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Editorial

CHAVISMO E TRUMPISMO?

A violenta ação armada dos EUA sobre a Venezuela a princípio resultou no sequestro do Presidente Nicolás Maduro e de sua esposa. Muitos analistas se surpreenderam com a rapidez, com que o processo se deu e com a falta de reação das Forças Armadas Bolivarianas e dos grupos armados, de cunho popular.

Ainda é cedo para se perceber a fundo o que aconteceu, mas na mídia corporativa o que mais se distribui é a ideia de que o Chavismo se descartou de Maduro para tentar sobreviver a ação extremista do governo trumpista, que tenta restaurar o monopólio do poder norte-americano, na América Latina. Seria uma espécie de “Corolário Trump”. imitação canhestra do “Corolário Roosevelt”, no início do século passado.

Existe aí uma diferença essencial, que não está sendo levada em conta pelos defensores brasileiros da política do Departamento de Estado. No início do século XX o poder dos EUA estava em expansão e se consolidaria ainda mais após as guerras mundiais: 1ª Guerra (1914/1918) e 2ª Guerra (1939/1945).

A realidade do século XXI é bem diferente. O “grande império” vive crise profunda e tenta se agarrar a um mundo unipolar, que não mais existe. A decadência é visível e inevitável, particularmente em relação a China, que ao longo dos anos tem ocupado espaços antes monopolizados pela economia e forças armadas norte-americanas.

O “grande irmão” esperneia e em seu processo inexorável de declínio ainda vai gerar muito estrago, desrespeitando os organismos multilaterais, afrontando a soberania de nações e usando com maior intensidade o seu aparato bélico, como na Venezuela.

O petróleo deve ter sido o instrumento de negociação entre chavistas e trumpistas, mas nada está definido. Como será a reação da sociedade bolivariana organizada e armada? É preciso aguardar para se ter uma análise mais precisa da realidade, que não está cristalizada.

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