UMA BOA CAMINHADA (1ª. VERSÃO) 

José Correia Baptista 

 – Essa cruz pesa muito, não é amigo?

– É verdade! Muito.

– E você a carrega todo o dia.

– Todo o santo dia.

– Vamos começar a mudar?

– Tem jeito?

– Claro!

– Já posso largá-la?

– Vamos devagar. A cruz já faz parte do seu ser. A cruz precisa de você. Você não vive sem a cruz.

– Já está me enrolando.

– Falo somente a verdade.

– Está certo. Cumpra então a sua promessa. Não pedi nada!

– Bem. O longo tempo deixou feia a sua cruz. Vamos começar mudando, pintando-a de azul!

– Como? Não entendi.

– Sim, vamos pintar a sua cruz de azul.

– Não acredito que mudar seria isso.

– Viu? Eu não disse que você já acha o feio da cruz o belo do costume? Eu pinto-a para você. Pronto!

– Não é que ela ficou mais bonita.

– Que bom. Pensei que você fosse questionar a cor.

– Não me engana, você já devia saber que gosto do azul!

– Resolvido?

– Resolvido? Só isso?

– E já não foi uma grande coisa que eu fiz por você?

– Mas eu pensei que você fosse desaparecer com essa cruz!

– Fui.

Ao chegar em casa depois da caminhada matinal e enquanto descalçava o tênis, Marcos André repensou o diálogo que tivera com o que ele chamava de seu guia espiritual, e moído pelo esforço físico que fizera, estava finalmente convencido de que começaria bem o dia, arrastando agora uma bela cruz azul.

(*) José Correia Baptista é formado em Ciências Sociais e em Letras pela UFF.

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