NÍVEIS DE TRISTEZA COM ESTE DESGOVERNO

Cláudio Leitão (*)

Usando a ideia central de um texto antigo de um amigo, modificado e adaptado para a nossa realidade atual, exponho aqui os diversos níveis de tristeza que vivemosneste momento crítico, com fake news que desinformam, conflitos institucionais, pandemia, carestia, inflação, desemprego e fome. O país vive um caos provocado por um presidente, inepto, despreparado, sociopata e assessorado pelo pior “time” de ministros de toda nossa história política.

Apesar desta realidade sombria, entendo que devemos seguir lutando, pois em 2022 teremos eleições nacionais e um processo de mudança é possível, trazendo em seu bojo a esperança de dias melhores. Já nos ensinava Gramsci no século passado:

“Pessimismo da razão, mas sem perder jamais o otimismo da vontade”.

Tristeza preocupada:

Ver amigos e parentes assumindo posições desumanas e fascistas, apoiando um presidente que adota medidas políticas contra interesses coletivos, e muitas vezes, contra seus próprios interesses, deixando-se levar por um discurso falso e sem qualquer conteúdo, acreditando na fantasia de um suposto “salvador da pátria”, mas que na verdade, agrava ainda mais os problemas do país.

Tristeza desapontada:

Deparar-noscom gente que sempre imaginamos honesta divulgandonas redes sociais informações falsas, inclusive com relação a pandemia, sem se preocupar com a consequência disso. Ver pessoas negando as evidências mais gritantes, apesar de boa formação educacional, desprezando a ciência, o conhecimento e o estudo, repetindo ideias e teorias sem fundamentos, usando os argumentos mais estapafúrdios.

Tristeza impotente:

Por saber que todos os nossos esforços estão sendo insuficientes para barrar o preconceito de inúmeras pessoas que conhecemos há anos ou que pensávamos conhecer. Perceber que não há argumentos capazes de derrubar esta “muralha da ignorância” construída pelos que ficaram cegos ou só enxergam o que querem.

Uma tristeza decepcionada:

Por descobrir amigos e familiares antes gentis, mas agora tomados por uma onda de ódio e preconceitos,que passaram a xingar, humilhar e ridicularizar os outros, apoiando a violência psicológica, moral e até física contra negros, homossexuais, índios ou qualquer um que tenha uma visão de mundo que diverge da tal moral conservadora, que propaga “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

Tristeza devastadora:

Por descobrir pessoas que sempre imaginamos boas, mas que continuamapoiando um presidente que sempre defendeu abertamente a tortura, que é negacionista em relação as práticas científicas para combater apandemia que segue ceifando vidas e nada faz para aplacar a miséria e a fome crescentes que já atingem 28 milhões de brasileiros.É devastador, muitas vezes, pensar e encarar esta realidade.

Triste época em que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito

Albert Einstein

(*) Claudio Leitão é economista e professor de história.

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