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Pequenas Doses

PEQUENAS DOSES

Luiz Antônio Nogueira da Guia.

O Tapetinho

A comunicação social no governo de Serginho Azevedo trabalha duro, as vezes com a exposição excessiva da imagem do prefeito, mas tem tido bastante sucesso: fez desaparecer o discurso de caos nas vias urbanas pela quantidade de buracos. O “tapetinho” (linguagem de botafoguense, embora o prefeito seja tricolor) cobriu ruas e avenidas principais, mas os buracos continuam por aí. A comunicação fez “milagre”.

A Requalificação 1

O entorno da Praia do Forte, diferente da Praia do Peró continua a ser um problema para a Prefeitura. A Praia do Forte é o cartão postal de Cabo Frio, procurada por milhares de pessoas, principalmente na alta temporada de Verão. A requalificação precisa progredir, tanto na areia quanto na orla da praia, sem ceder as pressões eleitorais de 2026.

A Requalificação 2

A requalificação da Praia do Forte, do seu entorno e de todo o centro de Cabo Frio, incluíndo a orla do Canal do Itajuru: Boulevard Canal, Orla Scliar e Portinho, tem que ter caráter permanente e só vai acontecer se for uma exigência da sociedade organizada, que só tem a ganhar com essa reorganização.

Teatro dá prestígio

Chegamos a 2026, ano eleitoral e por isso complicado, ainda sem o Teatro Municipal Inah de Azevedo Mureb em funcionamento, que seria a alegria dos grupos teatrais existentes na cidade. O município já perdeu muitas vocações e plateias e certamente o governo ganharia muito prestígio com o retorno do teatro.

Forte São Matheus

Por outro lado, a área da Ponta do Forte foi revitalizada e o próprio Forte São Matheus, construído no século XVII, recebe exposição de artes plásticas de inúmeros artistas. A área revitalizada, entretando, está precisando de mais árvores. Está na hora do Horto Municipal entrar em cena.

Turismo religioso

O governo municipal tem feito esforço na revitalização de espaços públicos e turísticos importantes, mas está devendo no campo do turismo histórico/religioso. Não é caro, mas complicado, porque depende da articulação entre igrejas, organismos municipais e também federais. É preciso boa vontade das instituições, porque patrimônio não falta a Cabo Frio.

1 milhão de turistas

O discurso de “1 milhão de turistas” pegou no Brasil inteiro e em Cabo Frio não seria diferente. É preciso mais pesquisas, sem apelar para esse tipo de populismo midiático, até porque esse papo de “1 milhão de turistas” afasta muita gente, principalmente o turista que gasta mais, sem depredar a cidade. É bom pensar nisso.

Privilégios não bastam?

Os comerciantes do bairro da Passagem se beneficiam e muito da arquitetura urbana, particularmente da Igreja de São Benedito, marco do local. Entraram com grana para revitalizar o espaço? Se entraram não fizeram mais que a obrigação, portanto precisam parar de “encher o saco”, porque já tem muitos privilégios, inclusive de distribuirem mesas e cadeiras pelo meio da rua.

Prêmio Nobel da Paz e adjacências

Muito bom o artigo do cientista político, ex-ministro da educação e ex-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência Renato Janine Ribeiro, publicado no Facebook: “O prêmio Nobel da Paz entregue à Corina Machado foi, para mim, a gota d’água. Até então, eu ainda acreditava que havia algo de bom nesse prêmio, criado por um fabricante de dinamite e que, desde a sua origem, tinha um sentido compensatório: um homem que promoveu guerras e mortes em grande escala buscava prestigiar a paz, assim como outras áreas do conhecimento — não a economia, vale lembrar, já que o chamado “prêmio Nobel de Economia” é um prêmio inventado, genérico, que não consta no testamento de Nobel; é um prêmio “fake”. Ainda assim, eu mantinha alguma expectativa em relação ao Nobel da Paz. Olhava alguns nomes com simpatia, ficava descontente com outros, achava um absurdo terem concedido o prêmio a Obama antes mesmo de terminar seu primeiro ano de mandato, sem que ele tivesse feito nada de relevante até então — e, de fato, depois também não fez muita coisa boa, tanto que descumpriu a promessa de fechar o campo de concentração e tortura de Guantánamo. Apesar disso, eu ainda tinha alguma esperança. O prêmio à Malala, por exemplo, militante pela educação, eu achava bacana.

A premiação de Corina Machado me deixou claro o seguinte: trata-se de um prêmio entregue a um perfil que atende aos interesses do Ocidente, das grandes empresas ocidentais e do capitalismo ocidental, que hoje trava uma luta feroz para sobreviver diante dos avanços não só dos BRICS, mas, de modo geral, dos países menos desenvolvidos. E o que eu notei também, sendo bem franco, é que a esperança que eu tive nas ONGs no final do século passado — quando via nelas uma forma de atuação de pessoas dispostas a trabalhar pelo bem comum, fora do governo, com dedicação genuína — também se mostrou, em grande parte, equivocada. Não que as ONGs, em geral, sejam ruins, mas há muitas ONGs problemáticas. Desde o princípio, quando alguém diz “tenho uma ONG”, o que não é raro, isso já levanta questões: não deveriam existir ONGs como propriedade privada, assim como não faz sentido alguém ter uma fundação nos moldes do Ferete da novela Três Graças. A atuação deveria estar voltada ao bem comum e ter outro perfil.

Mas o problema é ainda mais profundo: existe uma ideia ingênua de “fazer o bem” sem olhar a quem isso realmente beneficia. Há inúmeras atividades que podem ser socialmente benéficas, mas sem foco e sem política pública elas não resolvem nada. Sem política pública, você não resolve nada. Não adianta um grupo dizer “vamos incentivar tal coisa” de forma isolada. Lembro de uma novela em que aparecia um grupo de jovens de uma favela do Rio tocando numa orquestra de cordas. Eu adoro música clássica, acho maravilhoso que as pessoas possam tocar, mas isso é uma gota no oceano. Não resolve nada. Geralmente, o custo per capita dessas iniciativas é muito elevado. Nada se compara, nesse sentido, ao Bolsa Família. O Bolsa Família pode ter problemas, precisa ser constantemente aprimorado e melhorado, mas tem um impacto social enorme e um custo per capita muito baixo.

Lembro que, no tempo do governo Fernando Henrique, conversei longamente com uma colaboradora próxima da queridíssima Ruth Cardoso, que foi minha professora. Ela contava sobre projetos com artesanato e coisas do tipo; eu achava tudo muito bacana, interessante, mas fiquei chocado com o custo per capita. Para cada pessoa qualificada para ganhar dinheiro com sua arte ou artesanato, o custo era muito alto. Isso não tem condição de ser universalizado. É bom ter artesãos antes desconsiderados ou desconhecidos, muitos com trabalhos de ótima qualidade, alguns no nível da arte, mas isso não substitui uma política pública.

O que temos, então, nesse perfil das ONGs, de um lado, e dos prêmios Nobel, de outro, além da suposta bondade dos ricos e do Ocidente, são apenas gotas d’água jogadas no oceano. Isso é profundamente decepcionante. E, para completar, vemos agora esse povo supostamente “do bem”, europeus bonitinhos etc., puxando o saco do Trump, fazendo todo o possível para não serem liquidados por um sujeito que tem profundo desprezo não só por eles, mas por qualquer pessoa que se humilhe ante ele — e que, justamente por isso, tende a desprezá-los ainda mais se continuarem assim. Isso me causa profunda aversão. Não faz sentido.

A questão é simples: ou temos políticas públicas, ou todo o resto é firula. Em vez de ONGs, é muito melhor pagar imposto. É muito melhor que os mais ricos, os que ganham mais, os que têm maior patrimônio, paguem impostos, e que esses impostos sustentem políticas públicas. Isso é muito mais eficaz do que renúncias fiscais ou doações pontuais, pequenas, para uma ou outra causa. Pode até haver apoio a casos específicos, mas o apoio verdadeiro precisa ter um sentido mais amplo, que considere a sociedade como um todo.”



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