Primeiros Passos

Marcos Antônio de Paula

Lá no início dos anos 1980 a editora Brasiliense publicou uma série de livros de bolso com quase todo tipo de assunto. Era a coleção Primeiros Passos. Muita gente boa escreveu para a série e os livrinhos ajudavam à beça. Não tinha Google nem Wikipedia. A gente se virava como podia. Me salvaram em alguns trabalhos em que eu nem sabia por onde começar…

“O que é Cibernética,”, comprei por mera curiosidade e me permitiu conhecer o básico do básico daquela ciência. Não era a minha praia.

Não que qualquer livro daquela época, mesmo alguns mais avançados, pudesse antever a explosão tecnológica dos 40 anos seguintes.

Hoje a convivência com a tecnologia é corriqueira até demais. Basta ter um smartphone e o mundo se abre. Nossa dependência da tecnologia digital criou novos produtos, novos empregos, desempregos, formas de ganhar dinheiro, de se relacionar, inclusive emocionalmente, novas verdades, enfim, uma nova realidade.

Vez ou outra, exaustos dessa imersão, da intromissão, pouca privacidade, vigilância ininterrupta de tudo que fazemos, acho que muitos já pensaram se não estaríamos melhor sem tudo isso. Um mundo tranquilo, “de antigamente”.

Os confortos, avanços e a praticidade do mundo tecnológico moderno talvez não compensem o preço que pagamos. Um custo pessoal crescente. Tem quem diga que é um caminho sem volta. E aqueles que acham que é apenas uma das muitas possibilidades à nossa disposição.

Dias atrás, quando ocorreu o “apagão” dos aplicativos do conglomerado Facebook, vi gente se perguntando o que aconteceria se toda essa tecnologia, de repente, parasse definitivamente.

Algumas coisas talvez demorassem um pouco mais para normalizar e soluções nunca imaginadas surgiriam aqui e ali. Chegaríamos aos mesmos resultados por caminhos diferentes.

Se duas coisas ou pessoas conseguem fazer o mesmo trabalho, um pode substituir o outro. Um robô substitui um operário, uma colheitadeira, um agricultor, um computador pode ficar no lugar de um analista, um smartphone no lugar de um bancário, médico, advogado…

E, eventualmente colheitadeiras, robôs, computadores, smartphones, câmeras fotográficas, e, porque não, aplicativos, programas e a própria internet podem ser substituídos por quaisquer outras coisas que façam o mesmo trabalho.

Era essa a ideia daquele livrinho maroto. Fazer pensar que tudo ao nosso redor pode ser visto e/ou recriado de outra maneira e ainda assim nos levar ao nosso destino.

Se não existissem nossos queridos brinquedos cibernéticos, teríamos inventado qualquer outra coisa para botar no lugar.

Muda pouco o que realmente move o homem.

(*) Ciências Contábeis/UFF

Compartilhe:
Instagram
0Shares

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *