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A POLÍTICA E SUA DINÂMICA PARTIDÁRIA

Cláudio Leitão (*)

Acabou o Carnaval e vamos entrar novamente num ano de eleições. Os processos vão começar a acelerar e as candidaturas começarão a ser mais bem definidas. A política em seu dia a dia segue sendo um ambiente complexo, emocional e muitas vezes não verdadeiro. Os interesses se confundem. A definição de ética muda e passa a ter um sentido próprio e específico. Tem agentes políticos que sempre colocam os seus interesses privados acima do público, mas também tem o contrário, gente bem-intencionada que sempre coloca o interesse público em primeiro lugar, porém também preserva seus interesses pessoais e eleitorais.
Aprendi ao longo dos anos de militância que não existe perfeição no campo político. Minha primeira filiação partidária foi no PT em 1984, quando jovem estudante de Economia em Niterói. O partido tinha 4 anos de fundação. Depois da faculdade fui morar no Nordeste durante alguns anos da minha vida e minha filiação se perdeu. Naquela época era tudo no papel e a filiação muitas vezes precisava ser renovada.
Quando me mudei para Cabo Frio, no final dos anos 80, me afastei um pouco da política por necessidades profissionais. O meu trabalho na indústria farmacêutica demandava muitas viagens e tive dificuldades em atuar politicamente. Os anos se passaram e no início dos anos 2000 o PT chega ao poder fazendo opções e escolhas contrárias ao seu discurso de fundação. Escolhas “pragmáticas”, da chamada política real, que seguiam as regras habituais dos demais partidos. A cúpula partidária dizia que o partido tinha que se adaptar à realidade concreta da política nacional.
Discordando destas escolhas do PT, mas seguindo na luta, junto com vários companheiros ex-petistas, ajudei a fundar o PSOL no Rio de Janeiro, e mais particularmente em Cabo Frio, no ano de 2005. Segui militando nesta linha ideológica e fui três vezes candidato a prefeito da cidade. Em 2008, 2012 e 2016. Aqui em Cabo Frio me formei também em História.
Em 2018 deixei o PSOL e adotei também uma linha mais pragmática. As pessoas me cobravam e diziam que eu fazia muitas críticas e não conseguia viabilizar minhas propostas. Recebi um convite de Adriano (Rede Sustentabilidade) para num projeto de união derrotar um dos caciques da política local, Marquinho Mendes. Vencemos aquela fatídica eleição suplementar e me tornei Secretário de Educação. Agora “poderia fazer” e responder aos críticos.
Fiquei apenas dez meses no governo e sofri uma enorme decepção política. Adriano traiu os compromissos de campanha e quase todos os companheiros que o ajudaram a ganhar a eleição. Esta história muitos já conhecem. Saí do governo denunciei desvios de recursos da educação e isso gerou uma Ação Civil Pública impetrada pelo MP, que infelizmente hoje, segue a “passos de tartaruga” na Segunda Vara Cível de Cabo Frio. Mas neste curto período de gestão, apesar das dificuldades, tivemos várias realizações reconhecidas pelos profissionais de educação e analistas políticos. Sem falsa modéstia, provei aos críticos que era capaz de fazer e realizar.
O tempo correu e veio a eleição municipal de 2020. Recebi um convite do saudoso prefeito José Bonifácio, que depois venceu a eleição, me filiei ao PDT e disputei a eleição para a Câmara dos Vereadores. Não me elegi, mas tive uma votação que contribuiu para fortalecer a legenda. Mas assim são as urnas e vida que segue!
Em 2024, a convite do companheiro de longa data, Rafael Peçanha, que foi candidato a prefeito pela Rede Sustentabilidade, retornei ao PSOL e me candidatei novamente a vereador. Com votação abaixo, também não me elegi. A luta política é muito dura para quem participa do processo eleitoral cumprindo regras e agindo com ética e princípios republicanos.
Contei esta história relatando alguns aspectos da minha modesta trajetória para mostrar que a política…

(*) Cláudio Leitão é Economista e Professor de História.

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