NA DIREITA, A BRIGA CONTINUA

Janio: análise eleitoral

O ex-deputado Janio Mendes esteve na Cafeteria Pertutti e não se furtou a análise da realidade político-eleitoral de Cabo Frio. Janio, não deu mostras de ter abandonado a vida pública e atualmente é diretor financeiro, da Assembleia Legislativa (ALERJ).

Amigos do Rei

Caçula na Região dos Lagos, o município de Iguaba Grande guarda surpresas, que deixam os cabofrienses de “cabelo em pé”. Dois ex-caciques da política de Cabo Frio são “amigos do rei”, o prefeito Vantoil Martins, recém eleito prefeito do município: são eles Carlos Victor Mendes (Vivique) e Gustavo Beranger (Tatonho), carregando, inclusive, os apelidos da infância e adolescência.

A briga continua

A extrema direita continua se “estapeando”. O deputado Mauro Bernardo (assim fica mais chique) insiste em acabar com a cobrança por estimativa das contas de água/esgoto emitidas pela Prolagos. O deputado tem batido de frente e polemizado com a coordenadora do PROCON de Cabo Frio, Mônica B. Gonçalves.

Quem vai ficar com Bolsonaro?

Caso a rejeição do governo Bolsonaro continue a crescer em ritmo quase frenético, quantos permanecerão com o “mito”, no processo eleitoral de 2020? A fidelidade no meio político vai sempre até a página 2, isto é, até a próxima pesquisa, principalmente as qualitativas, que dão idéia melhor do quadro, que se desenha para os próximos meses.

“Filho feio não tem pai”

Em 2018, as elites atrasadas de Cabo Frio, disputavam, quase a “tapa”, espaço político na direita e ultra direita, com rojões, fanfarras e passeatas. Desde que o “mito” tomou posse e as besteiras começaram a se acumular vertiginosamente, ninguém quer assumir a paternidade de “Chucky, o boneco assassino”. Comprova o velho ditado popular “filho feio não tem pai”.

Toma que o filho é teu

A turma da direita e da ultra direita jura de “pés juntos”, que não votou em Bolsonaro, mas no Amoedo. A escolha do candidato do “Novo”, totalmente esvaziado durante a eleição presidencial, revela a vergonha que toma parte da população, em função das seguidas bobagens, por que não dizer, bestialidades de um presidente da república, sem qualquer respeito e preparo.

O BLOCO ‘DI CABO A RABO’ EMPOLGA CABO FRIO!

Os ensaios do bloco de cultura nordestina “Di cabo a rabo” estão empolgando Cabo Frio. No domingo, o ensaio aconteceu mais uma vez no Largo de São Benedito, no bairro da Passagem. Teve “canja” do trio “Arrumadinho”, com a presença de Negadeza, neta de Selma do Côco, de Olinda. A turma promete um carnaval sensacional, que vai deixar Caruaru, em Pernambuco, de “queixo caído”.

REUNIÃO DO CONSELHO DE CULTURA

. O regimento interno do Forte São Matheus

A reunião do Conselho de Cultura, presidida pelo secretário Milton Alencar Jr foi, digamos assim, movimentada. Entre os debates a criação do regimento interno do Forte São Matheus recebeu especial atenção. Para a edição do regimento estão encarregados Silvana Lima, Márcia dos Santos Silva, Gilmar Dias, Pablo Mendes e Evangelos Pagallidis. Em 23 de setembro acontece reunião exclusiva para definir o regimento.

AI! SE SÊSSE! – poema de Zé da Luz

Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dos se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e tu cum insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?…
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!!!

AS FLÔ DE PUXINANÃ
(Paródia de As “Flô de Gerematáia” de Napoleão Menezes)

Três muié ou três irmã,
três cachôrra da mulesta,
eu vi num dia de festa,
no lugar Puxinanã.

A mais véia, a mais ribusta
era mermo uma tentação!
mimosa flô do sertão
que o povo chamava Ogusta.

A segunda, a Guléimina,
tinha uns ói qui ô! mardição!
Matava quarqué critão
os oiá déssa minina.

Os ói dela paricia
duas istrêla tremendo,
se apagando e se acendendo
em noite de ventania.

A tercêra, era Maroca.
Cum um cóipo muito má feito.
Mas porém, tinha nos peito
dois cuscús de mandioca.

Dois cuscús, qui, prú capricho,
quando ela passou pru eu,
minhas venta se acendeu
cum o chêro vindo dos bicho.

Eu inté, me atrapaiava,
sem sabê das três irmã
qui ei vi im Puxinanã,
qual era a qui mi agradava.

Inscuiendo a minha cruz
prá sair desse imbaraço,
desejei, morrê nos braços,
da dona dos dois cuscús!

BRASIL CABOCO

O qui é Brasí Caboco?
É um Brasi diferente
do Brasí das capitá.
É um Brasi brasilêro,
sem mistura de instrangero,
um Brasi nacioná!

É o Brasi qui não veste
liforme de gazimira,
camisa de peito duro,
com butuadura de ouro…
Brasi caboco só veste,
camisa grossa de lista,
carça de brim da “polista”
gibão e chapéu de coro!

Brasi caboco num come
assentado nos banquete,
misturado cum os home
de casaca e anelão…
Brasi caboco só come
o bode seco, o feijão,
e as veiz uma panelada,
um pirão de carne verde,
nos dias da inleição
quando vai servi de iscada
prus home de posição.

Brasi caboco num sabe
falá ingrês nem francês,
munto meno o português
qui os outros fala imprestado…
Brasi caboco num inscreve;
munto má assina o nome
pra votar pru mode os home
Sê gunverno e diputado

Mas porém. Brasi caboco,
é um Brasi brasileiro,
sem mistura de instrangero
Um Brasi nacioná!

É o Brasi sertanejo
dos coco, das imbolada,
dos samba, dos vialejo,
zabumba e caracaxá!

É o Brasi das vaquejada,
do aboio dos vaquero,
do arranco das boiada
nos fechado ou tabulero!

É o Brasi das caboca
qui tem os óio feiticero,
qui tem a boca incarnada,
como fruta de cardoro
quando ela nasce alejada!

É o Brasi das promessa
nas noite de São João!
dos carro de boi cantano
pela boca dos cocão.

É o Brasi das caboca
qui cum sabença gunverna,
vinte e cinco pá-de-birro
cum a munfada entre as perna!

Brasi das briga de galo!
do jogo de “sôco-tôco”!
É o Brasi dos caboco
amansadô de cavalo!
É o Brasi dos cantadô,
desses caboco afamado,
qui nos verso improvisado,
sirrindo, cantáro o amô;
cantando choraro as mágua:
Brasi de Pelino Guedes,
de Inácio da Catingueira,
de Umbelino do Texera
e Romano de Mãe-d’água!

É o Brasi das caboca,
qui de noite se dibruça,
machucando o peito virge
no batente das jinela…
Vendo, os caboco pachola
qui geme, chora e soluça
nas cordas de uma viola,
ruendo paxão pru ela!

É esse o Brasi caboco.
Um Brasi bem brasilero,
sem mistura de instrangêro
Um Brasía nacioná!

Brasi, qui foi, eu tô certo
argum dia discuberto,
pru Pêdo Arves Cabrá.


A CACIMBA

Tá vendo aquela cacimba
lá na bêra do riacho,
im riba da ribanceira,
qui fica, assim, pru dibáxo
de um pé de tamarinêra.

Pois, um magóte de môça
quage toda manhanzinha,
foima, assim, aquela tuia,
na bêra da cacimbinha
prá tumar banho de cuia.

Eu não sei pru quê razão,
as águas dessa nacente,
as águas que ali se vê,
tem um gosto diferente
das cacimbas de bêbê…

As águas da cacimbinha
tem um gôsto mais mió.
Nem sargada, nem insôça…
Tem um gostim do suó
do suvaco déssas môça…

Quando eu vejo éssa cacimba,
qui inspio a minha cara
e a cara torno a inspiá,
naquelas águas quiláras,
Pego logo a desejá…

… Desejo, prá quê negá?
Desejo ser um caçote,
cum dois óio dêsse tamanho
Prá ver aquele magóte
de môça tumando banho!

RECLAMANDO & RESMUNGANDO

Salário em dia é prioridade

O grande desafio da dupla Adriano Moreno/Antônio Carlos Vieira é a necessidade de normalizar o pagamento do funcionalismo, atrasado por conta de erros e incompetência de quem não entendia nada de finanças públicas. Sem o salário dos funcionários em dia o governo vai experimentar uma espiral de crises e desgaste, que vai impedir de vez o difícil objetivo da reeleição.

Reclamando & Resmungando

O prefeito de Cabo Frio andou reclamando e resmungando, porque, segundo ele alguns blogs estariam divulgando, que ele não seria candidato a reeleição. A resposta do prefeito, dizendo que é mesmo candidato, é de um apetite voraz pela política e acima de tudo pelo mandato. Para quem dizia não ser político e não gostava de política, não deixa de ser um grande avanço.

Traição & Rejeição

Os que estiveram na prefeitura de Alair Corrêa e optaram pelo apoio ao então vereador Adriano Moreno não estão nada satisfeitos: foram alijados do poder, sem qualquer explicação. Grande parte ajudou no planejamento e coordenação da campanha e estão todos fora da máquina administrativa.

Traição & Rejeição

A imensa rejeição do governo e do prefeito em particular se deve ao sentimento nas ruas, que os compromissos assumidos não foram respeitados e sim traídos. A República do Edifício das Professoras terá muita dificuldade para formar algum grupo caso não consiga cooptar para a reeleição a turma de Marquinhos Mendes.

Aquiles deu o “ar da graça”

Enquanto isso, o vereador Aquiles Barreto resolveu definitivamente dar “o ar da graça”, como diria o “Homem do Obelisco”, o querido Vovô Bibiu. Aquiles Barreto diariamente está no Facebook com links de propaganda. Voltou a pensar na reeleição para a câmara ou quer coisa maior?

Câmara, compromisso vai até a 2ª página

A câmara deu ao atual prefeito a estrutura para governar, dentro da reforma administrativa proposta pelo governo. Os vereadores, entretanto, não estão dispostos a se suicidarem politicamente, portanto, esperam que o governo municipal cumpra seus compromissos e ao menos levante vôo para que o peso não seja tão grande.

Saneamento

A palestra realizada pelo engenheiro sanitarista Juarez Lopes, no encontro organizado pelo ex-prefeito José Bonifácio deu bem a dimensão do imenso trabalho, que terá o prefeito eleito, em 2020, para encarar a questão do saneamento, em Cabo Frio. Avançar no campo do saneamento é tarefa prioritária de qualquer prefeito, que requer muita competência e seriedade com a coisa pública.

A reunião do Conselho Municipal de Cultura

O Conselho Municipal de Cultura se reúne nesta 2ª feira, a partir das 10 horas, no Charitas. Em pauta, a aprovação da ata apresentada na última reunião do dia 14 de maio, definição do 2º secretário da mesa diretora, escolha de dois membros do conselho para atuação na comissão julgadora do ‘Edital do Grafite’, aprovação da prestação de contas do 2º trimestre do FMC (Fundo Municipal de Cultura) e do regimento interno do Forte São Mateus. O Conselho é formado por 22 membros.

DELICADO – conto de Nelson Rodrigues.

Primeiro, o casal teve sete filhas! O pai, que se chamava Macário, coçava a cabeça, numa exclamação única e consternada:

— Papagaio!

Era um santo e obstinado homem. Sua utopia de namorado fora um simples e exíguo casal de filhos, um de cada sexo. Veio a primeira menina, mais outra, uma terceira, uma quarta e outro qualquer teria desistido, considerado que a vida encareceu muito. Mas seu Macário incluía entre seus defeitos o de ser teimoso. Na quinta filha, pessoas sensatas aconselharam: “Entrega os pontos, que é mais negócio!”. Seu Macário respirou fundo:

— Não, nunca! Nunca! Eu não sossego enquanto não tiver um filho homem!

Por sorte, casara-se com uma mulher; d. Flávia, que era, acima de tudo, mãe. Sua gravidez transcorria docemente, sem enjôos, desejos, tranqüila, quase eufórica. Quanto ao parto propriamente, era outro fenômeno estranhíssimo. Punha os filhos no mundo sem um gemido, sem uma careta. O marido sofria mais. Digo “sofria mais” porque o acometia, nessas ocasiões, uma dor de dente apocalíptica, de origem emocional. O caso dava o que pensar, pois Macário tinha na boca uma chapa dupla. Quando nasceu a sétima filha, o marido arrancou de si um suspiro em profundidade; e anunciou:

— Minha mulher, agora nós vamos fazer a última tentativa!

Novo Parto

No dia que d. Flávia ia ter o oitavo filho, os nervos de seu Macário estavam em pandarecos. Veio, chamada às pressas, a parteira, que era uma senhora de cento e trinta quilos, baixinha e patusca. A parteira espiou-a com uma experiência de mil e setecentos partos e concluiu: “Não é pra já!”. Ao que, mais do que depressa, replicou seu Macário:

— Meus dentes estão doendo!

E, de fato, o grande termômetro, em qualquer parto da esposa, era a sua dentadura. A parteira duvidou, mas, daí a cinco minutos, foi chamada outra vez. Houve um incidente de última hora. É que a digna profissional já não sabia onde estava a luva. Procura daqui, dali, e não acha. Com uma tremenda dor de dentes postiços, seu Macário teve de passar-lhe um sabão:

— Pra que luvas, carambolas? Mania de luvas!

Eusebiozinho

Assim nasceu o Eusebiozinho, no parto mais indolor que se possa imaginar. Uma prima solteirona veio perguntar, sôfrega: “Levou algum ponto?”. Ralharam:

— Sossega o periquito!

O fato é que seu Macário atingira, em cheio, o seu ideal de pai. Nascido o filho e passada a dor da chapa dupla, o homem gemeu: “Tenho um filho homem. Agora posso morrer!”. E, de fato, quarenta e oito horas depois, estava almoçando, quando desaba com a cabeça no prato. Um derrame fulminante antes da sobremesa. Para d. Flávia foi um desgosto pavoroso. Chorou, bateu com a cabeça nas paredes, teve que ser subjugada. E, na realidade, só sossegava na hora de dar o peito. Então, assoava-se e dizia à pessoa mais próximo:

— Traz o Eusebiozinho que é hora de mamar!

Flor de Rapaz

Eusebiozinho criou-se agarrado às saias da mãe, das irmãs, das tias, das vizinhas. Desde criança, só gostava de companhias femininas. Qualquer homem infundia-lhe terror. De resto, a mãe e as irmãs o segregavam dos outros meninos. Recomendavam: “Brinca só com meninas, ouviu? Menino diz nomes feios!”. O fato é que, num lar que era uma bastilha de mulheres, ele atingiu os dezesseis anos sem ter jamais proferido um nome feio, ou tentado um cigarro. Não se podia desejar maior doçura de modos, idéias, sentimentos. Era adorado em casa, inclusive pelas criadas. As irmãs não se casavam, porque deveres matrimoniais viriam afastá-las do rapaz. E tudo continuaria assim, no melhor dos mundos se, de repente, não acontecesse um imprevisto. Um tio do rapaz vem visitar a família e pergunta:

— Você tem namorada?
— Não.
— Nem teve?
— Nem tive.

Foi o bastante. O velho quase pôs a casa abaixo. Assombrou aquelas mulheres transidas com os vaticínios mais funestos: “Vocês estão querendo ver a caveira do rapaz?”. Virou-se para d. Flávia:

— Isso é um crime, ouviu?, é um crime o que vocês estão fazendo com esse rapaz! Vem cá, Eusébio, vem cá! Implacável, submeteu o sobrinho a uma exibição. Apontava:

— Isso é jeito de homem, é? Esse rapaz tem que casar, rápido!

Problema Matrimonial

Quando o tio despediu-se, o pânico estava espalhado na família. Mãe e filhas se entreolharam: “É mesmo, é mesmo! Nós temos sido muito egoístas! Nós não pensamos no Eusebiozinho!”. Quanto ao rapaz, tremia num canto. Ressentido ainda com a franqueza bestial do tio, bufou:

— Está muito bem assim!

A verdade é que já o apavorava a perspectiva de qualquer mudança numa vida tão doce. Mas a mãe chorou, replicou: “Não, meu filho. Seu tio tem razão. Você precisa casar, sim”. Atônito, Eusebiozinho olha em torno. Mas não encontrou apoio. Então, espavorido, ele pergunta:

— Casar pra quê? Por quê? E vocês? — Interpela as irmãs: — Por que vocês não se casaram?

A resposta foi vaga, insatisfatória:

— Mulher é outra coisa. Diferente.

A Namorada

Houve, então, uma conspiração quase internacional de mulheres. Mãe, irmãs, tias, vizinhas desandaram a procurar uma namorada para o Eusebiozinho. Entre várias pequenas possíveis, acabaram descobrindo uma. E o patético é que o principal interessado não foi ouvido, nem cheirado. Um belo dia, é apresentado a Iracema. Uma menina de dezessete anos, mas que tinha umas cadeiras de mulher casada. Cheia de corpo, um olhar rutilante, lábios grossos, ela produziu, inicialmente, uma sensação de terror no rapaz. Tinha uns modos desenvoltos que o esmagavam.

E começou o idílio mais estranho de que há memória. Numa sala ampla da Tijuca, os dois namoravam. Mas jamais os dois ficaram sozinhos. De dez a quinze mulheres formavam a seleta e ávida assistência do romance. Eusebiozinho, estatelado numa inibição mortal e materialmente incapaz de segurar na mão de Iracema. Esta, por sua vez, era outra constrangida. Quem deu remédio à situação, ainda uma vez, foi o inconveniente e destemperado tio. Viu o pessoal feminino controlando o namoro. Explodiu: “Vocês acham que alguém pode namorar com uma assistência de Fla-Flu? Vamos deixar os dois sozinhos, ora bolas!”. Ocorreu, então, o seguinte: sozinha com o namorado, Iracema atirou-lhe um beijo no pescoço. O desgraçado crispou-se, eletrizado:

— Não faz assim que eu sinto cócegas!

O Vestido de Noiva

Começaram os preparativos para o casamento. Um dia, Iracema apareceu, frenética, desfraldando uma revista. Descobrira uma coisa espetacular e quase esfregou aquilo na cara do Eusebiozinho: “Não é bacana esse modelo?”. A reação do rapaz foi surpreendente.

Se Iracema gostara do figurino, ele muito mais. Tomou-se de fanatismo pela gravura:

— Que beleza, meu Deus! Que maravilha!

Houve, aliás, unanimidade feroz. Todos aprovaram o modelo que fascinava Iracema. Então, a mãe e as irmãs do rapaz resolveram dar aquele vestido à pequena. E mais, resolveram elas mesmas confeccionar. Compraram metros e metros de fazenda. Com um encanto, um élan tremendo, começaram a fazer o vestido. Cada qual se dedicava à sua tarefa como se cosesse para si mesma. Ninguém ali, no entanto, parecia tão interessado quanto Eusebiozinho. Sentava-se, ao lado da mãe e das irmãs, num deslumbramento: “Mas como é bonito! Como é lindo!”. E seu enlevo era tanto que uma vizinha, muito sem cerimônia, brincou:

— Parece até que é Eusebiozinho que vai vestir esse negócio!

O Ladrão

Uns quatro dias antes do casamento, o vestido estava pronto. Meditativo, Eusebiozinho suspirava: “A coisa mais bonita do mundo é uma noiva!”. Muito bem. Passa-se mais um dia. E, súbito, há naquela casa o alarme: “Desapareceu o vestido da noiva!”. Foi um tumulto de mulheres. Puseram a casa de pernas para o ar, e nada. Era óbvia a conclusão: alguém roubou! E como faltavam poucos dias para o casamento sugeriram à desesperada Iracema: “O golpe é casar sem vestido de noiva!”. Para quê? Ela se insultou:

— Casar sem vestido de noiva, uma pinóia! Pois sim!

Chamaram até a polícia. O mistério era a verdade, alucinante: Quem poderia ter interesse num vestido de noiva? Todas as investigações resultaram inúteis. E só descobriram o ladrão quando dois dias depois, pela manhã, d. Flávia acorda e dá com aquele vulto branco, suspenso no corredor. Vestido de noiva, com véu e grinalda — enforcara-se Eusebiozinho, deixando o seguinte e doloroso bilhete: “Quero ser enterrado assim”.

NÃO HÁ COMO FUGIR DAS CONSEQUÊNCIAS DA AÇÃO POLÍTICA por Cláudio Leitão.

Esta insatisfação que está presente neste momento na cidade com os rumos do governo de Adriano Moreno, O Mitômano, precisa ser transformada em resposta futura. Eu participei de sua campanha e ajudei a desenvolver o programa de governo, que, entretanto, foi abandonado após a sua vitória nas eleições do ano passado.

Eu e vários outros secretários e colaboradores rompemos com o governo. Deixamos os cargos com o sentimento de termos sido traídos e enganados com a mudança de projeto e estupefatos com a presença maciça no governo de integrantes do primeiro escalão do ex-prefeito Marquinho Mendes, multiprocessado e neste momento inelegível, que tínhamos derrotado numa dura batalha eleitoral.

Integrei o governo durante nove meses e durante todo este período lutei internamente para tentar fazer valer o que propomos na campanha, principalmente na Educação, que foi a pasta que me coube ocupar após a vitória. Produzimos importantes avanços neste curto período de tempo, apesar do boicote orçamentário a da paralisação de inúmeros processos licitatórios que sofri por parte da Secretaria de Fazenda com a anuência do prefeito mentiroso. As minhas denúncias de desvios de verbas da Educação nas mais variadas instâncias são públicas e notórias na cidade.

Dei publicidade a tudo nos meios de comunicação e nas redes sociais. Apresentei provas concretas que em breve vão produzir efeitos através dos órgãos fiscalizadores, principalmente o MPE-GAEDUC. Sempre tive lado naquela disputa interna que travei que era o lado da transparência e da correção nos atos, ações e práticas políticas e de gestão.

Segue sendo necessário romper este modelo de gestão que Adriano prometeu e não cumpriu. Permanece sendo imprescindível não compactuar com as velhas práticas políticas que apequenam o debate de ideias, fatores tão importantes num processo eleitoral. A campanha política não pode ser pautada em cima das candidaturas com maior poder econômico, inclusive na eleição para a Câmara de Vereadores, que é tão importante como a eleição para prefeito. É preciso um olhar mais abrangente, observando com mais atenção todas as alternativas presentes no espaço político. 

A população precisa entrar de verdade neste processo de discussão. Precisa ser estimulada. Precisa estar mais atenta as decisões políticas tomadas que impactaram e vão impactar ainda mais suas vidas e o futuro de suas famílias. 
Isso é de responsabilidade de todos nós. O voto do cidadão que ganha um salário mínimo vale a mesma coisa do voto do grande empresário. Os interesses é que são diferentes. A necessidade de atenção do poder público também. 

Não adianta apenas criticar políticos e demonizar a política se continuarmos votando por interesses pessoais.Toda generalização é injusta. Tem muita gente boa e honesta atuando politicamente, comprometidas com um processo verdadeiro de mudanças. Anular o voto e não participar não torna ninguém menos responsável sobre o futuro da cidade. A sociedade, principalmente os segmentos mais organizados, precisa ter a coragem e a ousadia de apostar num novo projeto de cidade para Cabo Frio que envolva a participação coletiva. .

Cabo Frio tem um orçamento extraordinário, uma população trabalhadora, um grande potencial turístico e gerador de renda que precisa ser melhor aproveitado. É uma cidade privilegiada com belezas naturais e um patrimônio histórico e cultural que poucas cidades possuem.

Em 2020 teremos uma nova chance durante o debate político que vai permear as eleições municipais. Erros, frustrações e enganos fazem parte deste processo de “aprendizado democrático”. Não há alternativa de mudança fora do ambiente político e do voto, porém devemos ter sempre um cuidado especial com alternativas autoritárias e messiânicas, pois estas nunca levam a um caminho de participação coletiva e popular.

As transformações são sempre fruto de ações coletivas. Elas impulsionam o que muitos chamam de “impossível” a se constituir numa realidade concreta.
Já dizia Brecht no século passado: “Nada deve parecer natural. Nada deve parecer impossível de mudar”.

Pensar sobre tudo isso é tarefa de todos nós. 

  • Cláudio Leitão, ex-secretário de educação de Cabo Frio, é economista e professor de história.
  • As opiniões manifestadas no artigo são de responsabilidade do autor.

COMUNICADO CONJUNTO SINDICAF-SINDSAÚDE

DECISÃO DE ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA

Comunicamos a toda a Categoria Profissional, que por deliberação da AGE Conjunta realizada no dia 30/09/2019, os servidores públicos municipais da Administração Direta da PMCF, resolveram aceitar a proposta do Governo Municipal resultante da Negociação Laboral realizada em 25/09/2019 com as Entidades Classistas (SINDICAF/SINDSAÚDE/AGCMCF/AFM), objeto da Pauta encaminhada via Ofício Conjunto/SINDICAF/SINDSAÚDE/008/2019 ao Governo Municipal em 11/09/2019 (doc. anexo), conforme abaixo:
1. Reunir até a primeira quinzena de Janeiro/2020 para negociar os 14% restantes da reposição inflacionária do período Junho/2015-Junho/2019;
2. Reunir até final de Novembro/2019, para negociar a forma de correção do enquadramento funcional (Promoção Vertical/PCCR), após levantamento dos beneficiários/custo feito pela PMCF;
3. Pagar o 13º Salário/2016 para os servidores ativos e inativos em duas parcelas, sendo a 1ª quando recebimento do restante dos precatórios bloqueados e a 2ª no mês de Fevereiro/2020.
4. Ressarcir os descontos efetuados para o antigo PASMH (atual PASMED) no período 2015/2016, conforme relação nominal encaminhada pelos SINDICAF e SINDSAÚDE.

Ainda conforme a Assembléia Geral, os servidores decidiram encerrar a Greve já no dia seguinte ao recebimento da 1ª parcela do 13º Salário/2016, mantendo-se, entretanto, em Estado de Greve até a quitação da 2ª parcela, bem como pelo recebimento dos salários mensais e 13º Salário/2019 nos prazos da Lei, e pelo cumprimento dos demais itens constantes da proposta aceita, e também solicitaram que fosse lavrado um Termo de Negociação Coletiva entre Governo Municipal e Sindicatos e o sobrestamento do Processo de Dissídio de Greve em tramitação no TJRJ (Processo nº 0042976-56.2019.8.19.0000).

Atenciosamente.

SINDICAF-SINDSAÚDE