MINHA CHUVA QUERIDA!

Chove nesse dia. E mesmo quando em alguns momentos não chove, o céu cinza lembra o peso de um chumbo que pode desabar sobre nós a qualquer instante. Gosto da chuva que cai e acaba. Como uma força que realiza seu serviço e em seguida descansa no silêncio de algum abrigo. Essa pré-chuva em forma de nuvens pesadas que vai ficando, se alojando na frente das janelas, vence até o calor da xícara de café.

A chuva embeleza os telhados. Pois Einstein que me desculpe, porém aqui, nesse pedaço de litoral, a luz não escorre, tampouco faz curvas. A luz bate e volta. Já a chuva flui, pinga e depois esburaca o chão. A chuva faz som e até música.

Olhando os passarinhos imagino que voar em dias assim deve ser cortante. Os cães de rua também me parecem descontentes. No muro molhado aparecem marcas d’água que depois serão apenas manchas.

Agora volta a chover. São umas gotinhas tão finas caindo que chamarei de farpas d’água. Nenhuma delas tem a robustez de uma gota. Farpinhas d’água que acordam o vento que desperta o frio que levanta um calafrio.

Cai Chuva! Caia logo! Encharque tudo. Apenas não demore. Porque depois de você eu quero um sol para cada um. Para que ninguém brigue, para que ninguém reclame.

Mas para isso minha chuva querida, é preciso que você caia! Pois sem a sua queda, não há sol que se levante.

Rafael Alvarenga

Cabo Frio, 13 de maio de 2021

Compartilhe:
Instagram
0Shares

NA PANDEMIA, O VELÓRIO PERDEU A GRAÇA

Simão Velho

As preocupações sanitárias provocadas pela pandemia eliminaram do calendário não oficial um dos seus momentos mais importantes de congraçamento social, o velório.

Em tempos de covid, os enterros são feitos as pressas, o número de pessoas é limitado e nem coroas de flores, tão presentes quando o defunto é querido, são vistas em abundância. Aparece uma ou outra feita de qualquer jeito, sem apuro e magnificência, que permita até mesmo ao passante e curioso avaliar o degrau do morto na escala social.

Especialistas chamados a opinar como sociólogos, antropólogos e por vezes os botânicos são unânimes em afirmar que até a qualidade e quantidade das flores numa coroa pode definir a classe social de quem habita o caixão.

Outro dia morreu um importante empresário, conhecidíssimo na cidade. Na impossibilidade do velório majestoso, que reunisse a sociedade local e os políticos sempre ávidos por esses momentos, a parentada e os amigos lhe homenagearam com uma imensa carreata de despedida, tantos fogos, que parecia réveillon. Sorte da família, que o período eleitoral ainda não havia começado e os políticos não se dispuseram a discursar junto a cova.

E os mortos cujos amigos e conhecidos não são devidamente motorizados? Voltariam os enterros a pé, que a modernidade baniu das ruas por conta dos engarrafamentos? Ao menos se restauraria a tradição das conversas, fofocas e até acordos políticos tramados ao longo do trajeto do funeral.

A distância entre a morte e o enterro era preenchida pelo velório, momento de congraçamento e entre uma lágrima e outra, o abraço caloroso nos amigos de longa data.

Alguns velórios, preparados com esmero, choravam os mortos com aperitivos caprichados e até roda de samba, nos bairros populares.

Aí sim, acontecia o encontro do lamento das viúvas com as piadas e os causos dos amigos devotos, regados à boa pinga, trazida especialmente para homenagear o pranteado.

A viúva, quando bem apessoada, encontrava estímulo discreto para buscar o sonhado ombro amigo, para lhe amenizar a solidão e onde pudesse derramar lágrimas do seu desconsolo. Quem sabe sonhar com futuro menos sombrio, bem mais saltitante e alegre?

Até essa graça a pandemia nos tirou.

(*) Arquiteto.

Compartilhe:
Instagram
0Shares

SUJEITO SUJEITO

Pré-venda do Sujeito-Sujeito no ar.

Até dia 20 de Maio.

R$ 25 + frete.

Pra quem é de Cabo Frio, sem frete.

Segue o Instagram da Cafofo Selo e Editora (@cafofoseloeeditora) Manda um e-mail para cafofoseloeeditora@gmail.com com as seguintes informações.

Pode entrar em contato via direct da Cafofo Selo e Editora também!

Nome Completo + Endereço para cálculo do frete.

Formas de pagamento: Pix ou Depósito Bancário.

Informações disponibilizadas após confirmação de interesse.

Compartilhe:
Instagram
0Shares

VIOLÊNCIA

As tentativas de militarização e o uso de armamento por parte da Guarda Municipal são freqüentes e cada vez mais insistentes e audaciosas. Em todo lugar do planeta onde o uso de armas foi introduzido e facilitado o resultado foi o aumento da violência. São núcleos do bolsonarismo que acreditam que violência se responde com ainda mais violência.

Núcleo bolsonarista

O bolsonarismo pretende transformar a Guarda Civil Municipal de Cabo Frio em núcleo de ação e política. É um processo que tenta cooptar essas forças auxiliares de segurança para a extrema direita, dentro daquela máxima odiosa de “bandido bom é bandido morto” desde que não sejam os deles.

De novo? Chega de enrolação!

Por falar em bolsonarismo, por onde anda a promessa de arrendamento do Hospital Unilagos para tratamento de pacientes com covid-19? Cláudio Castro e Sérgio L. Azevedo não se pronunciam mais sobre o assunto? Será que Cabo Frio vai assistir um novo episódio dos respiradores sucateados?

Bolsonaristas: o ridículo!

O editor do Blog não fica surpreso com os insultos dos bolsonaristas, até porque o perfil é mesmo neofascista. De neofascistas não se espera nada diferente, mas não há dúvida que a CPI da Covid, no Congresso Nacional, deixou os bolsonaristas esperneando como nunca. Não dá pra rir, mas é uma turma ridícula!

Quem paga a conta?

A prefeitura parece ter resolvido a questão da energia na Praça da Cidadania: até onde o blog está informado agora cada concessionário dos boxes paga por sua própria energia. A pergunta é: na orla do Malibu, no Boulevard Canal e na Rua dos Biquínis, qual é a situação, ou melhor, quem paga a conta?

Quiosques

Merece exame cuidadoso a situação legal de dezenas de quiosques espalhados pelas praças da cidade e na orla do Canal do Itajuru. Não existem proprietários de quiosques e sim concessionários estabelecidos em áreas públicas. São os concessionários que exploram os quiosques os concessionários originais passaram adiante?

Compartilhe:
Instagram
0Shares

SÓ MAIS UMA SEMANA 

José Correia Baptista

Para Izabel, seu casamento chegara ao fim. Armando dizia o que ela sempre temera ouvir: que queria ficar sozinho, livre, sem as algemas familiares. Mas, como?, tinham filhos, casa … Como ele poderia voltar à vida de solteiro?

Izabel e Armando eram filhos de imigrantes. Ela tinha os pais, três irmãos e poucos primos no Brasil. Mas cada um vivendo a sua vida. Não havia calor familiar, é verdade. Armando tinha os seus fora do país. Eram vidas familiares solitárias. “Isto é a causa do nosso infortúnio”, remoía Izabel a ideia. Não poderia mudar aquele quadro. O que fazer?

De início, Izabel até pensou que deixar Armando livre poderia enfraquecer aos poucos a decisão de abandoná-la. Mas no dia em que Armando disse que chegaria em casa trazendo o pão pela manhã, Izabel tomou forças – não sabia de onde as havia tirado – e intimou-o a decidir: “Ou você fica em casa e assume seu papel e sua família ou não volta para casa nunca mais. Eu não suporto ter que dividir minha cama com alguém que não sei por onde anda, com quem anda, que outros projetos tem!”

Na verdade, Armando queria apenas conhecer melhor a noite, beber com amigos que, com casamentos já tão longos, outros com casamentos desfeitos, tinham a liberdade de chegar mais tarde em casa. Enfim, queria saborear uma juventude encurtada por responsabilidades tão cedo tomadas. Mas havia uma realidade, uma verdade: seu casamento parecia malograr.

Para Izabel, deixar de ouvir Armando tocar piano nos finais de semana, de tê-lo percorrendo a casa com suas observações, de brincar mesmo desajeitadamente com as crianças, era um duro sacrifício. Mas algo havia mudado. Alguma coisa estava transformando suas vidas. Izabel estava decidida: se era para sofrer, que sofresse tudo de uma vez só.

– Então, Armando, você fica ou sai de casa?

Armando outra vez suplicava:

– Izabel, me dá mais uma semana.

(*) José Correia Baptista é formado em Ciências Sociais e em Letras pela UFF.

Compartilhe:
Instagram
0Shares

EU – PRIMEIRA PESSOA

Isac Machado de Moura

Eu – Primeira pessoa é um livro quase sobre mim, escrito, como já diz o título, em primeira pessoa, em prosa, porque um dia religiosos me acusaram de escrever estudos bíblicos em primeira pessoa, numa revista de Escola Dominical. Então só por isso resolvi escrever um livro assim, todinho em primeira pessoa. Nele conto umas histórias, uns “causos” e tento promover umas reflexões. Fotografia da capa também de Demétrio Sena. Prefácio lindíssimo, melhor que o livro, da professora/escritora Rosana Silva. Cada um custa R$ 35,00. Os dois juntos custam 60,00. Se você estiver aqui na Região dos Lagos, não tem frete. Nosso carroboy leva até você. Caso seja de fora da região, acrescente um frete de 7,00 (para um ou os dois, frete único).

ITAÚ – Ag. 7768 / cc 00951-1 BRADESCO – Ag. 0588 / cc 0553882-3 Pix: 580 261 504 49 Comprovante e endereço completo, via zap, para 22 98835 – 6861.

Isac Machado de Moura

Compartilhe:
Instagram
0Shares

COM CLÁUDIO CASTRO, SÓ RELAÇÕES INSTITUCIONAIS

A entrevista do governador Cláudio Castro revela o seu apoio ao massacre que aconteceu na Favela do Jacarezinho. Qualquer relação com esse governo bolsonarista e desumano só mesmo no plano institucional. É inimaginável que políticos ligados ao PDT possam estar articulando alguma aproximação política do governo de José Bonifácio com o governador e sua trupe fascistóide.

Com o neofascismo não tem conversa

Não se pode aproximar e referendar o neofascismo em momento algum, principalmente quando as forças democráticas tentam construir uma frente política para derrotar o bolsonarismo, em 2022. Não existe eleição proporcional, seja para a Assembleia Legislativa ou para a Câmara Federal, que justifique tal aberração.

Obsessão armamentista

Não há necessidade alguma de projeto de lei para que a Guarda Municipal dê segurança e preste serviços nas escolas públicas municipais: faz parte de suas atribuições. Além disso, o vereador tenta introduzir armamento na Guarda. É uma obsessão armamentista fruto do bolsonarismo de extrema-direita, que só serve para estimular ainda mais a violência.

Espaço na mídia

A cada fato relevante que ocorre no país sempre aparece um parlamentar tentando mostrar serviço em excesso. Na maior parte dos casos apenas repetem leis pré-existentes ou criam novas apenas para ganhar publicidade na mídia. É um desperdício de esforços e de tempo, que poderiam estar sendo aplicados em outras questões importantes.

Guarda: instituição civil

O treinamento da Guarda Municipal pela Polícia Militar não serve para prevenir a violência e muito menos se presta ao exercício da cidadania. A Guarda Municipal é uma instituição civil para guarda do patrimônio público e assim deve ser mantida, sem aquartelamentos e com uniforme bem diferenciado da PM.

Compartilhe:
Instagram
0Shares

RAÍZES DO PROBLEMA

Eduardo Pimenta (*)

A Natureza é apoiada na biodiversidade e fornece uma série de serviços ecossistêmicos que formam os blocos de construção da sociedade, mas ambas estão desaparecendo a uma taxa alarmante. Nosso consumo exacerbado e o continuo aumento da demanda por insumos estão moldando uma nova época geológica, o antropoceno, conhecida como a “grande aceleração”.

Responsável por muitos benefícios sociais, como também, pela distribuição desigual e a decadência dos sistemas naturais da Terra. E as evidências sobre a extinção de milhões de espécies não foi suficiente para conquistar a atenção dos líderes mundiais e desencadear um novo acordo mundial em prol da natureza e dos seres humanos que equacione as questões cruciais de como alimentar uma população mundial crescente, restringir o aquecimento global e a restauração da natureza.

Pois já sabemos que toda a construção da sociedade moderna é fornecida pela natureza e vamos continuar precisando desses recursos para sobreviver e prosperar. À medida que compreendemos melhor nossa dependência dos sistemas naturais, fica claro que a natureza não é apenas para desfrutar.

Toda atividade econômica depende, em última instância, dos serviços prestados pela natureza, tornando-a um componente valioso da riqueza de uma nação. Governos, empresas e o setor financeiro estão questionando como os riscos ambientais globais afetará o desempenho macroeconômico dos países, setores e mercados financeiros.

Os principais fatores da redução da biodiversidade continuam sendo a super exploração e a agricultura impulsionadas pelo consumo humano descontrolado. Além disso, as espécies invasoras constituem outra ameaça frequente, à poluição e perturbações também exercem pressão.

A criação de um sistema mais sustentável exigirá grandes transformações nas atividades de produção, abastecimento e consumo. Para isso, precisamos de uma compreensão detalhada da interconexão desses componentes complexos, e dos atores envolvidos, da fonte à prateleira, seja qual for sua localização no planeta.

As evidências nunca foram tão fortes e nossa compreensão nunca foi tão clara, não apenas podemos rastrear o aumento exponencial da pressão exercida pelos seres humanos ao longo das últimas décadas e a consequente degradação dos sistemas naturais, como também, agora compreendemos melhor a interdependência dos sistemas que mantém a vida no planeta e os limites que ele suporta.

A vida sustenta a própria vida,e somos parte dessa mesma equação, se perdermos a biodiversidade, o mundo natural e os sistemas que suportam a vida entrarão em colapso. Dependemos completamente da natureza para a qualidade do ar que respiramos e da água que bebemos, para a estabilidade do clima, os alimentos e materiais que utilizamos e a economia da qual dependemos.

Trata-se de uma era em que os seres humanos, em lugar das forças naturais, são os principais causadores da mudança planetária. No entanto, podemos também redefinir nossa relação com o planeta e passar de uma atitude insustentável para outra relação, em que seres humanos e natureza possam coexistir em harmonia. Talvez uma das maiores mudanças culturais e comportamentais já experimentadas por qualquer civilização.

(*) Eduardo Pimenta é Professor, Biólogo, Ambientalista e Fotógrafo da Natureza.

Compartilhe:
Instagram
0Shares

TEOLOGIA MARGINAL

Isac Machado de Moura

Teologia Marginal é uma coletânea de reflexões em Prosa e Verso a partir de um cristianismo que marginaliza. Nele confronto qualquer teologia que segrega. Faço questão de repetir que não escrevo em academiquês, que não escrevo para outros teólogos, embora não estejam proibidos de ler. Só estou falando da linguagem isaquiana conhecida pelos que já me leem. Ninguém precisa de um dicionário ou de um tratado de teologia para compreender. O foco é aquela teologia simples do Cristo, baseada no amor, na tolerância.

A capa foi construída sobre fotografia de Demétrio Sena e o prefácio, melhor que o livro, é da teóloga Angela Natel.

Isac Machado de Moura

Compartilhe:
Instagram
0Shares