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O MAL E O SOFRIMENTO

Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?
Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?
Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?

Leandro Gomes de Barros 1865/1918

Príncipe dos Poetas”. Foi considerado o primeiro escritor brasileiro de literatura de cordel, tendo escrito aproximadamente 240 obras.

Naturalidade: Pombal – PB

Nascimento: 19 de novembro de 1865

Falecimento: 4 de março de 1918 em Recife – PE.

Atividades artístico-culturais: Poeta e cordelista.

O paraibano Leandro Gomes de Barros nasceu na fazenda melancia, no município de Pombal. O artista é considerado o rei dos poetas do seu tempo. Foi educado pela família do padre Vicente Xavier de Farias, (1823-1907), proprietários da fazenda, e dos quais era sobrinho por parte da mãe. Em companhia da família adotiva, ele mudou-se para a Vila do Teixeira, que se tornaria o berço da literatura popular nordestina. Até os 15 anos de idade ele permaneceu na cidade natal, onde conheceu vários cantadores e poetas ilustres.

Leandro Gomes mudou-se da cidade de Teixeira para o vizinho estado de Pernambuco e fixa residência em Jaboatão, onde morou até 1906, depois em Vitoria de Santo Antão; e a partir de 1907 no Recife onde viveu de aluguel em vários endereços até fixar residência.

Na capital pernambucana montou uma tipografia a fim de publicar seus folhetos, onde eram impressos na sua própria residência ou em tipografias do Recife e da Paraíba. Leandro foi o primeiro a publicar, editar e vender seus poemas. As capas desses folhetos eram caracterizadas pela presença de vinhetas e ornamentos. Foi Leandro que criou a atividade do “folheteiro” e do agente, para que pudesse vender seus folhetos, o agente distribuía os folhetos de cordel para toda a região de modo que folheteiros vendessem nas feiras e mercados populares.

Foi considerado o primeiro escritor brasileiro de literatura de cordel, tendo escrito aproximadamente 240 obras. Foi chamado de “Príncipe dos Poetas” por Carlos Drummond de Andrade em crônica publicada no jornal do Brasil em 9 de setembro de 1976.

A temática abordada pelo autor abrangia críticas do governo (impostos, custo de vida, greves), cangaço humor, principalmente a personagem da sogra (considerada inimigo número um da paz doméstica, associada com frequência ao diabo).

O poeta faleceu em 4 de março de 1918, no Recife. Após sua morte, seu genro Pedro Baptista, dono de uma editora em Guarabira, continua a editar esses folhetos até 1921, onde após um desentendimento de Baptista com a viúva do poeta, Dona Venustiniana Aleixo de Barros, fez com que a viúva vendesse o espolio literário de Leandro ao paraibano João Martins de Athayde, que editou os folhetos do autor até 1945 quando vendeu os direitos autorais de Leandro para José Bernardo da Silva, dono da tipografia São Francisco em Juazeiro do Norte.

A fundação Casa Ruy Barbosa possui uma página dedicada ao poeta paraibano com biografia, produção literária e pesquisa acadêmica.

Confira o trecho do folheto A Seca do Cearáde Leandro Gomes de Barros:

Seca as terras as folhas caem,

Morre o gado sai o povo,

O vento varre a campina,

Rebenta a seca de novo;

Cinco, seis mil emigrantes

Flagelados retirantes

Vagam mendigando o pão,

Acabam-se os animais

Ficando limpo os currais

Onde houve a criação.

Não se vê uma folha verde

Em todo aquele sertão

Não há um ente d’aqueles

Que mostre satisfação

Os touros que nas fazendas

Entravam em lutas tremendas,

Hoje nem vão mais o campo

É um sítio de amarguras

Nem mais nas noites escuras

Lampeja um só pirilampo.

Aqueles bandos de rolas

Que arrulavam saudosas

Gemem hoje coitadinhas

Mal satisfeitas, queixosas,

Aqueles lindos tetéus

Com penas da cor dos céus.

Onde algum hoje estiver,

Está triste mudo e sombrio

Não passeia mais no rio,

Não solta um canto sequer.

  • Paraíba Criativa.

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