O CASO GLAIDSON

O Caso Glaidson

O ‘Caso Glaidson’ ou ‘Caso dos 38 Bilhões’ não deixou o noticiário e por mais uma semana ocupou o tempo do Fantástico, na Rede Globo. A cada dia aparece mais uma novidade e o imbróglio complica mais, com perspectivas pouco luminosas para os investidores, principalmente aqueles que colocaram em jogo suas pequenas economias.

Alair & Zé: qual o teor das conversas?

As “paredes murmurantes” do Palácio Tiradentes estão cada vez mais inquietas para saber o teor da conversa do “velho morubixaba” com o prefeito José Bonifácio. Ainda mais porque foram duas conversas no curto prazo de 15 dias. O que estarão conversando os velhos adversários?

Agasalhamento?

Algum pedido especial de “agasalhamento” para amigos que ficaram ao “sol e a chuva” após a derrota do candidato bolsonarista apoiado por Alair Corrêa? Tudo é possível, mas implicaria em aumentar o azedume dos pedetistas, que não foram chamados a integrar o elenco nesse terceiro mandato. Há quem diga que tudo é possível nesse novo mandato de Zezinho na prefeitura.

Matador

Marcos Antônio de Paula

Quando conheci seu Miguel, me falaram da sua fama de matador. Desses folclóricos, do sertão. Chamado para aqueles problemas “difíceis”, roubo de gado, dívidas de jogo, moças desonradas, chifre, terras mal divididas…

Fiquei intrigado. Fisicamente era só mais um dos lavradores e sitiantes das imediações. Reparando melhor, destacava-se pela agudeza do olhar e a vivacidade com que dava conta de tudo por perto.

Falava pausado e agia de uma forma polida que lhe abria as portas. Era, de fato, uma liderança ali na roça, muito procurado pelos políticos em época de campanha.

Ter uma foto ao lado de seu Miguel sempre rendia um bom punhado de votos dos vizinhos e amigos do dono de uma gleba onde se plantava e se criava quase tudo que a região, de pouca água, permitia.

Nunca soube que se metesse diretamente na política. Aquele seu entorno lhe bastava.

Desses aí, dizia, uns poucos voltarão daqui a quatro anos, outros nunca mais. Unzinho abençoado às vezes volta e agradece o voto. Melhorias? Só promessa.

Não dá para contar com muito mais que a gente mesmo.

Se exerceu efetivamente o ofício que lhe deu fama, foi há muito tempo. Até porque ali não era mais terra de ninguém. Qualquer furdunço virava notícia rápido.

Depois de algum tempo comecei a suspeitar que essa fama vinha lá das bandas do noroeste do estado, onde morou, antes de tomar posse de seu sítio aqui na região.

O lote custou baratinho e ninguém quis perguntar como ganhara o dinheiro.

Enfim, verdadeira ou não, é certo que seu Miguel desfrutava das benesses que a reputação lhe proporcionava.

Causou rebuliço quando dona Célia foi morar em Atafona com o Tavinho, braço direito de seu Miguel.

Não foi falta de aviso, disseram os mais chegados.

É muito nova, seu Miguel, pensa bem. Não pensou, estava encantado.

A mocinha Maria Célia virou dona Celinha. Algumas décadas mais nova.

Foram poucos mas bons anos de felicidade. Por fim, deu no que previram os vizinhos. O amor tinha lhe embaçado os olhos. Seu Miguel ficou sem esposa e sem o melhor empregado.

Foi atrás dos pombinhos. Todo mundo ficou esperando notícias da tragédia.

Conversou, implorou, chorou, disse que perdoava. Nada arredou Celinha da sua decisão. Seu Miguel voltou, sem esposa, sem honra lavada, desolado.

Vendeu o sítio por ninharia, a caminhonete, as vacas e os bezerros no pé. O galo Campeão deu de presente aos amigos da rinha.

Sumiu.

Dia desses, o reencontrei. Faz trabalhos de jardineiro ali pelas casas da Ogiva e Caminho Verde.

O tempo lhe foi benevolente. Mudou um nada. Exceto aquele brilho dos olhos, que sumiu por completo.

Levou um tempinho para me reconhecer. Desconfiado a princípio, abriu um sorriso miúdo.

O chamei para tomar uma branquinha, pelos velhos tempos. Agradeceu. Aceitaria uma cerveja. A cachaça, companheira dos dias ruins, já não lhe caía bem.

Conversamos a tarde toda. De vez em quando, parava e ficava me olhando, tentando reencontrar, no amigo de outrora, um seu Miguel que talvez nem tenha jamais existido.

(*) Ciências Contábeis/UFF.

ALAIR & ZÉ: O ENCONTRO!

Alair & Zé: o encontro 1

O ex-prefeito Alair Corrêa (PMB) visitou o gabinete do prefeito José Bonifácio (PDT) duas vezes em 15 dias, a mais recente na sexta-feira. As “paredes murmurantes” do Palácio Tiradentes soluçam inquietas para saber as novidades desses encontros tão discretos. Ou serão secretos? A pergunta que não quer calar: os encontros estavam na agenda?

Alair & Zé: o encontro 2

Depois de tantas contendas os dois medalhões da política cabofriense e regional parecem estar reconhecendo publicamente que são de uma mesma geração e que podem pensar mais alto. Apesar de na última eleição o ex-prefeito Alair Corrêa ter namorado com a extrema direita bolsonarista, parece existir espaço para conversa.

POLÍTICA E ELEIÇÃO NÃO SÃO SINÔNIMOS

Cláudio Leitão (*)

A palavra política tem origem no verbete grego “politiká”, que é composto por duas vertentes. Uma chamada “polis”, que significa aquilo que é público, que é de todos, ou até mesmo faz uma referência a “cidade” onde todos vivem.
O complemente vem do termo “tikós”, que está relacionado ao bem comum do conjunto de pessoas de uma determinada sociedade. Portanto, simplificando o conceito, política é tudo aquilo que está relacionado a coisa pública, ao espaço público e destinado ao bem comum do cidadão.Eleição é o momento na democracia em que o cidadão da “pólis” escolhe através de uma escolha política aqueles que irão representá-lo nas estruturas de poder criadas dentro no nosso sistema republicano. Nada mais óbvio.
Notem que eu disse “representar” e não “substituir”. Existe uma enorme diferença nesta escolha. O escolhido precisa ter o compromisso com nossas causas, as coletivas, as populares, ou até as de determinados segmentos sociais. Isso é representar.O eleito não pode nos substituir e defender pautas diferentes daquelas que aqueles eleitores escolheram e por boa-fé o elegeu.

Um exemplo: quando elegemos um vereador ele não pode se associar a outro poder, o executivo, e negligenciar sua função primordial que é exercer exatamente a fiscalização dos atos e ações do prefeito. Pode compartilhar até as pautas comuns, projetos que atendem as necessidades da população, porém, precisa manter sua independência, conforme reza o preceito republicano da “independência entre os poderes”.

É muito comum ouvirmos de muita gente quando chega a eleição aquela frase repetida: “Começou o tempo da política”. Isso é muito ruim e revela o baixo comprometimento da população com a “coisa pública” que é o que representa a boa e correta forma de fazer política. A política é atividade do dia a dia. Precisamos perceber e entender isso.

As decisões tomadas nas diversas esferas de governo, seja federal, estadual ou municipal, independente da ação ou do resultado que produzem, tem sempre natureza política.
Muitas vezes estas decisões políticas favorecem a população, mas muitas vezes não trazem benefícios ao povo.
A sua escolha é que determina isso. Votar em pessoas que não te representam, não representam interesses coletivos e populares ou até interesses do seu segmento social vão sempre levar a erros estratégicos de escolhas políticas.
Por que um trabalhador pobre vai votar num empresário rico? Qual a afinidade de interesses e objetivos que isso representa? Isso acontece repetidamente em toda eleição e depois, o eleitor ainda reclama do seu próprio voto.

Eleição não é sinônimo de política. É na eleição que através do somatório de ações e fatos políticos que você faz as suas escolhas. Estas escolhas, também chamada de “voto”, têm que ser baseadas na trajetória de vida do candidato, seus atos e conduta, o que ele defende, sua capacidade e conhecimento para exercer o cargo, seus compromissos com os interesses coletivos e não com interesses individuais, sua idoneidade, honestidade, além de outros aspectos.

O voto precisa ser pensado com critério, com apuro, responsabilidade, e as vezes, até com pesquisas e conversas com amigos para estimular mais ainda este debate para que possamos minimizar os efeitos de um voto errado. É preciso construir uma cidade e um futuro melhor para todos e não apenas para você.
Os eleitos não “caem do céu”. Se algo está dando errado na política, e consequentemente, nas eleições, será que não está na hora de revermos nossas atitudes diante da observação mais atenta da política e suas ações e fatos? Será que estamos fazendo as escolhas certas?

Diante dos resultados, da insatisfação da população e os atos e fatos produzidos pelos eleitos, a resposta é um sonoro NÂO.Apenas criticar, colocar todos os agentes políticos numa “vala comum”, não votar ou anular o voto não contribuem para a mudança. Quando você se omite na participação política, não toma partido, geralmente ajuda a manter o quadro atual e beneficiar quem nos manipula e oprime.

Então só tem um jeito, vamos mudar nossa concepção e não dar mais chances ao azar nas escolhas políticas. É necessário muita responsabilidade e muito critério para 2022, principalmente na eleição presidencial, até porque um erro gigantesco  foi cometido e precisamos tirar do poder um despreparado, um ser humano abjeto, um fascista e um sociopata.
NADA MUDA SE VOCÊ NÃO MUDAR !!

(*) Claudio Leitão é economista e professor de história.

(**) O conteúdo do texto é da exclusiva responsabilidade do autor.

38 BILHÕES

O movimento em grana foi da ordem de 38 bilhões e bem grande o número de pessoas envolvidas, diretas e indiretamente. Não é por acaso que foram realizadas duas carreatas, a primeira em Cabo Frio e a outra na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, com muitos automóveis de luxo. Não faltaram faixas, cartazes, fogos de artifício e buzinaço. Sem juízo de valor, a Polícia Federal e o Ministério Público têm que apurar e muito bem apurado todas as pontas e pontos desse grande escândalo financeiro.

SORRIA AMIGO!

Ângela Maria Sampaio de Souza (*)

Por que tanto desânimo e tristeza?

Cadê aquela energia e sorriso que você sempre teve e contagiou e a todos?

Quero ver você feliz!

Você é a melhor pessoa que já conheci e não digo isso porque você é meu amigo!

Se eu pudesse dissipava essas nuvens negras que estão a seu redor!

Por que você está assim triste?

Abra seu sorriso, conte suas piadas e vá se divertir!

A tristeza chega como um sopro leve e suave que invade todo nosso ser.

É a tristeza que quando vem, insiste em querer ficar, mas não desista pois todos temos a força necessária para combater.

Procure dentro de você e volte a descobrir a beleza e o prazer das pequenas coisas da vida, como um dia bonito ou um sorriso sincero.

Acredite em você, na sua força e verá que amanhã a tristeza estará fazendo as malas para partir.

Aproveite cada segundo da vida. Coloque alegria em tudo.

Alguém conhece uma forma de ser feliz por completo?

Não existe uma fórmula para a felicidade, mas temos que deixar o ingrediente, tristeza, de lado.

Viver com alegria rejuvenesce e anima. Acordou triste, quer desabafar?

Converse com você mesmo!

Chorar também é preciso!

Já dizia Frejat: “se você ficar triste, que seja por um dia e não o ano inteiro.”

Não há quem não busque a alegria e que não fuja da tristeza, mas assim mesmo ela ocorre!

“É a vida e é bonita é bonita”.

Mesmo que a tristeza chegue a nossa curva mais bonita é o sorriso.

“Seja feliz, mesmo que esteja triste, sorria para o mundo, mostre que por fora existe um guerreiro e por dentro outro guerreiro ainda maior.”

SORRIA AMIGO!

(*) Ângela Maria Sampaio de Souza é Professora.

A MALDIÇÃO DOS FARAÓS

Derrotar o bolsonarismo

As eleições de 2022 serão o teste mais importante dos últimos anos para a democracia. Os brasileiros terão que derrotar o bolsonarismo e todos os seus tentáculos a começar pelas milícias, o autoritarismo e a corrupção desenfreada. Em Cabo Frio não será diferente. Não vale cair no “canto da sereia” e depois se arrepender.

Vem quente!

O mundo político pode se preparar que 2022 será extremamente duro para os candidatos aqui da terrinha. A tendência é a extrema direita vir carregada para ampliar ainda mais o seu espaço, principalmente no 2º Distrito de Tamoios, onde a vice-prefeita vai fazer de tudo e um pouquinho mais para se consolidar como liderança política.

Complexo Esportivo Aracy Machado

Flávio Rosa, conhecido como tabelião-surfista está visitando os filhos na Alemanha, mas não desgruda um segundo sequer das redes sociais. Participa, mesmo indiretamente, de todos os eventos que acontecem em Cabo Frio, em especial aqueles ligados ao esporte. O sonho de Flávio Rosa é a construção do Complexo Esportivo Aracy Machado.

O Desgaste!

José Bonifácio costuma não dar muita bola para análises políticas e sociológicas. Tem pouquíssima ou nenhuma paciência para a “pequena política”. Tem os olhos postados no futuro do município e procura deixar a prefeitura e a cidade equipadas para o enfrentamento dos desafios, mas esquece do cotidiano, que tanto incomoda ao cidadão comum. Isso explica boa parte do seu desgaste político.

Queóps/Quefrém/Miquerinos

Poucas vezes se viu em Cabo Frio carreata mais barulhenta, reveladora da extensão do prejuízo que deve atingir grande número de famílias. A essa altura dos acontecimentos, com a grande publicidade em torno da questão, vai ser muito difícil reverter o prejuízo caso realmente tenha sido uma gigantesca pirâmide a ruir.

A maldição dos faraós

Queóps, Quefrem e Miquerinos devem estar apavorados no Antigo Egito, tentando saber de onde vem tanta buzinada e foguetório. A interrupção do sono eterno dos faraós em seus antiqüíssimos sarcófagos, tão saqueados ao longo de três mil anos de história, pode gerar poderosa maldição. Portanto …

EXCESSO DE TRABALHO

Nelson Rodrigues

Era um pai muito escrupuloso. Sabendo que a filha estava com um romance, não perdeu tempo: — tratou de saber, direitinho, quem era o namorado. Durante quatro ou cinco dias, andou de baixo para cima, de cima para baixo, fazendo sindicâncias. Aconteceu, sistematicamente, o seguinte: — as pessoas interrogadas sobre os predicados do rapaz diziam sempre a mesma coisa:

— Muito trabalhador!

No fim de certo tempo, o velho estava crente de que nada caracterizava tanto o futuro genro como a sua fenomenal capacidade de trabalho. Deu-se enfim por satisfeito. Chamou a esposa e a filha. Andando de um lado para outro, ia dizendo:

— Bem. Andei tomando informações.

Fez uma pausa proposital. A filha, expectante, prendeu a respiração. Veio a pergunta:

— Que tal?

Seu Juventino estaca:

— Parece que é um bom rapaz, trabalhador e outros bichos.

Laurinha, que estava sentada, ergue-se, de olho aceso:

— O senhor então consente, papai?

Respirou fundo:

— Consinto.

O Trabalhador

Seu Juventino sempre tivera particular e feroz ojeriza pelos ociosos e pela ociosidade. A perspectiva de um genro laborioso o deslumbrou: “Esse é dos meus”, disse, esfregando as mãos, numa satisfação profunda. Laurinha, radiante, foi correndo dizer ao namorado: — “Papai é teu fã! Teu admirador!”. Raimundo, grave, pigarreia:

— Antes assim! Antes assim!

O namoro durou um ano e meio, pouco mais ou menos. Durante esse espaço de tempo, Raimundo vinha ver a namorada três vezes por semana. Chegava depois do jantar, passava meia hora com a pequena e partia, célere, afobado, para outro emprego. Trabalhava em três lugares diferentes e andava procurando uma quarta atividade. Dormia, todos os dias, às três horas da manhã e levantava-se às seis. Tanto trabalho teria que devastá-lo. E, de fato, o rapaz tinha um sono medonho, incoercível. Dormia no bonde, no ônibus, no lotação, sentado ou em pé. E, sobretudo, dormia ao lado da namorada. Parecia um cansado nato e hereditário. Impressionada por tamanha fadiga, Laurinha levanta certa vez a hipótese:

— Você não está trabalhando demais, hein, meu filho?

Era óbvio que sim. Raimundo, na ocasião, cochilava espetacularmente, recostado ao ombro de Laurinha. Despertou, porém, quase indignado:

— Minha filha, parte do seguinte princípio: — não existe o excesso de trabalho, percebeste? Nunca se trabalha demais!

Herói

Toda a família, com seu Juventino à frente, aplaudia esse dinamismo pavoroso de Raimundo. E Laurinha também, é claro. O máximo que a garota podia alegar é que, ao peso de tantos empregos e de tanto serviço, não sobrassem ao rapaz nem tempo, nem ânimo para o namoro. Ele passava semanas, meses, sem um carinho, um beijo, um galanteio. Laurinha, porém, tinha bastante discernimento para aceitar e compreender. De resto, o pai, a mãe, todo mundo vinha sugestioná-la: — “Tiraste a sorte grande! O Raimundo é um partidão!”. E quando, em pleno namoro, vencido pelo cansaço, ele se punha a dormir, o sogro ou a sogra corria a desligar o rádio com a recomendação:

— Não faz barulho, que o Raimundo está dormindo!

Enlace

O fato era o seguinte: — o cansaço imenso, inenarrável do rapaz passava a ser um orgulho, uma vaidade para a família. Quando os dois ficaram noivos, foi até comovente. Seu Juventino abraçou-se chorando ao futuro genro. E soluçava: — “Meu filho! Meu filho!”. Assoa-se e declara, em alto e bom som:

— Eu sei, tenho certeza que um rapaz como você, trabalhador como você, fará a felicidade de minha filha!

Raimundo, com a exaustão de sempre, balbucia:

— Deus é grande! Deus é grande!

Três meses depois, houve o casamento.

Romântica

Laurinha era, como ela própria dizia, “muito romântica”. Duas coisas a atraíam, no casamento, de uma maneira irresistível: — primeiro, a cerimônia religiosa, com o fabuloso vestido de noiva e toda a pompa nupcial; segundo, o que ela chamava, num arrepio, de “primeira noite”. Tinha uma amiga casada, aliás, desenvolta e sabidíssima, que afirmava:

— Todo o futuro do casamento depende da “primeira noite”!

Laurinha, trêmula, perguntava: — “É batata, é?”. A amiga suspirava: — “Espera e verás!”. Com o espírito trabalhado pela sugestão da conhecida, Laurinha sonhava, de olhos abertos: — “Se eu tiver que morrer, que seja depois da ‘primeira noite’. Antes, não”.

Pois bem. Casou-se e, depois da cerimônia religiosa, em grande estilo, com música, luminárias, partiu com o noivo para o apartamento do Grajaú, onde passariam a residir. Chegam, entram. Diga-se, a título ilustrativo, que, no carro iluminado, Raimundo chegara a cochilar. Laurinha, aflita, de véu, grinalda, o sacudira: — “Que coisa feia, meu filho! Acorda!”. Enfim, estão no apartamento. E chegou o momento em que Laurinha entreabre a porta do quarto e avisa:

— Pode vir, meu bem.

Em seguida, ela se coloca em pé, no meio do quarto. Veste a camisola do dia, transparente, um decote ideal. Nunca se sentira tão nua. Seus pés calçam chinelinhas brancas. Na sua imaginação de noiva, antevê o deslumbramento do ser amado. Mas os minutos se escoam e nada. Para si mesma faz o espanto: — “Ué!”. Até que vem espiar na porta. Eis o que vê: — o noivo, sentado numa poltrona, a cabeça pendida, dorme de uma maneira profunda, irremediável. No maior espanto de sua vida, e sem se lembrar de cobrir-se com um quimono, aproxima-se. Sacode-o: — “Dormindo, meu filho?”. O pobre-diabo levanta-se, em sobressalto. Vê, identifica a noiva, coça a cabeça: — “És tu?”. Diante dela, tem um desses bocejos medonhos. Laurinha, atônita, não sabe o que dizer, o que pensar. Raimundo a enlaça:

— Vamos, meu anjo?

Primeira Noite

Estão dentro do quarto. A fadiga acumulada do homem que trabalha muito, trabalha demais, dá um ritmo lerdo a tudo o que ele diz, pensa ou faz. Não obstante, Laurinha comove-se outra vez. Oferece a boca fresca e linda:

— Beija, me beija!

Ainda não foi desta vez. Pois o noivo bate na testa:

— Cadê o despertador?

E ela:

— Pra quê?

Raimundo, aflito, anda de um lado para outro, procurando: — “Onde está a droga do despertador?”. Só falta olhar debaixo da cama. Laurinha insiste: — “Mas pra que o despertador?”. Ele pára no meio do quarto, irritado:

— Tenho que acordar cedo, carambolas! Tenho que trabalhar!

Laurinha recua:

— Você vai trabalhar amanhã? Vai? Amanhã?

Explode:

— Claro! Vou, sim! Tenho um serviço urgentíssimo. Marquei com o chefe às sete da manhã!

A pequena senta-se numa das extremidades da cama. Custa a acreditar: — “Não é
possível!”. Ele, porém, acaba de descobrir o despertador detrás de uma jarrinha de
flores. Exulta, aperta o relógio de encontro ao peito; e vira-se, eufórico, para a mulher:

— “Agora eu posso dormir tranqüilo!”. Coloca o despertador em cima da mesinha-decabeceira. Laurinha, de braços cruzados, sem uma palavra, acompanha os movimentos do marido. Ele se põe de cócoras diante do camiseiro, apanha o pijama e vai mudar de roupa no banheiro. Volta, de pijama e descalço, bocejando que Deus te livre. Diante da
mulher, Coçando o peito, propõe:

— Queres me fazer um favor? De mãe pra filho? É o seguinte: — eu estou num prego danado. Vamos fazer o seguinte:— tu me deixas dormir uma meia hora e, depois, me acordas. OK?

— OK.

Alucinação

Foi até interessante. Uma vez obtida a autorização, ele desaba na cama, como que fulminado pelo sono. Laurinha contempla aquele homem com certo espanto e asco. Levanta-se; marca o despertador de seis para doze. Em seguida apaga a luz e vem para a janela, espiar a rua e a noite. Assim permaneceu, em dilacerada vigília. Pensa: — “Foi-se por água abaixo a minha primeira noite!”. Três ou quatro horas depois, continuava na janela. Súbito, ouve um rumor embaixo: — era o leiteiro que, naquela manhã, começava o fornecimento dos novos fregueses. Então, dá nela uma fúria súbita, uma cólera obtusa e potente. Sem rumor, deixa o quarto e desce, pela escada, os dois andares do apartamento. Leva o quimono em cima da camisola diáfana. Abre a porta da rua e sai para o jardim; alcança o leiteiro, quando este partia, empurrando a carrocinha. Ele vira-se, assombrado. Laurinha se põe na ponta dos pés e o beija na boca, com loucura.

MIGRAÇÃO DE PÁSSAROS, NO VERÃO

Da esquerda para a direita: Geraldo Lima, Antônio Ângelo, Fernando Gabeira e seu cinegrafista. A foto é de Eduardo Pimenta.

Em 28 de janeiro de 2018, em seu programa na Globo News, Fernando Gabeira mostrou a migração de pássaros no Verão, litoral do Estado do Rio de Janeiro. O fenômeno curioso e belíssimo atrai cientistas, turistas e observadores para Cabo Frio e Região dos Lagos. A região não se destaca apenas pela beleza das praias, mas, também, pela migração mundial de aves de várias espécies, como o flamingo-grande dos Andes.

Esse tema é muito interessante para Cabo Frio e Região dos Lagos. É um nicho de grande potencial a observação de aves. Falta as secretarias de turismo dos municípios atentarem para isso, atraindo um turismo de alta renda em atividade de baixo impacto.

Eduardo Pimenta