LADAINHA, BATUQUE E ORAÇÃO – Luciana Branco

Ouvi hoje, depois de muito tempo, a expressão “ladainha”. Me recordo da avó, guardada em seu pequeno quarto pronunciando palavras inaudíveis durante longas horas. Interromper não era podido. Minha mãe dizia que era uma conversa com Deus. O que acontecia lá dentro só era conhecido por minha avó e pela cabeça imaginativa da menina de 11 anos. Durante muito tempo acompanhei suas ladainhas encostada quieta na porta fechada. Pensava em Deus, sentado ao lado da minha avó, dando conselhos sobre a vida. Por isso uma mulher tão sábia. Quis entrar, muitas vezes para perguntar coisas que não entendia, mas eu já tinha meus pecados, e como Deus sabe de tudo, não me atrevia. Melhor para mim que me mantivesse longe. Depois da ladainha minha avó saía com um copo d’água nas mãos, oferecendo-nos pequenos goles. Dizia estar benzida. Era bom tomar a água benzida por Deus. Embora eu saiba que a ladainha que ouvi hoje se referia a assunto enfadonho e repetitivo, e que nada havia em comum com a ladainha de minha avó, fez-me bem lembrar desse tempo.

Das palavras imperceptíveis no pequeno quarto dela; ao som maravilhoso que saía,da ponta dos dedos na pele dos instrumentos, meu mundo deu uma guinada. Preferia o batuque à reza. As preces às canções. As rodas de samba à igreja. O morro à cidade. O povo preto ao branco. O batuque fez acordar o ritmo que não tinha e a música que não sabia existir. O batuque me levou para quadras e terreiros. Me fez conhecer a ancestralidade que formou nosso povo. O batuque fez eu adorar saber que corre sangue africano nas minhas veias e que meus cabelos enrolados me provam isso. Quando ouço o batuque meu corpo de dentro e fora mexe e responde com gosto o que sinto. O batuque nunca será uma ladainha porque não se repete, não é um segredo, não é inaudível. Serei uma avó de quarto aberto, onde netos curiosos poderão entrar para falar com Deus tocando seus dedinhos no couro do meu pandeiro. Como dizia o poeta: “ Batuque é um privilégio!” E devemos ao povo preto o som que fala com Deus em forma de música.

Aprendi a rezar quando me disseram que oração é uma conversa íntima com Deus. Ladainhas e preces longas e repetitivas não me conectavam com o “amigo” da minha avó. Rezar era tortuoso até o dia em que decidi relaxar. Falar de mim, do meu dia, das minhas coisas, dos meus problemas… Pedir por mim, pela família, pelos amigos… Tirar dúvidas sobre um mundo que não entendo porque ainda existe; brigar por não entender como um ser tão poderoso pode permitir que crianças sofram… Acho que Deus anda cansado do homem aqui debaixo. Criou um paraíso que transformamos num inferno! Pau pra toda obra, Deus está na boca de todos: “Deus me livre! Deus me guarde! Fique com Deus! Vá com Deus! Só Deus! Deus nos salve! Nas mãos de Deus! Valha-me Deus!! Deus nos acuda! Haja Deus para tanto sufoco!!!! Fico sem jeito de pedir qualquer coisa pessoal vendo as urgências coletivas. Ser individualista quando o mundo adoecido precisa da oração de todos para que se cure é ocupar Deus de forma indevida. E com certeza, este é um tipo feio de pecado. Este é o momento em que precisamos vibrar juntos pelo planeta. Um poderoso vírus não escolhe países e nem obedece fronteiras. Entra. Vivemos um agora que nos iguala enquanto seres humanos habitantes de um só lugar. O medo é o mesmo em todo o mundo. E a reza na oração é uma só: SOBREVIVA.

O que a ladainha, o batuque e a oração tem em comum? De fato, não sei te responder precisamente. Acho apenas que se encaixam num tempo em que precisamos da fé que não nos tornem cegos; da música que não nos tire a alegria; e da oração que nos mantenha intimamente conectados com um Deus que precisa muito de nós.

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COLUNISTAS DO BLOG DO TOTONHO

COLUNISTAS DO BLOG DO TOTONHO

2ª – José Américo Trindade (Babade) e José Sette de Barros.

3ª – Ângela Sampaio de Souza (Anginha)

4ª – Cláudio Leitão e Luciana Branco

5ª – José Correia Baptista.

6ª – Rafael Alvarenga.

Sáb – Marcelo de Paula e Ricardo do Carmo

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BRIGA ANTIGA

O desentendimento entre o ex-prefeito Alair Corrêa e o ex-deputado Bernardo Ariston está mais vivo que nunca nas redes sociais da internet, especialmente no Facebook. A briga remonta a época em que o “velho morubixaba” foi prefeito e as críticas que recebeu na Rádio Litoral, no Programa Ademilton Ferreira.

IRRESPONSÁVEIS

Todos que apóiam essa abertura prematura dos templos com claro objetivo financeiro (dízimos e outras contribuições) e político (faturar eleitoralmente), deveriam ser responsabilizados e denunciados ao Ministério Público. O crescimento de infecções, internações, seqüelas e mortes deveriam entrar na conta desses irresponsáveis.

TRABALHO CONJUNTO

O estudante Davi de Souza denunciou e o vereador Rafael Peçanha acatou e levou ao Ministério Público do Trabalho denúncia contra a prefeitura de Cabo Frio. A prefeitura por inércia, incompetência ou mesmo por desleixo não deu baixa do nome dos trabalhadores demitidos dos seus registros. Assim, muitos trabalhadores não conseguiram receber o Auxílio Emergencial de 600 reais do governo federal.

O “LARANJA”

O “candidato laranja” não pode andar pelas ruas de Cabo Frio tal é o repúdio popular a sua administração. O homem que dizia combater a velha política hoje tem em seu governo toda a turma que dizia na campanha, que colocaria para fora da prefeitura. Antônio Carlos Vieira, o Cati pode muito bem voltar para Niterói e Adriano?

QUE GENEROSIDADE!

Sexta-feira, dia 10, a Escola Menino Jesus, no Jardim Excelsior, promoveu uma festa julina. Em momento de isolamento social e com as escolas sem aulas presenciais. Qual o propósito? Ajudar os carentes? Ta bom! Em novembro vamos conferir. O som com muitos decibéis acima do tolerável foi alvo de muitas reclamações.

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“Muita coisa aconteceu a Renato Russo depois que ele morreu”, asseverou Arthur Dapieve, no novo prefácio deste perfil artístico-biográfico, que chega agora a sua 10ª edição. De grandes exposições a um leilão de itens do músico em benefício do Retiro dos Artistas, passando pelo relançamento do primeiro álbum do Legião Urbana, com um CD de bônus, e ainda pela adaptação para cinema da canção “Faroeste caboclo” e pelo lançamento de uma cinebiografia, são inúmeras as homenagens prestadas a esse gigante da nossa música. Tudo isso se soma a uma constante renovação de fãs ardorosos que terão neste “Renato Russo: O Trovador Solitário” a história do ídolo e de sua trajetória pessoal e artística.

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TODOS TEMOS FUTURO – Ângela Maria Sampaio de Souza (*)

Um fato perturbador constante do ser humano é o “futuro “.

É um tal de fazer planos para que tudo dê certo, qdo se trata de buscar aquilo que é tido como desejo de ser alcançado.

Existe um provérbio sábio que ajuda a dar razão a quem pretende levar a vida com cuidado, que diz: “É melhor prevenir que remediar.”

Sei lá até que ponto cada qual aceita o ensinamento, pq viver preocupado com o futuro pode mais atrapalhar que ajudar.

Pensemos em crianças, homens, mulheres, menores e adultos, que são privados de liberdade, tanto da corrente material como da social, tratados como objetos, como mercadorias, vivendo em extrema pobreza, sem oportunidades nenhuma.

Como será esse futuro? Eles pensam no futuro a que têm direito? O futuro é direito de todos, mas dependerá de quando essa sociedade excluída terá seus desejos priorizados, seus direitos de cidadãos trabalhadores priorizados acima dos lucros.

É promover esse grupo com princípios éticos de forma que tenham vida digna e possam pensar no seu futuro como têm direito.

Do contrário não terão oportunidade de pensar e querer dominar os fatos do dia a dia p ser feliz. Tentar viver com prazer e sabedoria cada dia, nos dá certeza de termos saberes e desejos, sobretudo FUTURO.

A terra é mais do que simplesmente o planeta que habitamos, ela é geradora de vida. O que nos falta é oportunidade e o políticas públicas.

Os valores, estilo de vida, solidariedade, justiça social e esperança são necessários p mudanças que o mundo precisa para que todos tenham FUTURO.

(*) Ângela Maria Sampaio de Souza é Professora.

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ALGUÉM TEM EXPRESSÃO MAIS ADEQUADA QUE GENOCÍDIO?

As notas dos comandantes das Forças Armadas de repúdio ao Ministro do STF, Gilmar Mendes são um absurdo, fora de contexto e inadmissíveis dentro do Estado Democrático de Direito.

Em uma República Democrática comandantes das Forças Armadas não falam, obedecem, em seu lugar, fala apenas o ministro da defesa e todos subordinados ao Poder Civil da Constituição Brasileira, a nossa Lei Maior.

Querem transformar o Brasil, em definitivo, em uma Republiqueta de Bananas?

Basta de siricuticos, chiliques e rompantes. O comportamento e ação dos dirigentes das instituições podem e devem ser alvo de críticas.

O Brasil acabou de ultrapassar 70 mil mortes por conta de um governo desqualificado, com um presidente, que mais parece um chefete de quarteirão.

Alguém tem uma palavra mais adequada para o que está acontecendo no Brasil, que GENOCÍDIO?

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