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O NATAL E O RÉVELLION DA DESIGUALDADE

A extrema desigualdade social é uma variável econômica presente desde a colonização do Brasil. O processo de formação econômica e os diversos modelos de desenvolvimento adotados até os dias atuais deram o caráter de permanência deste fato. Isso é histórico e inquestionável.
Neste fim de ano, apesar de alguns esforços tímidos de política pública como a isenção de IR para quem ganha menos de 5 mil reais, mais uma vez vamos presenciar essa marca da desigualdade nas festas de Natal e Réveillon como sempre nas últimas décadas. É de dar dó ver milhões de pessoas precisando de doações da sociedade para ter comida na mesa e alguma dignidade nestes festejos familiares para atender o tamanho desta demanda.
É louvável o esforço dos doadores e voluntários neste trabalho, mas mesmo assim milhões ficarão com mesas e barrigas vazias. O desemprego, a pequena redução da pobreza e da miséria, e consequentemente, da fome, são perceptíveis a “olhos nus”. Basta andar nas ruas. O aumento do número de pessoas dormindo nas marquises de prédios, de idosos e crianças vendendo balas e toda sorte de produtos de forma ambulante nos sinais e vias públicas viraram uma triste rotina. Isso precisa nos causar profunda indignação e repulsa. Alguém precisa ser responsabilizado por isso.
É notório também em contraste com as pessoas que tentam ajudar e minorar o sofrimento desta massa desvalida, verificar a insensibilidade e a falta de empatia de grande parte da sociedade brasileira com o problema. São os “meritocratas”, que acham que desfrutam de uma boa vida porque se esforçaram para isso. Não conseguem enxergar que este modelo econômico não permite oportunidades iguais para todos. Exaltam e exibem seus privilégios com ostentação. Carecem de sensibilidade social.
A recente pandemia de triste memória não mudou em nada a consciência social destas pessoas. Aliás, uma grande parte da sociedade teve um comportamento negacionista em relação as medidas de combate, a vacinação, o uso de máscaras e cuidados com aglomerações desnecessárias. Isso foi incentivado por Bolsonaro e seus asseclas. Infelizmente, muitas pessoas foram vitimadas pela doença por este desprezo com a ciência e as boas práticas sanitárias recomendas pelos especialistas.
Vamos entrar em 2026 com a situação econômica do país ligeiramente melhor. Há a perspectiva de um pequeno crescimento do PIB, na ordem de 2,5%. Há um certo controle inflacionário dentro da meta estipulada e projeta-se um pequeno crescimento do consumo, mas são situações que não poderão resgatar essas pessoas para um processo real e concreto de inclusão social. Será um ano eleitoral, fato que limita ainda mais a adoção de políticas sociais em função da legislação. Os embates políticos serão tensos e intensos, e isso sempre impacta, agrava e gera grande instabilidade econômica.
É imperativo atuarmos eleitoralmente de forma firme e decidida. Precisamos interromper de vez essa “tempestade fascista e neoliberal extrema” e fazer soprar “brisas mais leves” que tragam ares menos autoritários e políticas de inclusão social e geração de emprego e renda. O poder só emanará verdadeiramente do povo quando ele perceber que é preciso ter consciência de classe e que participar ativamente do processo político é uma questão de sobrevivência.
Apesar dos pesares e do meu ceticismo com a política no país, desejo um 2026 melhor para todos com realizações de objetivos dentro da realidade de cada um.
Claudio Leitão é Economista e Professor de História.

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