Freixo, em Cabo Frio

O fato político da semana que passou foi à presença em Cabo Frio do candidato líder nas pesquisas para o governo do estado, o deputado Marcelo Freixo (PSB). O deputado teve encontros com lideranças políticas progressistas locais., inclusive o prefeito José Bonifácio e os ex-secretários municipais, Cláudio Leitão e Flávio Rosa.

Que dupla!

Os dois, Cláudio Leitão e Flávio Rosa estão se assanhando para disputar a eleição de 2022, o tabelião surfista de forma mais explícita. Tudo leva a crer que a sigla escolhida será o PSB de Alessandro Molon e Marcelo Freixo, mas são muitas as possibilidades dentro do mapa eleitoral do Estado.

De mala e cuia

Os bolsonaristas devem mudar em massa para o PL depois do acordo firmado entre Waldemar da Costa Neto e Jair Bolsonaro. A pergunta que fica coçando a língua é: quais os partidos que a extrema direita vai se esparramar nas eleições de 2022?

Quem é o líder?

Quem vai comandar o PL, na Região dos Lagos? O deputado/secretário Sérgio L. Azevedo está de mudança para o PL e o ex-deputado Paulo César Guia garante que para chegar à sigla tem que conversar com ele. Afinal, quem vai liderar o time do mensaleiro Waldemar da Costa Neto na Região?

Dispersão

A extrema direita cabofriense está mais concentrada no Distrito de Tamoios, na medida em que é uma área de ocupação recente com predominância da Baixada Fluminense. Uma só legenda, no caso o PL, não vai conseguir “agasalhar” os bolsonaristas e moristas, que disputam nacos de poder.

Prestígio

Qual será o papel do ex-prefeito Marquinhos Mendes e de seu irmão Carlos Victor na eleição de 2022? Marquinhos Mendes tem grande potencial de votos e mesmo fazendo uma campanha capenga mostrou, em 2020, sua força eleitoral. Resta saber se o ex-prefeito consegue recuperar o seu prestígio na cidade.

É candidato mesmo?

O ex-prefeito Alair Corrêa tem anunciado uma possível candidatura a Câmara Federal. O “velho morubixaba” já tentou uma vez, foi muito mal votado e não se elegeu. Qual a legenda o vai “agasalhar”? Há quem diga que na “hora h” ele desiste e apóia um candidato de fora da cidade com grande potencial, como o ex-deputado federal Ronaldo César Coelho.

LULA, O QUE É ISSO COMPANHEIRO?

Cláudio Leitão

A entrevista dada por Lula esta semana ao importante jornal espanhol “EL PAÍS” foi boa, entretanto,revelou aquelas velhas vacilações do petista em assuntos políticoscomplexos, como conceitos sobre a democracia. Apesar da sua enorme experiência política, convenhamos, ele nunca foi um virtuose em sociologia e ciência política.

É óbvio que Lula não oferece nenhum risco a democracia brasileira, mas para criticar e estabelecer contrapontos corretos a sanha autoritária de Bolsonaro, precisa ser firme na defesa conceitual de todos os aspectos democráticos, mesmo que seja dessa democracia burguesa em que vivemos com todos os seus vícios e defeitos. Das suas respostas, duas foram bastante claudicantes. Na que compara Ângela Merkel da Alemanha com Daniel Ortega da Nicarágua e a outra na eterna discussão sobre o modelo cubano.

Na primeira, é importante frisar que o modelo alemão é parlamentarista, o que provoca muitas vezes, por decisão democrática do parlamento, a manutenção do chanceler no poder por vários mandatos. Isso se repete em vários outros países parlamentaristas. Já no caso de Ortega, o modelo é presidencialista e nada justifica a perseguição e a prisão de líderes oposicionistas para facilitar sua eleição. Ortega mudou demais, virou um típico ditador latino-americano e deixou muito lá para atrás aquele que foi um dia uma liderança revolucionária sandinista.

Logo, responder o questionamento da jornalista sobre a atitude ditatorial de Ortega dizendo que ela era errada, mas comparando com o tempo de permanência no poder da chanceler alemã, foi uma grande bobagem e “uma bola fora”.Havia vários outros pontos de abordagens possíveis. Ortega, hoje, não é defensável e não pode ser aliado em nada, pois não está mais no nosso campo.

Na segunda, em relação a questão cubana, quando confrontado com os últimos protestos e a falta de maior liberdade democrática na ilha caribenha, Lula não enfrentou a questão e tergiversou apelando para o criminoso bloqueio econômico que já dura 60 anos. É claro que o bloqueio é condenável e deve ser muito criticado, mas não podemos fugir do debate sobre a necessidade de flexibilização do regime cubano. É um desafio que Lula e toda a esquerda brasileira precisam enfrentar. Tanto o bloqueio quanto a falta de maior espaço democrático em Cuba são criticáveis. Uma razão não exclui a outra.

A revolução cubana foi vitoriosa e trouxe méritos e desenvolvimento para seu povo. Terminou com a ditadura corrupta de Fulgêncio Batista, subordinada aos EUA, abrindo novos horizontes na América Latina para um modelo socialista que visava melhorar a qualidade de vida do povo e uma melhor repartição da riqueza produzida. Entretanto, penso que a “mão firme” do primeiro momento da revolução, nesta nova realidade e contemporaneidade, precisa ser flexibilizada sem prejuízo ao modelo.

As novas lideranças cubanas precisam mostrar que cabe liberdade democrática num modelo socialista. Os caminhos precisam ser achados com a ampla participação do povo cubano. Os cubanos, respeitando os critérios de autodeterminação dos povos, precisam achar seus caminhos de consenso.

Não vamos aqui querer “tapar o sol com a peneira” e dizer que existe democracia plena em Cuba. Não existe. Existem eleições para representantes do povo numa estrutura parecida com uma assembleia ou parlamento popular, mas acredito que é necessário um avanço maior em outras áreas. Será que não vamos conseguir compartilhar socialismo com um processo de maior liberdade democrática?

O discurso de defesa intransigente da democracia, repito, mesmo que seja essa burguesa que temos com todos os seus senões, no Brasil ou fora do país em entrevistas para grandes órgãos de comunicação internacionais, não pode ter dúvidas ou vacilações. Questionamentos como este que Lula se deparou vão se repetir e é preciso coragem para enfrentá-los com a verdade dos fatos e não com escapes oportunistas, sob pena de sermos incoerentes na crítica ao modelo fascista e antidemocrático de Bolsonaro.

Este texto não tem a pretensão de fazer uma crítica oposicionista a Lula, reconheço que é ele que tem as melhores condições de derrotar Bolsonaro, mas entendo também que político nenhum merece nosso apoio de forma acrítica e messiânica. Ele na situação que está, na liderança folgada das pesquisas eleitorais, precisa ter mais cuidado e elaborar melhor suas manifestações políticas. Todo mundo está de olho nele. Lula é uma “velha raposa da política” e não pode dar “esse mole” para os adversários. Como se diz no jargão popular “não pode dar milho aos pombos” !!

Democracia não é o paraíso, mas ela consegue garantir que a gente não chegue no inferno.

Leandro Karnal

Claudio Leitão é economista e professor de história.

PRECONCEITO É NEGAR O PRECONCEITO

Ângela Maria Sampaio de Souza

“Existe uma história do povo negro sem o Brasil. Mas não existe uma história do Brasil sem o povo negro.”

Dia 20/11 – Dia da Consciência Negra.

No Brasil e em outros países que utilizaram a mão de obra escrava, o racismo aflora, isso principalmente da colonização e da escravidão.

Podemos observar que o homem, ser humano é uma criatura estranha.

Todas suas ações são motivadas pelo desejo, assim pode nascer o conflito racial.

Não podemos libertar um povo, sem antes nos libertarmos da nossa própria escravidão.

É preciso que compreendamos que não existe liberdade sem igualdade e a igualdade de direito, política, social e econômica ainda não possuímos.

Muitos dizem que não há preconceito racial em nosso meio nos dias de hoje. Podemos até chamar essas pessoas de alienados!

A maior expressão do preconceito racial no nosso país está justamente em negar esse preconceito.

Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, a alma, a guerra estará presente.

Acredito que não há mais lugar para isso, não faz diferença nenhuma de que cor nós somos.

Somos todos seres humanos!

Sei somente que somos alma!

Não precisamos ser negros para lutarmos contra o racismo, precisamos ser humanos!

O Dia da Consciência Negra é um dia para lembrarmos e valorizarmos a importância de um povo que contribuiu para nosso desenvolvimento e para nossa cultura.

Temos que reconhecer e valorizar portanto a luta desse povo e suas contribuições para nossa sociedade.

Devemos refletir sobre esse problema e procurar meios de combater esse racismo e essa desigualdade social.

O racismo estrutural estabelece barreiras para grupos que sofrem preconceitos tornando nossa sociedade mais desigual.

Hoje uma das maiores estruturas do racismo em nossa sociedade é a política do “ deixa morrer”.

As consequências de um país estruturado a partir dessa segregação, expressam em diversos índices e indicadores sociais como os negros e pardos piores índices de renda, moradia, escolaridade, serviços etc

Temos que reagir, lutar para que essa população negra seja reconhecida não pela cor da sua pele, mas como seres humanos. Ninguém nasce odiando outra pessoa pela sua cor de pele, por sua origem ou por sua religião. Para odiar as pessoas precisam aprender, e se podem aprender elas podem ser ensinadas a amar. (Nelson Mandela) Temos que chegar o dia de comemorarmos o Dia da Consciência Humana!

Ângela Maria Sampaio de Souza é Professora.

MARCELO FREIXO EM CABO FRIO

Freixo & Leitão

O deputado Marcelo Freixo, candidato ao governo do estado pelo PSB, confraternizando com o antigo companheiro de militância no PSOL, o ex-secretário municipal de educação de Cabo Frio, Cláudio Leitão.

Frente Progressista

Marcelo Freixo (PSB) visitou o prefeito José Bonifácio (PDT) e esteve com a militância socialista em um encontro no salão do Hotel Marlen, onde se hospedou. O deputado propõe uma frente progressista para as eleições de 2022.

Comunicação

Em comemoração ao Dia da Imprensa o prefeito José Bonifácio (PDT) anunciou a retomada do Prêmio Comunicação. 2012 foi o último ano da premiação. Em época de crise aguda é uma excelente notícia para a mídia local.

Aplausos

O deputado Sérgio L. Azevedo vai acompanhar Bolsonaro e mudar de “mala e cuia” para o PL do mensaleiro Waldemar da Costa Netto. Deve ser em nome da moral e dos bons costumes.

Escolha

Waldemar da Costa Netto esteve preso na crise do “mensalão” e segundo a grande mídia também andou conversando com o ex-presidente Lula. Tudo leva a crer que preferiu Jair Bolsonaro.

Ampliando laços

No campo do PDT, Janio Mendes, apoiado pelo prefeito José Bonifácio (PDT) não para um instante sequer. O candidato do PDT a Assembleia Legislativa extrapola a Região dos Lagos e busca apoio na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Informalidade eleitoral

Como Aquiles Barreto (PSD) é candidato a deputado federal e secretário do prefeito Eduardo Paes (PSD) para articulação política na Zona Metropolitana é bem possível a dobradinha informal com Janio Mendes (PDT).

Em Bangu

Glaidson Acácio definitivamente não está entre as Pirâmides de Gizé, tomando chá com Queóps, Quefrem e Miquerinos ou no Vale dos Reis ou ainda no Cairo, atual capital do Egito. O faraó se encontra devidamente acomodado no bairro de Bangu e de lá não sai tão cedo.

Sem solução

A turma das passeatas, carreatas e concentrações pedindo a liberdade de Glaidson Acácio e a volta da GAS anunciou que procuraria o Ministro da Justiça e o Presidente da República. Pelo jeito o encontro não aconteceu e se aconteceu não resolveu bulhufas. O “faraó” continua preso e nada de grana.

POLITICAGEM

O Coreto!

As datas comemorativas sempre servem para dar uma arrumada no visual da cidade. Assim foi com o coreto da Praça Porto Rocha, lavado, pintado e certamente pronto para outra. O 13 de Novembro foi uma festa!

Politicagem

A baixa política, isto é, a politicagem mais rasa prolifera nas redes sociais da internet, em relação a política cabofriense. A tônica é a agressividade desmedida, a desinformação e a eliminação de qualquer barreira de civilidade. É a marca da extrema direita.

Expansão

Janio Mendes, candidato a Assembleia Legislativa com o apoio do governo de José Bonifácio, circula também pelos municípios da Baixada Fluminense. Não deixa de ser uma reação a presença de candidatos da Baixada Fluminense, na Região dos Lagos.

Milagre!

Só um milagre eleitoral reelege o governador Cláudio Castro, figura política bastante inexpressiva no cenário do Estado do Rio. No processo eleitoral quando sua derrota estiver definida qual será o comportamento dos candidatos de extrema direita?

Bandeira Azul

A Bandeira Azul foi novamente erguida na Praia do Peró para 2021/22. A cerimônia foi realizada ontem, quinta, 25, com a presença do prefeito José Bonifácio (PDT). A premiação internacional é dedicada ao reconhecimento da gestão sustentável de praias, marinas e embarcações de turismo, e ficará exposta na praia até 1 de novembro de 2022. 

O fumante

Pelas calçadas os transeuntes todos se viravam procurando de onde vinha a fumaça daquele cigarro. Era difícil descobrir já que o vento irrequieto apagava todos os rastros do trago. Olhavam uns para as mãos dos outros e nada havia de aceso entre os dedos daqueles que transitavam pelas calçadas que desembocavam na praça.

E na praça o pipoqueio columbófilo que olhava os pombos comerem os restos do milho com tanta satisfação quanto após uma abundante venda, se levantou do seu banquinho de plástico marrom. Virou e desvirou a cabeça de leste a oeste e também não encontrou o tabagista.

Tanta gente passando, porque nesse mundo o movimento só se cabe em três lacunas (e que me desculpe Aristóteles por simplificar demasiadamente a sua teoria): ainda não se foi, se está indo, ou já se chegou. No caso desses que estavam passando pelas calçadas e praça, não havia bisbilhoteiro profissional para descobrir, munido de seus talentos de saber da vida alheia, quem estava fumando o tal cigarro que em todos penetrava pelas narinas adentro, até a carne esponjosa dos alvéolos.

E não que eu seja o bisbilhoteiro mor dessa cidade em baixa temporada, entretanto vou contar a vocês quem era o fumante. Claro que vinha muito disfarçado. Seu melindre era a bicicleta pedalada sem pressa. As duas mãos chumbadas aos punhos do guidão. As costas afundadas, parecendo cansadas. E o cigarro lá, entre os dedos, sem quase ir a boca.

O fumante, portanto, era o ciclista. Porque há gente nessa terra que pedala e fuma. E assim se disfarça e mantém o círculo vicioso.

Rafael Alvarenga

Cabo Frio, 25 de novembro de 2021

CURA

O tempo nem sempre cura tudo. Para falar a verdade falar que o tempo cura é um pouco desonesto. O tempo pode esfriar o temperamento, mudar o foco, flertar com o esquecimento. Mas não cura. Quem cura os males da vida somos nós. As doenças do corpo só começam a conhecer a cura a partir da nossa ação de buscar o necessário e adequado auxílio e isso começa com o reconhecimento que somos importantes, primeiramente, para nós mesmos.

Os antigos gregos acreditavam no divino poder da cura, nas delicadas mãos da deusa Panaceia, irmã de outra deusa, Hígia, de onde herdamos a palavra higiene e a associamos à saúde. Os romanos a chamavam Salus. A cristandade medieval colocou a cura como um pilar da graça divina e herdamos ainda nos tempos atuais aquela sensação, lá no fundo, de que os mecanismos do corpo, da mente, das emoções e da alma até, de movem nos fluxos e influxos das lutas do bem contra o mal.

Na Inglaterra e em França os “Reis Taumaturgos” acreditavam-se portadores da graça cristã da cura. E o povo igualmente acreditou que as suas mãos curavam a escrófula (uma espécie de tuberculose linfática).

Por aqui, desde os tempos coloniais convivemos com a precariedade da saúde, com a fragilidade da existência e com o jeitinho dado por quem não tem quem o cuide.

Convivemos largamente com as soluções xamânicas e com os barbeiros sangradores, que também eram cirurgiões, já que os médicos e boticários eram raros e para poucos. Adotamos um quê de curandeirismo holístico e passamos a tratar o balcão da farmácia como um misto de estratégia de saúde preventiva, consultório e o local onde buscamos algumas curas depois de uma pesquisada no oráculo Google.

E claro que exageramos na dose. Levou tempo para que os médicos e cientistas assumissem para si a primazia sobre o corpo. Precisaram dos políticos e da força das leis para que o curandeirismo se tornasse sinônimo de charlatanismo e, com isso, reposicionar a busca da cura ao viés do saber experimentado. Nem tanto ao céu e nem tanto à terra. Por um lado, o charlatanismo não era lá uma exceção, mas praticamente uma regra e isso é socialmente muito arriscado. Tanto é que hoje sofremos com ele nos “zap das tias”, e nas mídias de fake news que ajudaram fortemente a vitimar desnecessariamente centenas de milhares de pessoas, só nessa pandemia. Mas descartar outros componentes da cura também é um exagero.

Hoje a ciência se achega novamente com as práticas religiosas, com as terapias complementares e com tudo que pode nos gerar conforto, bem-estar e ajudar no processo de cura, seja lá do que for. Só não substitui a ciência, e sim a complementa, ajuda, tira um pouco da sua frieza e fatalismo que tantas vezes se surpreende com o que chamamos, na falta de uma explicação definitiva, de milagre.

Sempre teremos algo a curar. Todos os dias, durante toda a vida. É um exercício que nos faz lembrar da imperfeição e nos torna tolerantes, que nos lembra da incompletude e nos faz generosos, que nos lembra da mortalidade e nos faz transcendentes.

(*) Professor, historiador e Consultor Educacional.

PRODUTORA DE CABO FRIO, DRUIDA FILMES, GANHA DOIS PRÊMIOS DE CINEMA E FECHA PATROCÍNIO COM A EMPRESA SAL CISNE 

Todo mundo cita aquela famosa frase: “tudo ao mesmo tempo agora!” Podemos dizer que a Druida Filmes está passando por um momento assim, com bons acontecimentos em profusão! 

O primeiro desses fatos diz respeito ao Documentário Apocalipse no Cerrado, filme produzido pela Produtora que acaba de receber o Prêmio de Melhor Longa-Metragem Documentário do Festival de Cinema Tarrafa, organizado pela Universidade Federal do Pará – Audiovisual Amazônico em Rede, com temas abrangentes ao território da Amazônia Legal. Festival que acontecerá de forma online, entre os dias 7 e 9 de dezembro, mas que já disponibilizou os filmes vencedores para o público através do link: https://festivaldecinematarrafa.wordpress.com/selecionados/ 

Basta entrar no link, buscar pelo nome do filme: Apocalipse no Cerrado e clicar em assistir! Todos os filmes estão sendo exibidos integralmente e ficam online até o dia 9/12. 

Para conhecer mais sobre o filme, segue sua sinopse: 

Como o nome diz, Apocalipse no Cerrado é um documentário impactante, que trata sobre a dura realidade da devastação de um dos mais ricos ecossistemas do Brasil. Um bioma que vem sendo degradado pelo agronegócio, através do uso abusivo de agrotóxicos, expansão das monoculturas da soja, milho e algodão e aumento da produção pecuária ao redor das suas poucas áreas preservadas, especulação imobiliária e interesses políticos contrários à manutenção do Cerrado. 

Como se não bastasse essa conquista coletiva da Produtora, o cineasta Marcelo de Paula, que assina a direção e roteiro dos documentários da Druida Filmes, acabou de ser um dos dez selecionados, entre os 450 argumentos que estavam competindo, com seu primeiro argumento de ficção 10 MORTES, do Edital Sesc Argumenta (http://sescargumenta.com.br/selecionados/ ). 

Um laboratório de imersão criativa com a participação de vários profissionais que se destacam no Mercado Audiovisual Brasileiro. Essa imersão acontece entre os dias 29/11 e 4/12, também de forma online. 

E para terminar essa profusão de acontecimentos, a Druida Filmes, Produtora Independente de Cinema sediada em Cabo Frio, acaba de fechar Patrocínio com a Refinaria Sal Cisne para a produção de um documentário de curta-metragem sobre a história da Praia do Siqueira, em Cabo Frio – “PEIXE, CAMARÃO, SAL E TRADIÇÃO”. Em breve será iniciada a produção do filme, que poderá ser acompanhada, passo a passo das filmagens e trechos de depoimentos, nas Redes Sociais da Druida Filmes: @druidafilmes e da Sal Cisne: @sal.cisne 

Contatos:

Marcelo de Paula – (22) 98839-5183 marcelodepaula.druidafilmes@gmail.com Carla Mendes (22) 98839-7735 // carlamendes.druidafilmes@gmail.com

MARX E ENGELS: UMA AMIZADE QUE SUPEROU A CLASSE SOCIAL 

José Correia Baptista 

É um fato que a diferença social determinada pelo padrão de renda ou herdado, é quase que um destino, embora a questão econômica como distanciadora ou aproximadora seja uma das muitas explicações que poderíamos dar para a convivência. Este tema me leva a lembrar o que foi na história do pensamento do século XIX uma das grandes amizades, aquela que admiro, aquela que venceu todas as diferenças, principalmente a de renda: a amizade fiel e construtiva entre Karl Marx e Friedrich Engels.

Quando se conheceram na França, Marx, então refugiado político, estava com 26 anos de idade, acabara de escrever os Manuscritos econômico-filosóficos (publicado quase um século depois, em 1932; minha edição é portuguesa, da Brasília Editora Porto) e Engels, com 24 anos, estava escrevendo A situação da classe trabalhadora em Inglaterra (Porto: Edições Afrontamento, 1975). Engels descrevia o sofrimento do proletariado na Inglaterra e via uma revolução iminente. Marx já apontava o capitalismo como a economia que desumanizava o homem e anunciava o comunismo como a solução para o enigma da história (quem não se lembra do pensamento idílico na Ideologia alemã (Grijalbo, 1974): “[a] sociedade comunista possibilita-me fazer uma coisa hoje e outra amanhã, caçar pela manhã, pescar à tarde, criar rebanhos ao escurecer, fazer crítica após o jantar, como eu quiser, sem jamais tornar-me caçador, pescador, pastor ou crítico”). Marx e Engels concordavam no campo teórico – naquilo que se chamou dos elementos constitutivos do pensamento marxista, a filosofia idealista alemã, o socialismo francês e a doutrina econômica inglesa – e iniciaram uma amizade pessoal e intelectual que se sustentaria até a morte deles (Marx, morto em 1883, aos 64 anos de idade, e Engels em 1895, aos 74 anos de idade).

Engels era filho de um rico industrial alemão e conheceu a vida do proletariado inglês por ter sido enviado a Manchester para dirigir a sucursal de negócio de algodão da empresa de que sua família era sócia. Engels era mais prático que Marx. Marx, que dominava a filosofia hegeliana, conceituava o mundo. Engels chegou a dizer que Marx era um gênio, era o que via mais longe. Engels especulava que ele, no máximo, ao lado de Marx, possuía apenas talento.

Marx, como se sabe, levou uma vida dura na Inglaterra (perdeu três filhos prematuramente em virtude das condições adversas). Embora fizesse o que queria (estudava e pesquisava na biblioteca do Museu Britânico das 9h às 19h), ele e sua família experimentaram a extrema pobreza. Mas o amigo Engels estava lá para socorrer. E com o crescimento da fortuna de Engels, a vida do amigo Marx (incapaz para o trabalho regular) melhorou também. Engels levava uma vida social ativa, ia a concertos, foi membro de dois clubes frequentados pela burguesia inglesa, possuía cavalo e participava de um clube de caça, mantinha duas casas e em uma delas residia com uma jovem proletária irlandesa. Engels era mulherengo e chegou a segurar a onda de Marx quando o amigo teve um filho com a empregada Helene Demuth (ela, que acompanhou a família no exílio e servira na casa da família de Jenny von Westphalen, mulher de Marx, desde os 11 anos de idade). Engels assumiu a paternidade e só no leito da morte disse para o rapaz que o pai dele era Marx (há muitos e bons livros sobre a vida e o pensamento de Marx; recomendo os estudiosos David McLellan e George Lichtheim).

Marx e Engels foram revolucionários sem revolução, ao contrário de Lenin e Trotski. Mas a admiração mútua e a solidariedade que uniam Marx e Engels era por algo maior: demonstrar, revelar, que o comunismo era um fenômeno histórico. Uma amizade que superou as diferenças de classe social.

(*) José Correia Baptista é formado em Ciências Sociais e em Letras pela UFF.