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Editorial

A “BRAVATA” DE TRUMP

A trapalhada de Donald Trump na Venezuela reflete o ocaso dos petrodólares. Em 1974, o então secretário de estado, Henry Kissinger, pactuou com a Arábia Saudita: todo o petróleo do mundo seria vendido em dólares, em troca da proteção militar à monarquia saudita pelos EUA.

Como o planeta precisa de petróleo e como ele é cotado em dólares, os países são obrigados a manter reservas em dólares para negociá-lo. O que deu aos EUA o privilégio de imprimir a moeda aceita no mundo sem sofrer inflação.

E assim, o petrodólar bancou o complexo militar norte-americano, o estado de bem-estar social e os déficits comerciais, enquanto o país repassava ao resto do planeta os custos da criação monetária.

O combate ao terrorismo, a guerra às drogas e proteção à democracia não passam de balelas. Em 2003, quando o Iraque anunciou que passaria a vender seu petróleo em euros, por exemplo, o país foi invadido pelos EUA sob a falsa acusação de estocar armas químicas. Saddam Hussein (foto à direita) foi perseguido, deposto e condenado à forca após um julgamento duvidoso. O sistema de dólares logo voltou a vigorar.

Já em 1986, Muammar al-Gaddafi (foto à esquerda) nacionalizou a produção de petróleo da Líbia. E, em 2011, ao propor a criação de uma moeda pan-africana lastreada em ouro para comercializar petróleo, seu país foi bombardeado e o líder líbio assassinado. O país mergulhou no caos.

Agora, a bola da vez é a Venezuela, com seus 303 milhões de barris de petróleo – a maior reserva do mundo, cinco vezes as do Iraque e da Líbia. Riqueza que condena. Em 2018, o governo decretou que se libertaria do dólar. Passou a vendê-lo em yuan chinês, euros e rublos. O resto foi o que se viu,

O fato é que as reservas cambiais em dólar caíram mais de 70% em 2000 e outros 58% até 2023. Ou seja, um planeta com várias moedas de reserva enfraquece o poder norte-americano. Testemunhamos o ocaso de um sistema monetário.

Só que dessa vez o líder republicano deixou claro que o petróleo venezuelano pertence aos EUA, porque é desenvolvido há 100 anos por suas empresas (após usar o narcoterrorismo como pretexto). Tanto que deixou a vice dar continuidade ao regime de Maduro, e ela já fala em orientação ao desenvolvimento compartilhado com os EUA…

Celina Côrtes

(Fontes: Revista Fórum e o advogado Luiz Carlos Rocha)

E agora, quem será a próxima vítima?

(sairdainercia.blogspot.com)

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