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EM BOA COMPANHIA

O sábado amanhecera lindo, luminoso e radiante, com o céu azul, límpido, depois de uma semana inteira de chuva e nuvens cinzentas. Um amigo convidou-me para um churrasco em sua casa, à tarde, e achei que seria uma boa ideia para aquele dia tão lindo! Sai de casa de bicicleta, confiando no meu senso de direção e da quase certeza de que encontraria o local, sem recorrer a mensagem no meu celular com o nome da rua e o número da casa. Segui pela lagoa, devagar, sorvendo o vento forte que soprava e o cheiro da maresia, olhando sem muita atenção as pessoas que passavam, conversando, rindo, correndo, empurrando carrinhos de bebes. Entrei em algumas ruas paralelas à lagoa, olhei os bares, perguntei ao porteiro de um condomínio se por acaso conhecia o meu amigo e finalmente percebi que estava perdida, vagando sem a menor ideia de para onde ir. Parei e decidi olhar o recado deixado no celular. O meu senso de direção havia falhado. Subi novamente na bicicleta e segui, agora, pensei eu, na direção certa, com o endereço na mão. Cheguei ao bairro e comecei a procurar a rua, que por coincidência, tinha os nomes do meu ex marido e do último namorado, o que não ajudou em nada. Olhei as placas nas ruas, perguntei a alguns moradores, entrei e sai de ruas charmosas, arborizadas, com casas coloridas e de muros baixos. Nada. Nem sinal da tal rua, Pedro Paulo Valentim! Pedalei de volta à lagoa e, cansada, parei a bike, sentei num banco olhando o movimento suave da água, um peixe que teimava em saltar, a casuarina envergando com o vento, tudo tão em harmonia, tudo em paz e eu, sozinha. Sozinha e feliz! Sozinha e em tão boa companhia!!

Ana Angélica Tavares de Mello

18/10/2016

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