DESCANSO PARA PENSAR

Descanso para pensar

O prefeito José Bonifácio (PDT) fez a cirurgia no nariz, foi para casa e está em plena recuperação. Quem imagina uma pausa na articulação política se engana. Afinal, o prefeito vai ter que encontrar substituto para Aquiles Barreto, agora no PSD, que teve bastante sucesso no cargo. Quem será o novo secretário ou secretária de governo?

Os nomes na mídia

Vários nomes estão circulando na mídia cabofriense, entre eles os assessores especiais Gustavo Beranger e Mirinho Braga, além de Jefferson Buitrago, que ocupa a secretaria de mobilidade urbana. São nomes ligados ao grupo político de José Bonifácio há muitos anos, ou seja, figuras tradicionais da política local e regional. Existe a possibilidade do prefeito surpreender com algum nome novo, mas o cargo é importante demais para experiências.

O que sai da cartola?

Quem sabe o que vai sair da cabeça do prefeito José Bonifácio (PDT)? A verdade é que o prefeito tem surpreendido até mesmo o grupo que o acompanha há décadas com nomeações de nomes, que conhecem pouco da política cabofriense. Quem sabe José Bonifácio além de arrumar a casa queira criar novas lideranças políticas para o município? É uma hipótese a ser examinada.

Arrumar a casa

Após três administrações desastrosas: Alair Corrêa, Marquinhos Mendes e Adriano Moreno, a população elegeu José Bonifácio para arrumar a casa. Usar o famoso “freio de arrumação”, tão comum no transporte coletivo para “dar um jeito na cidade” e torná-la habitável e viável para as novas gerações. Esse foi o grande motor de sua eleição, que dispensaria alianças tão extensas e superficiais.

O que espera o eleitorado?

O eleitorado que elegeu José Bonifácio não espera uma administração absolutamente inovadora. Qualquer pesquisa pode avaliar que a opinião pública escolheu o atual prefeito para botar ordem na prefeitura e na cidade, porque o seu patrimônio político é justamente o de administrador correto e honesto, que tem a coragem para enfrentar os imensos problemas de Cabo Frio.

O namoro chega ao fim

O namoro entre o prefeito e a sociedade está chegando ao fim. Os seis meses iniciais são tradicionalmente o tempo que a população dá ao prefeito para acomodar o terreno, resolver graves pendências para depois administrar na plenitude. A partir de agora as cobranças se tornarão mais numerosas e ranzinzas. É de praxe e todo prefeito passa por isso. É preciso saber enfrentar.

A CIÊNCIA QUE PRECISAMOS PARA O OCEANO QUE QUEREMOS

Eduardo Pimenta *

Os estoques pesqueiros oceânicos são as últimas fontes em grande escalade alimento “selvagem” do mundo, e sofrem com a exploração desenfreada com o crescimento do número de barcos de pesca de porte cada vez maior, entretanto as capturas vêm caindo à décadas. Levando a substituição pela aquicultura, que cresceu maisde 260% em duas décadas equivalendo a mais de metade do volume de pesca natural total.

A produção sustentável de alimentos é uma questão de segurança alimentar importante em comparação à produção sustentável de energia. Exige insumos mais bem manejados para os campos, melhor manejo de solos e água, distribuição mais equitativa de gêneros alimentícios, determinação para reduzir o consumo excessivo e um grande esforço para eliminar o desperdício. Onde os alimentos naturais ainda existem, nos rios, áreas úmidas e oceanos, seus estoques devem ser protegidos com rigor.

Os oceanos do mundo fornecem uma grande fonte de proteínas, produtos químicos, energia e materiais de construção. Os habitats marinhos formam proteções fundamentais contra tempestades, além de armazenar quantidades maciças de carbono.

A busca da sustentabilidade dos oceanos depende fortemente de conhecimento científico sólido e abrangente. A Década foi proposta pela Organização das Nações Unidas entre os anos de 2021 e 2030 e visa produzir “a ciência que precisamos para o oceano que queremos“.

(*) Professor, Biólogo, Ambientalista e Fotógrafo da Natureza.

SER GAGÁ

Millôr Fernandes

Ser Gagá não é viver apenas nos idos do passado: é muito mais! É saber que todos os amigos já morreram e os que teimam em viver, são entrevados. É sorrir, interminavelmente, não por necessidade interior, mas porque a boca não fecha ou a dentadura é maior do que a arcada.

Ser Gagá é ficar pensando o dia inteiro em como seria bom ter trinta anos ou, vá lá, quarenta, ou mesmo, ó Deus, sessenta! É ficar olhando os brotinhos que passeiam, com o olhar esclerosado, numa inútil esperança. É ficar aposentado o dia inteiro, olhando no vazio, pensando em morrer logo, e sair subitamente, andando a meia hora que o separa dos cem metros da esquina, porque é preciso resistir. É dobrar o jornal encabulado, quando chega alguém jovem da família, mas ficar olhando, de soslaio, para os íntimos da coluna funerária. Ser Gagá é saber todos os mortos inscritos no Time, em Milestones. Não é saber o Who is who, mas os WHEN. É só pensar em comer, como na infância. E em certo dia passar fome as vinte e quatro horas, só de melancolia. É, na hora mais ativa do mais veloz Bang-Bang, descobrir, lá no terceiro plano, uni ator antigo, do cinema mudo, e sentir no peito a punhalada. É surpreender, subitamente, um olhar irônico que trocam dois brotinhos, que, no entanto, o ouvem seriamente. É querer aderir à bossa nova, falar “Sossega Leão” e morrer de vergonha ao perceber o fora. É não querer, não querer, mas cada dia ficar mais necessitado de amparo do que outrora. É ter estado em Paris, em 19. É descobrir, de repente, um buraco na roupa e dar graças a Deus, por ser na roupa.

Ser Gagá é sentir plenamente que tudo que se leu, que se aprendeu, que se viu e se viveu não vale nada diante do que estua. Ser Gagá é estar sempre na iminência de ouvir em plena rua: “Olha o tarado!” É ficar contente em ver Chaplin e Picasso como os “mais charmosos” de sessenta! É chamar de menina à quarentona. É ter uma esperança senil nos cientistas. É reparar, nos mais jovens, o imperceptível sinal de decadência. É ficar olhando o detalhe, nos amigos; a lentigem nas mãos, o cabelo que afina, a pele que vai desidratando. Ser Gagá é o orgulho vão de ainda ter cabelo e poucos brancos! A vaidade tola de não ter barriga; a felicidade de ter dentes próprios. E fazer grandes planos qüinqüenais que espantam os jovens que acham cinco anos a própria eternidade, mas que o Gagá sabe que voam como voaram tantos, tantos, tantos.

É se apegar, desesperadamente, pelo tremendo impulso da existência, aos filhos, aos netos e aos bisnetos, embora saiba que eles não o querem, que a convivência com eles é apenas parte e total do egoísmo vital que o enterra. É sentir que agora, outra vez, está bem de saúde. É sentir a saúde ocasional. É carregar o corpo o tempo todo. É sentir o caixão no próprio corpo. É saber que já não há quem tenha prazer em lhe acarinhar a pele. É já não ter prazer em passar a mão na própria pele. É esquecer de coisas importantes e lembrar, sem saber por que, um gosto, um calor, uma palavra há tempos esquecidos.

Ser Gagá é procurar com afã a importância do cargo para de novo ser solicitado, embora pelo cargo. É sentir que nada do que faça, espantoso que seja, terá a importância do feito de outro homem, nos inícios da vida. Ser Gagá é quando dormir tarde se torna uma loucura, resgatada em feroz resfriado que dura uma semana. É ter sabido francês, e esquecido. É já não jogar xadrez como outrora! É olhar o retrato amarelado e lembrar que fotógrafo usava magnésio. É dizer, como um feito, que ainda lê sem óculos. É ouvir que alguém diz, quando passa na rua: “inda está firme!” É ficar galante e baboseiro na terceira taça de champanha. É casar com uma mulher mais jovem e querer dar logo ao mundo a inegável prova de um filhinho.

Ser Gagá é, num esforço mortal, aceitar tudo que inventam, todas as idéias, as modas, a música, o ritmo de vida, mas não deixar de dizer numa ironia profunda e amargurada. “Eu não entendo”. É sentir de repente o isolamento. É ficar egoísta, e amedrontado. É não ter vez e nem misericórdia.

Ser Gagá é fogo. Ou melhor, é muito frio.

MAR DE PALAVRAS

Luciana G. Rugani

Sinopse

O livro “Mar de Palavras” é composto de poemas e crônicas. Cabo Frio e sua natureza são a fonte primária de toda a inspiração da autora. O livro nasce da ideia principal de deixar fluir o sentimento nos poemas e de estimular o livre pensar nas crônicas.

Que o mergulho nos sentimentos e reflexões deste livro possa levar o leitor a encontrar também em si o veio poético que há no interior de cada ser. Que a poesia possa gerar, dentro de cada um, aquela vontade de extrair a essência da vida, pois nela o impossível torna-se possível. Nela não há bloqueios, nem obstáculos para viver os sonhos. Na poesia, o ser se faz livre!

Luciana G. Rugani, membra fundadora da Academia de Letras e Artes de Cabo Frio – ALACAF. Autora do livro “Mar de Palavras” e do áudio livro de mesmo nome.

– O livro pode ser encontrado em formato físico, no Sebo do Lanati, em Cabo Frio, ou com a própria autora. E na versão e-book, está disponível na Amazon.

SUSTO!

Susto!

O acidente que envolveu o prefeito José Bonifácio assustou muita gente e levou a uma onda de solidariedade pouco observada na cidade. Revela, entre tantas outras coisas, a importância do prefeito como mediador entre os conservadores e progressistas nos diversos âmbitos políticos e administrativos da prefeitura.

Quem será?

Quem vai assumir a vaga de Aquiles Barreto na secretaria de governo? É uma escolha bastante complicada, porque Aquiles fazia, com aprovação do prefeito, uma dupla de área com o ex-deputado Janio Mendes. Não há dúvida que a articulação política do governo fica desfalcada, inclusive, porque José Bonifácio não tem muita paciência para essa área da política.

A tarefa de Aquiles

A saída de Aquiles Barreto do PT para o PSD (não confundir com o antigo partido de Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves) está diretamente ligada à eleição para o governo do estado, em 2022. Eduardo Paes é um potencial candidato, mas também pode ser o condutor da aproximação com a candidatura da delegada Martha Rocha, pelo PDT. Aquiles vai ter que correr todo o interior, em especial a Região dos Lagos.

Calcanhar de Aquiles

Qual será o “Calcanhar de Aquiles”, que certamente tem muita vontade de voltar a sentar, só que em definitivo, na cadeira de prefeito de Cabo Frio? A sua relação com o ex-prefeito Marquinhos Mendes, que controla o MDB, no município? José Bonifácio não é candidato a reeleição e acentuou sua boa relação com Aquiles, que tem batido bola com Janio Mendes. Quais os obstáculos a serem vencidos?

Elicéa assumiu a secretaria

Hoje a professora Elicéa da Silveira assumiu a secretaria de educação, pasta que o prefeito tem como uma de suas “meninas dos olhos”. Como era esperado pediu reunião com o Sepe Lagos, sindicato dos profissionais da educação, que continua politicamente bastante dividido: a interlocução nunca é fácil, mas a secretária assumiu com apoio político de ao menos uma ala do sindicato.

Cine Central

Marcos Antônio de Paula

A primeira vez que entrei numa sala de cinema foi em Juiz de Fora, no Cine Teatro Central. Menino acostumado a ver televisão P&B, foi uma coisa do outro mundo.

Minha família veio em seguida para Cabo Frio. Nunca mais entrei no Central.

O filme era “A vingança da Pantera Cor de Rosa”. Faz tempo, mas as muitas reprises da TV permitiram que eu não esquecesse o enredo.

A série de filmes d’A Pantera Cor de Rosa começou em 1963 e o último foi em 2009, dez filmes. Pode-se dizer que foi um sucesso. Há quem goste…

Para quem curte cinema, o primeiro é obrigatório, inclusive por conta do elenco recheado de estrelas das décadas de 1950/60. Dentre os demais, alguns, infelizmente, são pura perda de tempo.

Pode ser que pouca gente ainda se lembre dessas histórias. Mas não é o caso da música-tema, de Henry Mancini. Bastam os primeiros acordes no saxofone, aquele tarã-tarã, e a música vem logo à mente, mesmo de quem nunca viu nenhum daqueles filmes.

Henry Mancini, Nino Rota e Ennio Morricone compõem o triunvirato clássico absoluto dos compositores de trilhas sonoras.

Às vezes ouve-se uma ou outra música conhecidíssima, sem que se saiba que ela estava originalmente atrelada a algum filme e, menos ainda, que saiu da cabeça de um desses senhores.

A pantera cor-de-rosa, o bichinho mesmo, não aparece nos filmes. Apenas passeia na abertura e nos créditos finais, não sendo personagem de nenhum deles.

O desenho animado, inspirado naquelas aparições, estreou em 1964, sendo exibido até hoje por aqui. Ganhou um Oscar (1964) e um Emmy (1980). Os melhores episódios são aqueles em que não há qualquer diálogo, apenas a música de Mancini. Um tipo de humor inteligente, para qualquer idade.

Nada mal para quem não era nem figurante.

Peter Sellers, o inspetor Clouseau dos primeiros filmes da Pantera Cor de Rosa, tem na sua filmografia alguns títulos interessantíssimos.

Cito apenas “Muito Além do Jardim”, considerado seu melhor filme. Embora não pareça de início, pela fotografia e o ritmo lento, é um enredo de altíssimo astral. Já o assisti algumas vezes e provavelmente voltarei a fazê-lo. Quando termina, quase se acredita que pessoas boas e genuinamente puras de coração salvarão o mundo.

Um tipo de filme que anda fazendo falta nestes nossos dias de pouca esperança.

Concordo que a série cinematográfica da Pantera cor-de-rosa não é lá essas coisas. Por outro lado, filmes rendem uma boa conversa, mesmo os não tão bons.

O Cine Teatro Central foi tombado e hoje está sob a administração da Universidade Federal de Juiz de Fora. Escapou do destino da maioria das grandes salas de projeção.

Embarquei nessa onda saudosista porque tenho saído pouco e só agora constatei que demoliram o cinema ali da avenida Joaquim Nogueira.

O prédio estava em ruínas e deixara de ser cinema há décadas. Nada diferente de outras salas pelo Brasil. Já não esperava que tivesse um destino diferente. De qualquer maneira, é triste aceitar a verdade.

Mudou a forma de irmos ao cinema. A era das grandes salas de rua acabou.

(*) Ciências Contábeis/UFF.

CONFERÊNCIA NACIONAL POPULAR DE EDUCAÇÃO EM ARRAIAL DO CABO – ONLINE.

José Carlos Madureira – Coordenador do Fórum Estadual -RJ e a Professora Malvina Tuttman farão o Lançamento da Conferência Nacional Popular de Educação em Arraial do Cabo, modalidade Online. Na oportunidade teremos Fórum livre de Educação, cujo tema: Currículo-BNCC com a palestrante: Professora Pedagoga e Mestre em Educação – Mônica Machado Neves Ramos. Não percam no dia 23/06/21 às 18h!!