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Crônica/Conto/Poesia

A ESFERA

A ESFERA Se por um lado o bem se acaba, o mal também tem cura. – Sérgio Ricardo É importante não fechar os olhos, tanto quanto respirar. Se estivesse pensando em algo, talvez eu não teria visto aquela mão pequena cometer aquele ato. Eu não estava olhando para a rua, não era um dia movimentado […]

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POESIA ENTRE O CAIS E O HOSPITAL

Geme no cais o navio cargueiroNo hospital ao lado, o homem enfermo.O vento da noite recolhe gemidosUne angústias do mundo ermo.Maresia transborda do mar em cansaço,Odor de remédios inunda o espaço.Máquina e homem, ambos exaustosUm, pela carga que pesa em seu bojoOutro, na dor tomando o seu corpo.Cais, hospital: Portos de esperaE começo de fim […]

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NOIVA DA MORTE

Era o único varão numa família de mulheres. E, desde garoto, ouvia dizer:— Alipinho não casa! Nós não deixamos Alipinho casar…O Alipinho era ele. Cresceu num ambiente de absoluta predominância feminina, cercado de mulheres por todos os lados. Foi tiranizado, ferozmente, pela mãe, irmãs, tias e primas. Quase não saía de casa, quase não ia […]

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UMA SENHORA

Dona Quinota não se importava com a aspereza do ano inteiro. Com ela era ali no duro — trabalho, trabalho e mais trabalho. O ordenado das empregadas, na verdade, era uma pouca-vergonha que a polícia devia pôr um paradeiro. Não punha. Vivia metida com a maldita da política. Falta duma boa revolução!… Ah, se ela […]

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O VITRAL

Desde muito, ela sabia que o aniversário, este ano, seria num domingo. Mas só quando faltavam quatro ou seis semanas, começara a ver na coincidência uma promessa de alegrias incomuns e convidara o esposo a tirarem um retrato. Acreditava que este haveria de apreender seu júbilo, do mesmo modo que o da Primeira Comunhão retivera […]

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A PIRA DA CORRUPÇÃO

O Night Club, em São Cristovão, foi dos melhores acontecimentos da noite daquela pequena cidade querendo se transformar em grande: sempre duas bandas de estilos e ritmos diferentes. Lotava os dois andares da casa! Cerveja gelada, batida de limão e cachorro magro acompanhavam aquele “bate-coxa”. Vez por outra, a pedidos, o conjunto lascava o “miudinho”, […]

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POR UM PÉ DE FEIJÃO

Nunca mais haverá no mundo um ano tão bom. Pode até haver anos melhores, mas jamais será a mesma coisa. Parecia que a terra (á nossa terra, feinha, cheia de altos e baixos, esconsos, areia, pedregulho e massapê) estava explodindo em beleza. E nós todos acordávamos cantando, muito antes do sol raiar, passávamos o dia […]

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NO RESTAURANTE SUBMARINO

Jerônimo me liga. Tenho uma grande notícia, diz, a voz estranhamente excitada para quem é, habitualmente, um homem reservado. Uma grande notícia, repete, acrescentando que pelo telefone não dá para dizer. Propõe um almoço conjunto: nós dois, mais Hélio e Sadi. Onde, pergunto, um tanto inquieto. No restaurante submarino, ele responde. Pondero que é meio […]

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A ANGÚSTIA DAS SAVANAS

Uma das tantas teorias sobre o começo da civilização é a da angústia do pênis exposto. Quando os primeiros hominídeos desceram das árvores e foram viver na savana, uma das conseqüências de andarem eretos e terem que se espichar para pegar as frutas foi que seus órgãos sexuais ficaram expostos ao escrutínio público. Antes de […]

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O GUIA DOS CORNUDOS

Outro dia me referi numa crônica ao Guia dos Cornudos, livreto de François-Marie-Charles Fourier, que viveu no agitado período da Revolução Francesa. É interessante que numa época de tanta inquietude e ardor revolucionário o escritor vanguardista aproveite a ocasião para com humor fazer crítica de costumes através de minucioso catálogo, elencando dezenas de tipos e […]