A Política e sua Dinâmica Partidária.

A política em seu dia a dia é um ambiente complexo e quase sempre não verdadeiro. Os interesses se confundem. Tem agentes políticos que sempre colocam os seus interesses privados acima do público, mas também tem o contrário, gente bem-intencionada que sempre coloca o interesse público em primeiro lugar, porém também preserva seus interesses pessoais e eleitorais.

Aprendi ao longo dos anos de militância que não existe perfeição no campo político. Minha primeira filiação partidária foi no PT em 1984, quando jovem estudante de Economia em Niterói. O partido tinha 4 anos de fundação. Depois da faculdade fui morar no Nordeste durante um período da minha vida e minha filiação se perdeu. Naquela época era tudo no papel e a filiação muitas vezes precisava ser renovada.

Quando me mudei para Cabo Frio, no final dos anos 80, me afastei um pouco da política por necessidades profissionais. O meu trabalho na indústria farmacêutica demandava muitas viagens e tive dificuldades em atuar politicamente. No início dos anos 2000, o PT já no poder fez opções e escolhas contrárias ao seu discurso de fundação. Escolhas “pragmáticas”, da chamada política real, que seguiam as regras habituais dos demais partidos da “velha ordem”. Todos conhecem a história do Mensalão e as consequências geradas ao partido e a seus principais membros.

Discordando destas escolhas do PT sofri minha primeira decepção política. Mas seguindo na luta, junto com vários companheiros ex-petistas, ajudei a fundar o PSOL no Rio de Janeiro, e mais particularmente em Cabo Frio, no ano de 2005. Segui militando nesta linha ideológica e fui três vezes candidato a prefeito da cidade. Em 2008, 2012 e 2016. Aqui em Cabo Frio me formei também em História.

Em 2018 deixei o PSOL e adotei também uma linha mais pragmática. As pessoas me cobravam e diziam que eu fazia muitas críticas e não conseguia viabilizar minhas propostas. Recebi um convite de Adriano para um projeto de união para derrotar um dos caciques da política local, Marquinho Mendes. Vencemos aquela fatídica eleição suplementar e me tornei Secretário de Educação. Agora “poderia fazer” e responder aos críticos.

Fiquei apenas nove meses no governo e sofri outra decepção política. Adriano traiu os compromissos de campanha e quase todos os companheiros que o ajudaram a ganhar a eleição. Esta história também todos já conhecem. Saí do governo denunciei desvios de recursos da educação e isso gerou uma Ação Civil Pública impetrada pelo MP, que infelizmente hoje, está paralisada na Segunda Vara Cível de Cabo Frio. Mas neste curto período de gestão, apesar das dificuldades, tivemos várias realizações reconhecidas pelos profissionais de educação e analistas políticos. Sem falsa modéstia, provei aos críticos que era capaz de fazer.

O tempo correu e veio a eleição municipal de 2020. Recebi um convite do atual prefeito José Bonifácio, que depois venceu a eleição, me filiei ao PDT e disputei a eleição para a Câmara dos Vereadores. Não me elegi e tive uma votação muito abaixo do que esperava. Sofri mais uma decepção política. Mas assim são as urnas e vida que segue!

Concluindo, contei esta história relatando alguns aspectos da minha modesta trajetória para mostrar que a política e sua dinâmica partidária não pode ser glamourizada, tendo em vista a volatilidade do ambiente político, onde acordos são rompidos, outros não são cumpridos e interesses que mudam com a eleição seguinte.  Mas por outro lado, também não pode ser demonizada, já que mesmo com suas falhas e vícios ela é a ferramenta que nos permite fazer mudanças no quadro político de nossa cidade, nosso estado e nosso país.

A outra forma de mudar a sociedade e as relações de poder é pela via revolucionária, mas enquanto não se construir as condições objetivas para tal, vamos continuar, apesar de todos os pesares, tentando aprimorar a disputa político-partidária.

Claudio Leitão é economista e professor de história.

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