OS BOTAFOGUENSES

ARMANDO NOGUEIRA

Pelada de Subúrbio
Nova Iguaçu, quatro horas da tarde, sábado de sol. Dois times suam a alma numa pelada barulhenta; o campo em que correm os dois times abre-se como um clarão de barro vermelho cercado por uma ponte velha, um matagal e uma chácara silenciosa, de muros altos.

A bola, das brancas, é nova e rola como um presente a encher o grande vazio de vidas tão humildes que, formalmente divididas, na verdade, juntam-se para conquistar a liberdade na abstração de uma vitória.

Um chute errado manda a bola, pelos ares, lá nos limites da chácara, de onde é devolvida, sem demora, por um arremesso misterioso. Alguns minutos mais tarde, outra vez a bola foi cair nos terrenos da chácara, de onde voltou lançada com as duas mãos por um velhinho com jeito de caseiro.

Na terceira, a bola ficou por lá; ou melhor, veio mas, cinco minutos depois, embaixo do braço de um homem gordo, cabeludo, vestido numa calça de pijama e nu da cintura para cima. Era o dono da chácara.

A rapaziada, meio assustada, ficou na defensiva, olhando: ele entrou, foi andando para o centro do campo, pôs a bola no chão e, quando os dois times ameaçavam agradecer, com palmas e risos, o gesto do vizinho generoso, o homem tirou da cintura um revólver e disparou seis tiros na bola.

No campo, invadido pela sombra da morte, só ficou a bola, murcha.

SANDRO MOREYRA

Vexame na Suíça (1)

Em 1954, o Brasil foi eliminado pela Hungria, na Copa da Suíça, perdendo de 4 x 2. Houve muito tumulto ao final da partida e, mesmo durante o jogo, com as expulsões de Nilton Santos e Humberto. Quando terminou, o craque Zibor, ponteiro húngaro, foi cumprimentar Maurinho e recebeu uma cuspida no rosto. Houve agressões de ambas as partes e o técnico Zezé Moreira deu com uma chuteira na cabeça do ministro dos Esportes da Hungria. O jornalista Paulo Planet Buarque derrubou com uma rasteira um bem-comportado guarda suíço. Mario Vianna, juiz brasileiro da Fifa, disse numa rádio que todos os juízes da entidade eram “uma cambada de ladrões”. Foi expulso da organização. Mesmo tentando substituir o termo “ladrões” por “fariseus”.

Vexame na Suíça (2)

Sandro Moreyra conta: “Torcedores no Rio de Janeiro, insuflados contra a Fifa, marcharam para apedrejar a embaixada Suíça, mas, por um lamentável equívoco, quebraram as vidraças da Embaixada da Suécia. O Itamaraty apresentou suas desculpas, mas não pagou os vidros quebrados. Tudo isso aconteceu no dia 19 de junho de 1954. Um dia de cão para o futebol brasileiro”.

Vexame na Suíça (3)

Jaime de Carvalho, criador da Charanga Rubro-Negra, acompanhou a Seleção na Suíça. Na estreia do Brasil, Jaime distribuiu, entre a torcida, os rojões de três tiros com que saudava o Flamengo no Maracanã. Os suíços não entenderam aqueles tiros potentes no estádio. “Guardas apitavam, sirenes tocavam e a fumaceira dos foguetes tornava ainda mais dramática a situação. No dia seguinte, a Fifa enviou à delegação brasileira um ofício enérgico com uma ameaça terrível: se o Brasil repetir o bombardeio de ontem, será para sempre eliminado das Copas do Mundo.”

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Foto: Antônio Ângelo Trindade Marques.

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A ESCOLHA É ENTRE SOBREVIVER E VIVER – Ângela Maria Sampaio de Souza (*)

Estamos numa época e que só ouvimos falar em “pandemia e isolamento social”. Será que esse isolamento social já não existia? Pensando friamente nesse momento temos um isolamento físico. O isolamento social já acontece há muitos anos, quando não eliminamos a exclusão e a desigualdade social.

Enquanto não eliminarmos esses fatores não sairemos desse isolamento. Enquanto não tivermos políticas públicas para esses fatores serem eliminados existirão os chamados “ invisíveis “.

É o mal cristalizado nas estruturas sóciais e econômicas injustas na sua raiz e não poderemos esperar um futuro melhor.

A crise é profunda.

Dimensões éticas como o pessoal e o institucional teriam que passar de um comportamento individualista para um solidário. Isso só poderá ocorrer com mudança de mentalidade, de valores e de cultura.

Transformar o estilo de vida é reconhecer a necessidade de mudar.

As instituições não estão organizadas em função do bem comum e quando isso acontecer chegaremos ao final do isolamento social.

Não será com o fim da pandemia e sim quando não existir exclusão, injustiça social e todos serão VISÍVEIS.

A escolha é entre sobreviver e viver.

(*) Ângela Maria Sampaio de Souza é Professora.

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AS TRAQUINAGENS DO TIO DECOTELLI – Eduardo Vasconcellos (*)

Depois de atolar-se em pseudo-explicações sobre os falsos títulos de mestre, doutor e pós-doutor em seu CV Lattes, surgem, agora, dúvidas sobre o histórico escolar do tio Decotelli em idades mais tenras.
Graduação, ensino médio, fundamental, infantil, essas coisas.
Entrementes, chega aqui uma nota da diretora da Pré-Escola Coelhinho Feliz, informando que o pequeno Carlinhos Decotelli não concluiu o jardim de infância naquele estabelecimento.
Esclarece ainda a tia Márcia que o aluninho não teve a prova final aceita no Jardim 1, por não ter nem colorido o desenho da Mônica.
Ou seja, o garoto sempre foi precoce, à frente do seu tempo.
Só que um dia a casa cai, caro ex-futuro ministro.
De volta aos bancos da escola, Carlinhos…!

(*) Eduardo Vasconcellos é Engenheiro.

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Aos sessenta anos, após a morte do marido, Hillé — a senhora D — percebe que está absolutamente sozinha. Em seu luto, a protagonista decide viver no vão da escada de casa e experimentar o mais profundo isolamento. Num intenso fluxo de consciência, ela se vê às voltas com lembranças do passado ao mesmo tempo que se pergunta sobre o verdadeiro sentido da vida.

Lançado originalmente em 1982, A obscena senhora D é uma das obras mais cultuadas e transgressoras de Hilda Hilst. Incluída em Da prosa, a edição conta com posfácio inédito da professora Eliane Robert Moraes.

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É MUITO ABUSO!

É muito abuso!

A ENEL cortou o fornecimento de energia de 14 prédios públicos da prefeitura de Cabo Frio. A ENEL (comprou a Ampla Energia) é subsidiária da ENEL, elétrica italiana, que tem como maior acionista o governo da Itália através do Ministério de Economia e Finanças. Em tempo: os serviços prestados pela estatal italiana, em nossa Região dos Lagos são muito ruins e corta energia em plena pandemia. É muito abuso! Se fosse uma estatal brasileira os privatistas de plantão estariam estrilando.

Goleada!

O Botafogo, mesmo jogando sob protesto, aplicou goleada de 6 X 2 sobre a Associação Desportiva Cabofriense (ADC), que nada tem a ver com a tradicional Associação Atlética Cabofriense (AAC), embora tente lhe copiar a estética. O jogo aconteceu no “Niltão”, no Rio de Janeiro para desgosto do secretário de esportes Flávio Rebel, porque a partida não pode ser realizada no “Correão”.

O Verme!

O pouco apreço pela vida humana de um governo federal bolsonarista está levando o país a ser recordista em óbitos e tornando o brasileiro um pária no planeta. Seguindo a “regra”, Cabo Frio está uma vergonha. O governo é incompetente em todas as áreas e com a saúde não seria diferente. O bolsonarismo é um verme que tudo corrói.

Alair + Marquinhos + Adriano

A saúde no município de Cabo Frio não piorou por acaso e muito menos de uma hora para outra. A destruição do sistema público de saúde é obra dos governos de Alair Corrêa e Marquinhos Mendes, “sheiks”, que nadavam em royalties do petróleo: Adriano esta completando a obra e parece bastante satisfeito com o resultado.

Os investimentos drenados

Os “sheiks” não souberam investir. Era mais negócio brincar e auferir dividendos políticos com micaretas (Cabofolia), no qual apareciam como galãs suburbanos reverenciados pelos bajuladores de plantão. A falta de seriedade drenou os recursos e hoje Cabo Frio não tem nada, nem mesmo cemitério para enterrar seus mortos.

Milícia é nociva a democracia

Basta uma rápida observação para perceber que as milícias estão investindo pesado na Região dos Lagos. É preciso que a população identifique as candidaturas ligadas a esses tipos de práticas nocivas a democracia e a liberdade de expressão. Alguns tem discurso macio, mas seus aliados expressam com muita clareza a que vieram. Todos, sem exceção veneram Bolsonaro.

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ILHA DO JAPONÊS

Foto: Antônio José Christovão Pinto – 12/2019.

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AS MENINAS

Lygia Fagundes Telles

Num pensionato de freiras paulistano, em 1973, três jovens universitárias começam sua vida adulta de maneiras bem diversas. A burguesa Lorena, filha de família quatrocentona, nutre veleidades artísticas e literárias. Namora um homem casado, mas permanece virgem. A drogada Ana Clara, linda como uma modelo, divide-se entre o noivo rico e o amante traficante. Lia, por fim, milita num grupo da esquerda armada e sofre pelo namorado preso.
As meninas colhe essas três criaturas em pleno movimento, num momento de impasse em suas vidas. Transitando com notável desenvoltura da primeira pessoa narrativa para a terceira, assumindo ora o ponto de vista de uma ora de outra das protagonistas, Lygia Fagundes Telles constrói um romance pulsante e polifônico, que capta como poucos o espírito daquela época conturbada e de vertiginosas transformações, sobretudo comportamentais.
Obra de grande coragem na época de seu lançamento (1973), por descrever uma sessão de tortura numa época em que o assunto era rigorosamente proibido, As meninas acabou por se tornar, ao longo do tempo, um dos livros mais aplaudidos pela crítica e também um dos mais populares entre os leitores da autora.

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