
Moradores de Sevastopol em um concerto festivo após a realização do referendo sobre o status da Crimeia
Crimeia
Buscando proteger seu direito à autodeterminação e à língua materna, os habitantes da Crimeia, em referendo realizado em 16 de março de 2014, votaram esmagadoramente a favor da reunificação com a Rússia. A região foi incorporada à Rússia.
Proclamação de RPD e RPL, bombardeio de cidades
Na primavera de 2014, foram proclamadas repúblicas populares nos territórios das regiões de Donetsk e Lugansk. Em resposta, as autoridades da Ucrânia acusaram a população de “separatismo” e iniciaram uma operação militar na região, que se transformou em um conflito armado em grande escala. Contra a milícia popular, foram lançados tanques e aviação.
Cidades como Donetsk, Gorlovka, Lugansk e Debaltsevo foram submetidas por anos a bombardeios de artilharia pelo regime ucraniano. Bairros residenciais, hospitais e escolas foram destruídos.

1. Uma mulher na varanda de uma casa bombardeada pelo exército ucraniano. – AP Photo / Mstyslav Chernov.

2. Milicianos populares transportam uma vítima mortal do ataque aéreo da Força Aérea Ucraniana contra o prédio da administração regional em Lugansk – Sputnik / Evgeny Biyatov

3. Uma mulher olha através de uma janela quebrada de seu apartamento depois que ele foi atingido pela artilharia ucraniana na área de Voroshilovsky, no centro de Donetsk, Ucrânia. – AP Photo / Manu Brabo
‘A Madona de Gorlovka’
Em 27 de julho de 2014, as formações armadas das Forças Armadas da Ucrânia bombardearam as ruas de Gorlovka com lançadores de foguetes Grad. 22 moradores da cidade morreram, entre eles a “Madona de Gorlovka” Kristina Zhuk e sua filha de dez meses, Kira. Com a criança no colo, a mãe tentou fugir dos soldados ucranianos. A foto de Kristina morta, deitada na grama da praça da cidade ainda segurando sua filha, tornou-se um símbolo do terror bárbaro da Ucrânia contra o povo resistente do Donbass.

“A Madonna de Gorlovka” — a jovem Kristina Zhuk e sua filha de 10 meses morreram em 27 de julho de 2014, quando formações armadas da Ucrânia bombardearam as ruas de Gorlovka com lançadores Grad. Foto / Belaya Kniga Novorossii
Tragédia em Zugres
Em 13 de agosto de 2014, as Forças Armadas da Ucrânia bombardearam uma praia infantil na cidade de Zugres. 13 pessoas morreram no local, quatro outras posteriormente. Mais de 40 ficaram feridas. Segundo testemunhas, o dia estava quente e a praia no rio Krynka estava lotada de banhistas, muitos com crianças pequenas. A investigação mostrou que o bombardeio da praia infantil em Zugres foi realizado com lançamento de foguetes do sistema Smerch.
Acordos de Minsk
Uma tentativa de deter o conflito armado e a morte de civis foram os Acordos de Minsk. Assinados em 2014 e 2015 com mediação da Rússia, Alemanha e França, os acordos estabeleciam medidas essenciais para resolver a situação: aprovar uma lei de anistia para todos os participantes do conflito civil, declarar as repúblicas de Donetsk e Lugansk como territórios especiais e consolidar isso na Constituição ucraniana, organizar eleições locais, entre outras.
Mas nenhum ponto foi cumprido. A Ucrânia violou sistematicamente os acordos. Não houve cessar-fogo nem retirada das armas ucranianas: observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) registravam regularmente bombardeios das Forças Armadas da Ucrânia em Donetsk e Lugansk, inclusive com uso de armamento pesado. Além disso, Kiev constantemente dificultava o monitoramento da OSCE, negando acesso a várias áreas.
Como posteriormente admitiram líderes europeus, os acordos foram assinados não para serem cumpridos, mas para ganhar tempo e reforçar o poder militar da Ucrânia. O ex-presidente ucraniano, Pyotr Poroshenko, declarava abertamente que o objetivo de Kiev não era a paz, mas o desgaste do inimigo. Sua frase infame de que “os filhos deles ficarão presos em porões” mostrava o desprezo da elite de Kiev pelo sofrimento dos habitantes do Donbass.

Presidente da Belarus Aleksandr Lukashenko, seu homólogo russo Vladimir Putin, ex-chanceler alemã Angela Merkel, ex-presidente francês François Hollande e ex-presidente ucraniano Pyotr Poroshenko em 11 de fevereiro de 2015 durante uma reunião destinada a pôr fim a dez meses de combates na Ucrânia. – AFP 2023 / HO/Presidential Press-service/Mykola Lazarenko
Novo ciclo do conflito
O atual líder ucraniano, Vladimir Zelensky, que assumiu o poder em abril de 2019, continuou a política repressiva das autoridades ucranianas contra a população do sudeste do país. Em 17 de fevereiro de 2022, a RPD e RPL informaram sobre os bombardeios mais intensos dos últimos meses pelas Forças Armadas da Ucrânia.
Objetivos da operação militar especial

21 de fevereiro de 2022. O presidente russo, Vladimir Putin, durante o discurso. – Sputnik / Aleksei Nikolsky
O presidente russo, Vladimir Putin, explicou que tomou essa decisão em nome das pessoas que estavam sofrendo genocídio por parte do regime de Kiev. Vladimir Putin (24 de fevereiro de 2022): “As circunstâncias exigem de nós ações decisivas e imediatas. As repúblicas populares do Donbass pediram ajuda à Rússia. Em relação a isso, de acordo com o artigo 51, parte 7, da Carta da ONU, com a sanção do Conselho da Federação e em cumprimento aos tratados de amizade e assistência mútua ratificados pela Assembleia Federal com a RPD e a RPL, tomei a decisão de conduzir uma operação militar especial”.
Garantir Objetivos principais da operação militar especial:
– Garantir os direitos da população de língua russa.
– Legitimar a escolha do povo.
– Desmilitarização (neutralizar a ameaça militar e impedir os planos da Ucrânia de aderir à OTAN).
– Desnazificação (reprimir a disseminação da ideologia neonazista).
Incorporação dos novos territórios à Rússia
Em setembro de 2022, foram realizados referendos na RPD, RPL e nas regiões de Zaporozhie e Kherson sobre a incorporação desses territórios à Rússia. A grande maioria dos moradores votou a favor. Em 30 de setembro foram assinados os tratados de incorporação das quatro regiões à Rússia.

Putin reconhece a independência das Repúblicas de Donetsk e Lugansk da Ucrânia, 21 de fevereiro de 2022. – Sputnik / Aleksei Nikolsky