BAIÃO DE DOIS

Baião de dois

A dupla formada por Juarez Lopes e Mário Flávio na secretaria de desenvolvimento e meio ambiente vem realizando belo trabalho de plantio de mudas pela cidade. É um dos setores do governo que melhor funcionam e que possui grande saldo junto à opinião pública do município como operadores honestos e competentes.

Elicéa, a nova secretária

O Portal RC 24h, leia-se jornalista Renata Christiane, publicou, com exclusividade, na tarde de ontem, quarta-feira, 16, a informação que lhe foi dada pelo próprio prefeito José Bonifácio (PDT): a professora Elicéa da Silveira assume a secretaria de educação na segunda-feira, 21 e com o apoio do Sepe Lagos.

O Perfil

A professora Elicéa da Silveira é antiga militante do PDT, em Cabo Frio. Foi secretária de educação no segundo mandato de José Bonifácio e ocupou a secretaria de administração no governo de Adriano Moreno. A professora Elicéa da Silveira é também uma das proprietárias do Colégio Alexis Novellino, uma das instituições privadas de ensino mais tradicionais do município.

Quem sabe em 2024?

Alguns gozadores sempre presentes em Cabo Frio acabaram por perceber que do jeito que o governo está indo o engenheiro Paulo Massa acabará por ter novamente a chama da política acesa em seu coração. Quem sabe o prefeito José Bonifácio olha para o seu nome com carinho para 2024? Tudo é possível na política brasileira.

Os Colunistas

Os colunistas aqui do Blog continuam despertando o maior interesse entre nossos leitores e atraindo novos. Logo esses amigos tão talentosos vão ganhar novas companhias. Que bom!

2ª – Cláudio Leitão & Ângela Maria Sampaio de Souza.

3ª – Marcos Antônio de Paula

4ª – Eduardo Pimenta

5ª – José Correia Baptista

6ª – Rafael Alvarenga

Sábado – Marcelo de Paula.

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A LUTA POLÍTICA QUE APARECE EM CABO FRIO NA INTERVENTORIA DE 1930 (FINAL) 

José Correia Baptista 

Nomeado interventor de Cabo Frio em dezembro de 1930, Mario Ribeiro Cantarino (1890-1971) representava a força impositiva do governo federal que delegava aos interventores no Estado o poder de nomear figuras de sua confiança que iriam gerir a um só tempo os poderes executivo e legislativo dos municípios.

A avaliação que o novo governo fazia das forças políticas de Cabo Frio, tanto da situação como da oposição, era que seus chefes políticos estaduais estavam comprometidos com o governo que Getúlio Vargas derrubara. Portanto, não se encontravam representados entre as novas forças influentes no Palácio do Ingá. Mas em Cabo Frio, a divisão política era histórica, com cores locais bem acentuadas. As forças ligadas a Domingos Marques de Gouvêa apoiaram a candidatura nacional de Júlio Prestes, que obteve a maioria dos votos em Cabo Frio. E as forças ligadas a Mario Quintanilha, o candidato Getúlio Vargas. Estes se denominavam revolucionários liberais e logo perceberam que, no novo governo, ficaram fora do jogo político e, portanto, das decisões sobre as indicações oficiais. Em contrapartida, o grupo nacionalmente derrotado de Domingos Gouvêa se aproximava do interventor de Cabo Frio.

Os revolucionários liberais cabo-frienses utilizaram a imprensa da capital federal do Rio de Janeiro para denunciar que Augusto Tinoco, prefeito de Cabo Frio deposto em 1930 – e que havia sido o secretário do Partido Republicano Fluminense de Cabo Frio, adepto da candidatura de Júlio Prestes -, continuava a mandar em Cabo Frio por meio de seu irmão, o ministro da Justiça, Cesar Tinoco. “A ultima humilhação atirada aos revolucionários cabofrienses foi a nomeação das autoridades policiaes e dos juizados de Paz”, afirmava um documento assinado pelos revolucionários liberais cabo-frienses publicado na imprensa do Rio de Janeiro.

Mario Cantarino adotou a política da conciliação de classes. Aproximou-se tanto dos trabalhadores da estiva e da resistência, como de figuras empresariais cabo-frienses. Em seu livro Minha peregrinação sobre a Terra (2. ed. Brasília: Thesaurus, 2003), Cantarino dá a informação importante para estimar a força dos trabalhadores marítimos, que os da navegação da Laguna de Araruama eram em maior número, cerca de quatrocentos, que os dos estaleiros, cais de embarque de sal e armazéns, em torno de trezentos.

Cantarino cita os empresários Mario Salles – que cheguei a conhecer e que virou personagem de José Lins do Rego no romance Água-mãe -, e o milionário Eugênio Honold (que Cantarino afirma ter conhecido no Piauí), proprietário da Fazenda Campos Novos, além de outras fazendas menores, e que plantava banana em larga escala. Atuando nas duas frentes, Cantarino intermediou reivindicações de trabalhadores em Cabo Frio, Búzios e Perinas, e os interesses de Honold e de Mario Salles em abrir novas estadas. “Fui sendo procurado para solução de casos individuais, atendidos facilmente; depois, para problemas coletivos de trabalho, e o domínio se concretizou e se consolidou”, afirma em seu livro. Cantarino se orgulha de criar um novo escoamento do sal por estradas na medida em que o sal só se utilizava do transporte marítimo.

Um problema que ele enfrentou logo que assumiu o cargo de interventor foi o que chama de “o caso do Hospital, cuja direção pertencia a uma Irmandade Religiosa”. Mario Cantarino defende que na época o Santa Izabel era um ótimo hospital, cuja fonte de recursos era obtida por meio da contribuição de uma taxa de sal voluntariamente dada pelas casas exportadoras do produto, empresas que também eram proprietárias de salinas. Ele conta que “por picuinhas, duas firmas comerciais retiraram a sua contribuição.” Não podendo a Prefeitura deixar de dar socorro ao hospital, Cantarino instituiu oficialmente uma verba compensadora. Assim que se chegou ao equilíbrio financeiro, a Cia. Perinas S.A., sob o pretexto de fundar seu próprio centro de saúde, retirou sua contribuição. Era o ano de 1932, quando Mario Cantarino procurou então o interventor do Estado, Ary Parreiras. “Agi rápido; fiz com que a Irmandade, por escritura, cedesse o Hospital à Prefeitura, obtive contribuição valiosa do Estado, articulei seus serviços com o Posto de Saúde, e da Marinha de Guerra o concurso para atender ao pessoal da Capitania do Porto e do Farol do Cabo. E passei a administrar o Hospital e, porque não dizer, salvando uma instituição humanitária.”

Na luta política entre os revolucionários liberais cabo-frienses e Mario Cantarino, Miguel Couto demostrava tomar o lado dos revolucionários. Como exemplo, Cantarino afirma que O Arauto de Pedro Guedes Alcoforado passou então a ser protegido por Perinas. “O jornal conseguiu publicações que justificassem o pagamento de um adjutório; e para mim sobraram as verrinas semanais, sentindo-se o pasquineiro com costas quentes.” Na guerra política instável do novo governo, Pedro Guedes chegou a ser nomeado delegado de Cabo Frio, mas cuja duração foi de apenas um dia. Para Cantarino, a saída de Pedro Guedes de Cabo Frio se deu depois que Perinas largou o jornalista.

Entre outras pessoas conhecidas e outras tantas desconhecidas (Cantarino descreve dois tipos populares que chamaram sua atenção), ele se refere ao cartorário Chico Rosa, ao farmacêutico Santa Rosa (“feitio zombeteiro”), ao promotor de Araruama e poeta Martins Teixeira, ao sr. Fonseca (“proprietário da excelente olaria em Porto do Carro”), a Jojoca, dono de um caminhão de frete, ao Padre Nunes, ao coronel Candido Pacheco (acusado de ter dado a ordem “queima, rapaziada” para matar João Cherubim em 1907) e ao farmacêutico e poeta aldeense Agenor Santos (“bom homem, católico fervoroso”).

Mario Cantarino foi entendendo que o cabo-friense produzia boas piadas, “era um povo gaiato”, como julga. Certo dia, ao chegar ao prédio da Prefeitura, encontrou afixado na porta um cartaz com os seguintes dizeres: “Aqui só mudou o doutor; o xarope é o mesmo.” Cantarino reagiu com senso de humor: “Gostei; deixei o cartaz em lugar visível, no meu gabinete, e serviu de tema para demonstrar a insatisfação do povo, sua descrença nos dirigentes.”

Depois da saída de Mario Cantarino do cargo de interventor de Cabo Frio no início de 1934 – em que conseguiu surpreendentemente se manter por mais de três anos -, assumiu também fora dos quadros políticos de Cabo Frio, o engenheiro Antonio Carneiro de Santiago, que permaneceu no cargo por pouco mais de um ano. Os revolucionários liberais cabo-frienses Antonio Anastácio Novellino e Mario de Azevedo Quintanilha finalmente dividiram a nomeação de interventores de Cabo Frio entre 1935 e dezembro de 1937, no espaço de um ano e sete meses. Com a implantação do Estado Novo e a ascensão de Amaral Peixoto como interventor federal no Estado do Rio de Janeiro em novembro de 1937 – quando vinha a Cabo Frio, Amaral Peixoto era hóspede de Mario Salles -, os revolucionários liberais cabo-frienses entram no ocaso político governista.

O livro de Mario Ribeiro Cantarino joga luz sobre esse período conturbado da vida nacional que se refletiu profundamente na política cabo-friense, quando a luta política local, que sempre atingiu altas temperaturas, tomava nova forma na medida em que colocava em questão a sobrevivência de lideranças tradicionais diante de um novo e imprevisível tempo. Mario Cantarino avalia seu período de interventoria de peito aberto e deixa transparecer a impressão que formou da sociedade cabo-friense, ao citar por duas vezes um julgamento atribuído ao senador Erico Coelho: “Cabo Frio era terra dos três i: ingratos, intrigantes e ingnorantes.” 

(*) José Correia Baptista é formado em Ciências Sociais e em Letras pela UFF.

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SUJEITO SUJEITO

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SOLUÇÃO?

Solução?

Qual a solução que o governo de José Bonifácio (PDT) vai dar para o imbróglio na secretaria municipal de educação? A confusão é grande e o prefeito que detesta ser pressionado precisa dar uma solução nos próximos dias. O problema é que esse caso não dá para levar ao “Gabinete de Soluções”.

Até que ponto?

Até que ponto o governo municipal vai manter a progressista política pública de raça e gênero? Tem condições políticas para isso? É claro que tem, mas não é tão simples, porque boa parte das bases de apoio do governo são conservadoras e não tem nenhuma preocupação com a manutenção dessa política.

Portanto …

Alguns setores ultrapassam o conservadorismo e chegam ao campo reacionário, ou seja, bolsonarista. A intenção de implantar as pautas progressistas e contemporâneas são muito mais reflexo de vontade pessoal do próprio prefeito que um acordo político mais geral, arraigado no grupo que o elegeu. Portanto …

Contradições

Essa postura bonapartista que mistura autoritarismo com o avanço das idéias progressistas é típica do prefeito José Bonifácio. Sua impaciência para discutir a pequena política é notória, mas numa coligação tão extensa quanto rasa, vai ter que discutir ou dar a alguém autonomia para que o faça. Parece contraditório? É mesmo!

Refúgio

Na medida em que o governo avança e a complexidade aumenta, exigindo tempo para pensar o prefeito tende a se refugiar na Fazenda Campos Novos e no Parque do Mico Leão Dourado. É assim que ele faz para se livrar dos inconvenientes, que não lhe dão espaço para pensar e repensar os problemas do governo.

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Ruptura Social & Trabalho Digno

Eduardo Pimenta

Até bem pouco tempo, empresários limitavam seu raciocínio a uma única direção, vendo somente o lucro como única finalidade da organização. Isso define a empresa como um bando de autônomos que trocam 8 horas do seu dia por um cheque no final do mês para fazer o patrão mais rico.

Hoje, o desenvolvimento da mentalidade humana levam as pessoas a não mais se submeterem a uma relação burocrática e jurídica, na qual 2\3 de seu tempo de vida são destinados à sobrevivência. O movimento da cidadania, o crescimento ético, o aumento do nível de cultura e da autoestima, fazem com que a definição antiga seja substituída por outro conceito.

Mais nobre situado num patamar acima da definição anterior, onde uma empresa é uma integração de seres humanos que se juntam num empreendimento para agregar valor ao universo e a humanidade com objetivo de encantar clientes, desenvolver colaboradores e parceiros, atuar positivamente na comunidade e remunerar seus acionistas.

A nova estrutura de capitalismo denota a formação de uma estrutura social em substituição ao unilateral capitalismo monetário. O lucro para o empresário passa a ter novo significado, subproduto da coisa bem feita. O bem estar e o sucesso da organização passam a ser objetivo de todos, tornando a empresa lucrativa, não como obsessão, mais sim num esforço conjunto e crescente.

Grandes pesquisadores consideram o homem como centro das atenções, o ponto de partida para as mudanças no clima organizacional. Para renovar a organização é imprescindível enfatizar a valorização do homem por meio de políticas de qualidade de vida.

O empregado deve ser valorizado como pessoa e como profissional, pois o indivíduo satisfeito com as condições, o tratamento e com o trabalho que executa, irá desempenhá-lo com níveis crescentes de qualidade e eficiência.  A proposição é alicerçada na qualidade de vida como pilar das boas práticas na gestão da qualidade total.

(*) Eduardo Pimenta é Professor, Biólogo, Ambientalista e Fotógrafo da Natureza.

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O QUE VEM POR AÍ?

A fortaleza do conservadorismo

Os dois últimos mandatos de José Bonifácio como prefeito de Cabo Frio começaram tendo como ampla referência o setor mais progressista. Com o tempo, porém, o governo cede às pressões das suas bases de apoio e migra para posições bem mais conservadoras. Nesse terceiro mandato a migração para o conservadorismo começou mais cedo que o combinado, digamos assim.

Olha o marco civilizatório

Espera-se que se opção pelo conservadorismo for mantida o seja dentro dos marcos civilizatórios e consequentemente bem distante do governador do estado, o bolsonarista Cláudio Castro. Afinal, como vice-presidente regional do PDT tem candidato a presidente da república Ciro Gomes e ao governo do estado a deputa Martha Rocha.

Incompetência burocrática

Os setores conservadores, na busca pela ampliação e consolidação de espaços políticos e administrativos trabalham no sentido de acentuar eventuais erros das áreas progressistas. Os erros são buscados com lupa e acrescidos por intermináveis críticas que chegam à mídia diariamente sob a ótica da incompetência burocrática.

O Leopardo

A continuar nesse ritmo de ampliação do espaço conservador a política pública transversal e progressista do governo de José Bonifácio ficará no campo do romance “O Leopardo” de Giuseppe Lampedusa onde o príncipe de Falconeri, no auge do “Risorgimento” diz “tudo deve mudar para que tudo fique como está”. Cai o pano!

Os nomes cotados

Vários nomes tem sido aventados pela mídia, inclusive pelas paredes murmurantes do Palácio Tiradentes, sede da prefeitura, mas nenhuma hipótese está fechada: a continuação por mais algum tempo do secretário Flávio Guimarães, o retorno da professora Elicéa da Silveira e a nomeação da secretária adjunta, a professora Izabel Cristina Almeida de Paulo para assumir o lugar do professor Flávio são as opções mais colocadas a mesa.

Os significados

A nomeação da professora Izabel Cristina representaria o ganho de não quebrar a política pública transversal de raça e gênero tão defendida pelo prefeito José Bonifácio. A professora dirigiu o Ciep Amélia Ferreira, que está sendo municipalizado, cuja manutenção foi muito elogiada pelo prefeito quando visitou o bairro Manoel Corrêa.

O medo do novo

Os boatos são tão intensos que tem gente revelando ter recebido mensagens tranquilizadoras de manutenção de portarias de assessores de uma futura secretária. Tem gente dando parabéns a possível nova secretária antes da oficialização da nomeação. Na verdade, o prefeito está pressionado por todos os lados, em especial pelo pragmatismo conservador, que embora discurse bonito tem grande medo da inovação.

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SUGESTÕES

Marcos Antônio de Paula (*)

Alguns sites e blogs têm sugerido livros e filmes para esses tempos de COVID-19.

Já seguimos firmes para a segunda metade do segundo ano de convivência com o vírus. É improvável que se diga algo que já não tenha sido dito.

Não me refiro a pesquisas sobre a doença ou a novas técnicas para se minimizar o impacto do mal. Aqui toda novidade conta. Em vários cantos do mundo a ciência segue o seu propósito. Seja de paladina da humanidade, seja de fiel escudeira da indústria farmacêutica, que não há de perder tamanha oportunidade.

A nós, pobres mortais, enquanto não chega uma cura duradoura, recorrer à arte para refletir sobre esse nosso infortúnio é excelente negócio. Certas palavras ou imagens têm o especial poder de nos fazer repensar nossas atitudes ou, pelo menos, de trazer um olhar diferente para o que nos cerca.

Continuo achando o Ensaio sobre a Cegueira, de Saramago, ótimo livro para espelhar o que nos acontece aqui, nesse nosso Brasil.

Afinal, não seria o negacionismo uma forma terrível de cegueira? A falta de empatia e de solidariedade com as famílias enlutadas outra cegueira das mais severas? E todo o oportunismo que vemos nas ações de enfrentamento da pandemia, não estão bem ao modo que Saramago encontrou para descrever a sua fictícia epidemia de cegueira branca?

Saramago não é das leituras mais fáceis, principalmente agora que estamos nos acostumando aos textos quase monossilábicos das redes sociais. Não vai nos curar de nada, pode ser que aumente nosso pessimismo, mas vai nos ajudar muito com a maltratada língua de Camões.

Não senti vontade de conhecer a versão cinematográfica do “Ensaio…” Sei lá, Saramago tem suas idiossincrasias…

Filmes sobre pandemias e cenários pós-apocalípticos, temos aos montes. Porque, embora o cinema seja arte (por vezes, sublime), existe o mercado de entretenimento que irá explorar esse nosso infortúnio por um bom tempo.

Tenho visto alguns filmes e séries lançados mais recentemente nos serviços de streaming. Quase todos tratam da sobrevivência pós fim do mundo, que pode ter ocorrido por conta de uma guerra nuclear, queda de meteoro, pandemia, etc. A criatividade dos roteiristas é infinita.

Seriam o novo normal se manifestando. Seja lá o que isso queira dizer.

Sugerem uma superação da pandemia que aparentemente só chegou nos países ricos. Esses já podem fantasiar sobre os dias vindouros. Coisa que ainda é negada a nós, moradores do andar de baixo do equador.

Meu desagrado em relação a essas produções talvez denuncie uma ponta de inveja.

Os 12 Macacos, filme do inglês Terry Gilliam, continua uma sugestão interessantíssima. Pode ser que alguém ainda não o tenha visto. A sinopse: No futuro, a humanidade vive no subterrâneo porque um vírus se espalhou pela superfície e tornou o mundo inabitável.

Terry Gilliam se inspira em “La jetée”, 1962, considerado um dos melhores curtas-metragens de todos os tempos e um marco da “nouvelle vague”. Disponível no Youtube, serão vinte e poucos minutos muito bem gastos para quem se dispuser a conhecê-lo. Penso que é obrigatório para quem gosta de fotografia.

O filme de Gilliam pode ser visto de muitas maneiras, mais ou menos despretensiosas conforme o momento do espectador. Faço menção a ele porque, para certos líderes, a cura somente será interessante se tiver alguma utilidade em seus projetos políticos pessoais. Notar quando o cineasta dá essa dica é uma charada que requer um pouco de atenção, mas asseguro que acrescenta uma camada interessante à história.

São duas obras que permitem o debate sobre o abalo social e o oportunismo político que observamos por conta da pandemia, especialmente em nosso país, ainda longe de superar esse flagelo. Quem se aventurar, ainda que conclua que eu só falei bobagem, terá lido um excelente livro e conhecido um diretor cuja obra vale muito a pena.

O fato de serem já antigas, para os padrões atuais de consumo, não lhes dá nenhum tom profético. Apenas nos lembram que o mal em nós pode aflorar a qualquer momento..

O pretexto pode ser um vírus curável, uma guerra evitável, uma fome aplacável, uma fé tolerável, uma cor miscível, um amor aceitável. Qualquer cegueira escolhida.

(*) Ciências Contábeis/UFF.

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