A CRÍTICA COMO ELEMENTO DA CIDADANIA

Cláudio Leitão

Um fato que chama a atenção aqui em Cabo Frio e nos demais municípios da Região dos Lagos quando se analisa os “grupos” que estavam ou estão no poder é a dificuldade que eles têm em lidar com as críticas que são feitas pelos vários segmentos da sociedade que não compartilham com a forma de como são administradas estas respectivas cidades.

Na grande maioria das vezes, a resposta que é dada não é em cima dos argumentos utilizados, mas sim, tergiversando sobre outros temas, buscando uma tentativa de desqualificar o cidadão, o partido, sindicato ou qualquer entidade da sociedade civil a qual ele pertença, principalmente, quando a crítica é feita de forma evidente e contundente não deixando dúvidas a razão.

A tentativa de calar a opinião pública exercendo controle sobre as rádios, TVs e jornais usando para isso o grande poder econômico de maior anunciante é um fato consumado. Mostra a falta de capacidade de dialogar com a opinião contrária e o viés autoritário que vem marcando os últimos governos da nossa cidade, principalmente no período da “dupla dinâmica” MM e Alair Correa e outros “similares” das demais cidades.

Alguns “mandatários de plantão” e seus “puxa sacos” beiram ao ridículo quando alegam que a crítica é feita por quem não ocupa nenhum cargo público ou não tem votos, como se o cidadão comum não tivesse o direito e a capacidade de fazer críticas sobre qualquer fato referente à administração pública.

Outro argumento muito utilizado para desqualificar a crítica é dizer que o crítico não tem nenhum “trabalho” realizado em prol da comunidade. O “trabalho” referido é sempre alguma atividade assistencialista, feitas nas brechas deixadas de propósito pelo Poder Público, usurpando a cidadania daquele cidadão mais humilde.Outros, na falta de qualquer argumento crítico verídico para contradizer, partem para a leviandade e a calúnia, apontando situações inverossímeis, sem qualquer prova ou fato que a justifiquem.

Com a chegada das mídias alternativas, redes sociais e blogs, este contexto crítico legítimo ganhou novos contornos e dificultou para os governantes o uso da força política para esconder fatos e denúncias de nossa população.Entendo que este governo atual, ainda em seu início, carece de mais tempo para que se possa emitir uma opinião mais fundamentada, mas já começam a pipocar “coisas estranhas”. É impressionante, o filme sempre se repete.

Um dos motivos para estes fatos é a omissão dos vereadores eleitos. Eles não cumpriram e seguem não cumprindo o seu papel fiscalizador. Só existe prefeito ruim porque a Câmara não executa corretamente suas prerrogativas e tarefas. O voto no vereador deve ser encarado com a mesma importância do voto para o prefeito.

A política, hoje, infelizmente, vive sob a égide da enganação e do poder econômico, mas não pode ser motivo de desculpas para cruzarmos nossos braços.A mudança é possível. Tudo na nossa vida depende de decisões políticas, usando o sentido mais amplo da palavra. Mesmo aquele cidadão que se sente menos impactado por qualquer decisão governamental tem responsabilidade com o coletivo da sociedade.

Sem liberdade de crítica não existe elogio sincero.

Pierre Beaumarchais

(*) Cláudio Leitão é economista e professor de história.

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