HOJE TENHO SÉRIAS DÚVIDAS

José Correia Baptista

Como o leitor de o Blog do Totonho que me lê às quintas-feiras já sabe, acabo de lançar o livro “O primeiro romancista brasileiro recebe uma mensagem secreta para comunicar a D. Pedro II” que pode ser encontrado na plataforma da Amazon na seção livros. Para quem escreve, lançar um trabalho literário é um acontecimento pessoal. Principalmente porque é resultado do pensamento e da imaginação e obrigou o autor a reunir em algumas páginas uma série de leituras, informações e avaliações. Assim como organizar tudo isso é outra experiência que envolve decisões que se ajustam em uma história, em uma maneira pessoal de contá-la e que se desenvolve em uma concepção de estética literária.

Creio que pela primeira vez Teixeira e Sousa é personagem de uma obra romanesca. A vida e a obra do primeiro romancista brasileiro formam a base do livro. A visita de D. Pedro II a Cabo Frio aconteceu realmente nos dias 24 e 25 de abril de 1847. Seus amigos Paula Brito e José Norberto também são reais. Acontecimentos na vida do personagem e até endereços são igualmente verdadeiros. Sua participação na procissão de Nosso Senhor dos Passos em 1824 em São Pedro da Aldeia é real. Os personagens amigos de Teixeira e Sousa, Jacintha e Cabinda, saíram de seus livros porque eles também foram inspirados em pessoas reais. Como se sabe, o romance é uma estilização da realidade. Mas o que é realidade e o que é ficção?

Depois de terminado o livro confesso que a história que contei é bem provável de ser real. Alguns detalhes como o casamento de Teixeira e Sousa com Carolina Maria são divergentes. No livro acontece em 1847. Na chamada vida real em 1846. No livro, Teixeira e Sousa viveu parte de sua vida em Campos Novos porque ele dá essa pista em “A Providência”. Ele seria uma das crianças que rodeou Saint-Hilaire em 1818 indicando a casa para o botânico francês alugar onde ficou por quatro dias. Também foi uma daquelas crianças que viu pela primeira vez com grande curiosidade alguém escrever: era Saint-Hilaire fazendo as anotações do dia. Estes são fatos que poderão estar sob julgamento. Porém, não é uma verdade que D. Pedro II morreu realmente 30 anos depois da morte de Teixeira e Sousa conforme a mensagem secreta prognosticara? 

Mas para quem for ler o livro verá que todas estas questões estão respondidas no penúltimo capítulo, o XLI, quando José Norberto está mexendo nos papéis que Teixeira e Sousa deixara depois de morrer em 1861. Por isso afirmo que minha intenção era escrever uma obra de ficção. Mas hoje tenho sérias dúvidas de se este livro não foi ditado para mim silenciosamente em meu ouvido por alguém envolvido nessa história. 

(*) José Correia Baptista é editor da revista cultural Nossa Tribo, formado em Ciências Sociais e Letras pela UFF e ex-secretário de Cultura de Cabo Frio (2009/2012)

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