprovada a moção mostra a insatisfação de setores representativos do Movimento Negro de Cabo Frio e Região dos Lagos com a política pública conduzida pelo governo de Adriano Moreno.

DEBATE ACALORADO

A roda de conversa no Café Pertutti foi animada na tarde de ontem. Reuniu o tabelião surfista Flávio Rosa, o cineasta José Sette de Barros e os candidatos Cláudio Leitão e o vice-prefeito Felipe Monteiro, além de uma assistência atenta. O debate acalorado não gerou “mortos e feridos”, salvaram-se todos.

BOA TROCA!

Por onde andava o professor José Américo Trindade, o Babade, enquanto o debate se agigantava? O nobre professor estava em casa, concentrado, se preparando para ver o último capítulo de “A Dona do Pedaço”. Babade finalmente substituiu o “Mão Santa”, do Piauí, na TV Senado pela “boleira”, Juliana Paes, na Rede Globo.

OCUPA BARRIGA VERDE

Depois do “Ocupa Jair” as mulheres progressistas de Cabo Frio estão ensaiando outra ocupação. É a do bar de Manoel Barriga Verde, cujo proprietário, velho conhecido da boemia municipal é conhecido por sua expertise da boa cozinha. Lideradas por Ermelinda Santos e Zarinho Mureb as mulheres vão conferir.

VAMOS ACABAR COM ESTA FOLGA – Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto)

O negócio aconteceu num café. Tinha uma porção de sujeitos, sentados nesse café, tomando umas e outras. Havia brasileiros, portugueses, franceses, argelinos, alemães, o diabo.

De repente, um alemão forte pra cachorro levantou e gritou que não via homem pra ele ali dentro. Houve a surpresa inicial, motivada pela provocação e logo um turco, tão forte como o alemão, levantou-se de lá e perguntou:

— Isso é comigo?

— Pode ser com você também — respondeu o alemão.

Aí então o turco avançou para o alemão e levou uma traulitada tão segura que caiu no chão. Vai daí o alemão repetiu que não havia homem ali dentro pra ele. Queimou-se então um português que era maior ainda do que o turco. Queimou-se e não conversou. Partiu para cima do alemão e não teve outra sorte. Levou um murro debaixo dos queixos e caiu sem sentidos.

O alemão limpou as mãos, deu mais um gole no chope e fez ver aos presentes que o que dizia era certo. Não havia homem para ele ali naquele café. Levantou-se então um inglês troncudo pra cachorro e também entrou bem. E depois do inglês foi a vez de um francês, depois de um norueguês etc. etc. Até que, lá do canto do café levantou-se um brasileiro magrinho, cheio de picardia para perguntar, como os outros:

— Isso é comigo?

O alemão voltou a dizer que podia ser. Então o brasileiro deu um sorriso cheio de bossa e veio vindo gingando assim pro lado do alemão. Parou perto, balançou o corpo e… pimba! O alemão deu-lhe uma porrada na cabeça com tanta força que quase desmonta o brasileiro.

Como, minha senhora? Qual é o fim da história? Pois a história termina aí, madame. Termina aí que é pros brasileiros perderem essa mania de pisar macio e pensar que são mais malandros do que os outros.

PROTESTO

PROTESTO!

Os moradores do Bairro Manoel Corrêa protestaram ontem, quinta-feira, 21, na câmara municipal, contra as ações da Polícia Militar. Na última semana duas crianças, de 3 e 5 anos, respectivamente, foram baleadas. No mesmo bairro um trabalhador da Comsercaf morreu atingido por bala de fuzil. Espremida, a população protesta e esperneia.

EMPURRÃO NO TURISMO

Acontece em Cabo Frio neste fim de semana a terceira e última etapa do Aloha Spirit, contando com cerca de 1.500 participantes, de 18 estados brasileiros, o que deve incrementar o turismo no município. O evento é particularmente importante, porque a cidade enfrenta grave crise econômico-financeira, com muitas lojas fechando as portas e salários dos servidores atrasados.

MAIS TÁXIS QUE GENTE?

Cabo Frio passa a contar com mais 59 taxistas. A cidade passa a ter um número elevado de “carros de aluguel”, porque ainda tem outros modelos de transporte individual como o “uber”, além de inúmeros táxis de Arraial do Cabo que circulam no município. Em ano pré-eleitoral vale tudo e mais alguma coisa.

E A PINACOTECA?

O excelente site da colunista Suely Pedrosa (suelypedrosa.com) aborda o encantamento dos artistas plásticos por Cabo Frio. Cita Djanira, Jean Guillaume, José de Dome, Pancetti e tantos outros. A propósito, por onde andam os quadros da pinacoteca da Biblioteca Walter Nogueira da Silva, que o seu fundador tinha imenso orgulho?

RACHA NO MOVIMENTO NEGRO?

A vereadora Letícia Jotha apresentou moção de repúdio à atuação de Rafaela Fernandes, coordenadora de promoção de igualdade racial da prefeitura de Cabo Frio, mas a moção não foi aprovada. Rafaela enfrenta oposição da Rede das Pretas, formado por mulheres negras de Cabo Frio e outros municípios da Região dos Lagos: a Rede das pretas é vinculada ao Movimento Negro Unificado. Os críticos do trabalho da coordenadora alegam falta de diálogo e a nomeação de um advogado da Baixada Fluminense para o cargo de superintendente de igualdade racial em detrimento de quadros locais.

O MART RECEBE O DIPLOMA OTIME CARDOSO DOS SANTOS

O MART (Museu de Arte Religiosa e Tradicional), localizado no Convento de Nossa Senhora dos Anjos, foi homenageado pela prefeitura de Cabo Frio. O MART recebeu o Diploma Otime Cardoso dos Santos (Timinho) em reconhecimento a contribuição do museu para difusão da ciência, tecnologia e inovação no município de Cabo Frio.
Na foto, a diretora do MART, Carla Renata Gomes, e a museóloga Aline Cadaxo, recebendo o diploma das mãos do prefeito Adriano Moreno e do secretário de cultura Milton Alencar Jr.

O CACHORRO DO QUEIROZ – Rafael Alvarenga.

O cachorro do Queiroz

Na beira do mar a fragata estraçalha uma tainha. É cedo e a praia guarda um silêncio que poucos hão de encontrar. Mas o Queiroz vem caminhar com seu cachorro que, curioso, se aproxima dizendo “Que belíssima pescaria”.  A fragata nada responde. Não gosta do cachorro que tem cara de poema oportunista e insiste “Nada como ganhar por mérito, não é?” E a fragata com um pedaço de pele pendurada no bico responde “Não. Roubei de um albatroz porque muita coisa me favoreceu”.

Novamente abaixou a cabeça e continuou rasgando a carne do peixe quando o cachorro tornou a dizer “Roubar jamais é certo”. A fragata escorou o rabo da tainha com uma das patas e usando o bico arrancou as vísceras. Estava suja de sangue quando inquiriu “E o Queiroz seu dono, trabalha com o que?” Foi com um abano de orelhas que o cachorro respondeu “Negócios, ora”. Com o bico a fragata quebrou a espinha da tainha e ofereceu “Quer um pedaço?” O cachorro negou com repulsa “Só ração e patê”. Então a fragata engoliu com espinha e tudo e disse “Mas é melhor se preparar” e seguiu devorando o peixe. O cachorro quis saber “Me preparar pra que?” A ave passou a cabeça debaixo de uma asa e advertiu “No mundo selvagem as coisas são como são. No mundo deles as coisas são como estão”.

Sem entender o cachorro olhou para o Queiroz que já ia longe lhe chamando com um assobio e garantiu “Você é estranho. E olha como come…” A fragata dispensou a cabeça da tainha e concluiu “Aqui as coisas são assim. Lá – e apontou em direção ao Queiroz – hoje é ração e patê, amanhã é ele no xadrez e você sem dono, na rua, doido pra tirar pelanca da boca de outro.” Alçou vôo e gritou “Na bochecha da tainha tem carne”.

O cachorro olhou para a cabeça do peixe e recusou. Do sul vinham nuvens pesadas “É só uma tempestade. Os negócios e as representações devem estar seguros” pensou e correu, porque assim pensaria menos.

Rafael Alvarenga

Cabo Frio 18 de novembro de 2019