Bolsonarismo raiz?

As seguidas manifestações de revolta de lideranças da campanha do deputado Sérgio L. Azevedo contra Bolsonaro revelam que o deputado e sua turma não são bolsonaristas de raiz. Deixam a entender que embarcaram na onda por uma questão de oportunidade eleitoral.

Esqueceu?

O deputado Sérgio L. Azevedo, gosta de dizer que é um dos articuladores e responsáveis pelo processo de impedimento de Wilson Witzel. Esqueceu de dizer que isso só aconteceu depois do rompimento do então governador com o seu líder Bolsonaro e que ele Sérgio L. Azevedo também ajudou a eleger o ex-juiz Witzel.

Moderação a vista?

Com o evidente esvaziamento do bolsonarismo clarificado nas eleições municipais, principalmente nos grandes centros, o meio político de Cabo Frio especula se logo ali na primeira esquina o deputado Sérgio L. Azevedo também pode adotar tom mais moderado. Tudo vai depender das perspectivas eleitorais.

Sem votos, não dá!

Aos poucos vai arrefecendo o ânimo dos “sem votos”, que embarcaram em uma das muitas “teorias da conspiração”, que perambulam pelo Brasil dos extremos. Imagine se essas figuras revoltadas tivessem sido candidatas em algum condado dos EUA, com aquele complicadíssimo sistema de apuração de votos. Estariam roendo as unhas em desespero.

Especulações

As especulações sobre o nome do novo (a) para a secretaria de educação não cessam: Laura Barreto, Aquiles Barreto, Rafael Peçanha, Márcia Tardelli, Márcia Teixeira, Márcia Quaresma, Joana D’Arc, Elicea Silveira e outros tantos estão nas “bocas das matildes” (a expressão é tão antiga quanto o editor) cabofrienses. Difícil é agradar a “sala dos professores”.

Circunstâncias 1

A secretaria de educação tem um grande orçamento, número muito expressivo de professores, funcionários de apoio e no seu pé um sindicato muito ativo. Tem também imensos problemas, desde o estado precário de prédios da rede pública até o medíocre índice do IDEB, passando pela segurança da escola e do seu entorno.

Circunstâncias 2

O secretário (a), dependendo das questões políticas, da capacidade técnica e administrativa e da qualidade do diálogo com a categoria, pode ter uma imensa oportunidade de dar aquele salto qualitativo em sua carreira política e nas possíveis pretensões eleitorais.

Sem malabarismos

Por outro lado é também um posto muito espinhoso, considerado chave no governo de José Bonifácio, no qual a educação é a “menina dos olhos”, portanto, ali não dá para vacilar. Não dá para inventar e muito menos fazer malabarismos políticos em busca de viabilidade eleitoral.

“Menina dos olhos”

O prefeito tende a acompanhar muito de perto o dia-a-dia da secretaria de educação. Têm a “mania” de fazer visitas as escolas sem avisar, de surpresa mesmo. Senta na sala dos professores e costuma ouvir o que eles têm a dizer e ainda avalia a qualidade da merenda comendo junto com os alunos. O secretário (a) e equipe terão que “ralar” bastante.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

Homenagem a um novo nome para o auditório da Prefeitura

A inauguração do auditório da Prefeitura de Cabo Frio com o nome do ex-prefeito Alair Corrêa foi suspensa. E a explicação é muito justa.Como se sabe, em 2004 ao inaugurar a sede da Prefeitura onde era o Fórum de Cabo Frio, o então prefeito Alair Corrêa disse que iria dar o nome do ex-prefeito José Bonifácio ao auditório da Prefeitura. Como não se pode dar nome de pessoas vivas a próprios municipais, Alair Corrêa justificou que faria homenagem a José Bonifácio por que ele estava morto. Morto politicamente. Mas houve uma reviravolta política. José Bonifácio se elegeu prefeito nestas eleições e a homenagem recaiu justificadamente para Alair Corrêa, pelos mesmos motivos da homenagem a José Bonifácio, em decorrência de Alair ter desistido da vida pública em virtude dos últimos fracassos políticos.

Mas as eleições deste ano também trouxeram uma outra novidade na disputa em inscrever o nome na placa do auditório da Prefeitura: o julgamento popular do prefeito Dr. Adriano. Em junho de 2018, Dr. Adriano obteve quase 35 mil votos, se elegendo prefeito para até dezembro de 2020. Agora no dia 15 de novembro, Dr. Adriano foi auferir a sua popularidade e obteve nada menos do que 1.237 votos. Desde que assumiu o mandato, Dr. Adriano perdeu mais de 1 mil votos por mês. Ou seja, depois de dois anos e meio como prefeito, Dr. Adriano é protagonista de uma queda espetacular para o túmulo político. Algo que talvez nunca seja superado na política cabo-friense. Por isso, o auditório da Prefeitura passará agora se chamar Dr. Adriano Moreno, em uma justa homenagem à passagem meteórica do ortopedista por esta vida política.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

Peró – Bandeira Azul

Ilustração

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

Para uma temporada inédita de 12 meses, a Bandeira Azul será hasteada na Praia do Peró, em Cabo Frio, no dia 11 de dezembro, às 11 horas, com a presença da coordenadora nacional do programa, Leana Bernardi. Nas últimas duas temporadas, a bandeira ficou hasteada apenas no verão, mas agora ficará desfraldada durante um ano. Devido aos cuidados com a prevenção do coronavírus, a solenidade de hasteamento será simples para evitar aglomeração de público. Conhecida como “Perópolis”, o Peró é a praia preferida dos petropolitanos,

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

Um gambá na máquina de lavar roupas

Eis que às duas horas da tarde, sob o mormaço que anunciava a chuva, me deparei com um gambá dentro da máquina de lavar roupas. Estava lá deitado no fundo branco daquele buraco plástico. E não tinha bebido nada como eu, ridiculamente, supus.

O bicho dormia. Estava exausto. Balancei a máquina com cuidado. Dei algumas leves batidas em sua lateral como alguém que bate à porta de um conhecido, mas o gambá sequer se mexeu. Não queria ser incomodado. Eu precisava demonstrar que aquele local não poderia ser transformado em dormitório. Porém não tinha qualquer intenção de ser violento.

Virei a máquina até que ficasse deitada no chão. Agora bastava o gambá sair andando. Não precisaria pular, enrolar o rabo, fazer pirueta, tampouco se arriscar sobre alguma corda bamba. Não houve jeito, mesmo depois de acordar ele se negou a sair.

Já vi invasão de terra improdutiva, de prédios abandonados, entretanto de máquinas de lavar usadas quase que diariamente, era a primeira vez. Enfim, depois de muita negociação o gambá se arrepiou inteiro e deixou o local indignado, como se eu fosse um PM truculento a mando do governador.

Tentei parafrasear Guimarães Rosa e dizer que “Viver é muito complicado”, contudo não quis me ouvir. Percebi que era um jovem gambá. Talvez tivesse sido expulso da toca pelo pai na noite passada. Infelizmente eu não podia resolver o problema dele. Desse modo, fui um péssimo anfitrião.

Isso é vida de gambá! Basta o rabo e o pelo crescer e o convidam a se retirar para que aprenda a viver.

O jovem gambá saiu às carreiras, me olhando com cara de poucos amigos. Eu lamento que a chuva tenha chegado logo agora que o forcei a por o pé na estrada. Mas, dentro da máquina de lavar, mal sabe ele, é pior, pois chove quase todo dia.

Rafael Alvarenga

Cabo Frio, 19 de novembro de 2020

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

A ARQUITETURA DO GOVERNO

A ressaca da vitória, após o cair da tarde de domingo mal acabou e os caciques, grandes e pequenos se movem buscando assegurar e até consolidar espaços de poder. Nada mais é que a montagem da arquitetura político/administrativa, que pretende governar a cidade nos próximos quatro anos.  

É o momento da formação do secretariado, que leva em consideração vários fatores, inclusive a maior ou menor proximidade política e pessoal com o prefeito. Também não escapa o gordo ou magro orçamento da pasta e sua capacidade de alcançar e influenciar o maior número de pessoas.

Processo bastante semelhante se dá na formação da mesa diretora da câmara com maior ou menor influência do prefeito e de seus agentes políticos no legislativo. A capacidade de negociação e a credibilidade junto à sociedade pesam muito nesse momento e são essenciais para o sucesso ou desgaste do futuro governo.

A mídia reflete parcialmente toda a movimentação que acontece nos bastidores, particularmente as pressões e “caneladas” aqui e acolá, típicas da transição e formação do governo.

Acalmem os corações: é assim mesmo que funciona!

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

SÓ MARACUGINA RESOLVE!

Maracugina neles

O movimento dos candidatos derrotados na tentativa de sentar nas confortáveis poltronas do Plenário Oswaldo Rodrigues é hilário. É um frenesi pós-eleitoral, que logo passa e cai no esquecimento. O blog recomenda doses homeopáticas da velha e boa Maracugina, que ajuda no tratamento da ansiedade, nervosismo e insônia.

“Inês é morta”

A cada eleição rola o mesmo papo. Em 2020, aproveitam a farsa de Donald Trump e Bolsonaro e alimentam as “teorias da conspiração”, que chegaram a Cabo Frio requentadas. Talvez seja melhor que os envolvidos nos siricuticos e pitís voltem ao trabalho, porque “Inês é morta” como psicografou Vovô Bibiu.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

A derrota da reação

Muita gente dizendo que Cabo Frio derrotou o conservadorismo com a eleição de José Bonifácio. Calma! Interpretação errônea. Cabo Frio, com a eleição de Zezinho, venceu uma candidatura reacionária, que em nível nacional apoiava o bolsonarismo e tudo de perverso, que isso significa. E ficamos por aqui: certo?

Viva Ulisses Guimarães!

Muita ansiedade no meio político em relação à escolha do secretariado, especialmente a secretaria de educação, que é um dos maiores “abacaxis” da administração municipal. Uma coisa é certa, o prefeito não vai nomear alguém, que não tenha condições de demitir. Parece pouco, mas não é.

A Câmara

A nova câmara de vereadores não é melhor, nem pior, que em outras legislaturas e de alguma forma, bem ou mal, representa a sociedade cabofriense. A câmara inclui a periferia, tão pouco reconhecida, como ator político, principalmente pelos moradores do Centro, que se acreditam como os únicos formadores de opinião.

Quem será?

O importante é que o governo saiba escolher peças chave para negociar politicamente e formar maioria. A escolha de um secretário de governo com boa passagem entre os vereadores e capacidade de articulação política é fundamental. Uma boa relação com a câmara ajuda muito qualquer prefeito.

Fim melancólico

No melancólico fim de governo de Adriano Moreno não se vê mais a onipresença do ex-secretário de fazenda, Antônio Carlos Vieira, mais conhecido na província por Cati, uma das figuras exponenciais da “República do Edifício das Professoras”. Qual será a herança política do presidente do Democratas de Cabo Frio? Respostas para a redação.

Indagações

Muita gente pergunta qual o destino político de Adriano Moreno? Tentará eleição para deputado estadual, em 2022 ou vai abandonar, em definitivo a carreira política? O seu parceiro na prefeitura, Antônio Carlos Vieira volta para o mercado financeiro?

Novela

A Família Bento aos “trancos e barrancos” conseguiu manter sua presença política na cidade, embora decadente. O patriarca Silas e seu filho Vanderson obtiveram habeas-corpus, deixaram a prisão, acusados de “rachadinha” e conseguiram a eleição de Vanderson para a câmara de vereadores. Ainda não se sabe o fim dessa intrincada novela.

O objetivo é 2022

O deputado Sérgio L. Azevedo, no final do processo eleitoral para prefeito de Cabo Frio, já estava fazendo a campanha de reeleição para a Assembleia Legislativa (ALERJ), em 2022: divulgou o seu nome com bastante intensidade e no finalzinho, com a derrota definida, abrandou o discurso.

Finalmente amadureceu?

O texto de Alair Corrêa nas redes sociais, conclamando o deputado Sérgio L. Azevedo a colaborar com o novo prefeito, revela seu amadurecimento político e pessoal. Quando deputado, líder do PSDB, na ALERJ, fez de tudo para impedir a administração de José Bonifácio, conseguindo inclusive romper o convênio de Cabo Frio com o governo do estado (Marcelo Alencar) para a estrada Cabo Frio/Búzios. Finalmente, cresceu?

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

CABO FRIO NA VIDA DE JOSÉ LINS DO REGO

José Correia Baptista

Os passos do escritor José Lins do Rego (1901-1957) em Cabo Frio no final dos anos 1930 para 1940 merecem ser um dia reconstituídos. Não só para sabermos mais sobre os caminhos do escritor paraibano por Cabo Frio, mas para conhecermos detalhes sobre os gestos, as opiniões, as vivências de José Lins que nos ajudariam também a pensar melhor nossa cidade. No final da década de 1930, José Lins, exercendo cargo de fiscal do imposto do consumo – expediente que lhe dava todo o tempo para fazer o que mais gostava, escrever -, chegou a morar em Cabo Frio. Carlos Massa, que o havia conhecido nessa época, me disse que José Lins do Rego nunca fiscalizou ninguém e o que gostava mesmo de fazer era jogar sinuca no bar do centro de Cabo Frio.

O poeta Cardoso da Fonseca também me deu alguns depoimentos sobre José Lins do Rego. Em um deles, José Lins teria lido o nosso Waldemir Terra Cardoso (que morreu em 1936 de tuberculose com apenas 24 anos de idade) e deixado a opinião de que o considerava um poeta notável.

O que sabemos das impressões de José Lins do Rego sobre sua passagem por Cabo Frio estão no romance “Água-Mãe” (meu livro é a 6a. edição da Livraria José Olympio Editora, 1970), lançado em 1941, e em dois artigos intitulados Cabo Frio I e II reunidos no livro “Gordos e Magros” (minha edição é da Casa do Estudante do Brasil, 1942). No romance, essa característica tão singular de José Lins do Rego, o lado sombrio e pessimista da vida. Ou, como julgou Otto Maria Carpeaux, o lado profundamente triste. A obra de José Lins do Rego é “uma epopeia da tristeza, da tristeza da sua terra e da sua gente, da tristeza do Brasil.” Portanto, concluía Carpeaux: José Lins do Rego é brasileiríssimo.

“Água-Mãe” é a história de três famílias: a do cabo Candinho – de onde sai o jogador Joca, numa carreira meteórica e trágica -, a da salineira dona Mocinha, que vê os filhos tomarem o rumo da perdição em contato com a rica família Mafra, do Rio de Janeiro, que faz renascer a Casa Azul, amaldiçoada e temida pelos pescadores (lembra “Fogo Morto”: “E o Santa Fé foi ficando assim o engenho sinistro da várzea”). A Casa Azul, presença que anula a paisagem, a água-mãe que dormia nos quadros das salinas, a natureza, com as terras abandonadas, água podre, céu azul, beijo da brisa macia nas árvores, carícia boa da lagoa nas pedras e o mistério cobrindo tudo isso de desgraça, de maus fados (palavras de José Lins do Rego em uma passagem do livro), tomam a forma humana no retrato final do livro, no desespero de dona Candinha pela morte do filho Luiz, no desespero da família Mafra com a morte de Marta, morte inexplicável na Lagoa de Araruama. Paulo daria a notícia para sua mãe. A natureza retorna estampada no rosto do desespero da morte. “Parecia a água-mãe, descendo para a lagoa”. É como José Lins do Rego termina o romance. A natureza e o homem num destino comum.

No romance, José Lins do Rego se refere a Mário Salles (lembrado por Antonio Terra em seu livro “Crônicas”), caracterizado como prefeito da cidade, opina sobre a índole do povo e pontos históricos, como o Convento e o Forte. Nos dois artigos sobre Cabo Frio no livro “Gordos e Magros” fica claro que o que mais chama a atenção dele é a paisagem transformada pela ação do homem: o canal Palmer que corta a Lagoa, os quadros das salinas, enfim, “o homem em Cabo Frio deu à paisagem uma contribuição mais sua”. A vida é fácil. Se a pesca no mar está difícil, tem a tranqüilidade da lagoa. É fácil a vida do pescador. Cal, peixe, sal, “aqui tudo é dado por Deus de mão beijada”. O povo, calmo e manso. “A cadeia de Cabo Frio vive vazia”, como em todas as cidades do interior do Brasil, afirma José Lins do Rego. Mas o outro escritor paraibano que por aqui viveu no início do século XX, Pedro Guedes Alcoforado (1892-1964), viu um outro Cabo Frio em seu romance “Culpa dos paes” (c.1929): uma sociedade fechada e sufocante.

(*) José Correia Baptista é editor da revista cultural Nossa Tribo, formado em Ciências Sociais e Letras pela UFF e ex-secretário de Cultura de Cabo Frio (2009/2012).

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

JOÃO

Ana Tavares de Mello

Todos os dias eu o vejo com suas roupas andrajosas e ensebadas, com chinelos velhos nos pés, as unhas enormes e sujas, cabelos desgrenhados e barba crescida, o andar curvado e vagaroso, quase arrastado, uma figura inconfundível, conhecida de todos os moradores do bairro. Invariavelmente ele perambula pelas ruas, solitário, e pede café e água com sua voz rouca, quase indecifrável.

Às vezes ele passa cantando trechos de alguma canção, quase alegre e dá gargalhadas que se repetem a cada vez que  canta, num ciclo contínuo.

Noutros dias ele xinga os que passam por ele, xinga os moradores da rua gritando seus nomes e olhando enviesado, parecendo raivoso e zangado, mas não agride ninguém, nunca. João é o seu nome e ele me chama de Ana, a loira. Estudamos juntos na 5ª série, no antigo colégio 31 de Março, hoje, Renato Azevedo. João casou e teve dois filhos. João enlouqueceu.

Ele anda entre nós, sabemos o seu nome, onde mora, conhecemos a sua história, mas João é invisível. Ele não toma banho, não lava as mãos, não usa máscara de proteção, mas não adoece. Ele atravessa as ruas sem se preocupar e por vezes os carros são obrigados a parar e esperar que ele passe indiferente.

Ele anda nas madrugadas com um cobertor nas costas e os pés descalços, em dias de chuva ou de calor, ninguém se importa, João é inócuo, é uma fantasia, uma piada, uma coisa a ser evitada, vista e logo esquecida.

João é uma verdade que não quer ser revelada, é a minha, a nossa humanidade fragilizada. Ele é um homem que enlouqueceu.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

A CONSTRUÇÃO DE CONSENSOS

O processo eleitoral sempre deixa feridas, algumas profundas outras curadas rapidamente com o bom e velho mercúrio cromo, sem a necessidade do merthiolate, que hoje não arde mais.

Para não fugir a regra, a eleição para prefeito polarizou e se o então candidato José Bonifácio tivesse embarcado na radicalização do discurso proposto pelo adversário hoje teríamos o município profundamente dividido.

Ao contrário, o prefeito eleito em seu primeiro discurso manteve a linha do apaziguamento. Deixou clara a proposta de governar para todos sem estimular divisões políticas e alimentar atritos na sociedade.

Vai precisar mesmo fazer um governo com a sociedade civil, sem se refugiar em sigla partidária e com muita habilidade para construir maioria e consenso.

Não por acaso, existem determinadas questões que precisam ser enfrentadas e que se arrastam a anos na cidade como velhas correntes de um castelo mal assombrado.

Que tal olhar para o passado?

Que tal prestar atenção em Itamar Franco, o mineiro que conseguiu criar uma ponte, que ninguém imaginava possível e atravessar a grande crise que abalava a “Nova República”?

É sempre bom refletir sobre a História.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

VEXAMES ELEITORAIS

Interesses

Pressão e “lobby” para a formação do secretariado são absolutamente normais, inclusive, porque a participação da sociedade civil foi decisiva para a eleição de José Bonifácio e Magdala Furtado. É preciso apenas identificar o que esses grupos representam, se são aspirações justas da sociedade ou interesses privados, querendo dominar o que é público.

O Teatro!

O primeiro lugar em que José Bonifácio parou e se dirigiu a população foi em frente ao Teatro Municipal Inah de Azevedo Mureb, que se encontra fechado para reformas há bastante tempo. As palavras de apreço a cultura e as artes são uma esperança para a cidade.

Modelo “Papai sabe tudo”

Ao final da campanha o deputado Sérgio L. Azevedo percebeu que a linha que escolheu para disputar a prefeitura de Cabo Frio foi um erro. Tanto que o seu marketing político tentou suavizá-lo, mas errou mais uma vez: apresentou a sociedade um modelo de família norte-americana da década de 50: nada mais anacrônico.

Erros & Erros

Olhando para o futuro, Sérgio L. Azevedo, usou de tom bastante ameno para reconhecer a vitória de José Bonifácio, contradizendo o tom agressivo durante o processo eleitoral. Mais uma vez errou ao reafirmar sua crença no bolsonarismo (extrema direita), que além de não lhe dar a menor bola durante a campanha, está em franca decadência.

Vexames eleitorais

Os dois deputados da Região dos Lagos, especialmente de Cabo Frio, tiveram derrotas claras na eleição de 2020. Mauro Bernardo tentou ser candidato pelo PROS, mas não deu e teve que se contentar em apoiar, dentro do mesmo arco ideológico da extrema direita, o Capitão Diogo, no PSDB. Sérgio L. Azevedo, mesmo com uma adiposa estrutura, amargou uma derrota poucas vezes observada em Cabo Frio.

A concorrência

Caso o deputado Sérgio L. Azevedo continue em sua caminhada pela trilha bolsonarista encontrará muitas dificuldades políticas. Terá como concorrente direto Rodrigo Gurgel, com discurso bem mais afiado e voltado para atender os anseios da iniciativa privada. Na mesma área, Mauro Bernardo e o Capitão Diogo parecem representar a bancada mais truculenta, digamos assim.

Votação inexpressiva

O prefeito Adriano Moreno teve uma votação absolutamente inexpressiva, incapaz de eleger sequer um vereador. É fruto do discurso de demonização da política e dos políticos, expressado na campanha, na qual ficou em 2º lugar e assumiu por conta do afastamento de Marquinhos Mendes. A arrogância, somada a incompetência em gerir o município, trouxe como resultado o vexame eleitoral.

Triste fim!

O prefeito fez uma dupla com o seu 1º secretário de fazenda, conhecido na cidade por Cati, saudado como um gênio do setor financeiro e rompeu com aqueles que o elegeram. Acabou sem ter estrutura para governar e se aliou ao grupo do ex-prefeito Marquinhos Mendes, que o isolou na reta final, anunciando a candidatura. Triste fim!

Fraco desempenho

Os partidos mais a esquerda, Unidade Popular (UP) e o PSOL, tiveram pífio desempenho eleitoral. Os dois candidatos a prefeito o Professor Betinho (PSOL) teve 562 votos (0.56%) e o Professor Fernando de Oliveira, 356 (0.35%), totalizando 918 votos, que correspondem a 0.91% dos votos apurados. É preciso repensar a estratégia.

A novidade!

Na esquerda, a grande novidade dessa eleição foi o surgimento de uma garotada engajada politicamente no discurso da esquerda não tradicional e com pautas bastante inovadoras. Essa militância deu à candidata a câmara, Chantal Ferraz, da Unidade Popular (UP) uma votação bastante expressiva: 665 – 0.65%.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

O BLOG E A ELEIÇÃO

O Blog ao longo de sua atribulada história, interrompida por três vezes, tem procurado manter uma linha de coerência política e ideológica, muitas vezes incompreendida, mas que muito nos orgulha.

O Blog está no campo da República e da intransigente defesa do Estado Democrático. Dos direitos de todos os humanos, sem qualquer diferenciação de credo, etnia e gênero.

O Blog reverencia a diversidade e todas as formas de expressão artística e cultural e apoia as causas ambientais, que no seu conjunto, representam a defesa da vida humana no planeta.

Por fim, o Blog acredita na construção de uma sociedade, na qual a liberdade não seja apenas conceitual, mas exercida no dia a dia dos povos, com a civilização prosperando sobre a barbárie.

Dentro dessa concepção o Blog saúda o prefeito eleito de Cabo Frio, José Bonifácio Ferreira Novellino e torce para que tudo dê certo.

Boa sorte!

Salve Zé!

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

Buscamos nos nossos colunistas a companhia para investigar, reverenciar, viver e analisar os novos tempos de Cabo Frio. Ângela Maria Sampaio de Souza, José Correia Baptista e Rafael Alvarenga assinam os textos que fazem o Blog dessa terça-feira pós-eleição.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter