Bolsonaro está isolado e derrotado

Cláudio Leitão (*)

Os atos da extrema direita raivosa realizados neste último 7 de setembro reafirmaram para todo país o despreparo e o isolamento institucional do “despresidente”. O discurso golpista revela o desespero de Bolsonaro e de seus estrategistas de marketing político, inclusive alguns “trumpistas” importados dos EUA. Já perceberam que serão derrotados em 2022 e resolveram partir para o “vale tudo”.

A comemoração foi “animal”. Bolsonaro disse que o ato teria o rugido de um leão, mas o que se viu foi no máximo o miado de um gatinho. Porém, por um outro ângulo, muita gente acha que houve apenas o mugido do gado, com bois chifrudos e vacas loucas!

Pautas importantes como o combate a pandemia, a fome, ao desemprego, a inflação, a crise hídrica, além de outras, não estavam presentes. As manifestações voltaram a exibir cartazes antidemocráticos pedindo intervenção militar e ataques ao Congresso e ao STF. Bolsonaro está acuado como um “rato”, ataca o Judiciário como “um método preventivo” porque teme a prisão dos seus filhos.

O STF certamente responderá. Os partidos políticos também. Os presidentes da Câmara e do Senado ficaram numa “saia justa” e precisarão também se posicionar, sob pena de desmoralização do Poder Legislativo, diante da gravidade da fala do escroque que ocasionalmente ocupa a Presidência da República.

A fala é covarde e está longe de ser corajosa como dizem seus asseclas.  Joga seus 20% de eleitores descerebrados e que refletem a sua imagem e semelhança, num jogo político que pode levar a distúrbios sociais, em que incentiva “este gado” a estar nas ruas para um confronto, enquanto ele estará assistindo do gabinete. O cagão não irá para um embate direto nas ruas, caso esta crise se agrave. Idem ocorrerá com a “crentalhada”. Os pastores pilantras vão agitar do púlpito e os fiéis mais fanáticos irão para as ruas como “buchas”.

Vários e sérios juristas ouvidos após os ataques e impropérios do fascista entendem que ele cometeu crime de responsabilidade. Isso vai colocar o poder legislativo com “a bola na mão” para jogar o jogo de proteção ao Estado Democrático de Direito, inclusive colocando na pauta o pedido de impeachment do protofascista. O STF, neste momento é o alvo do presidente, mas amanhã pode ser o próprio legislativo se este legislar e propor medidas que não sejam do agrado do ridículo “protótipo de ditador”.

O ato foi claramente um crime eleitoral com explícita campanha antecipada regada com estrutura e verba pública. Houve também recursos privados no financiamento das manifestações, inclusive com remuneração a participantes, principalmente de setores ligados ao agronegócio exportador. Isso também caracteriza crime eleitoral que pode ser punido com inelegibilidade.

A reação do “mercado” e das principais entidades ligados ao grande capital também foram muito ruins ao discurso raivoso do sociopata bravateiro. Esses setores se preocupam exclusivamente com seus investimentos e lucrose quaisquer obstáculos ou crise político-institucional no sistema que coloque em risco seus interesses serão “trabalhados” para serem eliminados. Assim, Bolsonaro se torna também “inimigo” da nossa democracia burguesa.

Bolsonaro está só. Está “nu com a mão no bolso” sob o ponto de vista político. O golpe de misericórdia pode até nem ser dado pelo STF ou a Justiça Eleitoral, mas sim pela traição e abandono do Centrão, o que levará a antecipação da sua derrota para o alívio da maioria do povo brasileiro.

O “café esfriou” e Bolsonaro seguirá politicamente como um “cadáver insepulto”. Nem a tal “carta a Nação”, cujo autor intelectual foi outro golpista, Michel Temer, recuando em seu discurso esdrúxulo, tem o poder de ressuscitá-lo. O governo Bolsonaro acabou justamente no dia 7 de setembro.  A independência do fascismo, da intolerância, da grosseria, do negacionismo científico, da negação da cultura, mas principalmente da burrice está cada vez mais próxima.

(*) Claudio Leitão é economista e professor de história.

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