DEBATE ACALORADO

A roda de conversa no Café Pertutti foi animada na tarde de ontem. Reuniu o tabelião surfista Flávio Rosa, o cineasta José Sette de Barros e os candidatos Cláudio Leitão e o vice-prefeito Felipe Monteiro, além de uma assistência atenta. O debate acalorado não gerou “mortos e feridos”, salvaram-se todos.

BOA TROCA!

Por onde andava o professor José Américo Trindade, o Babade, enquanto o debate se agigantava? O nobre professor estava em casa, concentrado, se preparando para ver o último capítulo de “A Dona do Pedaço”. Babade finalmente substituiu o “Mão Santa”, do Piauí, na TV Senado pela “boleira”, Juliana Paes, na Rede Globo.

OCUPA BARRIGA VERDE

Depois do “Ocupa Jair” as mulheres progressistas de Cabo Frio estão ensaiando outra ocupação. É a do bar de Manoel Barriga Verde, cujo proprietário, velho conhecido da boemia municipal é conhecido por sua expertise da boa cozinha. Lideradas por Ermelinda Santos e Zarinho Mureb as mulheres vão conferir.

VAMOS ACABAR COM ESTA FOLGA – Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto)

O negócio aconteceu num café. Tinha uma porção de sujeitos, sentados nesse café, tomando umas e outras. Havia brasileiros, portugueses, franceses, argelinos, alemães, o diabo.

De repente, um alemão forte pra cachorro levantou e gritou que não via homem pra ele ali dentro. Houve a surpresa inicial, motivada pela provocação e logo um turco, tão forte como o alemão, levantou-se de lá e perguntou:

— Isso é comigo?

— Pode ser com você também — respondeu o alemão.

Aí então o turco avançou para o alemão e levou uma traulitada tão segura que caiu no chão. Vai daí o alemão repetiu que não havia homem ali dentro pra ele. Queimou-se então um português que era maior ainda do que o turco. Queimou-se e não conversou. Partiu para cima do alemão e não teve outra sorte. Levou um murro debaixo dos queixos e caiu sem sentidos.

O alemão limpou as mãos, deu mais um gole no chope e fez ver aos presentes que o que dizia era certo. Não havia homem para ele ali naquele café. Levantou-se então um inglês troncudo pra cachorro e também entrou bem. E depois do inglês foi a vez de um francês, depois de um norueguês etc. etc. Até que, lá do canto do café levantou-se um brasileiro magrinho, cheio de picardia para perguntar, como os outros:

— Isso é comigo?

O alemão voltou a dizer que podia ser. Então o brasileiro deu um sorriso cheio de bossa e veio vindo gingando assim pro lado do alemão. Parou perto, balançou o corpo e… pimba! O alemão deu-lhe uma porrada na cabeça com tanta força que quase desmonta o brasileiro.

Como, minha senhora? Qual é o fim da história? Pois a história termina aí, madame. Termina aí que é pros brasileiros perderem essa mania de pisar macio e pensar que são mais malandros do que os outros.

PROTESTO

PROTESTO!

Os moradores do Bairro Manoel Corrêa protestaram ontem, quinta-feira, 21, na câmara municipal, contra as ações da Polícia Militar. Na última semana duas crianças, de 3 e 5 anos, respectivamente, foram baleadas. No mesmo bairro um trabalhador da Comsercaf morreu atingido por bala de fuzil. Espremida, a população protesta e esperneia.

EMPURRÃO NO TURISMO

Acontece em Cabo Frio neste fim de semana a terceira e última etapa do Aloha Spirit, contando com cerca de 1.500 participantes, de 18 estados brasileiros, o que deve incrementar o turismo no município. O evento é particularmente importante, porque a cidade enfrenta grave crise econômico-financeira, com muitas lojas fechando as portas e salários dos servidores atrasados.

MAIS TÁXIS QUE GENTE?

Cabo Frio passa a contar com mais 59 taxistas. A cidade passa a ter um número elevado de “carros de aluguel”, porque ainda tem outros modelos de transporte individual como o “uber”, além de inúmeros táxis de Arraial do Cabo que circulam no município. Em ano pré-eleitoral vale tudo e mais alguma coisa.

E A PINACOTECA?

O excelente site da colunista Suely Pedrosa (suelypedrosa.com) aborda o encantamento dos artistas plásticos por Cabo Frio. Cita Djanira, Jean Guillaume, José de Dome, Pancetti e tantos outros. A propósito, por onde andam os quadros da pinacoteca da Biblioteca Walter Nogueira da Silva, que o seu fundador tinha imenso orgulho?

RACHA NO MOVIMENTO NEGRO?

A vereadora Letícia Jotha apresentou moção de repúdio à atuação de Rafaela Fernandes, coordenadora de promoção de igualdade racial da prefeitura de Cabo Frio, mas a moção não foi aprovada. Rafaela enfrenta oposição da Rede das Pretas, formado por mulheres negras de Cabo Frio e outros municípios da Região dos Lagos: a Rede das pretas é vinculada ao Movimento Negro Unificado. Os críticos do trabalho da coordenadora alegam falta de diálogo e a nomeação de um advogado da Baixada Fluminense para o cargo de superintendente de igualdade racial em detrimento de quadros locais.

O MART RECEBE O DIPLOMA OTIME CARDOSO DOS SANTOS

O MART (Museu de Arte Religiosa e Tradicional), localizado no Convento de Nossa Senhora dos Anjos, foi homenageado pela prefeitura de Cabo Frio. O MART recebeu o Diploma Otime Cardoso dos Santos (Timinho) em reconhecimento a contribuição do museu para difusão da ciência, tecnologia e inovação no município de Cabo Frio.
Na foto, a diretora do MART, Carla Renata Gomes, e a museóloga Aline Cadaxo, recebendo o diploma das mãos do prefeito Adriano Moreno e do secretário de cultura Milton Alencar Jr.

O CACHORRO DO QUEIROZ – Rafael Alvarenga.

O cachorro do Queiroz

Na beira do mar a fragata estraçalha uma tainha. É cedo e a praia guarda um silêncio que poucos hão de encontrar. Mas o Queiroz vem caminhar com seu cachorro que, curioso, se aproxima dizendo “Que belíssima pescaria”.  A fragata nada responde. Não gosta do cachorro que tem cara de poema oportunista e insiste “Nada como ganhar por mérito, não é?” E a fragata com um pedaço de pele pendurada no bico responde “Não. Roubei de um albatroz porque muita coisa me favoreceu”.

Novamente abaixou a cabeça e continuou rasgando a carne do peixe quando o cachorro tornou a dizer “Roubar jamais é certo”. A fragata escorou o rabo da tainha com uma das patas e usando o bico arrancou as vísceras. Estava suja de sangue quando inquiriu “E o Queiroz seu dono, trabalha com o que?” Foi com um abano de orelhas que o cachorro respondeu “Negócios, ora”. Com o bico a fragata quebrou a espinha da tainha e ofereceu “Quer um pedaço?” O cachorro negou com repulsa “Só ração e patê”. Então a fragata engoliu com espinha e tudo e disse “Mas é melhor se preparar” e seguiu devorando o peixe. O cachorro quis saber “Me preparar pra que?” A ave passou a cabeça debaixo de uma asa e advertiu “No mundo selvagem as coisas são como são. No mundo deles as coisas são como estão”.

Sem entender o cachorro olhou para o Queiroz que já ia longe lhe chamando com um assobio e garantiu “Você é estranho. E olha como come…” A fragata dispensou a cabeça da tainha e concluiu “Aqui as coisas são assim. Lá – e apontou em direção ao Queiroz – hoje é ração e patê, amanhã é ele no xadrez e você sem dono, na rua, doido pra tirar pelanca da boca de outro.” Alçou vôo e gritou “Na bochecha da tainha tem carne”.

O cachorro olhou para a cabeça do peixe e recusou. Do sul vinham nuvens pesadas “É só uma tempestade. Os negócios e as representações devem estar seguros” pensou e correu, porque assim pensaria menos.

Rafael Alvarenga

Cabo Frio 18 de novembro de 2019

OS POLÍTICOS E A INTERNET

Os políticos cabofrienses descobriram mesmo as redes sociais na Internet e não saem dela. De todos, José Bonifácio Novellino parece o mais ativo, fazendo inúmeras ‘selfies’ por onde anda e como tem andado. O ex-prefeito de Cabo Frio deve se constituir num dos pólos da eleição majoritária na cidade.

AS BOMBAS QUE VIRARAM TRAQUES

As anunciadas bombas que deveriam desestabilizar a política de Cabo Frio revelaram-se meros “traques”. O denunciante Marcelo Tenera escafedeu-se e os denunciados calaram-se. A sociedade que se  previa estarrecida permaneceu em “impávido colosso” e o assunto sumiu da mídia.

DIRLEI – A SAGA POR NOTÍCIAS

O Programa do Dirlei continua em sua saga para ser notícia em Cabo Frio e Região dos Lagos. O ex-vereador, um dos líderes do tsunami bolsonarista, entrevistou um militante do MBL, que teria sido agredido por outro militante, também do campo da extrema direita. Essa turma não é lá muito amiga do diálogo, digamos assim.

ISOLAMENTO?

A extrema direita nadou de braçada no maremoto bolsonarista. Agora, com exceção de meia dúzia de oportunistas, ninguém quer conversa com eles. Mesmo assim estão articulados para lançar candidato ou candidatos a prefeito de Cabo Frio. Entretanto, tudo leva a crer que a eleição tende a polarizar.

ENTÃO, ADEUS! por Lygia Fagundes Telles.

Isto aconteceu na Bahia, numa tarde em que eu visitava a mais antiga e arruinada igreja que encontrei por lá, perdida na última rua do último bairro. Aproximou-se de mim um padre velhinho, mas tão velhinho, tão velhinho que mais parecia feito de cinza, de teia, de bruma, de sopro do que de carne e osso. Aproximou-se e tocou o meu ombro:

— Vejo que aprecia essas imagens antigas — sussurrou-me com sua voz débil. E descerrando os lábios murchos num sorriso amável: – Tenho na sacristia algumas preciosidades. Quer vê-las?

Solícito e trêmulo foi-me mostrando os pequenos tesouros da sua igreja: um mural de cores remotas e tênues como as de um pobre véu esgarçado na distância; uma Nossa Senhora de mãos carunchadas e grandes olhos cheios de lágrimas; dois anjos tocheiros que teriam sido esculpidos por Aleijadinho, pois dele tinham a inconfundível marca nos traços dos rostos severos e nobres, de narizes já carcomidos… Mostrou-me todas as raridades, tão velhas e tão gastas quanto ele próprio. Em seguida, desvanecido com o interesse que demonstrei por tudo, acompanhou-me cheio de gratidão até a porta.

— Volte sempre — pediu-me.

— Impossível — eu disse. — Não moro aqui, mas, em todo o caso, quem sabe um dia… — acrescentei se nenhuma esperança.

— E então, até logo! — ele murmurou descerrando os lábios num sorriso que me pareceu melancólico como o destroço de um naufrágio.

Olhei-o. Sob a luz azulada do crepúsculo, aquela face branca e transparente era de tamanha fragilidade, que cheguei a me comover. Até logo?… “Então, adeus!”, ele deveria ter dito. Eu ia embarcar para o Rio no dia seguinte e não tinha nenhuma idéia de voltar tão cedo à Bahia. E mesmo que voltasse, encontraria ainda de pé aquela igrejinha arruinada que achei por acaso em meio das minhas andanças? E mesmo que desse de novo com ela, encontraria vivo aquele ser tão velhinho que mais parecia um antigo morto esquecido de partir?!…

Ouça, leitor: tenho poucas certezas nesta incerta vida, tão poucas que poderia enumerá-las nesta breve linha. Porém, uma certeza eu tive naquele instante, a mais absoluta das certezas: “Jamais o verei.” Apertei-lhe a mão, que tinha a mesma frialdade seca da morte.

— Até logo! – eu disse cheia de enternecimento pelo seu ingênuo otimismo.

Afastei-me e de longe ainda o vi, imóvel no topo da escadaria. A brisa agitava-lhe os cabelos ralos e murchos como uma chama prestes a extinguir-se. “Então, adeus!”, pensei comovida ao acenar-lhe pela última vez. “Adeus.”

Nesta mesma noite houve o clássico jantar de despedida em casa de um casal amigo. E, em meio de um grupo, eu já me encaminhava para a mesa, quando de repente alguém tocou o meu ombro, um toque muito leve, mais parecia o roçar de uma folha seca.

Voltei-me. Diante de mim, o padre velhinho sorria.

— Boa noite!

Fiquei muda. Ali estava aquele de quem horas antes eu me despedira para sempre.

— Que coincidência… — balbuciei afinal. Foi a única banalidade que me ocorreu dizer.— Eu não esperava vê-lo… tão cedo.

Ele sorria, sorria sempre. E desta vez achei que aquele sorriso era mais malicioso do que melancólico. Era como se ele tivesse adivinhado meu pensamento quando nos despedimos na igreja e agora então, de um certo modo desafiante, estivesse a divertir-se com a minha surpresa. “Eu não disse até logo?”, os olhinhos enevoados pareciam perguntar com ironia.

Durante o jantar ruidoso e calorento, lembrei-me de Kipling. “Sim, grande e estranho é o mundo. Mas principalmente estranho…”

Meu vizinho da esquerda quis saber entre duas garfadas:

— Então a senhora vai mesmo nos deixar amanhã?

Olhei para a bolsa que tinha no regaço e dentro da qual já estava minha passagem de volta com a data do dia seguinte. E sorri para o velhinho lá na ponta da mesa.

— Ah, não sei… Antes eu sabia, mas agora já não sei.