Exposição Poético Fotográfica “Moça Bonita Celebrando a Vida em meio ao Câncer”.

No dia 20 de outubro, quarta-feira, às 18 horas, acontecerá uma live sobre a Exposição Poético Fotográfica “Moça Bonita Celebrando a Vida em meio ao Câncer”. A transmissão será via facebook, na página “Projeto Moça Bonita Cabo Frio“.

Eu estarei participando, juntamente com minhas colegas escritoras Andréa Rezende, Ludmila Oliveira e a presidenta de nossa Academia de Letras e Artes de Cabo Frio – ALACAF, Jaqueline Brum. A live contará também com a participação de Luisa Maria, coordenadora do Projeto Moça Bonita, com a presença da moça bonita Elizângela Gomes e de outras participantes do projeto. 

Não deixem de assistir, venham participar conosco!

LUCIANA G. RUGANI

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Raiva e azar dos bolsonaristas

Hesio Cordeiro (1942/2020)

Tentativa de apropriação 1

A extrema-direita em Cabo Frio tenta se apropriar do Hospital Unilagos, que será administrado pela UERJ, dentro do sistema SUS, inteiramente gratuito e a serviço da população. O reitor da UERJ, inclusive, fez questão de ressaltar que a universidade se expande e se interioriza apesar daqueles que gostariam de fechá-la.

Tentativa de apropriação 2

Pois é! Nessa hora que a extrema direita tenta capturar o que é do povo, não custa nada lembrar, que certo deputado (sem o nome para não dar fama tentou implantar, via ALERJ, uma CPI para investigar a administração da UERJ e seus professores, na tentativa de destruí-la.

Tentativa de apropriação 3

Foi rejeitado e repudiado pela grande maioria do parlamento. Caso tivesse sucesso hoje não existiria hospital. Não participou de nada, apenas tenta se apropriar politicamente de um avanço da universidade pública. Que tal lembrar dos respiradores sucateados doados por Crivella e apresentados como “salvação da lavoura”?

Grosseria: DNA de bolsonarista

A grosseria do governador Cláudio Castro (PSL) não foi apenas com o prefeito de Cabo Frio, mas com todas as autoridades presentes. Misturou política eleitoral com a inauguração do hospital UERJ/SUS, retirando a nobreza de um momento tão importante para toda a Região dos Lagos. O que esperar de um governador bolsonarista e sua turma? Baixo nível: mais nada!

Raiva e azar dos bolsonaristas

Para raiva e azar dos bolsonaristas o hospital leva o nome do médico sanitarista Hesio Cordeiro, ex-reitor da UERJ, um dos responsáveis pela implantação do SUS.

Fundação do SUS

O SUS completou 30 anos em setembro. Ele é considerado até hoje um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo.

Hesio Cordeiro foi um dos que propôs a criação do SUS muito antes, contudo, em 1976, quando escreveu com os colegas José Luís Fiori e Reinaldo Guimarães a carta “A questão democrática na área da saúde”.

Considerado um manifesto em defesa da saúde pública, o documento apontava a política de privatização da saúde promovida pelos militares como causa do crescimento de doenças antigas e da mortalidade infantil no Brasil. A gestão dos militares no setor foi classificada por Hesio como “uma política governamental privatizante, concentradora e anti-popular”. G1

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PREVIDÊNCIA SOCIAL É UM DIREITO DA CIDADANIA

Cláudio Leitão

Uma intensa campanha de ataque à previdência pública tem se repetido no Brasil nos últimos 40 anos. Foi criada no início pela direita liberal, reacionária e conservadora, e infelizmente, teve apoio até de setores “progressistas” como FHC, Lula, Dilma. O governo golpista de Temer deu sequência e o auge destes ataques acontecem agora neste “desgoverno” Bolsonaro.

Dilma, inclusive, chegou a vetar uma medida aprovada pelo Congresso que amenizava, na época, os danos do fator previdenciário criado por FHC: a fórmula de aposentadoria 85/95, que significa a soma do tempo de trabalho com a idade para mulheres e homens, respectivamente. O Congresso depois derrubou o veto “contrariando” Dilma.

Este foi mais um dos vários atos de traição que o PT praticou contra a classe trabalhadora na área da previdência social, pois em 2010, no dia da estreia do Brasil na Copa, nosso ex-presidente operário, Lula da Silva, também vetou o fim do fator aprovado pelo Congresso. Depois, este mesmo famigerado congresso não derrubou o veto, deixando uma armadilha para Lula “abraçar” esta medida neoliberal. Parece que Lula “tinha mais apelo” entre os inimigos do povo.

Importante frisar que o PT foi contra a adoção do fator em 1998, repito, criação do governo do PSDB de FHC. Chegou a ajuizar uma ação de inconstitucionalidade no STF contra a medida. Discursos calorosos e raivosos foram feitos no Congresso por seus deputados e senadores. Aliás, este foi o fato gerador para a criação do PSOL por dissidências de parlamentares que não quiseram votar contra os trabalhadores quando o PT aprofundou estas reformas na previdência taxando os inativos. O PT era contra fora do poder e de forma completamente incoerente ficou a favor quando governo.

Segmentos neoliberais costumam dizer que a Constituição de 1988 teria criado obrigações impagáveis e que se torna necessário modificar sua essência populista e perdulária. Um dos alvos é a Previdência Social e de forma mais abrangente todo o sistema da Seguridade Social. Políticas elitistas e privatistas tentam, ao longo de todo este período, atacar um alargamento dos direitos sociais que a nossa Carta Magna traz em seu bojo, fruto do suor e muita luta por parte dos trabalhadores.

A Seguridade Social composta pela Previdência Social, Assistência Social e Saúde, têm fontes de financiamento amplas e diversificadas, constituindo-se no segundo maior orçamento do setor público. O primeiro, infelizmente, é o pagamento dos juros da dívida pública, uma questão que sempre passa ao largo das discussões por que não interessa ao “status quo“ desenvolver qualquer debate. Segue comprometendo praticamente a metade do Orçamento Geral da União, inviabilizando uma série de políticas públicas essenciais ao país, principalmente na saúde e na educação.

Estes valores do sistema previdenciário acabam se constituindo em objeto de cobiça para os representantes do capital financeiro, escondendo lá no fundo, um desejo de ver a previdência privada crescer, e isso tem acontecido substancialmente, sob a falácia de um suposto déficit da previdência pública.A Previdência Social não deve ser analisada isoladamente, e sim, todo o contexto da Seguridade Social que é seguramente superavitária, já que fontes de financiamento específicas foram estabelecidas para este fim.

A construção do discurso conservador que a Lei Maior criava obstáculos a administração pública ocorreu com o processo de financeirização da economia brasileira, a partir das seguidas crises iniciados nos Governos Sarney, Collor de Mello e FHC. Reformas urgentes na Seguridade Social eram a tônica destes discursos, fato que ocorre até hoje em pleno governo fascista e ultraneoliberal de Jair Messias Bolsonaro.

Dívida pública, processo inflacionário, âncora cambial, alta do dólar, taxas de juros elevadas, liberdade do fluxo de capitais, elevado grau de abertura econômica, desregulamentação e regressividadedo sistema tributário, déficit no balanço de pagamentos, além de outros, são problemas menores, segundo a avaliação destes setores. Os ataques à Previdência são sempre limitados aos aspectos financeiros, contábeis e atuariais, nunca levando em conta o seu caráter social e distributivo de renda.

Com FHC veio a primeira reforma, criando o fatídico “fator previdenciário” um mecanismo surrupiador de direitos conquistados. Criou-se a DRU – Desvinculação de Receitas da União, que permitiu ao governo retirar 20% de qualquer imposto ou contribuição e destinar ao Tesouro Nacional e alocar estes recursos ao bel prazer do governante. O governo ilegítimo de Temer conseguiu com apoio do Congresso elevar este percentual para 30%. A maior parte destes recursos se destina ao pagamento da dívida pública. A reforma bolsonarista puniu trabalhadores pobres, principalmente com o aumento da faixa etária para a aposentadoria, mas poupou políticos, militares e servidores públicos do alto escalão

Impostos e contribuições como PIS/COFINS, a extinta CPMF, CSLL, CIDE, receitas de prognósticos lotéricos, dentre outros, que são fontes de financiamento da Seguridade Social foram afetados e tiveram desvios de finalidade e ajudaram a bancar o tal falado superávit primário.Nos dias atuais, nem isso, pois mesmo com o elevado pagamento de juros e outras manobras de política fiscal “conseguiram” criar um déficit orçamentário gigantesco.

Não tenho e nunca tive a pretensão de ser dono da verdade, apenas luto para que um tema como este possa ser de mais domínio por parte da população, principalmente, aquela que é mais afetada por este processo. Precisamos de mais educação e informação para o debate. Em 2017, uma CPI concluída pelo Senado e que não teve nenhum destaque na mídia nacional concluiu não existir déficit na previdência pública brasileira. (https://www12.senado.leg.br/…/veja-os-principais-pontos…).

A superação deste modelo econômico exige luta política por parte dos diversos segmentos da classe trabalhadora. É preciso fortalecer as conquistas dos movimentos populares do passado. A Constituição de 1988 e seu mecanismo de Seguridade Social são partes desta vitória. Previdência Social é um direito da cidadania e não prestação de serviços.

Depois ainda dizem que não existe mais direita e esquerda na política e que acabou a luta de classes. Esta luta está mais viva do que nunca!

(*) Claudio Leitão é economista e professor de história.

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O QUE FAZER?

Ângela Maria Sampaio de Souza

O que fazer quando descobrimos que temos mais dificuldades do que imaginávamos?

Em alguns campos somos soberanos, cheios de alternativas, mas em outros parece sempre que “a roda pega”, que não saímos do lugar.

Muitas vezes achamos que certas dificuldades já estavam superadas, mas elas teimam em reaparecer e a vida vai repetindo certos momentos.

Empurramos essas pedras do nosso caminho e quando pensamos que essas pedras tinham ficado para trás, eis que outras aparecem ou mesmo as mesmas e voltamos a tropeçar e recomeçar.

Todos nós recebemos ao longo da vida muitos “nãos, críticas, ironias, gozações e nem sempre sabemos enfrentá-las, mas são com essas atitudes que vamos aprender.

Quem não aprendeu a ser bonzinho quando pequeno?

Obedecer, ficar calado, não discordar, não criar problemas.

Hoje já não somos pequeninos, aprendemos a viver, saber o que queremos, saber o que é certo e errado porque e aí acontece que algumas pedras que achávamos tinham sido retiradas da vida reaparecem!

Somos muitas vezes contraditórios e esse é o ponto para avançar.

Somos diferentes uns dos outros, não podemos impor nossa forma de ver como única e possível, e as pedras retornam.

Todas as pessoas tentam encontrar a melhor forma de viver.

Complicamos muito nossas vidas ou nossas vidas são naturalmente complicadas?

Criamos confusões desnecessárias!

Muitas pessoas fazem qualquer coisa para mudar, mas não mudam no que precisam.

Mudar significa ir contra a corrente e acreditar que podemos ir além, temos que voar, não rastejar e não desistir.

Podemos enganar os outros durante muito tempo, mas a nós mesmos não!

Somos obras vivas inacabadas em permanente processo de crescimento.

Vale a pena construir nossos caminhos a cada dia com as pedras que temos na mão, derrubando todas elas que nos for possível a cada momento.

Só seremos uma sociedade evoluída, quando as pessoas viverem de forma avançada de comportamento ético, informação compartilhado é verdadeira, comunicação aberta e solidariedade afetiva.

Aprendemos a viver no diálogo permanente.

Os pontos que sentimos dificuldades são pedras para nos ajudar a evoluir.

Vale a pena construir nosso caminho de cada dia no ritmo que nos for possível em cada momento.

(*) Ângela Maria Sampaio de Souza é Professora.

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Gaetaninho

Alcântara Machado

Gaetaninho, como é bom!

Gaetaninho ficou banzando bem no meio da rua. O Ford quase o derrubou e ele não viu o Ford. O carroceiro disse um palavrão e ele não ouviu o palavrão.

– Eh! Gaetaninho! Vem pra dentro.

Grito materno sim: até filho surdo escuta. Virou o rosto tão feio de sardento, viu a mãe e viu o chinelo.

– Subito!

Foi-se chegando devagarinho, devagarinho. Fazendo beicinho. Estudando o terreno. Diante da mãe e do chinelo parou. Balançou o corpo.

Recurso de campeão de futebol. Fingiu tomar a direita. Mas deu meia-volta instantânea e varou pela esquerda porta adentro.

Eta salame de mestre!

Ali na Rua Oriente a ralé quando muito andava de bonde. De automóvel ou carro só mesmo em dia de enterro. De enterro ou de casamento.

Por isso mesmo o sonho de Gaetaninho era de realização muito difícil. Um sonho.

O Beppino por exemplo. O Beppino naquela tarde atravessara de carro a cidade. Mas como? Atrás da Tia Peronetta que se mudava para o Araçá.

Assim também não era vantagem.

Mas se era o único meio? Paciência.

Gaetaninho enfiou a cabeça embaixo do travesseiro.

Que beleza, rapaz! Na frente quatro cavalos pretos empenachados levavam a Tia Filomena para o cemitério. Depois o padre. Depois o Savério noivo dela de lenço nos olhos. Depois ele. Na boléia do carro. Ao lado do cocheiro. Com a roupa marinheira e o gorro branco onde se lia: ENCOURAÇADO SÃO PAULO. Não. Ficava mais bonito de roupa marinheira mas com a palhetinha nova que o irmão lhe trouxera da fábrica. E ligas pretas segurando as meias. Que beleza, rapaz! Dentro do carro o pai, os dois irmãos mais velhos (um de gravata vermelha, outro de gravata verde) e o padrinho Seu Salomone. Muita gente nas calçadas, nas portas e nas janelas dos palacetes, vendo o enterro. Sobretudo admirando o Gaetaninho.

Mas Gaetaninho ainda não estava satisfeito. Queria ir carregando o chicote. O desgraçado do cocheiro não queria deixar. Nem por um instantinho só.

Gaetaninho ia berrar mas a Tia Filomena com a mania de cantar o “Ahi, Mari!” todas as manhãs o acordou.

Primeiro ficou desapontado. Depois quase chorou de ódio.

Tia Filomena teve um ataque de nervos quando soube do sonho de Gaetaninho. Tão forte que ele sentiu remorsos. E para sossego da família alarmada com o agouro tratou logo de substituir a tia por outra pessoa numa nova versão de seu sonho. Matutou, matutou, e escolheu o acendedor da Companhia de Gás, Seu Rubino, que uma vez lhe deu um cocre danado de doído.

Os irmãos (esses) quando souberam da história resolveram arriscar de sociedade quinhentão no elefante. Deu a vaca. E eles ficaram loucos de raiva por não haverem logo adivinhado que não podia deixar de dar a vaca mesmo. O jogo na calçada parecia de vida ou morte. Muito embora Gaetaninho não estava ligando.

– Você conhecia o pai do Afonso, Beppino?

– Meu pai deu uma vez na cara dele.

– Então você não vai amanhã no enterro. Eu vou!

O Vicente protestou indignado: – Assim não jogo mais! O Gaetaninho está atrapalhando!

Gaetaninho voltou para o seu posto de guardião. Tão cheio de responsabilidades.

O Nino veio correndo com a bolinha de meia. Chegou bem perto. Com o tronco arqueado, as pernas dobradas, os braços estendidos, as mãos abertas, Gaetaninho ficou pronto para a defesa.

– Passa pro Beppino!

Beppino deu dois passos e meteu o pé na bola. Com todo o muque. Ela cobriu o guardião sardento e foi parar no meio da rua.

– Vá dar tiro no inferno!

– Cala a boca, palestrino!

– Traga a bola!

Gaetaninho saiu correndo. Antes de alcançar a bola um bonde o pegou. Pegou e matou.

No bonde vinha o pai do Gaetaninho.

A gurizada assustada espalhou a notícia na noite.

– Sabe o Gaetaninho?

– Que é que tem? – Amassou o bonde!

A vizinhança limpou com benzina suas roupas domingueiras.

Às dezesseis horas do dia seguinte saiu um enterro da Rua do Oriente e Gaetaninho não ia na boléia de nenhum dos carros do acompanhamento. Ia no da frente dentro de um caixão fechado com flores pobres por cima. Vestia a roupa marinheira, tinha as ligas, mas não levava a palhetinha. Quem na boléia de um dos carros do cortejo mirim exibia soberbo terno vermelho que feria a vista da gente era o Beppino.

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GROSSERIA, MARCA DO BOLSONARISMO

Grosseria 1

O governo do estado e seus representantes não dão uma dentro sequer em Cabo Frio. Na inauguração (não se sabe se vai funcionar mesmo) o governador bolsonarista, o último a falar, fez uma crítica infeliz ao presidente do PDT, Carlos Lupi, obviamente não dando ao prefeito a oportunidade de responder, sob o delírio de alguns apaniguados presentes.

Grosseria 2

Bolsonarismo e grosserias são quase sinônimos. Daí a dificuldade de manter diálogos civilizados com essa turma, que está casada com o neofascismo vigente em alguns setores extremistas da política brasileira. Se o governo de Bolsonaro fez alguma coisa de bom foi com o seu exemplo ampliar profundamente a rejeição a esse tipo de gente.

Neofascismo se combate

Alguns membros do coral das paredes murmurantes’ diriam ‘bem feito’ ao prefeito de Cabo Frio José Bonifácio, que “passa pano” pra esse tipo de gente e comportamento. Com os neofascistas não se têm diálogo, sequer respeito, porque eles não respeitam nada e ninguém, a começar pela democracia que querem destruir. O neofascismo se combate e ponto!

Não se contemporiza com o bolsonarismo

Cláudio Castro, da extrema direita católica, foi eleito na chapa do ex-juiz Wilson Witzel (“atirar na cabecinha”), já defenestrado do cargo e responde a processos como seu ex-parceiro. É candidato a reeleição com o apoio das forças mais reacionárias do Estado do Rio. É preciso derrotá-lo e junto com ele o bolsonarismo. Não dá para contemporizar.

Por onde andam?

A pergunta é: onde estavam os inúmeros cidadãos portariados, que não se fizeram presentes, para fazer frente as grosserias de um acintoso governador bolsonarista e meia dúzia de apaniguados no município? O governo de Cabo Frio parece não ter ganho politicamente aqueles que ocupam os cargos de confiança.

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PREMIAÇÕES PÚBLICAS

José Facury

Todas as políticas públicas de inclusão são hipoteticamente perfeitas nos seus objetivos formais. O problema é até onde ela pode alcançar e quais os seus entraves para que elas possam ser mais abrangentes.

Ao meu ver, o grande empecilho é sempre a linguagem, o entendimento e o total desconhecimento dos argumentos sempre postos em forma de obrigações nos documentos que são exigidos aos possíveis proponentes aos subsídios públicos na cultura.

E assumir compromisso com uma linguagem que atemoriza, incute na clientela o pavor e na sequência o de se achar inabilitado para tal, já que a origem de entendimento em sendo mediana, não se instala, apesar da necessidade ser total.

Nos coloquemos como um artista de qualquer área como sendo alguém que possua apenas o ensino fundamental e comecemos a ler os parágrafos e incisos de um edital de prêmios culturais:

– Destrincharemos a muito custo os objetivos, veremos que cumpriremos com dificuldades todas as exigências ligadas à prática… Na exigência documental, já começaremos a ver o nosso limite e de quem poderá nos ajudar em uma coisa ou outra. Se não encontrarmos, recomeçaremos a ler só apontando as dificuldades até desistirmos de vez…

Desejar ser premiados pelas gestões públicas por algo que realizamos e pra isso ter que cumprir exigências burocráticas é uma tarefa hercúlea, que, para muitos, até descrever sobre a sua própria atividade se torna uma complicação.

Para uma gestão cultural norteadora das políticas públicas, se quiserem ser úteis e includentes terão que se debruçar sobre a comunicação das terminologias das nossas premiações. Não é cabível este excesso de exigências para premiar alguém que o seu próprio fazer já o distingue. Não é cabível que a cada edital peçam os mesmos documentos de sempre que se avolumam desde o cadastramento e nos chegam como se sempre estivéssemos preenchendo o primeiro.

O órgão público da cultura deve se municiar da tecnologia de um banco de dados cadastral dos seus agentes culturais para distingui-lo a hora que necessitar, perfilando-os ou premiando-os pelos seus feitos artísticos, assim como pelas suas características tradicionais.

(*) José Facury é Conselheiro Estadual de Cultura.

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O OBJETIVO É BRASÍLIA

É mole?

O ex-deputado federal Paulo César Guia garante que será candidato a Câmara Federal: Brasília o deixou encantado. Perguntado sobre a legenda, deixou a resposta para depois, mas garante que não vai demorar a responder e que a escolha está próxima do que se imagina.

Cabo Frio-Maricá

Enquanto isso, Flávio Rosa, assentado no PSB e liderado por Alessandro Molon, percorre o eixo Cabo Frio-Maricá, quase diariamente, centrado no turismo/esporte. O tabelião surfista defende a modernização das práticas políticas, na Região dos Lagos e também é candidato a Câmara Federal.

O objetivo é Brasília

Perguntado sobre a possibilidade de mudar parte dos seus planos e se candidatar a Assembleia Legislativa, o tabelião surfista negou. Segundo ele todas as conversas políticas que teve dentro e fora do PSB convergiram para a necessidade de reforçar politicamente a legenda socialista na Câmara Federal.

Mantra

O prefeito José Bonifácio (PDT) parece não se importar com as críticas ao seu governo. O prefeito diz que são ações artificiais e orquestradas por determinado grupo da oposição. Repete como mantra que o saneamento das finanças do município não pode esperar e que é fundamental para que se dê o efetivo desenvolvimento da cidade.

Inauguração?

Inaugura hoje, sexta-feira, depois de muitas idas e vindas, o Hospital Unilagos, que deverá ser administrado pela UERJ, cujas primeiras ações serão voltadas ao tratamento da covid-19. A população espera que a unidade hospitalar comece imediatamente a funcionar e que a inauguração não se limite a um mero corte de faixas e discursos pomposos.

Derrapadas

Depois de inúmeras derrapadas como a entrega de respiradores sucateados a prefeitura de Cabo Frio, ainda no governo de Adriano Moreno, a inauguração apenas parcial do IML já no governo de José Bonifácio, os seguidos adiamentos da entrega do Hospital Unilagos, deixaram a população descrente. Caso o Hospital Unilagos comece realmente a funcionar será o primeiro ganho do governo do estado na região.

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A pia

A louça suja cresce no fundo da pia. Os pratos e os pratinhos são como discos voadores abandonados pela pane da fome saciada. As facas, não há dúvidas, são os mastros quebrados de alguns navios naufragados. Há ainda as panelas, absorvidas pela tarefa de guardar uma água suja desde ontem. Mais ascéticos são os escorredores de macarrão por cujos buracos vaza todo caldo gorduroso.

Ainda assim ninguém amarga desprezo maior que o copo usado pela vitamina de abacate. A ele não ofereceram sequer o resguardo de se esconder no fundo da pia. Por isso está ali, na beirada do mármore, largado às moscas.

À tábua de carne restou o cheiro da cebola. Já a colher de pau, se pudesse remar, levaria a si mesma em direção à bucha. A situação é trágica! Temo que a mísera necessidade de lavar um ralador de cenouras faça o nível da água subir e que assim uma xícara suma para sempre sob a imundície daquilo que foi usado.

Mas há desafios maiores nesse fundo de pia pantanoso! Pois a fome, sempre ela!, causou a presença de uma panela de pressão encrespada pelos restos do feijão cozido ontem. E que ser humano destemido tem coragem de afundar uma única mão nessa apavorante caverna de alumínio?

Não há outra saída. A pia precisa ser encarada até suas camadas mais místicas, onde os potes de plástico matam a saudade do petróleo que um dia foram.

Tanta ciência nesse século XXI (só os negacionistas não enxergam!) e nós aqui, descamisados e armados apenas com uma bucha minguada para encarar a ferocidade da pia diária.

Rafael Alvarenga

Cabo Frio, 13 de outubro de 2021.

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