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AINDA HÁ ESPERANÇA

Rose Fernandes (*)

Cabo Frio possui três patrimônios com mais de cinquenta anos que estão esquecidos pelas autoridades públicas, são elas: o Colégio Miguel Couto, a Biblioteca Walter Nogueira e a ACL-Academia Cabofriense de Letras. Estas instituições surgiram como base para formar a Cultura da nossa sociedade, sendo Cabo frio a sede da Região dos Lagos, sim, pois durante muito tempo atendeu as necessidades básicas culturais desta região.

Por essas instituições passaram várias gerações, que hoje compõem um segmento de instrutores e profissionais gabaritados. O corpo docente do Colégio Miguel Couto, com alguns profissionais vindos de fora da cidade, preparou seus alunos que prestaram concursos nas Universidades de Niterói e Rio de Janeiro. Após formação em seus cursos, a maioria retornou à sua cidade como médicos, engenheiros, e professores, entre outras profissões.  Muitos destes professores, engajaram-se no corpo docente do próprio colégio que os preparou, e hoje alguns já partiram e outros se aposentaram, deixando a tarefa do ensino para seus alunos, por eles formados.

Para auxiliar aos estudantes foi criada a Biblioteca Municipal pelo cabo-friense Walter Nogueira, que retornando a sua cidade foi também lecionar no Colégio Miguel Couto, e percebeu a necessidade de haver uma biblioteca como suporte cultural aos estudantes deste colégio. Mais tarde, essa biblioteca foi denominada Biblioteca Municipal Walter Nogueira com sede própria no centro da cidade de Cabo Frio.

Essas instituições sofrem com a pouca atenção de nossas autoridades, e o que é mais absurdo é que muitas destas autoridades, delas usufruíram. A Academia Cabofriense de Letras que completa cinquenta anos neste ano de 2025, comemorará o seu Jubileu de Ouro ainda sem ter uma sede definitiva para suas reuniões e eventos. Por conta disso, nestes cinquenta anos de existência, grande parte de seu acervo se perdeu. A ACL, hoje tem em seu quadro de membros quarenta acadêmicos.

Com o novo governo municipal, ainda podemos ter a esperança de mais atenção, pois creio que nossa sociedade ainda mantém a sua identidade, e como pesquisadora vejo que a vitória do Prefeito Dr. Serginho se deve também a essa identificação como um candidato de família tradicional, e a nossa esperança em relação à cultura da nossa gente se deve à sua ligação com uma família de educadores, que estudaram e trabalharam no Colégio Miguel Couto e frequentaram a Biblioteca Municipal Walter Nogueira.

Na cultura há muito tempo, acompanho esse descaso; cheguei até a ouvir de algumas pessoas influentes que “cultura não dá voto”; ledo engano. Esses patrimônios de utilidade pública ainda se mantêm em funcionamento devido a um grande grupo de amantes da cultura que persistem em levar adiante seus projetos com muito esforço. Alguns realmente já desistiram, mas outros continuam nessa jornada. Os amantes da cultura são bastante silenciosos, por isso não se dão conta do grande número de votos.

Como secretária da ACL, tenho conhecimento de mais de trezentos escritores catalogados com obras publicadas, sem contar com o triplo daqueles que ainda não tiveram oportunidade de mostrar seus trabalhos, pois as dificuldades são inumeráveis.

Esse texto não é um apelo, mas sim uma conscientização e um alerta para que nossa administração pública preste mais atenção a esse seguimento, pois existem muitas pessoas produzindo e que estão de braços abertos para colaborar com a atual gestão. E muitos de forma gratuita, pois sua preocupação é tão somente a colaboração para engrandecimento da cultura de nosso povo.

Cabo Frio nasceu com sua vocação literária e artística, atestada pelo reconhecimento do “Primeiro Romancista Brasileiro”, Antônio Gonçalves Teixeira e Sousa, patrono da ACL, porém antes dele tivemos o seu professor, o poeta Ignácio Cardoso da Silva, que teve sua obra publicada no Rio de Janeiro, pelo seu aluno.

Nós, que dedicamos nossas vidas à cultura da nossa cidade, precisamos com certa urgência de cuidados e preservação do nosso patrimônio Cultural, assim como de uma equipe de cultura capacitada e afinada com nosso trabalho e dedicação, pois nós sabemos do que precisamos e como realizar. Só precisamos de um apoio concreto.

A bem da verdade é a Secretaria de Cultura que precisa de todos nós, pois nós é que produzimos cultura, sem ela continuaremos trabalhando e seguindo os nossos sonhos.

(*) Rose Fernandes 24/01/25.

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