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Raízes da operação militar especial russa: história do conflito ucraniano -1

Golpe de Estado na Ucrânia

Os eventos do Euromaidan levaram à crise política na Ucrânia. Em novembro de 2013, o presidente ucraniano Viktor Yanukovich recusou-se a assinar o Acordo de Associação com a União Europeia, temendo a ruptura das relações já existentes com a Rússia. Essa decisão provocou protestos em massa em Kiev.

O confronto de três meses entre as forças de segurança e os manifestantes – muitos dos quais nacionalistas – resultou em dezenas de mortes e um golpe de Estado.

Na noite de 22 de fevereiro, os ativistas do Euromaidan tomaram o complexo governamental, assumindo o controle dos prédios do parlamento, da presidência e do governo. Como resultado do golpe de Estado, o poder foi transferido para a oposição. O presidente legítimo Viktor Yanukovich foi forçado a fugir urgentemente para a Rússia.

1. Policiais durante confrontos com manifestantes na Praça da Independência em Kiev – Sputnik / Andrei Stenin

2. Policiais durante confrontos com manifestantes na Praça da Independência em Kiev – Sputnik / Aleksei Furman

3. Participante de ações em apoio à integração europeia da Ucrânia na rua Grushevsky em Kiev – Sputnik / Andrei Stenin

4. Policiais são vistos na Praça Maidan, em Kiev, onde começaram os confrontos entre manifestantes e a polícia – Sputnik / Andrei Stenin

Perseguições à língua russa

Desde 2014, as autoridades de Kiev iniciaram uma ofensiva sistemática contra a população de língua russa. Foram aprovadas leis que limitam o uso da língua russa:

– Foi revogada a Lei de Bases da Política Linguística do Estado, de 2012.

– Reduziu-se o número de escolas onde o ensino era realizado em língua russa. A partir de 1º de setembro de 2020, as escolas que ensinavam em idioma russo na Ucrânia passaram a ensinar no idioma oficial.

– Foram aprovadas emendas à Lei da Televisão e Radiodifusão. A quota de transmissão em ucraniano na televisão e rádio de âmbito nacional e regional aumentou para 75% por semana, e para 60% na mídia local.

– Foi suspensa a transmissão de canais de TV russos, proibida a exibição de filmes russos e vedada a participação de artistas incluídos na “lista de pessoas que representam ameaça à segurança nacional”.

– Foi aprovada a Lei de Garantia do Funcionamento do Ucraniano como Língua Nacional.

– Foram aprovadas as leis sobre os povos autóctones da Ucrânia e sobre as minorias nacionais da Ucrânia, que excluíram definitivamente os russos da proteção jurídica do Estado.

Perseguição da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscou

Mosteiro feminino de Santa Iveron (à direita) e a igreja de Santa Olga, princesa igual aos apóstolos (à esquerda), destruídos durante as hostilidades em Donetsk. - Sputnik Brasil

Mosteiro feminino de Santa Iveron (à direita) e a igreja de Santa Olga, princesa igual aos apóstolos (à esquerda), destruídos durante as hostilidades em Donetsk.

A perseguição da Igreja Ortodoxa Ucraniana, historicamente ligada ao Patriarcado de Moscou, se tornou norma, incluindo a tomada de templos e a perseguição de clérigos desta Igreja:

– Em 23 de setembro de 2024, entrou em vigor a lei “Sobre a proteção da ordem constitucional no campo das atividades das organizações religiosas”. Na Ucrânia, a atividade da Igreja Ortodoxa Ucraniana foi praticamente proibida.

– A lei “Sobre liberdade de consciência e organizações religiosas” incluiu um artigo especial que proíbe a atividade na Ucrânia de organizações religiosas ligadas à Igreja Ortodoxa Russa.

– Houve a tomada do Mosteiro de Pechersk de Kiev e do Mosteiro de Pochaev, com a remoção de parte das relíquias religiosas, incluindo as relíquias de santos.

– Tomadas em massa de templos. Foram tomadas catedrais e outras igrejas em Ivano-Frankovsk e Lvov, deixando essas cidades sem templos da Igreja Ortodoxa Ucraniana. As autoridades retiraram as catedrais da Santíssima Trindade e da Transfiguração em Chernigov da posse da comunidade da Igreja Ortodoxa Ucraniana. Em Cherkasy, foi tomado o Mosteiro do Nascimento da Santíssima Virgem.

– Cerca de 180 processos criminais foram abertos contra clérigos e arcebispos da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscou. 20 bispos e sacerdotes foram privados da cidadania ucraniana.

– Uma nova forma de repressão contra os clérigos da Igreja Ortodoxa Ucraniana foi a sua mobilização forçada para as Forças Armadas da Ucrânia.

1. Igreja destruída após bombardeio aéreo na cidade de Krasnodon – Sputnik / Valery Melnikov

 2. Moradores de Lugansk após bombardeio da cidade – Sputnik / Valery Melnikov

 3.  Cúpula e teto destruídos do templo em honra à Ícone da Mãe de Deus de Iverskaya do Mosteiro Iverskaya feminino de Donetsk, localizado perto do aeroporto da cidade de Donetsk, destruído durante os combates no Sudeste da Ucrânia. – Sputnik / Vera Kostamo

Insatisfação da população de língua russa no sudeste do país

Após o golpe de 2014, começaram intensos protestos no Leste do país, onde predominava a população de idioma russo, inclusive no Donbass e na Crimeia. Os moradores dessas regiões exigiram uma solução para a questão do status da língua russa e a realização de uma reforma constitucional, incluindo a federalização da Ucrânia.

No Donbass, foi formada uma milícia popular.

O massacre de Odessa

Incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa – Sputnik / Aleksandr Polishuk

Em 2 de maio de 2014, dezenas de pessoas morreram e foram queimadas vivas na Casa dos Sindicatos de Odessa. Os apoiadores do Euromaidan destruíram o acampamento dos ativistas que discordavam da política das autoridades ucranianas. As pessoas tentaram se salvar na Casa dos Sindicatos, mas foram bloqueadas e morreram no incêndio.

Os acontecimentos em Odessa marcaram o episódio final do confronto civil entre os apoiadores do governo ucraniano da época e os opositores do golpe de Estado.

1. Incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa – Sputnik / Aleksandr Polishuk

 2.  Incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa (a entrada central está pegando fogo) – Sputnik / Aleksandr Polishuk

 3. As pessoas saíram para o parapeito durante o incêndio na Casa dos Sindicatos em Odessa. À direita: o rosto e o cabelo da moça foram atingidos por um trapo ensopado numa mistura inflamável de uma garrafa de “coquetel Molotov” jogada. – Aleksandr Polishuk

 4. O corpo da pessoa que morreu em decorrência do incêndio no edifício da Casa dos Sindicatos em Odessa – Sputnik / Denis Petrov

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