MANJEDOURA VAZIA?

Ângela Maria Sampaio de Souza

Dia 25 de dezembro é o dia em que comemoramos o Natal. Data que já passou, mas o Natal continua.

Esse foi um Natal diferente, mas igual ao primeiro, quando o Menino Jesus nasceu numa estrebaria, numa manjedoura, com sua família.

O significado dessa manjedoura é muito forte, porque ali estava colocado nosso coração cheio de amor, puro, livre de qualquer maldade e preconceito.

Por isso o Natal continua!

Essa manjedoura é o nosso coração e procuremos não deixá-la vazia. Tiremos dela toda individualidade,vaidade, prepotência, egoísmo, violência e vamos substituir por aquelas virtudes do primeiro Natal. Essas personalidades negativas vem sempre para diminuir. Elas contaminam e nossa manjedoura estará sempre vazia.

Vamos abandonar a hipocrisia que consiste em projetar uma aparência que não nos pode pertencer.

Esse mundo perverso, no fundo não nos ama e uma humanidade assim constituída não será sadia.

O mais importante para vida não são os conhecimentos e aparência mas o caráter que estaria ameaçado caso não tirarmos esses males da manjedoura.

Alguns de nós estamos deteriorando a idéia de felicidade. Discordância é um sinal de amorosidade feita com respeito.

Acabemos com esse vírus que contamina nossa manjedoura.

Vacina para isso é mudança e só depende de nós.

É urgente que cada gota dessa vacina toque nosso coração e temos 2021 para nos vacinar contra esse mal que muitas vezes nos apropriamos.

Podemos imaginar corações vazios e solitários, por isso tenhamos chance para despertar neste próximo ano.

“Se o amor não nascer e crescer, na manjedoura da nossa alma, em vão, será nosso Natal e nossa manjedoura continuará VAZIA!”

A ESPERANÇA!

Falta pouco para o novo prefeito assumir. Falta pouco para a vacina chegar para os brasileiros? Não temos a certeza. O cenário é de um presidente tresloucado, que tem como ídolo um torturador, sem empatia, sem reconhecer o outro e uma população, que em desespero resolveu praticar a “roleta russa”.

Longe de ser a vacina Sputnik V, mas um jogo arriscado e criminoso, que costuma acabar em morte.

O predador descobriu e se encantou pelo poder da Caixa de Pandora. Abriu sua tampa com ansiedade e sofreguidão e libertou os males do mundo antigo, moderno e contemporâneo, inclusive as sete pragas dessa Terra do Pau Brasil.

Parece Nero tocando harpa em meio a Roma em chamas.

Escondida, quase encoberto em meio a todos os infortúnios, vemos grudado e tímido aquele minúsculo fiapo de esperança. É tão pequeno, insignificante, mas nos permite suspirar, sonhar e tentar construir novas estratégias para sobreviver.

A Esperança! Que mais temos?

O ITAJURU

O Itajuru

Em entrevista, o prefeito eleito de Cabo Frio anunciou a criação de uma moeda local, o Itajuru. José Bonifácio segue o exemplo da prefeitura de Maricá, onde existe o Mumbuca, moeda social que é aceita no comércio da cidade. A moeda visa atender o programa de transferência de renda, no município.

Ampliação de direitos

José Bonifácio estabeleceu a paridade entre homens e mulheres no secretariado ao mesmo tempo em que elevou consideravelmente o número de negros no 1º escalão. O governo terá que desenvolver ampla política de respeito e ampliação dos direitos humanos, sem o qual as representações ficarão apenas no campo da imagem publicitária.

Fiel da balança

Amplos setores conservadores também fazem parte do governo de José Bonifácio. Os dois grupos, progressistas e conservadores, tendem a ter posturas diversas durante todo o mandato. O prefeito José Bonifácio terá que administrar as diferenças e será o fiel da balança: o tempo vai dizer para que lado vai pender a balança.

O “facão Guarany”

O prefeito dará a palavra final, mas certamente vai examinar a produção política e administrativa favorável ao seu governo, na hora de decidir para que lado a balança vai e baixar o “facão guarany” para cortar quem não apresenta resultados. Portanto, não basta o discurso bonito. A projeção político-eleitoral para 2022 e 2024 será de grande importância.

Lição para os eleitores

O prefeito Adriano Moreno (Democratas) deixa a prefeitura com uma lição para os eleitores. A sua campanha foi recheada de seguidos ataques a política e aos políticos, dentro do modelo bolsonarista. Está terminando o mandato com imensa rejeição popular e abraçado ao partido da Família Maia, o Democratas, enquanto Bolsonaro se agarrou ao Centrão.

O fracasso como meta?

Os alairzistas depois de um período de glórias, na época em que jorravam os royalties do petróleo, estão sentindo o fracasso na pele: o tempo de “sheik do petróleo” não volta mais. O último mandato do chefe foi uma tragédia anunciada, seguida pelo apoio a Adriano Moreno e agora com o deputado Sérgio L. Azevedo, na modesta condição de palpiteiro.

O IBASCAF

A transição está acelerada no Ibascaf. O novo presidente, o empresário Bebeto Cardoso e outros membros da diretoria, que vai assumir em 1º de janeiro, conheceram o Ibascaf e o Pasmed. O relatório da atual diretoria deverá ser entregue ao novo grupo e também ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas, ao Prefeito, a Câmara e a Procuradoria Geral do Município.

A Comsercaf 1

A sociedade e o meio político de Cabo Frio estão de olho espichado sobre a Comsercaf. Não por acaso! A autarquia deu muita dor de cabeça a prefeitura e ao município: com a palavra a Polícia Federal, que esteve por lá, no governo de Marquinhos Mendes. Os novos dirigentes que assumem dia 1º são o ex-vereador Jefferson Vidal (presidente) e Heitor Fonseca (vice).

A Comsercaf 2

No governo de Marquinhos Mendes aconteceu à prisão do presidente da Comsercaf. Surpreendido, o prefeito nomeou para a autarquia o então presidente do Ibascaf, Luíz Cláudio Gama com a promessa de auditoria, que se aconteceu, nunca veio a público. Luiz Cláudio Gama assume dia 1º de janeiro, no governo de José Bonifácio a Controladoria Geral e de Combate a Corrupção.

O FOTÓGRAFO

Manoel de Barros

Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada a minha aldeia estava morta.
Não se ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas.
Eu estava saindo de uma festa.
Eram quase quatro da manhã.
Ia o Silêncio pela rua carregando um bêbado.
Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada.
Preparei minha máquina de novo.
Tinha um perfume de jasmim no beiral de um sobrado.
Fotografei o perfume.
Vi uma lesma pregada na existência mais do que na
pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo.
Fotografei o perdão.
Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa.
Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre.
Por fim eu enxerguei a ‘Nuvem de calça’.
Representou para mim que ela andava na aldeia de braços com Maiakowski – seu criador.
Fotografei a ‘Nuvem de calça’ e o poeta.
Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa mais justa para cobrir a sua noiva.
A foto saiu legal.

A PRIMEIRA MULHER DO NUNES

Rubem Braga

Hoje, pela volta do meio-dia, fui tomar um táxi naquele ponto da Praça Serzedelo Correia, em Copacabana. Quando me aproximava do ponto notei uma senhora que estava sentada em um banco, voltada para o jardim; nas extremidades do banco estavam sentados dois choferes, mas voltados em posição contraria, de frente para o restaurante da esquina. Enquanto caminhava em direção a um carro, reparei, de relance, na relance, na senhora. Era bonita e tinha ar de estrangeira; vestia-se com muita simplicidade, mas seu vestido era de um linho bom e as sandálias cor de carne me pareceram finas. De longe podia parecer amiga de um dos motoristas; de perto, apesar da simplicidade de seu vestido, sentia-se que nada tinha a ver com nenhum dos dois. Só o fato de ter sentado naquele banco já parecia indicar tratar-se de uma estrangeira, e não sei por que me veio a idéia de que era uma senhora que nunca viveu no Rio, talvez estivesse em seu primeiro dia de Rio de Janeiro, entretida em ver as árvores, o movimento da praça, as crianças que brincavam, as babás que empurravam carrinhos. Pode parecer exagero que eu tenha sentido isso tudo de relance, mas a impressão que tive é que ela tinha a pele e cabelos muito bem tratados para não ser uma senhora rica ou pelo menos de certa posição, deu-me a impressão de estar fruindo um certo prazer em estar ali, naquele ambiente popular, olhando as pessoas com um ar simpático e vagamente divertido; foi o que me pareceu no rápido instante em que nossos olhares se encontraram.

Como o primeiro chofer da fila alegasse que preferia um passageiro para o centro, pois estava na hora de seu almoço, e os dois carros seguintes não tivessem nenhum chofer aparente, caminhei um pouco para tomar o que estava em quarto lugar. Tive a impressão de que a senhora se voltara para me olhar. Quando tomei o carro e fiquei novamente de frente para ela, e enquanto eu murmurava para o chofer o meu rumo – Ipanema – notei que ela desviava o olhar; o carro andara apenas alguns metros e, tomado de um pressentimento, eu disse ao chofer que parasse um instante. Ele obedeceu. Olhei para a senhora, mas ela havia voltado completamente a cabeça. Mandei tocar, mas enquanto o velho táxi rolava lentamente ao longo da praia eu fui possuído pela certeza súbita e insistente de que acabara de ver a primeira mulher do Nunes.

– Você precisa conhecer a primeira mulher do Nunes – me disse uma vez um amigo.

– Você precisa conhecer a primeira mulher do Nunes – me disse outra vez outro amigo.

Isso aconteceu há alguns anos, em São Paulo, durante os poucos meses em que trabalhei com o Nunes. Eu conhecera sua segunda mulher, uma morena bonitinha, suave, quieta – pois ele me convidara duas vezes a jantar em sua casa. Nunca me falara de sua primeira mulher, nem sequer de seu primeiro casamento. O Nunes era pessoa de certo destaque em sua profissão e afinal de contas um homem agradável, embora não brilhante; notei, entretanto, que sempre que alguém me falava dele era inevitável uma referência à sua primeira mulher.

Um casal meu amigo, que costumava passar os fins de semana em uma fazenda, convidou-me certa vez a ir com eles e mais um pequeno grupo. Aceitei, mas no sábado fui obrigado a telefonar dizendo que não podia ir. Segunda-feira, o amigo que me convidara me disse:

– Foi pena você não ir. Pegamos um tempo ótimo e o grupo estava divertido. Quem perguntou muito por você foi a Marissa.

– Quem?

– A primeira mulher do Nunes.

– Mas eu não conheço …

-Sei, mas eu havia dito a ela que você ia. Ela estava muito interessada em conhecer você.

A essa altura eu já sabia várias coisas a respeito da primeira mulher do Nunes; que era linda, inteligente, muito interessante, um pouco estranha, judia italiana, rica, tinha cabelos castanho-claros e olhos verdes e uma pele maravilhosa – “parece que está sempre fresquinha, saindo do banho”, segundo a descrição que eu ouvira.

Quando dei de mim eu estava, de maneira mais ingênua, mais tola, mais veemente, apaixonado pela primeira mulher do Nunes. Devo dizer que nessa ocasião eu emergia de um caso sentimental arrasador – um caso que mais de uma vez chegou ao drama e beirou a tragédia e em que eu mesmo, provavelmente, mais de uma vez, passei os limites do ridículo. Eu vivia sentimentalmente uma hora parda, vazia, feita de tédio e remorso; a lembrança da história que passara me doía um pouco e me amargava muito. Além disso minha situação não era boa; alguns amigos achavam – e um teve a franqueza de me dizer isso, quando bêbado – que eu estava decadente em minha profissão. Outros diziam que eu estava bebendo demais. Enfim, tempos ruins, de moral baixa e ainda por cima de pouco dinheiro e pequenas dívidas mortificantes. Naturalmente eu me distraía com uma ou outra historieta de amor, mas saía de cada uma ainda mais entediado. A imagem da primeira mulher do Nunes começou a aparecer-me como a última esperança, a única estrela a brilhar na minha frente. Esse sentimento era mais ou menos inconsciente, mas tomei consciência aguda dele quando soube que ela ganhara uma bolsa esplêndida para passar seis meses nos Estados Unidos. Senti-me como que roubado, traído pelo governo norte-americano. Mas a notícia veio com um convite – para o jantar de despedida da primeira mulher do Nunes.

Isso aconteceu há quatro ou cinco anos. Mudei-me de São Paulo, fiz algumas viagens, resolvi parar mesmo no Rio – e naturalmente me aconteceram coisas. Nunca mais vi o Nunes. Aliás, nos últimos tempos de nossas relações, eu me distanciara dele por um absurdo constrangimento, o pudor pueril do que ele pudesse pensar no dia em que soubesse que entre mim e a sua primeira mulher… Na realidade nunca houve nada entre nós dois; nunca sequer nos avistamos. Uma banal gripe me impediu de ir ao jantar de despedida; depois eu soube que sua bolsa fora prorrogada, depois ouvi alguém dizer que a encontrara em Paris – enfim, a primeira mulher do Nunes ficou sendo um mito, uma estrela perdida para sempre em remotos horizontes e que jamais cheguei a avistar.

Talvez fosse mesmo ela que estivesse pousada hoje, pelo meio-dia, na Praça Serzedelo Correia, simples, linda e tranqüila. Assim era a imagem que eu fazia dela; e tive a impressão de que seu rápido olhar vagamente cordial e vagamente irônico tentava me dizer alguma coisa, talvez contivesse uma espantosa e cruel mensagem: “eu sei quem é você; eu sou Marissa, a primeira mulher do Nunes; mas nosso destino é não nos conhecermos jamais…”

O ENCONTRO: O BOTO COR DE ROSA E O PROFESSOR BABADE.

Percebam caros leitores onde se encontra a mão direita do viajante desbravador, como sua barriga está se avantajando, o que é uma preocupação a mais para Eloisa. Mudando toda a perspectiva de uma vida, na mão esquerda uma garrafa d’água mineral. A que ponto chegou o homem com a mais famosa folha corrida da Região dos Lagos.

BABADE E O BOTO COR DE ROSA – 3

Depois de nadar com o boto cor de rosa o homem da folha corrida mais extensa de Cabo Frio e Região dos Lagos decidiu que tudo seu tem que falar e lembrar do boto. Na foto, o ilustre cabofriense, bebe o seu guaraná natural em um copo da cor do boto. Eloísa começou a ficar preocupada: a barriga do jovem aposentado cresce a olhos vistos.

BABADE E O BOTO COR DE ROSA

José Américo Trindade, vulgo Babade, nascido na ponta do Forte, com extensa folha corrida nas bandas de Cabo Frio, bares do Rio de Janeiro a Rio das Ostras, descansa em Alter do Chão. No local, o viajante se apaixonou pelas histórias do boto cor de rosa e fez questão de capturar uma lembrança do sensualíssimo boto. Dentro de algumas semanas teremos uma visão melhor dessa amizade tão estreita.