BALBÚRDIA OU BARAFUNDA?

O vereador Davi Souza é o novo secretário de governo de José Bonifácio. Assume a câmara Felipe Fernandes, atual secretário de saúde. A quem o governo vai entregar a pasta, em plena pandemia? Pode haver outra solução, Felipe Fernandes assume a câmara, se licencia e continua na saúde. Nesse caso o 2º suplente Felipe Monteiro (ex-vice prefeito), atual diretor da Comsercaf, assumiria o mandato.

PÚBLICO & PRIVADO

Público & Privado

A reunião entre a prefeitura de Cabo Frio e os empresários do bairro da Passagem para ordenamento do local nada mais é que mais uma tentativa de diálogo entre o interesse público e o lucro privado. Quem sabe a sociedade sai ganhando? Tudo é possível!!!

Piso & Bancos

É interessante o esforço da dupla Juarez Lopes e Mário Flávio em dar uma nova cara a aquele cemitério em que se transformou a Praça Porto Rocha. Entretanto, é preciso resolver o piso extremamente perigoso e os bancos cujo desenho irregular não permite que as pessoas se acomodem com o mínimo de conforto.

Rural X Urbano

O governo de José Bonifácio investe no Distrito de Tamoios onde o prefeito teve votação bem abaixo do esperado, apesar da montagem de sua aliança, que com pompa e circunstância garantia coisa melhor. O investimento maior tem sido na área rural, leia-se Fazenda Campos Novos e Parque do Mico Leão Dourado. A população urbana, que é bem mais numerosa que a rural continua aguardando maiores intervenções do poder público municipal.

Cafuné

O 1º Distrito, isto é, o chamado ‘Centrão’, da Passagem a Vila do Sol, onde o prefeito teve vitória eleitoral esmagadora, que garantiu sua eleição, espera carinho semelhante: ao menos um cafuné. Cumprido o prazo de seis meses de namoro é tempo de começar a se mexer pra valer em terreno que é seu.

Consumo Colaborativo

Eduardo Pimenta (*)

Cresce no mundo iniciativas de consumo colaborativo, no qual o uso é mais importante que a posse do bem. O conceito baseia-se na busca de formas de compartilhar, trocar e vender produtos ou serviços. A prática vem ganhando adeptos no Brasil e já é difundida na América do Norte e Europa. São iniciativas para organizar caronas, promover o compartilhamento de carros e bicicletas, ou a troca de moradias para as férias, bem como os sites que fazem intermediação da venda de objetos, ou brechós e as casas de aluguel de roupas.

O sistema colaborativo, além de trazer economia, traz muitas vantagens. Essa mudança altera a forma como nos relacionamos com os outros e com a sociedade, e também como os negócios são feitos. Priorizando o uso e não a posse de bens, a empresa tem que passar a pensar mais em longo prazo. Até em formas de fazer um upgrade nos produtos sem que seja necessário o descarte. Definitivamente é um mundo novo, que demandará nova postura mercadológica das empresas, que pressupõe transformar produtos em serviços, este modelo é muito próximo da sustentabilidade.

Pelo lado da empresa é preciso enfatizar a continuidade do uso daquele produto, pelo lado da sociedade é necessária uma mudança de conceito, com o desafio de resgatar relações interpessoais. O consumo colaborativo não traz somente redução de despesas e de recursos naturais, mas a necessidade de estabelecer relações de confiança, de respeito, e o compartilhamento nãodever ser só de bens, mas também de experiências.

Esta mudança de modelo levará a uma transição de uma sociedade fortemente industrializada para uma sociedade de serviços. O importante no consumo passa a ser o que da bem estar, não o valor, a posse. Os varejistas que hoje só pensam em vender bens vão começar a pensar em aluguel, na prestação de serviços de manutenção. E a demanda por mais serviços significa mais empregos e menos uso dos recursos naturais.

O modelo cria mais opções de ser sustentável e permite que as pessoas tenham acesso as coisas de que precisam, sem acumular material. Possibilita o melhor uso do que temos e também limita a quantidade de coisas que compramos, a qual tem um impacto nos recursos naturais.

Esta mudança de valor está em curso, começa quando as pessoas entendem  que é mais conveniente compartilhar ou trocar do que comprar coisas novas todo o tempo. E se intensifica quando se percebe que há efeitos positivos, tanto para o meio ambiente quanto financeiro.

(*) Professor, Biólogo, Ambientalista e Fotógrafo da Natureza.

A MAIS PURA BARBÁRIE!

A mais pura barbárie

Vergonhoso e ridículo o comportamento e as comemorações das polícias após a captura e morte de Lázaro Barbosa. Fogos de artifício, tropa pagando abdominal e outras atitudes, uma mais triste que a outra. No episódio, faltou inteligência e sobrou truculência: durante 20 dias levaram um perdido do fugitivo e depois, transtornados com a velha e recorrente incompetência, se vingaram. Alguém tinha alguma dúvida que o final seria esse?

Barbárie como norma

O que mais dói é perceber como a mídia e a própria população anestesiada e domesticada normalizam esse tipo de atuação de nossas polícias. Não bastava capturar, prender e encaminhar a justiça o fugitivo. O espetáculo não poderia ser encerrado sem a demonstração de selvageria e glorificação da violência. Essa é a cara do regime.

Obra de Santa Engrácia

A prefeitura reforma o Teatro Municipal Inah de Azevedo Mureb. É uma obra a “passos de cágado”, que segundo a mídia rola há três anos. É adequada para a expressão popular de origem portuguesa, “obra de Santa Engrácia”, aquela que passa ano, entra ano e nunca fica pronta, deixando a comunidade no desespero. Como foi o prefeito José Bonifácio, que lá atrás construiu o teatro, quem sabe a reforma finalmente chega ao fim em 2024?

E o Cine Recreio?

Ao mesmo tempo existem duas salas de cinema desativadas no que restou do antigo Cine Recreio, bem no centro da cidade de Cabo Frio, na cara da histórica Praça Porto Rocha. Que tal a secretaria municipal de cultura, leia-se Clarêncio Rodrigues, tomar a frente do caso e quem sabe conseguir incorporar esses belos equipamentos culturais ao município?

Os Cupins

A secretaria de Cultura poderia aproveitar o embalo e dar aquela recuperada no portão dos fundos do Charitas, está caindo aos pedaços por obra e graça de uma ativa comunidade de cupins, que deve estar sendo preservada como parte do monumento histórico: é uma vergonha. Qualquer hora dessa o Charitas muda de nome e vira “Palácio dos Cupins”. Assim não dá! Ah! Bem que pode aproveitar e dá uma aguada de cimento naquela calçada da frente, na Avenida Nossa Senhora da Assumpção. Ufa!

ÍNDIOS

Marcos Antônio de Paula (*)

Acredito que o solo de oboé mais famoso do cinema seja aquele do filme “A Missão”.

Faço o destaque em reverência a um gênio, pois, como bem sabe quem viu o filme, a música e o oboé são essenciais ao desenrolar daquela história.

Ponto para Ennio Morricone, compositor falecido ano passado, premiado com o Oscar pelo conjunto da sua obra, em 2007.

A Missão, de 1986, é baseada num fato histórico. Em 1750, como consequência do Tratado de Madrid, os índios Guaranis devem deixar São Miguel das Missões, gerida na época pelos Jesuítas.

Os guaranis não aceitam, o caldo engrossa e o resultado final são 1500 índios mortos e 04 baixas entre os oponentes brancos. (Que me perdoem meus professores pelo excessivo, mas necessário, resumo ).

Os historiadores modernos não costumam ser tão benevolentes quanto vemos no filme, com essa relação entre os religiosos e os índios nas missões. Mas me parece que não era o foco do diretor tratar desse pormenor.

Já vai longe o tempo das missões jesuíticas. Mas é imperioso dizer que nossos índios continuam tendo seu destino decidido por pessoas estranhas à sua realidade e cujos interesses, quase sempre, são antagônicos aos daquelas populações.

Pode ser que a mídia não esteja dando a devida atenção, ou que não tenhamos nos sensibilizado o suficiente. O fato é que os povos da floresta estão seguindo com celeridade o mesmo caminho da mata que os cerca.

Não sei se os professores ainda recomendam o filme aos seus alunos como complemento às aulas de história. Principalmente os vestibulandos.

Também já vi alguns religiosos o indicando a seus fiéis, por conta do padre Gabriel, personagem de Jeremy Irons, o abnegado missionário e catequista dos índios ou da redenção de Rodrigo Mendoza (Robert de Niro), que tenta expiar a culpa por um crime cometido.

Acabei vendo e, em razão dos motivos acima, revendo em ocasiões muito diferentes. Por isso me lembrei dele quase que imediatamente, esse final de semana, depois de visitar a Fazenda Campos Novos.

Tomados os cuidados que esses tempos de pandemia exigem, topei a empreitada. A última vez que visitei a fazenda foi a trabalho, há uns 25 anos. Naquela época já estava um pouco largada, mas nada comparado ao triste estado atual.

Não me iludo de que o restauro do conjunto arquitetônico e a revitalização daquele espaço sejam obras simples. Mas guardo a esperança de ainda ver a Fazenda Campos Novos em boa forma.

Antes que me perguntem, a Fazenda Campos Novos foi tomada dos Jesuítas e integrada à coroa portuguesa na mesma época e por conta dos mesmos motivos que levaram à revolta dos guaranis, desfecho do filme “A Missão”.

Não é mais que uma sombra do que já foi, mas ainda exerce dignamente a função de nos falar do nosso passado, de ligar nosso município a fatos importantes da nossa história colonial e mundial daquele nem tão longínquo século XVIII.

A Fazenda testemunhou muitos outros fatos relevantes, que devem ser contados às gerações vindouras. É nossa missão garantir que ela o faça presencialmente. Não em fotos e fragmentos avulsos, como tantas outras construções de importância histórica ímpar que, volta e meia, perdemos para um progresso excessivamente apressado.

(*) Ciências Contábeis/UFF.