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Crônica/Conto/Poesia

A MISSA DE SANGUE

Em vida de sua primeira mulher, foi a pérola dos maridos e, sobretudo, ummonstro de fidelidade. Saía do trabalho, digamos, às seis horas. Às vezes, parava um segundo, tomava um cafezinho em pé e era só. Pendurava-se no primeiro bonde, com a ideia fixa de chegar em casa. Estavam casados há seis anos. Pois se […]

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PICADA DE COBRA

O despertador tocou às seis horas da manhã. Ainda bem, pensou. Não precisava mais desse dissabor, haja visto a sua aposentadoria recente, mas, mesmo assim, continuou a programa-lo para o horário de sempre, pois leu em uma revista que isso evitaria uma oscilação brusca nas emoções causada possivelmente pela mudança repentina da rotina. Como dormia […]

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GARRINCHA NÃO PENSA

Nélson Rodrigues, escreveu em 1958 após o jogo: * Botafogo 2 x 1 Fluminense, 10/7/1958, no Maracanã. “Amigos, estou diante de um problema, que é o seguinte: —Garrincha foi, há pouco tempo, meu personagem da semana. Poderei repeti-lo sem irritar os leitores? Eis a verdade, porém: — não se trata de escolher, de optar. Ontem, […]

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MÉXICO 70

México 70 – E as palavras, eu que vivo delas, onde estão? Onde estão as palavras para contar a vocês e a mim mesmo que Tostão está morrendo asfixiado nos braços da multidão em transe? Parece um linchamento: Tostão deitado na grama, cem mãos a saqueá-lo. Levam-lhe a camisa levam-lhe os calções. Sei que é […]

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O TRAMPO SEM “O”

Não é tromba d’águaFaz tudo, porém, vir abaixoNão é trampo diárioporém sem “o” é tortura Na face, um fastioAlgo de tromba no trampoEm tortuoso poderioVive sempre em contracampo Tramas torpesA gerar temoresImigrante é nobreApenas se não é pobre Um trumpete sem “ete”Nada de ética Despótico viróticoXenófobo homofóbicoTirano transfóbicoFascista diabólico Luciana G. RuganiEscritora e poeta

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O AMISTOSO

Os visitantes ou adversários, convidados para aquela partida amistosa do chamado esporte bretão, chegaram festivamente num caminhão ornado de arcos e guirlandas. Sim, no começo tudo são flores. Flores e palmas, discursos, garrafas de cerveja, e os cartolas, que se distinguem dos demais presentes pelos bonitos ternos domingueiros, gravatas, chapéus de seda, como convém a […]

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ISTO É AMOR

Só gostava de homem de dois metros, forte, bonitão. Na rua, cutucava ascolegas: “Viste que alinhado? Viste?” E virava o rosto, torcia o nariz, para os rapazes que não coincidissem com suas exigências. Criticava os namorados das amigas:“Muito baixinho!” Ou, então: “Muito barrigudo!” Ou, ainda: “Tão sem graça!” Por vezes, uma das colegas protestava:— Explica, […]

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O FIGADO DO BACALHAU

É verdade que a geração antes da minha sobreviveu a muitas coisas. E não falo apenas de guerras e crises, mas a julgar pelo que vi das propagandas antigas, havia cerveja recomendada para grávidas e crianças, xaropes com heroína e kits de brinquedo com substâncias radioativas, claro, para estimular a genialidade (e as mutações potencialmente […]

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APRENDENDO AMOR E RESPEITO

Quando começou a assinar as coisas que escrevia em jornal o editor chefe implicou com o tamanho do nome e sobrenome. Demais! Sobrando! Não ficava bem. Perdia o impacto. Tomava espaço e outras tantas chateações, que enumerava sempre que o colunista dava a cara em alguma página, especialmente a página 2, aos sábados. Foi tanta […]

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CLARICE LISPECTOR & ARMANDO NOGUEIRA

ARMANDO NOGUEIRA, FUTEBOL E EU, COITADA E o título sairia muito maior, só que não caberia numa única linha. Não leio todos os dias Armando Nogueira – embora todos os dias dê pelo menos uma espiada rápida – porque “meu futebol” não dá pra entender tudo. Se bem que Armando escreve tão bonito (não digo […]