Capital Natural

Eduardo Pimenta (*)

Os habitats marinhos, como mangues, pântanos costeiros e arrecifes, formam proteções fundamentais contra tempestades e tsunamis, além de armazenar quantidades maciças de carbono.As ondas, ventos e correntes oceânicas oferecem um potencial considerável para a criação de fontes de energia renovável.Esses serviços possuem imenso valor para a produção de alimentos, fonte de renda e como fator de prevenção da perda e danificação de propriedades, terras, vidas humanas e atividades econômicas.

Entretanto, a saúde dos oceanos está ameaçada pela exploração, emissões de gases de efeito estufa e poluição. O uso de seus serviços vem intensificando-se além da pesca e agora acrescido da aquicultura, turismo, transporte marítimo, extração de petróleo,gás e mineração.Assim como as florestas naturais que estão sendo substituídas por monoculturas, a pesca extrativista está sendo substituída pela aquicultura. A produção da aquicultura cresceu mais de 260% em 20 anos, o que equivale a mais de metade do volume de pesca extrativista total.

A produção sustentável de alimentos é tão importante para o futuro do mundo quanto à produção sustentável de energia. Exige insumos mais bem manejados para os campos, melhor manejo de solos e água, Distribuição equitativa de gêneros alimentícios, reduçãodo consumo excessivo e grande esforço para eliminar o desperdício, desde os campos até a mesa do consumidor.

Onde os alimentos naturais ainda existem, mais notavelmente em rios, áreas úmidas e oceanos, seus estoques devem ser protegidos com rigor.Os oceanos fornecem peixes e outros mariscos que formam uma grande fonte de proteínas para bilhões de pessoas e também fornecem algas e plantas marinhas para a produção de alimentos, produtos químicos, energia e materiais de construção.Com base nas tendências atuais, face à ampliação das pegadas humanas e à redução dos recursos naturais, a humanidade irá necessitar de 2,9 planetas até 2050, de acordo com a WWF, organização não governamental internacional que atua nas áreas da conservação, investigação e recuperação ambiental.

As práticas habituais irão destruir nosso capital natural em ritmo cada vez mais acelerado, provocando conflitos por recursos hoje e, muito provavelmente, tornando a vida cada vez mais difícil para as gerações futuras.Alimentar o mundo e garantir acesso universal a recursos básicos, como água, alimentos e energia, elementos essenciais para todos nós.Será impossível alcançar isso sem proteger o capital natural? Capital natural que extraímos das florestas, solos, oceânicos, rios esem um clima estável como pano de fundo.

Dispomos da tecnologia e do conhecimento acerca do que é necessário para corrigir os problemas ambientais que enfrentamos hoje. O que precisamos agora é de uma vontade global unificada para concretizar isso.

(*) Biólogo, M.Sc. em Engenharia de Produção, Coordenador De Pesquisa e Extensão da Universidade Veiga de Almeida, pesquisador The International Commission for the Conservation of Atlantic Tunas, consultor estratégico do Projeto Albatroz, Presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica Lagos São João e membro da Academia Cabofriense de Letras.

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