GOVERNO CONTROLA TOTALMENTE O IBASCAF

Com atraso, o governo paga os aposentados (grupo de risco do covid-19) e pensionistas do IBASCAF. Após a intervenção feita pela prefeitura, o governo municipal passa a ter controle total sobre a entidade.

O vereador Rafael Peçanha, que muita gente pensava que ia para o PSB, migrou para o Cidadania, antigo PPS, onde pontificou o ex-ministro Roberto Freire.

O vereador saiu do PDT, mas manteve seu apoio a candidatura de José Bonifácio. Rafael Peçanha é o coordenador da campanha para a eleição de 2020.

O ex-prefeito José Bonifácio tem feito ‘lives’ com cabofrienses ansiosos para sentarem nas confortáveis poltronas do Plenário Oswaldo Rodrigues.

Das paredes murmurantes do vetusto prédio da câmara, que já poderia ser o museu do legislativo. Quais os dois vereadores mais influentes nessa legislatura? Luis Geraldo e Miguel Alencar?

Luis Geraldo, presidente da câmara, considera que no final do processo de troca-troca de partidos, o Republicanos (antigo PRB) conseguiu fortalecer sua nominata.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

MANUAL PRÁTICO DE LEVITAÇÃO – José Eduardo Agualusa

Não gosto de festas. Aborrece-me a conversa fiada, o fumo, a alegria fátua dos bêbados. Irritam-me ainda mais os pratos de plástico. Os talheres de plástico. Os copos de plástico. Servem-me coelho assado num prato de plástico, forçam-me a comer com talheres de plástico, o prato nos joelhos, porque não há mais lugares à mesa, e inevitavelmente o garfo quebra-se. A carne salta e cai-me nas calças. Derramo o vinho. Além disso odeio coelho. Faço um esforço enorme para que ninguém repare em mim, mas há sempre uma mulher que, a dada altura, me puxa pelo braço, vamos dançar?, e lá vou eu, de rastos, atordoado pelo estrídulo dissonante dos perfumes e o volume da música. Terminado o número, um tanto humilhado porque, confesso, tenho o pé pesado, sirvo-me de um uísque, com muito gelo, mas logo alguém me sacode, o que foi, meu velho, estás chateado?, e eu, que não, esforçando-me por sorrir, esforçando-me por rir às gargalhadas, como o resto da chusma, chateado? por que havia de estar chateado?, o dever da alegria chama-me, grito, lá vou, lá vou, e regresso à pista, e finjo que danço, finjo que estou feliz, pulando para a direita, pulando para a esquerda, até que se esqueçam de mim. Naquela noite estava quase a ser esquecido quando reparei num sujeito alto, todo vestido de branco, como um lírio, alva cabeleira à solta pelos ombros, a rondar sombriamente os pastéis de bacalhau. O homem parecia estar ali por engano. Achei-o de repente tão desamparado quanto eu. Podia ser eu, excepto pela roupa, pois evito o branco. O branco não é muito apropriado para o meu negócio. Menos ainda as cores garridas. Obedeço ao lugar-comum — visto-me de negro. Aproximei-me do homem, numa solidariedade de náufrago, e estendi-lhe a mão.

— Sou Fulano — disse-lhe. — Vendo caixões.

A mão do homem (entre a minha) era lassa e pálida. Os olhos tinham um brilho escuro, vago, como um lago, à noite, iluminado pela luz do luar. A maioria das pessoas não consegue disfarçar o choque, ou o riso, depende da circunstância, quando escutam a palavra caixões. Alguns hesitam: paixões? Não, corrijo, caixões. O sujeito, porém, permaneceu imperturbável.

— Nenhum nome é verdadeiro —, respondeu-me, com forte sotaque pernambucano. — Mas pode me chamar Emanuel Subtil.

— E o que faz o senhor?

— Sou professor…

— Ah Sim? E de quê?

Emanuel Subtil sacudiu a cabeleira num movimento distraído:

— Dou aulas de levitação.

— Levitação?!

— Levitação, sabe?, fenômeno psíquico, anímico, mediúnico, em que uma pessoa ou uma coisa é erguida do solo sem um motivo visível, apenas devido ao esforço mental. A mente movimenta fluidos ectoplasmáticos capazes de vencer a força da gravidade. Eu ensino técnicas de levitação. Sem arames nem outros truques soezes.

— Interessante! Muito interessante! —, respondi, tentando ganhar tempo para pensar. — E tem muitos alunos?

O homem sorriu-me gravemente. É certo que não, disse, nos dias de hoje são poucas as pessoas interessadas em levitar. Tristes tempos estes. O triunfo do materialismo tem vindo a corromper tudo. Escasseiam as vocações para as obras do espírito. As vocações e a força mental — sugeri timidamente. Sim, confirmou Emanuel Subtil, sacudindo outra vez a magnífica cabeleira branca, e a força mental. As pessoas preferem manter os pés bem assentes na terra. E levitava, ele?, quis eu saber. Isto é, praticava com freqüência essa arte esquecida? Emanuel Subtil sorriu absorto:

— Não há dia em que não pratique. Levitar, meu caro senhor, é o mais completo dos exercícios. Cinco minutos em suspensão, logo pela manhã, ao romper da alva, estimula todos os órgãos vitais e regenera a alma.

Inclusive acontecia-lhe às vezes levitar por descuido. Contou-me que São José de Copertino, que viveu entre 1603 e 1663, sofria ataques de imponderabilidade sempre que algo o emocionava. Chamava a isso, com terror, “as minhas vertigens”. Um domingo, durante a missa, elevou-se no vazio e durante largos minutos pairou numa aflição sobre o altar, em meio à chama aguda das velas, e ao alarido das beatas, ficando gravemente queimado. A igreja afastou-o, durante 35 anos, de todos os rituais públicos, em razão destas práticas extravagantes, mas nem isso impediu que a sua fama se propagasse. Uma tarde, passeando o santo homem pelos jardins do mosteiro, em companhia de um monge beneditino, foi subitamente arrastado até aos ramos mais altos de uma oliveira por um golpe de vento. Infelizmente sucedia com ele o mesmo que com os gatos, ou os balões, toda a sua propensão era para subir, não para descer, de forma que os monges tiveram de o resgatar de lá com o auxílio de uma escada. Murmurei qualquer coisa sobre a vocação mística das oliveiras, a tendência que demonstram, desde há milênios, para acolherem santos e demiurgos. Emanuel Subtil, porém, ignorou a minha observação. O caso de São José de Copertino, explicou, servia-lhe somente para ilustrar os perigos que incorre um leigo, ainda que excepcionalmente talentoso, ao praticar a arte da levitação sem o acompanhamento de um mestre:

— Você oferecia um Ferrari a uma criança? Certamente que não!

Concordei logo. É claro, por amor de Deus!, não o punha nem nas minhas mãos.

— Levitar não é para qualquer um, — prosseguiu Emanuel Subtil carregando nas palavras. — Levitar exige fé, perseverança e ainda algo mais: responsabilidade. Quer tentar?

E logo ali expôs as suas condições. Trezentos reais por mês. Quatro vezes por semana. Uma hora cada sessão. Naturalmente, acrescentou, seria impossível observar resultados antes de três a quatro meses.

— E se não obtiver resultados?

Emanuel Subtil sossegou-me. Em três meses, convenientemente orientado, até um elefante consegue levitar. Mas ainda que eu me revelasse tão mau levitador quanto bailarino (só então percebi que passara a noite a observar-me) ele próprio me daria um empurrão. Citou-me o caso de um famoso médium inglês, Daniel Douglas Home, que nos anos trinta desafiava a tradicional fleuma britânica fazendo flutuar pianos e outros objectos pesados. Conta-se que uma noite levou um boi para o salão de um rico industrial, e o ergueu no ar. Ia o boi ao nível dos lustres, bem alto e iluminado, quando, por distracção ou um repentino desfalecimento de fé, lhe falharam as forças (ao médium), romperam-se os fluidos ectoplasmáticos, e o animal precipitou-se, com brutal fragor, sobre duas das acólitas.

— Morreram?

— O que lhe parece? — Suspirou. — A história da aeronáutica está cheia de tragédias, pequenas e grandes, mas nem por isso deixamos de andar de avião.

Declinei o convite. A festa chegara ao fim. Um velho negro dançava sozinho, de lágrimas nos olhos, alheio à música, vamos chamar-lhe música, uma mistura de alarme de carros, já rouco e exausto, e metais em convulsão. Duas raparigas muito loiras, muito lânguidas, dormiam abraçadas num sofá. Eu não conhecia ninguém. Ninguém me conhecia.

—Talvez você saiba de alguém que dê aulas de invisibilidade. Nisso estou interessado.

Emanuel Subtil olhou-me com desdém. Não respondeu. Já no hall, enquanto escolhia um guarda-chuva discreto, conforme ao meu ofício, entre um denso molhe deles, ainda vi o brasileiro abrir caminho através do fumo espesso e desabar no sofá, junto às duas raparigas loiras. Vi-o fechar os olhos. Cruzar os braços sobre o peito magro. Pareceu-me que sorria. Tenho conhecido gente um pouco estranha nestas festas. Existe de tudo. As ocupações mais bizarras. Eu sei, é claro, que isso depende sempre da perspectiva. Eu, por exemplo, vendo caixões. O meu pai vendia caixões. O meu avô vendia caixões. Cresci nisto. Acho até prosaico. Preferia, reconheço, dar aulas de levitação. Paciência. Consola-me saber que a morte é melhor negócio. Como o meu avô dizia – só uma coisa me aflige: a imortalidade.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

O GRANDE ACORDO?

ACORDO

Alguns velhos e experientes observadores da corrente de interesses entre o vetusto prédio da câmara e o “Palácio” Tiradentes acreditam que existe um pretensamente sólido acordo entre Antônio Carlos Vieira, o Cati e grupo seleto de vereadores.

CONTROLE DAS BENESSES

Antônio Carlos Vieira, desde o primeiro momento fez questão de controlar as benesses concedidas aos vereadores pelo governo, em especial nesse período de formação das nominatas.

A PROJEÇÃO!

A projeção é para o próximo governo, que, dificilmente será de Adriano Moreno, rejeitado pela quase unanimidade da opinião pública. O “assessor especial” sabe disso, mas finge que não é bem o caso, digamos assim.

CAMINHO DE VOLTA?

Importante prestar atenção que o “beija mão” dos vereadores foi sempre bem maior com Antônio Carlos Vieira, o Cati do que com Adriano Moreno. Isso pode significar que o “assessor especial”, também chamado por alguns de o “gênio da lâmpada” pode não estar tramando sua volta a Niterói via Manilha, São Gonçalo e Alcântara.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

DE CARA LIMPA!

O professor José Américo Trindade, velho militante do “partidão”, por absoluta pressão da família e com medo do covid-19, raspou a sua frondosa barba. O mesmo fez o vereador Rafael Peçanha, que na “janela” proporcionada pela justiça eleitoral, agora está no Cidadania (antigo PPS). O vereador publicou o resultado nas redes sociais.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

LUTA POR ESPAÇO

A vereadora Letícia Jotta disputa com Rafaela Fernandes e o ex-secretário de governo Miguel Alencar o apoio das instituições e personalidades vinculadas ao Movimento Negro. A vereadora conta com o apoio da advogada e militante do movimento, Margareth Ferreira.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

QUAL O DESTINO?

O ex-presidente da câmara, Aquiles Barreto, migrou para o PT, que passou muito tempo nas asas governamentais de Marquinhos Mendes. A pergunta, entre tantas que não quer calar, é: qual vai ser o destino político do PT nas eleições de 2020?

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

PV BOLSONARISTA?

Em função da pandemia de corona vírus há certa paralisia de alguns atores da vida política. Examinando o quadro político-partidário é muito estranho o PV de Cabo Frio ser bolsonarista de carteirinha. Fere todos os princípios do partido.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter