A LIÇÃO SABEMOS DE COR

Octavio Perelló *

Cabo Frio, através dos mais de 44 mil eleitores que deram o seu veredito nas urnas e de outras milhares de crianças, jovens e idosos que não puderam votar mas abraçaram a candidatura vencedora, está refazendo a lição de casa. Diante de uma crise sem precedentes, que degolou a cabeça dos três últimos prefeitos, a cidade deu um passo para trás e resgatou a sua mais honrada liderança política em atividade, que durante 22 anos foi convenientemente mantida fora do poder, sob uma sórdida campanha de mentiras e difamações, para que o desperdício dos royalties de petróleo pudesse ocorrer sem o contraponto da seriedade e da responsabilidade com o dinheiro público.

Aparentemente redimida, a opinião pública fez a sua parte, aprovando a campanha mais bonita e propositiva, que foi a de José Bonifácio, com a esperança de um governo que quebre velhos vícios políticos e tire o município do atoleiro. O novo prefeito, aliás, que tem planos realistas e inovadores para a crise domunicípio, não para de se articular e tomar ciência das dimensões do desafio que assumirá a partir de primeiro de janeiro.

O recado das urnas foi claro: chega de trapalhadas e desvios de dinheiro público. A realidade do atraso, em decorrência da falta de investimentos no período mais rico, em que o município recebeu cerca de 19 bilhões de reais em royalties, bateu à porta de todos, indistintamente. Do grande empreendedor ao trabalhador comum, a pobreza da cidade atingiu em cheio, enfraquecendo negócios e diminuindo a oferta de trabalho. Somente uma ínfima parcela da população, formada por empresários e políticos agarrados aos cofres públicos tentaram estender o modelo de sangria, mas foram derrotados. Ainda assim, insistem na judicialização, reafirmando o caráter de maus perdedores e torcedores do caos.

José Bonifácio, que venceu grandes batalhas até aqui, segue enfrentando a guerra com coragem e dignidade, cuidando dos seus soldados e oficiais de patente, e, como bom estrategista, oferecendo tréguas e o respeito de sempre aos adversários, conquistando mais aliados para a grande batalha dessa guerra, que é devolver a paz e a reconstrução dos escombros em todo o território atingido.

E a cota de corresponsabilidade de todos tem de ser assumida. Temos de continuar o dever de casa. Refletir sobre o que aconteceu até aqui e que resultou na decadência de uma cidade rica que esbanjou dinheiro com a farra dos royalties. Olhar para as escolhas anteriores e a atual do eleitor, e torcer para que as propostas sejam concretizadas na união de esforços do novo governo e da nova câmara, contando com a conscientização da sociedade civil e de toda a classe política. Entender a necessidade de não mais reproduzir a cultura política que lançou o município num ciclo de falência.

Porque não somos inocentes, vimos o que aconteceu. Sabemos onde o calo aperta, o que nos exige cuidados, sapatos melhores e um caminhar diferente. Participar mais, saber como e a quem cobrar (governo e câmara), são contribuições fundamentais de cidadãos conscientes. Temos que ir além do discurso e tornar isso uma prática permanente, sem desistir e achar que política é só para os políticos. Isso tudo me faz pensar nos versos finais da bela canção Sol de Primavera, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos: “A lição sabemos de cor / Só nos resta aprender.”

*Jornalista e Produtor de Conteúdo

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3 comentários em “A LIÇÃO SABEMOS DE COR”

  1. Muito bom! Que a lucidez vença, porque o histórico de guerras judiciais entre facções políticas foi a cara desses desgovernos passados! Paz e estabilidade jurídica virão com a serenidade, o equilíbrio , a competência e a maturidade de Zezinho Bonifácio!

    1. Muito lindo seu texto e a realidade de nossa cidade que era tão rica e deixaram com a ganância ficar pobre perdendo muitas empresas que geravam emprego. José Bonifácio é nossa esperança de uma cidade melhor de Cabo Frio volta a ser rica em todos os objetivos, parabéns pelo que escreveu!!

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