FELIZ ANO NOVO

Rubem Fonseca

Vi na televisão que as lojas bacanas estavam vendendo adoidado roupas ricas para as madames vestirem no réveillon. Vi também que as casas de artigos finos para comer e beber tinham vendido todo o estoque.

Pereba, vou ter que esperar o dia raiar e apanhar cachaça, galinha morta e farofa dos macumbeiros.

Pereba entrou no banheiro e disse, que fedor.

Vai mijar noutro lugar, tô sem água.

Pereba saiu e foi mijar na escada. Onde você afanou a TV?, Pereba perguntou.

Afanei porra nenhuma. Comprei. O recibo está bem em cima dela. Ô Pereba! Você pensa que eu sou algum babaquara para ter coisa estarrada no meu cafofo?

Tô morrendo de fome, disse Pereba.

De manhã a gente enche a barriga com os despachos dos babalaôs, eu disse, só de sacanagem.

Não conte comigo, disse Pereba. Lembra do Crispim? Deu um bico numa macumba aqui na Borges de Medeiros, a perna ficou preta, cortaram no Miguel Couto e tá ele aí, fudidão, andando de muleta.

Pereba sempre foi supersticioso. Eu não. Tenho ginásio, sei ler, escrever e fazer raiz quadrada. Chuto a macumba que quiser.

Acendemos uns baseados e ficamos vendo a novela. Merda. Mudamos de canal, prum bangue-bangue. Outra bosta.

As madames granfas tão todas de roupa nova, vão entrar o ano novo dançando com os braços pro alto, já viu como as branquelas dançam? Levantam os braços pro alto, acho que é pra mostrar o sovaco, elas querem mesmo é mostrar a boceta mas não têm culhão e mostram o sovaco. Todas corneiam os maridos. Você sabia que a vida delas é dar a xoxota por aí?

Pena que não tão dando pra gente, disse Pereba. Ele falava devagar, gozador, cansado, doente.

Pereba, você não tem dentes, é vesgo, preto e pobre, você acha que as madames vão dar pra você? O Pereba, o máximo que você pode fazer é tocar uma punheta. Fecha os olhos e manda brasa.

Eu queria ser rico, sair da merda em que estava metido! Tanta gente rica e eu fudido.

Zequinha entrou na sala, viu Pereba tocando punheta e disse, que é isso Pereba?

Michou, michou, assim não é possível, disse Pereba.

Por que você não foi para o banheiro descascar sua bronha?, disse Zequinha.

No banheiro tá um fedor danado, disse Pereba.

Tô sem água.

As mulheres aqui do conjunto não estão mais dando?, perguntou Zequinha.

Ele tava homenageando uma loura bacana, de vestido de baile e cheia de jóias.

Ela tava nua, disse Pereba.

Já vi que vocês tão na merda, disse Zequinha.

Ele tá querendo comer restos de Iemanjá, disse Pereba.

Brincadeira, eu disse. Afinal, eu e Zequinha tínhamos assaltado um supermercado no Leblon, não tinha dado muita grana, mas passamos um tempão em São Paulo na boca do lixo, bebendo e comendo as mulheres. A gente se respeitava.

Pra falar a verdade a maré também não tá boa pro meu lado, disse Zequinha. A barra tá pesada. Os homens não tão brincando, viu o que fizeram com o Bom Crioulo? Dezesseis tiros no quengo. Pegaram o Vevé e estrangularam. O Minhoca, porra! O Minhoca! crescemos juntos em Caxias, o cara era tão míope que não enxergava daqui até ali, e também era meio gago – pegaram ele e jogaram dentro do Guandu, todo arrebentado.

Pior foi com o Tripé. Tacaram fogo nele. Virou torresmo. Os homens não tão dando sopa, disse Pereba. E frango de macumba eu não como. Depois de amanhã vocês vão ver.

Vão ver o quê?, perguntou Zequinha.

Só tô esperando o Lambreta chegar de São Paulo.

Porra, tu tá transando com o Lambreta?, disse Zequinha.

As ferramentas dele estão todas aqui.

Aqui?, disse Zequinha. Você tá louco.

Eu ri.

Quais são os ferros que você tem?, perguntou Zequinha.

Uma Thompson lata de goiabada, uma carabina doze, de cano serrado, e duas Magnum.

Puta que pariu, disse Zequinha.

E vocês montados nessa baba tão aqui tocando punheta?

Esperando o dia raiar para comer farofa de macumba, disse Pereba.

Ele faria sucesso falando daquele jeito na TV, ia matar as pessoas de rir.

Fumamos. Esvaziamos uma pitu.

Posso ver o material?, disse Zequinha.

Descemos pelas escadas, o elevador não funcionava, e fomos no apartamento de dona Candinha. Batemos. A velha abriu a porta.

Dona Candinha, boa noite, vim apanhar aquele pacote.

O Lambreta já chegou?, disse a preta velha.

Já, eu disse, está lá em cima.

A velha trouxe o pacote, caminhando com esforço. O peso era demais para ela. Cuidado, meus filhos, ela disse.

Subimos pelas escadas e voltamos para o meu apartamento. Abri o pacote. Armei primeiro a lata de goiabada e dei pro Zequinha segurar. Me amarro nessa máquina, tarratátátátá!, disse Zequinha.

É antigo mas não falha, eu disse.

Zequinha pegou a Magnum. Jóia, jóia, ele disse. Depois segurou a doze, colocou a culatra no ombro e disse: ainda dou um tiro com esta belczinha nos peitos de um tira, bem de perto, sabe como é, pra jogar o puto de costas na parede e deixar ele pregado lá.

Botamos tudo em cima da mesa e ficamos olhando.

Fumamos mais um pouco.

Quando é que vocês vão usar o material?, disse Zequinha.

Dia 2.

Vamos estourar um banco na Penha. O Lambreta quer fazer o primeiro gol do ano.

Ele é um cara vaidoso, disse Zequinha.

É vaidoso mas merece.

Já trabalhou em São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Vitória, Niterói, para não falar aqui no Rio. Mais de trinta bancos. mas dizem que ele dá o bozó, disse Zequinha.

Não sei se dá, nem tenho peito de perguntar. Pra cima de mim nunca veio com frescuras.

Você já viu ele com mulher?, disse Zequinha.

Não, nunca vi. Sei lá, pode ser verdade, mas que importa?

Homem não deve dar o cu. Ainda mais um cara importante como o Lambreta, disse Zequinha.

Cara importante faz o que quer, eu disse.

É verdade, disse Zequinha.

Ficamos calados, fumando.

Os ferros na mão e a gente nada, disse Zequinha.

O material é do Lambreta. E aonde é que a gente ia usar ele numa hora destas?

Zequinha chupou ar, fingindo que tinha coisas entre os dentes. Acho que ele também estava com fome.

Eu tava pensando a gente invadir uma casa bacana que tá dando festa. O mulherio tá cheio de jóia e eu tenho um cara que compra tudo o que eu levar. E os barbados tão cheios de grana na carteira. Você sabe que tem anel que vale cinco milhas e colar de quinze, nesse intruja que eu conheço? Ele paga na hora.

O fumo acabou. A cachaça também. Começou a chover.

Lá se foi a tua farofa, disse Pereba.

Que casa? Você tem alguma em vista?

Não, mas tá cheio de casa de rico por aí. A gente puxa um carro e sai procurando.

Coloquei a lata de goiabada numa saca de feira, junto com a munição.

Dei uma Magnum pro Pereba, outra pro Zequinha. Prendi a carabina no cinto, o cano pra baixo, e vesti uma capa. Apanhei três meias de mulher e uma tesoura. Vamos, eu disse.

Puxamos um Opala. Seguimos para os lados de São Conrado. Passamos várias casas que não davam pé, ou tavam muito perto da rua ou tinham gente demais. Até que achamos o lugar perfeito. Tinha na frente um jardim grande e a casa ficava lá no fundo, isolada. A gente ouvia barulho de música de carnaval, mas poucas vozes cantando. Botamos as meias na cara. Cortei com a tesoura os buracos dos olhos. Entramos pela porta principal.

Eles estavam bebendo e dançando num salão quando viram a gente.

É um assalto, gritei bem alto, para abafar o som da vitrola. Se vocês ficarem quietos ninguém se machuca. Você aí, apaga essa porra dessa vitrola!

Pereba e Zequinha foram procurar os empregados e vieram com três garçons e duas cozinheiras. Deita todo mundo, eu disse. Contei. Eram vinte e cinco pessoas. Todos deitados em silêncio, quietos, como se não estivessem sendo vistos nem vendo nada. Tem mais alguém em casa?, eu perguntei.

Minha mãe. Ela está lá em cima no quarto. É uma senhora doente, disse uma mulher toda enfeitada, de vestido longo vermelho. Devia ser a dona da casa.

Crianças?

Estão em Cabo Frio, com os tios.

Gonçalves, vai lá em cima com a gordinha e traz a mãe dela.

Gonçalves?, disse Pereba.

É você mesmo. Tu não sabe mais o teu nome, ô burro?

Pereba pegou a mulher e subiu as escadas. Inocêncio, amarra os barbados.

Zequinha amarrou os caras usando cintos, fios de cortinas, fios de telefones, tudo que encontrou.

Revistamos os sujeitos. Muito pouca grana. Os putos estavam cheios de cartões de crédito e talões de cheques. Os relógios eram bons, de ouro e platina. Arrancamos as jóias das mulheres. Um bocado de ouro e brilhante. Botamos tudo na saca.

Pereba desceu as escadas sozinho.

Cadê as mulheres?, eu disse.

Engrossaram e eu tive que botar respeito. Subi. A gordinha estava na cama, as roupas rasgadas, a língua de fora. Mortinha. Pra que ficou de flozô e não deu logo? O Pereba tava atrasado. Além de fudida, mal paga. Limpei as jóias. A velha tava no corredor, caída no chão. Também tinha batido as botas. Toda penteada, aquele cabelão armado, pintado de louro, de roupa nova, rosto encarquilhado, esperando o ano novo, mas já tava mais pra lá do que pra cá. Acho que morreu de susto. Arranquei os colares, broches e anéis. Tinha um anel que não saía. Com nojo, molhei de saliva o dedo da velha, mas mesmo assim o anel não saía. Fiquei puto e dei uma dentada, arrancando o dedo dela. Enfiei tudo dentro de uma fronha. O quarto da gordinha tinha as paredes forradas de couro. A banheira era um buraco quadrado grande de mármore branco, enfiado no chão. A parede toda de espelhos. Tudo perfumado. Voltei para o quarto, empurrei a gordinha para o chão, arrumei a colcha de cetim da cama com cuidado, ela ficou lisinha, brilhando. Tirei as calças e caguei em cima da colcha. Foi um alívio, muito legal. Depois limpei o cu na colcha, botei as calças e desci.

Vamos comer, eu disse, botando a fronha dentro da saca.

Os homens e mulheres no chão estavam todos quietos e encagaçados, como carneirinhos. Para assustar ainda mais eu disse, o puto que se mexer eu estouro os miolos.

Então, de repente, um deles disse, calmamente, não se irritem, levem o que quiserem, não faremos nada.

Fiquei olhando para ele. Usava um lenço de seda colorida em volta do pescoço.

Pode também comer e beber à vontade, ele disse.

Filha da puta. As bebidas, as comidas, as jóias, o dinheiro, tudo aquilo para eles era migalha. Tinham muito mais no banco. Para eles, nós não passávamos de três moscas no açucareiro.

Como é seu nome? Maurício, ele disse.

Seu Maurício, o senhor quer se levantar, por favor? Ele se levantou. Desamarrei os braços dele.

Muito obrigado, ele disse. Vê-se que o senhor é um homem educado, instruído. Os senhores podem ir embora, que não daremos queixa à polícia. Ele disse isso olhando para os outros, que estavam quietos apavorados no chão, e fazendo um gesto com as mãos abertas, como quem diz, calma minha gente, já levei este bunda suja no papo.

Inocêncio, você já acabou de comer? Me traz uma perna de peru dessas ai. Em cima de uma mesa tinha comida que dava para alimentar o presídio inteiro. Comi a perna de peru. Apanhei a carabina doze e carreguei os dois canos.

Seu Maurício, quer fazer o favor de chegar perto da parede?

Ele se encostou na parede.

Encostado não, não, uns dois metros de distância. Mais um pouquinho para cá. Muito obrigado.

Atirei bem no meio do peito dele, esvaziando os dois canos, aquele tremendo trovão. O impacto jogou o cara com força contra a parede. Ele foi escorregando lentamente e ficou sentado no chão. No peito dele tinha um buraco que dava para colocar um panetone.

Viu, não grudou o cara na parede, porra nenhuma.

Tem que ser na madeira, numa porta. Parede não dá, Zequinha disse.

Os caras deitados no chão estavam de olhos fechados, nem se mexiam. Não se ouvia nada, a não ser os arrotos do Pereba.

Você aí, levante-se, disse Zequinha. O sacana tinha escolhido um cara magrinho, de cabelos compridos.

Por favor, o sujeito disse, bem baixinho.

Fica de costas para a parede, disse Zequinha.

Carreguei os dois canos da doze. Atira você, o coice dela machucou o meu ombro. Apóia bem a culatra senão ela te quebra a clavícula.

Vê como esse vai grudar. Zequinha atirou.

O cara voou, os pés saíram do chão, foi bonito, como se ele tivesse dado um salto para trás. Bateu com estrondo na porta e ficou ali grudado. Foi pouco tempo, mas o corpo do cara ficou preso pelo chumbo grosso na madeira.

Eu não disse?, Zequinha esfregou o ombro dolorido. Esse canhão é foda.

Não vais comer uma bacana destas?, perguntou Pereba.

Não estou a fim. Tenho nojo dessas mulheres. Tô cagando pra elas. Só como mulher que eu gosto.

E você… Inocêncío?

Acho que vou papar aquela moreninha. A garota tentou atrapalhar, mas Zequinha deu uns murros nos cornos dela, ela sossegou e ficou quieta, de olhos abertos, olhando para o teto, enquanto era executada no sofá.

Vamos embora, eu disse. Enchemos toalhas e fronhas com comidas e objetos.

Muito obrigado pela cooperação de todos, eu disse. Ninguém respondeu.

Saímos.

Entramos no Opala e voltamos para casa.

Disse para o Pereba, larga o rodante numa rua deserta de Botafogo, pega um táxi e volta. Eu e Zequinha saltamos.

Este edifício está mesmo fudido, disse Zequinha, enquanto subíamos, com o material, pelas escadas imundas e arrebentadas.

Fudido mas é Zona Sul, perto da praia. Tás querendo que eu vá morar em Nilópolis?

Chegamos lá em cima cansados. Botei as ferramentas no pacote, as jóias e o dinheiro na saca e levei para o apartamento da preta velha.

Dona Candinha, eu disse, mostrando a saca, é coisa quente.

Pode deixar, meus filhos. Os homens aqui não vêm.

Subimos.

Coloquei as garrafas e as comidas em cima de uma toalha no chão. Zequinha quis beber e eu não deixei.

Vamos esperar o Pereba.

Quando o Pereba chegou, eu enchi os copos e disse, que o próximo ano seja melhor.

Feliz ano novo.

GESTALT

Hilda Hilst

Absorto, centrado no nó das trigonometrias, meditando múltiplos quadriláteros, centrado ele mesmo no quadrado do quarto, as superfícies de cal, os triângulos de acrílico, suspensos no espaço por uns fios finos os polígonos, Isaiah o matemático, sobrolho peluginoso, inquietou-se quando descobriu o porco. Escuro, mole, seu liso, nas coxas diminutos enrugados, existindo aos roncos, e em curtas corridas gordas, desajeitadas, o ser do porco estava ali.

E porque o porco efetivamente estava ali, pensá-lo parecia lógico a Isaiah, e começou pensando spinosismos: “de coisas que nada tenham em comum entre si, uma não pode ser causa da outra.”

Mas aos poucos, reolhando com apetência pensante, focinhez e escuros do porco, considerou inadequado para o seu próprio instante o Spinoza citado aí de cima, acercou-se, e de cócoras, de olho-agudez, ensaiou pequenas frases tortas, memorioso: se é que estás aqui, dentro da minha evidência, neste quarto, atuando na minha própria circunstância, e efetivamente estás e atuas, dize-me por quê. Nas quatro patas um esticado muito teso, nos moles da garganta pequeninos ruídos gorgulhantes, o porco de Isaiah absteve-se de responder tais rigorismos, mas focinhou de Isaiah os sapatos, encostou nádegas e ancas com alguma timidez e quando o homem tentou alisá-lo como se faz aos gatos, aos cachorros, disparou outra vez num corre gordo, desajeitado, e de lá do outro canto novamente um esticado muito teso e pequeninos ruídos gorgulhantes. Bem, está aí. Milho, batatas, uma lata de água, e sinto muito o não haver terra para o teu mergulho mais fundo, de focinhez.

Retomou algarismos, figuras, hipóteses, progressões, anotava seus cálculos com tinta roxa, cerimoniosa, canônica, limpo bispal. Isaiah limpou dejetos do porco, muito sóbrio, humildoso, sóbrio agora também o porco um pouco triste esfregando-se nos cantos, um aguado-ternura nos dois olhos, e por isso Isaiah lembrou-se de si mesmo, menino, e do lamento do pai olhando-o: immer krank parece, immer krank, sempre doente parece, sempre doente, é o que pai dizia na sua língua. E doença não é Hilde? Hilde sua mãe, sorria, Ach nem, é pequeno, é criança, e quando ainda somos assim, sempre de alguma coisa temos medo, não é doença Karl, é medo. Isaiah foi adoçando a voz, vou te dar um nome, vem aqui, não te farei mais perguntas, vem, e ele veio, o porco, a anca tremulosa roçou as canelas de Isaiah, Isaiah agachou-se, redondo de afago foi amornando a lisura do couro, e mimos e falas, e então descobriu que era uma porca o porco.

Devo dizer-lhes que em contentamento conviveu com Hilde a vida inteira. Deu-lhe o nome da mãe em homenagem àquela frase remota: sempre de alguma coisa temos medo. E na manhã de um domingo celebrou esponsais. Um parênteses devo me permitir antes de terminar: Isaiah foi plena, visceral, lindamente feliz. Hilde também.

O AVALISTA!

O avalista!

O prefeito José Bonifácio (PDT) tem sido uma espécie de avalista do seu próprio governo, cheio de promissórias de outros governos a serem resgatadas. A sua presença em praticamente todos os lugares e eventos do município e da prefeitura chancela o trabalho dos secretários (as) e de dirigentes de órgãos como a COMSERCAF e o IBASCAF. Esse respaldo e centralismo têm custado caro ao prefeito de Cabo Frio.

O garoto propaganda

A presença, muitas vezes desnecessária, do prefeito em praticamente todas as ações da prefeitura funciona como avalista, mas também como espécie de “garoto propaganda” de um governo, que ainda não conseguiu se firmar. O desgaste para a imagem político/administrativa do prefeito é grande. Não é a toa que a oposição de extrema direita tem colocado a cabeça para fora da toca.

Engenharia fajuta

O reboliço na câmara tem ampliado a sua repercussão: até as “paredes murmurantes” do histórico prédio da Avenida Nossa Senhora da Assumpção estão desconfiadas. Segundo carta psicografada de Vovô Bibiu, que foi por muitos anos presidente do conselho, a insatisfação é resultado da engenharia política mal feita, montada pelo “gênio da lâmpada”, que pensa mais nele que no governo.

Ação política

Segundo o Portal RC 24h, dirigido pela jornalista Renata Cristiane o secretário de saúde Felipe Fernandes implantou a Comissão de Bens Móveis. Essa rápida ação administrativa esvazia a tentativa de uso político por parte de determinados setores da oposição, mas mostra que o governo está sofrendo ataques de todos os lados e precisa estar bem mais atento.

Liderança incompetente

O governo de José Bonifácio tem dado sorte, porque o líder da extrema direita, o secretário de ciência e tecnologia Sérgio L. Azevedo não dá uma dentro: é de uma incompetência política e administrativa inenarrável. Primeiro foi o escândalo dos respiradores sucateados e logo depois a inauguração apenas parcial do IML. Para concluir os trabalhos, mais um escândalo, dessa vez no áudio de um assessor da secretaria em relação ao processo seletivo.

Na poeira do deserto

O escândalo dos bitcoins ou das pirâmides de Gizé continua a todo vapor com meia dúzia de faraós e escribas devidamente engaiolados: pelo jeito não vão sair tão cedo. No “frigir dos ovos”, muitos aplicadores de pequenas quantias serão os mais atingidos. Perderam o que conseguiram guardar com muito esforço e trabalho. Será que os grandes investidores também viram sua grana sumir na poeira do deserto?

O PRESENTE DE ANIVERSÁRIO

Luciana G. Rugani

Em 1970, na pequena cidade de São Pedro da Aldeia, Região dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro, vivia o garoto Nilo, então com oito anos de idade.

Nilo era um garoto ativo, que se deliciava simplesmente por poder usufruir a liberdade dos garotos daquela época, quando podiam correr e brincar livremente pelas ruas da cidade, tomar banho na lagoa (até então de águas límpidas) e colocar em prática suas invenções, ideias criativas e mirabolantes de criança.

Os pais de Nilo possuíam um comércio com as mais variadas utilidades domésticas. Sua mãe, D. Ivone, era encantada principalmente com as porcelanas. Era o setor do qual ela mais cuidava e organizava com primor a exposição das peças. Em sua casa, possuía uma coleção de pratos com pinturas variadas, herança dos tempos de sua avó e que ela guardava como relíquia.

Naquele tempo, vivia também na cidade o Sr. Gabriel, dono da hoje famosa “Casa da Flor”, patrimônio cultural do estado. Seu Gabriel, como era conhecido, passou toda a vida decorando a casa com cacos, ornamentando-a com desenhos de lindas flores feitas por cacos de louça, cerâmica, conchas, vidros, etc. Filho de escravo com índia, homem simples, trabalhador, era um sonhador que, apesar das tantas dificuldades enfrentadas no seu dia a dia, não perdeu a fé de que no futuro prevaleceria a sensibilidade, a valorização da arte, da criatividade, o senso de preservação e cuidado. Foi com essa certeza que ele passou a vida toda construindo sua obra de arte, materializando seu sonho. Certamente este homem tinha “olhos de ver” além do tempo e das aparências.

Nilo era encantado com a casa de Seu Gabriel! Via a casa como se fosse um tesouro composto de “histórias de vida” de cada caco. Gostava de ir até lá e observar cada detalhe do trabalho. Em suas brincadeiras e andanças pela cidade, Nilo catava tudo que encontrava e que achava que traria beleza ao trabalho de Seu Gabriel, e assim, toda semana levava para ele o material que havia recolhido e sentia-se importante por estar contribuindo para a construção daquela casa. Era até um pouco relapso no uso dos copos e pratos em sua casa e torcia para que algo se quebrasse, pois, quando isso acontecia, prontamente recolhia os cacos e os levava para Seu Gabriel. Gostava de ver os materiais que recolhia tomando forma de flores coloridas! Para ele, era como se ali estivesse também uma parte de si mesmo.

Chegou o mês de maio. Era o mês de aniversário de D. Ivone. Nilo queria dar um presente para sua mãe, mas não sabia o que. Além disso, a situação financeira de sua família andava um pouco apertada. O comércio estava vendendo pouco. O lucro auferido dava para manter a família de três pessoas (Nilo era filho único), mas gastos extras tinham que ser programados com bastante antecedência. Nilo pensou, pensou, e teve mais uma de suas ideias geniais! Iria fazer para sua mãe a maior das homenagens que alguém poderia fazer! Imortalizar seu amor e carinho nas paredes da casa de Seu Gabriel por meio dos cacos de um dos pratos da coleção de sua mãe, o prato do qual ela mais gostava! Assim, imaginava ele, ela terá meu carinho e a lembrança de sua avó gravados para sempre na casa de maior sucesso na cidade, a casa do futuro, onde todos poderão apreciar o trabalho, em especial uma flor desenhada com cacos de um belíssimo prato pintado com desenhos coloridos e raros. Os visitantes conhecerão a história dessa flor especial, e conhecerão também o amor grandioso de um filho por sua mãe!

E assim saiu correndo, rumo ao armário da cozinha, onde ficava a preciosa coleção de sua mãe. Escolheu aquele que sabia ser o preferido dela e pronto: jogou-o ao chão e os cacos se espalharam. Prontamente os recolheu e foi correndo à casa de Seu Gabriel. Chegando lá, pediu a ele para desenhar a mais bela flor, grande, colorida, linda, pois era uma flor que eternizaria o amor que tinha por sua mãe. Ela certamente iria ficar muito feliz por saber que ali, entre tantos desenhos com cacos, aquele mais bonito que se destacava era a flor feita com os cacos de seu prato preferido. Seria o desenho que mais chamaria a atenção de todos os visitantes, seria o mais famoso deles!

Após Seu Gabriel terminar o desenho, Nilo voltou para casa todo contente e chamou sua mãe. Com os olhinhos brilhando de felicidade, disse a ela que tinha um presente lindo de aniversário para ela. Algo diferente, maravilhoso, que permaneceria para toda a vida sendo admirado por pessoas do mundo inteiro! D. Ivone ficou feliz com a espontaneidade do garoto e muito curiosa para saber que presente era aquele.

Nilo então a pegou pela mão e levou-a até a Casa da Flor. Chegando lá, levou sua mãe de olhos fechados até onde estava a linda flor criada com os cacos do prato da coleção de D. Ivone e do qual ela mais gostava. Nilo então disse a ela que ali estava o presente! Todos poderiam admirar para sempre a flor símbolo do seu amor por sua mãe, feita do seu prato preferido!

D. Ivone então abriu os olhos e, quando viu a flor formada com os cacos do prato de sua coleção, sua fisionomia mudou drasticamente. Sem medir palavras, gesticulando e falando alto, expressou toda sua revolta e decepção. Chamou a atenção de Nilo na frente de todos. O garoto, surpreso com a reação de sua mãe, começou a chorar copiosamente, como nunca havia chorado em toda sua vida. D. Ivone pegou-o pela mão com toda força e arrastou-o para casa. Durante o trajeto até em casa, Nilo escutou todo tipo de impropérios. Suas lágrimas desciam sem parar. Ao chegarem em casa, foi colocado de castigo. Por uma semana estava proibido de sair de casa, a não ser para ir à escola. Nada de brincadeiras e, quando ficasse em casa, ficaria somente dentro de seu quarto. D. Ivone parece que perdera totalmente o bom senso. Ficou muito magoada com Nilo.

Os dias foram passando. Nilo, antes um garoto espontâneo e alegre, simples, sem maiores complicações emocionais, tornou-se um garoto mais fechado com sua família. Perdeu muito de sua alegria em casa, principalmente junto à sua mãe. Afastaram-se emocionalmente um do outro.

O tempo correu ligeiro e chegou o ano de 1985. Nilo era agora um belo rapaz de 23 anos. A introspecção que adquirira desde o triste episódio fizera dele um rapaz com certo ar melancólico que o fazia parecer um pouco misterioso, deixando-o ainda mais belo. Chega até sua residência a notícia de que Seu Gabriel acabara de falecer. Na mesma hora, Nilo se arruma para ir até a Casa da Flor e, quando está saindo, seus pais pedem para que ele os espere um instante, pois também queriam se despedir de Seu Gabriel. E assim foram todos para a residência daquele senhor, artista nato, mestre da criatividade na arte de reciclar, e que infelizmente acabava de partir.

Ao chegarem à casa, já havia uma multidão de pessoas querendo prestar a última homenagem àquele homem que, em toda sua simplicidade, construíra uma das mais belas obras da arquitetura popular brasileira. Tanto D. Ivone como Nilo, depois daquele dia fatídico, nunca mais voltaram na Casa da Flor.

Eis que de repente D. Ivone vê ao longe aquela flor, a mais bela de todas as flores da casa, em localização bem visível, chamando a atenção de muitos que ali apreciavam a obra de Seu Gabriel. Ao redor daquela flor havia um grupo enorme de pessoas. D. Ivone aproximou-se do grupo e começou a escutar a fala de uma moça que contava aos demais membros do grupo a história daquela flor especial. A moça dizia que a flor havia sido feita com os cacos do mais belo prato de rara coleção, doados por um garoto no intuito de presentear sua mãe com o símbolo do seu amor que ali ficaria eternizado para todos verem e saberem que o amor é para brilhar, para ser vivido e para servir de inspiração para que outras pessoas também possam senti-lo.

De repente, as palavras daquela moça tocaram fundo o coração de D. Ivone. Ao ouvir a história, veio em sua mente um insight. Ela caiu em si e percebeu o quanto havia errado ao ter sido tão ríspida e dura com Nilo. Captou a essência da mensagem daquela moça e compreendeu que, muito mais importante que um prato guardado em bela coleção, era a demonstração de amor e carinho de seu filho. Percebeu o quanto seu filho era muito mais sábio que ela, pois, ainda garoto, ele soube perceber que de nada vale acumular tesouros na terra, de nada adianta sufocar com apego as nossas maiores preciosidades. O amor cresce, transforma-se e multiplica-se somente se cultivado livre, sem aprisionamento. E que a lembrança que tinha da sua avó, antes retratada pelo prato guardado no armário, estava ali muito mais viva, pois agora era alimentada por um amor inspirador e contagiante.

Nilo estava um pouco mais afastado, perdido em seus pensamentos em um canto da casa. D. Ivone foi até ele com os olhos marejados. Abraçaram-se. Ela pediu perdão com todas as suas forças. Relatou tudo que ouviu e disse que somente ali, naquele momento, que conseguiu compreender a nobreza da atitude de Nilo, há 15 anos. Nilo também chorava. Parecia que, naquele instante, tirava um peso de seu peito e rompia-se de vez a barreira emocional que ficara entre eles todos aqueles anos.

A alegria espontânea voltava a brilhar na face de Nilo. D. Ivone parecia rever em seu filho aquele garoto feliz, entusiasmado, ativo e cheio de energia.

Voltaram felizes para casa. Nunca mais houve distanciamento entre eles, e a alegria voltou a reinar no coração de Nilo. Aquele dia, com certeza, houvera sido o primeiro dia de sol do resto de suas vidas.

(*) Luciana G. Rugani – conto participante da antologia “Contos a la Carte”, Edição 2020, da Editora Foco Letras.

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MAR ABERTO

Mar aberto é uma porta para leitores adentrarem em um eu quase nosso. É um mergulho em sensações que entrelaçam sentimentos íntimos à natureza que enluva os passos, o cotidiano, os pensamentos, as lembranças. O respiro advindo da poesia faz com que o silêncio das pausas e as falas nos remetam a reflexões sobre o presente individual e coletivo. Escrita durante a pandemia, a obra pauta vazios, perdas e melancolia, mas a graça e a doçura dos versos também fazem alusões ao comportamento dos ventos e das ondas do mar. Há movimentos. É um sopro que elucida o amor, as boas vivências e as memórias compartilhadas ou intrínsecas.

Editora Penalux está vendendo no site da loja e também com a americanas.com, amazon e submarino.

A PRODUÇÃO DE CRISES

A oposição 1

As conseqüências da elástica aliança eleitoral conduzida pelo “gênio da lâmpada” estão aparecendo com toda força. A oposição as novas metodologias implantadas pelo secretário de saúde Felipe Fernandes não vem apenas de alguns vereadores, mas também de setores internos do próprio governo.

A oposição 2

A oposição interna e externa não está preocupada como tenta fazer crer na melhoria dos gastos públicos e corrigir falhas na administração. A grande questão que está em jogo é a perda de espaços, que pareciam consolidados, por parte de políticos e funcionários administrativos. A intenção é restabelecer o “status quo” para os “barões” não perderem nada.

A produção de crises

O estudo um pouco mais profundo das sucessivas crises na área da saúde pública em Cabo Frio permitirá ter a visão mais clara do problema. Na base algumas questões essenciais: 1) a saúde privada tentando estabelecer sua hegemonia e secundarizar o poder público nessa área estratégica; 2) políticos que não aceitam abrir mão de seus interesses na saúde pública, que consideram ser essenciais para os seus projetos de poder; 3) em boa parte dos casos esses interesses são conjugados.

Sensacionalismo barato 1

A reportagem mostrada pela InterTV sobre o depósito de remédios vencidos da prefeitura de Cabo Frio foi populista e demagógica. Os remédios vencidos não podem ser descartados de qualquer maneira, por isso estavam em um depósito, aguardando incineração. Por acaso queriam que estivessem em uso?

Sensacionalismo barato 2

O vereador que se apresenta na matéria buscava claramente o sensacionalismo, mostrando na TV uma embalagem de remédio que teria sido comprado em 2021. Ora, o remédio poderia ter sido colocado ali quando o portão foi aberto. Poderia ou não? Foi uma ação politiqueira, que só serve para demagogia barata e promoção pessoal.

Perdendo espaço

Os cargos comissionados ou portariados são cargos de confiança do governo, isto é, do prefeito. No entanto não se percebe nenhum empenho dessa turma na defesa da administração. O governo apanha de “cipó camarão” nas redes sociais da Internet, sem que essa turma se movimente para defender: claramente o governo de José Bonifácio perde espaço na mídia, especialmente nas redes sociais.

O namoro acabou

O governo de José Bonifácio tem se comportado como se ainda estivesse vivendo o namoro de seis meses com a sociedade. A oposição escolheu dois temas para bater: saúde e buracos. A saúde sempre vai ter reclamação. Por isso a oposição transforma qualquer caixa de remédio em notícia, que o jornalismo tipo “datena” adora para produzir um escândalo. Quanto aos buracos, a massa asfáltica resolveria.

EU, TAMBÉM

José Correia Baptista

Assim que virou a chave de ignição pela segunda vez e o carro não pegou, a falta do barulho do motor – enfim, a necessidade que tinha de sair dali e voltar à sua vida normal – acionou em Marta um pensamento de que deveria haver consequência no que vinha alimentando. Se não fosse sobre seu próprio casamento – para ela era imprevisível a reação de Sérgio se soubesse – poderia ser sobre ela mesma. Não que achasse errado estar namorando fora do casamento. Fazia por amor. Isto para ela era um princípio. Mas estava vivendo duas vidas. Dois amores. Aguentaria administrar a empresa amorosa que estava criando? A vida do casamento de 20 anos – que tanto bem lhe fazia pela tranquilidade emocional – e uma vida encoberta – que lhe dava tanto prazer e ao mesmo tempo apreensão.

Não era tão simples assim. Amava Sérgio e mantinha por ele a mesma paixão de sempre. Aquela história de que o dia a dia banalizava a vida amorosa do casal não servia para ela. Mas e a sua paixão proibida? Bem, aconteceu porque percebeu que a idade foi avançando, os preconceitos caindo, e um dia simplesmente aconteceu.

– Sérgio, você já pensou como vai ser o dia em que você se interessar por outra?

– Por quê? Você acha que isso é possível?

– Por que não?

– E se fosse o contrário, acontecesse com você?

– Eu juro que continuaria te amando.

– Eu, também.

(*) José Correia Baptista é formado em Ciências Sociais e em Letras pela UFF.

LAMBENDO OS BEIÇOS

No desespero

O desespero tende a aumentar entre a grande massa de aplicadores/investidores, que confiaram à suada graninha nas mãos de Glaidson Acácio e outros gênios da lâmpada. Vai ser muito difícil a grana voltar para as mãos de quem sonhava em subir na vida com aplicações no mercado financeiro não oficial, digamos assim. Pelo jeito novas carreatas acontecerão aqui, ali e acolá.

Caricatura que envergonha o Brasil

O país vive grande crise econômica, social e política agravada por um governo neofascista, que envergonha o país e seu povo em qualquer lugar que apareça. O vexame na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) é apenas mais um de muitos que ainda virão. Após a queda de Trump tudo leva a crer que Bolsonaro almeja, em sua loucura, ser o líder da extrema direita no Mundo Ocidental.

Não existe oásis

Como não existe oásis no campo político, em Cabo Frio e Região dos Lagos, a extrema direita procura transitar em diferentes nichos de poder onde lhe permitam sobreviver e florescer. Uma dos grupos é comandado pelo secretário estadual de ciência e tecnologia Sérgio L. Azevedo, bolsonarista de carteirinha, que tenta manter a liderança entre os setores mais reacionários da sociedade cabofriense.

Espanto!

O governo progressista de José Bonifácio (PDT) tem avançado na área ambiental, histórico/cultural e em questões de raça e gênero. É um governo nitidamente trabalhista e social democrata. Portanto, espanta que elementos bolsonaristas circulem em cargos comissionados e portarias, sem nenhum disfarce e timidez, inclusive gente que fez parte da campanha de extrema direita derrotada amplamente na eleição.

Lambendo os beiços

O largo espectro político e ideológico das coligações e alianças nas últimas eleições municipais, certamente deve ter sido a alavanca, que de tão permissiva gerou essa contradição: gente de extrema direita, lambendo os beiços dentro de um governo, que se pretende avançado. Tão avançado que não faz restrições a posição política e ideológica dos seus membros, inclusive em cargos de pomposa influência. É para matar qualquer um de rir.

Pipódromo

O governo criou na Fazenda Campos Novos um “Pipódromo”. É uma boa iniciativa, mas uma para ocupar a fazenda, a “menina dos olhos” do prefeito. Esqueceu, porém da Praia do Siqueira. Em frente aqueles barracões, feitos a peso de ouro no governo de Marquinhos Mendes, existe um “Pipódromo”, em área totalmente livre, em meio a uma salina abandonada. Todos os fins de semana dezenas de aficionados de pipas e papagaios ali se reúnem para se divertir. Que tal um olhar carinhoso para o local?

HISTÓRIA E ECONOMIA DA LAGUNA ARARUAMA

Eduardo Pimenta

Inserida na Região dos Lagos do Estado do Rio de Janeiro, Brasil, entre as latitudes 22°49’ – 22°57’ S e as longitudes 042°00’ – 042°25’ W, a Laguna Araruama margeia os municípios de Arraial do Cabo, Cabo Frio, Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Araruama e Saquarema em 210 km², com 40 km de comprimento, largura máxima de 13 km, profundidade média de 3 metros e máxima de 17 metros.

Formada por deposições sedimentares decorrentes de processos costeiros de regressão e transgressão marinhas, mantém ligação permanente com o mar através do Canal do Itajuru, é classificada como um sistema estuarino inverso, conferindo-lhe um caráter hipersalino das águas.

Possui história milenar, começando pela pesca, a mais antiga atividade econômica lagunar, remontando há cerca de 5 mil anos, desenvolvida nos moldes artesanais até hoje. Pelo caráter hipersalino, o sal era conhecido das tribos indígenas que habitavam seu entorno, colhidos de depósitos naturais.

Já foi a maior produtora do país, onde na década de 1930, havia até 2.100 hectares de salinas ativas, divididas por 120 proprietários. Outra característica marcante são os grandes depósitos de conchas calcárias em seu substrato, explorado para a produção de cal e alimentação de animais. Inserida na Região dos Lagos, uma das mais importantes áreas de turismo do Estado, o seguimento constitui hoje, a principal mola propulsora do desenvolvimento regional.

O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), duas das maiores organizações de defesa do meio ambiente consideram o ecossistema Lagunar de Araruama e seu entorno, como um dos 12 Centros de Diversidade Vegetal do Brasil.

Especial, tanto em termos de clima quanto de fauna e flora, inserido no Cabo Frio, um acidente geográfico formado por uma fração de terra que se estende mar adentro, onde a extensa planície marinha de Massambaba separa a Laguna Araruama do oceano, com a ocorrência de um sistema de cordões arenosos, sobreposto por campo de dunas.

A biodiversidade engloba principalmente formações de restinga, da mata atlântica e do tipo arbóreo que recobre os maciços litorâneos, além de mangues, brejos e margens de lagoas, com uma rica flora e fauna representadas por diversas espécies endêmicas. São motivos suficientes para que seja preservado e seus serviços ecossistêmicos, que há tanto tempo, servem a humanidade, perpetuados.

(*) Biólogo, M.Sc. em Engenharia de Produção, Coordenador De Pesquisa e Extensão da Universidade Veiga de Almeida, pesquisador The International Commission for the Conservation of Atlantic Tunas, consultor estratégico do Projeto Albatroz, Presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica Lagos São João e membro da Academia Cabofriense de Letras.