SAILFISH – O pavão dos mares

Eduardo Pimenta

A longa nadadeira que percorre quase todo o seu dorso lembra a vela de um barco, daí o nome sailfish (sail=vela, fish=peixe).No entanto, algumas vezes essa majestosa barbatana não pode ser vista durante seus saltos graciosos sobre a superfície, ficando recolhida. Ele a exibe quando está excitado ou se sente ameaçado. Também pode usá-la ao se alimentar de peixes ou lulas, usando a vela para cercar os cardumes. Como a cauda do pavão, ela apresenta manchas furta-cores, semelhantes a olhos.

Na costa brasileira, o sailfish realiza sua migração de desova do norte para o sul. O sudeste e sul do Brasil são conhecidos como importantes áreas de desova. A primeira recaptura de um sailfish com marca convencional é de um peixe liberado em frente do Rio de Janeiro pelo pescador esportivo Carloman Maia, do Iate Clube do Rio de Janeiro, em 19 de dezembro de 1996, e reencontrado por um barco atuneiro a 120 milhas da Barra de Santos, em 16 de fevereiro de 1997. Durante 31 dias, o peixe percorreu um trajeto do litoral norte para o sul, confirmando a hipótese de migração.

A última marca encontrada foi colocada pelo pescador Marcelo Saade Rodrigues, da lancha Bom de Bico, no dia 14 de novembro de 2008, no Rio de Janeiro. A posição do “strike” foi 23º 50’ S – 42º 50’ W. Rodrigues explica que a profundidade nessa posição é em torno de 190 metros, sendo um lugar muito bom para pesca de marlim-azul no Rio de Janeiro. “Esse peixe foi capturado com uma isca artificial e liberado em boas condições”, lembra-se o pescador. No dia 29 de dezembro, a referida marca encontrada foi entregue a um dos bolsistas da Fundação Apolônio Salles de Desenvolvimento Educacional (Fadurpe), durante um desembarque feito pela pesca comercial em Cabo Frio.

O tempo de permanência do peixe na mesma área por um mês prova que, além de desovar, o sailfish permanece ali se alimentando, provavelmente na área de ressurgência. A ressurgência é um fenômeno oceanográfico que consiste no afloramento de águas profundas, ricas em nutrientes, para a superfície, promovendo uma alta concentração de diversos peixes, que são as presas do sailfish.

A alimentação do sailfish varia muito desde seu estágio larval, dependendo do que pode ser encontrado em seu habitat. Trabalhos efetuados com 610 exemplares, em frente ao litoral do Estado do Rio de Janeiro, identificaram além da sardinha, utilizada como isca, o argonauta e o bonito-cachorro em grandes quantidades. Em menor proporção aparecem ainda peixes como chicharro, voador e peixe-espada, entre outros.

Também foram encontrados diferentes tipos de materiais plásticos e anzóis em seus estômagos. No sudeste e sul do Brasil, na década de 1970, foram encontradas duas formas juvenis de sailfish: uma no estômago de um peixe-trombeta e outra no estômago do próprio sailfish. A predação de exemplares da mesma espécie é um fato raro entre os peixes, no entanto foi observado com um juvenil de cerca de 15 centímetros no estômago de um sailfish. O sailfish costuma ser atacado pelo golfinho conhecido como Orca, quando mergulha para se alimentar, é mordido pelo pequeno tubarão-charuto.

Não há proibição de comercialização da espécie, existe somente a proibição da retirada e corte das primeiras nadadeiras dorsal e anal dos peixes-de-bico, visando à sua identificação, pois estão em vigor as proibições de comercialização dos marlins azul e branco em todo o território nacional, através da IN nº 12, SEAP, 2005. No Brasil, a pesca esportiva pratica o pesque e solte e o marque e solte, introduzidos pelo Projeto Marlim (Do livro: Peixes-de-bico do Atlântico / por Alberto Ferreira de Amorim, Eduardo Gomes Pimenta, Maria Christina Carrari de Amorim. – Santos: Edição do Autor, 2011).

 (*) Biólogo, M.Sc. em Engenharia de Produção, Coordenador De Pesquisa e Extensão da Universidade Veiga de Almeida, pesquisador The International Commission for the Conservation of Atlantic Tunas, consultor estratégico do Projeto Albatroz, Presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica Lagos São João e membro da Academia Cabofriense de Letras.

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