TRANSPARÊNCIA NUNCA É DEMAIS!

Maria Joaquina: transparência nunca é demais.

A questão do bairro de Maria Joaquina levantado aqui pelo Blog do Totonho continua despertando o debate entre os internautas. O governo de Adriano Moreno diz publicamente que Cabo Frio não está desistindo de Maria Joaquina, mas que se trata de uma estratégia jurídica da prefeitura: de uma forma ou de outra a população deveria estar sendo esclarecida. Transparência nunca é demais!

Quem será o candidato de Marquinhos?

Volta e meia o presidente da câmara, Luis Geraldo vê o seu nome citado como uma possibilidade de candidatura a prefeito de Cabo Frio. O vereador sempre nega que a “mosca azul” o tenha picado nessa direção. Volta à questão: quem Marquinhos Mendes vai apoiar, em 2020?

Entre safra eleitoral.

A câmara está em recesso, mas isso não significa que as atividades políticas típicas da entre safra eleitoral estejam paradas ou “fora de moda”. Ao contrário, nessa época, em que os neófitos descansam a turma que faz política para sobreviver trabalha com intensidade.

As calçadas!

A Prolagos deu uma “aguada de cimento”, em sua calçada lateral. Resolveu? A princípio, sim, mas a cidade merece calçadas melhores, bem melhores. A calçada em frente ao Charitas foi feita aos “trancos e barrancos”, no governo de Marquinhos Mendes. O prédio histórico do Charitas, sede da secretaria de cultura e do Museu José de Dome, também merece coisa muito melhor.

Descaso com a cidade.

A maior parte das calçadas e dos equipamentos urbanos, que tornam a cidade mais bonita, agradável e melhoram a qualidade de vida, está em péssimo estado. A caminhada na orla do Canal do Itajuru revela o descaso dos governantes: nenhum banco está inteiro.

Eleição em 2020

Muita gente preocupada com o dinheiro que deverá ser jogado na cidade durante a próxima eleição para prefeito e câmara de vereadores. Alguns analistas da vida política local temem a expansão do “modus operandi” da Baixada Fluminense e Jardim Catarina, na Região dos Lagos.

“Salvação da lavoura”?

O segundo semestre não costuma ser uma maravilha em termos de arrecadação para o município. O governo Adriano Moreno, entretanto, aposta na experiência do professor e empresário Clésio Guimarães Faria, que pode não sacar de mercado financeiro, mas entende de finanças públicas. Será que o governo consegue colocar os salários em dia?

Milton deitou falação.

O secretário de cultura Milton Alencar Jr. deitou falação em entrevista, na Folha dos Lagos. O secretário diz que quer trabalhar com todos, tocar os projetos da administração anterior e que as portas da secretaria estão abertas. Caso o dia a dia confirme as palavras do secretário será uma forma de distender os ânimos e buscar formas de conciliação.

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ANGEL VIANNA VOANDO COM OS PÉS NO CHÃO – Cristina Leal.

Angel Vianna Voando com os Pés no Chão‘, Direção de Cristina Leal, hoje,
3a feira no Canal Curta , 22:20!

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ALGUÉM – Fábio Emecê.

ALGUÉM

 Pele

não habito

sobre a pele

inscrevo

um rito

sobre detonar tensões

infinito

código genético

cuspe

regurgito

dedos safados

movimento anti-horário

habilito

zero e um

transmito

queria ser sufocado

senta mais

admito

recusaram

meus convites

olhos famintos

limito

dores além do alcance

boca fascinante

interdito

apenas uma chance

quadril lancinante

plebiscito

vozes discordantes

não deixaram ir adiante

conflito

fito

afoito em busco de coito

no leito

débito

externo

modero

o pleito

pretérito

onde se incha

necessito

demérito

ando estrépido

quase cético

me ame

ou tire proveito

antes que fique

decrépito

cessa o crédito

chama o exército

detenha

a excitação

o que acontece

não é nada inédito

ficar na pista

sem ao menos a

entrevista

antiético

não sou hermético

errei a prova

não cumpri o quesito

não faça isso comigo

perigo

jazigo

meu jazigo

amém

alguém?

 

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ECONOMIA OU DEMANDA REPRIMIDA?

Atento leitor aqui do Blog do Totonho observou bem a entrevista do prefeito Adriano Moreno, na mídia local. Achou então que a entrevista do prefeito merecia alguns reparos. Aqui vão eles! O leitor preferiu manter o anonimato.

O prefeito Dr. Adriano Moreno nas entrevistas da semana passada, por conta de seus 365 dias a frente da Prefeitura de Cabo Frio, mencionou várias conquistas de seu governo. O que mais me chamou a atenção foi ele ter mencionado a economia de quase R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais) junto à Secretaria de Saúde na compra de medicamentos. Aí eu pergunto: economizou ou comprou menos? Economia, na minha visão, é comprar a mesma coisa pagando menos. Se comprar menos, claro e evidente que terá que pagar menos. Segundo pude apurar mais da metade dos medicamentos que devem ser adquiridos pela Secretaria de Saúde não foram cotados (comprados). O processo 87074/2018 para aquisição de medicamentos referente à licitação nº 9/2019 no valor inicial de R$ 35.981.043,36 foi homologado pelo valor de R$ 13.176.897,00, o que significa dizer que a quantidade solicitada não atende a demanda do município. Sobre as Emendas Parlamentares 20100001, 32680006 e 288100003 com valores respectivos de R$ 2.375.800,00; R$ 250.000,00 e R$ 1.000.000,00, as verbas já estão em conta corrente do município e com as despesas aprovadas pela Câmara Municipal desde o governo anterior (Marquinho Mendes), quando foram abertos os processos nºs 11.024/2018 e 16.322/2018 para aquisição de mobiliário e equipamentos médicos hospitalares, veículos, maquinários para lavanderia etc… Já transcorrido mais de 365 dias, por que ainda não foram licitados? São tantas conquistas “alegadas” pelo prefeito que a população vai ficar de queixo caído com essas informações. Será que existe uma resposta plausível para isso ou deve-se ao fato da Superintendente do Setor de Compras trabalhar poucos dias na semana, por conta distância de sua residência, e não ter tempo suficiente para resolver tantos problemas???

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O PREFEITO DA FARSA E DA MENTIRA – Cláudio Leitão.

O Prefeito de Cabo Frio, Adriano Moreno, deu uma entrevista na semana passada à Folha dos Lagos fazendo um balanço do seu primeiro ano de governo e em alguns trechos meu nome foi citado em relação as ações de governo, particularmente, na educação.

Disse ele: “ Na educação, tínhamos 5.169 funcionários. Quando retomo a secretaria, vem para mim com 6.888 funcionários. Tudo bem. Inauguramos em um ano duas escolas em Tamoios: Maria Helena e Janaína Teles. Não é por isso. Isso foi questionado não só por mim, mas pelo Sepe Lagos, que levantou esse aumento dentro da secretaria. A nova secretária tem procurado enxugar a pasta. E tem encontrado funcionários dentro da administração da secretaria que não eram necessários.”

O prefeito tem se revelado um mentiroso contumaz. Durante a campanha todos viram ele afirmar que a Educação seria uma das prioridades. O aumento dos servidores na educação foi para atender as necessidades das escolas. Inauguramos três escolas e três Cenapes. Esses números aos quais ele se refere são mentirosos, pois nunca tivemos menos de 6.000 servidores. Aumentamos em torno de 900 servidores, sendo que cerca de 400 eram professores chamados por determinação judicial do concurso de 2009. Também por determinação do MP chamamos através do processo seletivo cerca de 300 auxiliares de classe. As crianças com deficiência têm este direito garantido em sala de aula.

O restante foi por conta das inaugurações e necessidades específicas das escolas. Saímos de 30.580 alunos em 2018 e chegamos perto de 35.000 alunos em 2019. Todos admitidos por contrato através de processo seletivo sem interferência política. Jamais a educação avançou tanto em tão pouco tempo. O prefeito que parece um beócio, pois nunca sabe de nada, sempre foi informado disso. Não fizemos nenhum aumento de cargos comissionados dentro da secretaria. A reforma administrativa recém realizada pelo prefeito que vive hoje fantasiado de “pinóquio” é que aumentou o número de cargos comissionados na SEMME para atender a demanda de um vereador que hoje “manda e desmanda” na pasta. É mais uma mentira de um cidadão que a cada dia tem menor credibilidade sobre o que promete, o que fala e realiza.

Sobre o desvio de mais de 40 milhões de recursos da educação, disse ele: “Tenho certeza que é uma calúnia. Ela é fruto de uma vaidade, de uma soberba, que me estranha. Então, por ego ferido ou vaidade, às vezes as pessoas tomam atitudes inconsequentes e também irresponsáveis. Estamos fazendo uma auditoria, uma tomada de contas dentro da secretaria de Educação. Temos todos os relatórios sendo finalizados esta semana. Já apuramos essa questão toda. Vamos entregar [os documentos] para o Ministério Público, para a Polícia Federal.”

Mais uma vez, num misto de cinismo e desfaçatez ele mente com uma “cara de pau lustrada com ´óleo de peroba”. Os desvios e fraudes contábeis estão provados com farta documentação entregue por mim ao MP, GAEDUC, MPF e demais instâncias. São relatórios contábeis, extratos de contas, memorandos, ofícios com confissões de dívidas, etc.Ele mesmo assinou o recebimento de vários destes ofícios que mostravam a ele os desvios, inclusive um emitido pela Secretaria de Fazenda. Nunca tive apego ao cargo ou qualquer vaidade, por isso não aceitei todos estes desmandos. A tal auditoria é mais um papo furado. Já prometeu outras e não cumpriu. Já se passaram dois meses da minha denúncia e nenhuma “folhinha de papel” negando foi apresentada pelo governo. Estão enrolados na Secretaria de Fazenda preparando uma resposta a um ofício que receberam do MP para prestar esclarecimentos.Haja “contabilidade criativa” para justificar isso !

O prefeito aluado ainda não foi informado que o seu irresponsável Secretário de Fazenda, que hoje é conhecido na cidade pela alcunha de Cati Quarentinha, foi a reunião do Conselho CACS FUNDEB e admitiu perante os conselheiros os desvios. Sim, ele se tornou réu confesso. A ata da reunião com as respectivas transcrições foi entregue ao MP. O promotor do caso já pediu ao Conselho o áudio da reunião. O prefeito idiota parece que também não foi informado pelo seu jurídico que ele e o secretário de fazenda em função de tudo isso, descumpriram um TAC firmado entre o MP e a prefeitura, homologado na Segunda Vara Civil de Cabo Frio. Vão cair e não completarão o mandato, por este e outros desvios na Saúde e Comsercaf.

Saí do governo porque não foram estes o programa e o projeto de cidade que defendemos na campanha. Entreguei o cargo e ia formalizar minha exoneração, mas o pilantra do prefeito, pelas costas, publicou minha demissão pelas redes sociais.  A população tem acompanhado os seguidos atos de traição aos antigos companheiros de campanha. Acompanha também a sequência de escândalos e denúncias de corrupção que envolvem o governo. Adriano governa hoje de forma surreal com os quadros que apoiaram MM na campanha passada e que o esculacharam publicamente durante o pleito eleitoral.Tem um conluio sombrio em tudo isso que envolve grana e a prática da baixa e velha política fisiológica e clientelista, situações que o prefeito farsante dizia que ia combater na pré-campanha.

Adriano e Cati, o tal “supersecretário” de Fazenda, se transformaram em “réplicas mal acabadas” de Marquinhos e Alair. Há denúncias de direcionamento em grandes licitações a “empresas amigas” e pagamentos de dívidas de governos passados com cobrança de propina. O prefeito mente e nega estes pagamentos, mas eles estão lá escondidos na Fazenda sem aparecer no inepto Portal da Transparência. Uma destas denúncias ao MP é de minha autoria. Arrebentaram as contas públicas do município e não conseguem honrar o pagamento dos servidores dentro do prazo legal.

Desafio estes dois covardes a me processarem por apontar estes fatos, pois assim vamos abrir a “caixa preta” da Secretaria de Fazenda.

Claudio Leitão é economista, professor de História e ex-Secretário de Educação de Cabo Frio.

* As opiniões e comentários não representam a opinião do Blog do Totonho. A responsabilidade é do autor da mensagem e do texto.

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MARIA JOAQUINA, ESTRATÉGIA OU DESISTÊNCIA?

Em plena crise Cabo Frio perde Maria Joaquina?

O prefeito Adriano Moreno desistiu oficialmente do bairro de Maria Joaquina, incorporado a Armação dos Búzios, sem sequer debater com a sociedade? Em caso de desistência, Cabo Frio perde royalties, ICMS e Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A Procuradoria Geral do Município garante que é uma estratégia, mas não há dúvida que a sociedade precisa ser muito mais esclarecida.

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ADRIANO, DE BOBO NÃO TEM NADA!

De bobo não tem nada

Ninguém chega a vereador sendo “bobo”, muito menos vira prefeito. Portanto, aquela cara de paisagem, que não entende nada de nada é o mais puro teatro. As seguidas entrevistas que tentam reabilitar a imagem pública do prefeito, revelam a verdadeira face de Adriano Moreno.

Blindando a si mesmo.

Ao levar seu parceiro, Antônio Carlos Vieira, para uma nova secretaria de “assuntos institucionais” Adriano Moreno também está se blindando, deixando nas mãos de quem entende de economia e finanças públicas, o controle sobre a secretaria municipal de fazenda: o professor Clésio Guimarães Faria.

Questão de escolha!

A reforma administrativa é uma forma que o governo Adriano Moreno está encontrando para recomeçar. O desastre administrativo levou o “homem que não era político” a pagar preço muito alto sob o ponto de vista pessoal e político. Pode não dar para a reeleição, mas pode terminar o governo com respeito e dignidade.

Questão de sobrevivência.

O governo de Adriano Moreno hoje conta com a câmara, não para levar o seu projeto adiante, porque nesse ponto os vereadores se dividem, mas para sobreviver até 31 de dezembro de 2020. Os vereadores mais que nunca estarão de olho nos “currais eleitorais” e nas pesquisas.

Apoio contra problemas e vexames.

O fiador desse processo é o vereador Luís Geraldo, presidente da câmara, acompanhado de Miguel Alencar, hoje secretário de governo e Aquiles Barreto. A impressão que dá é que a fiança não permite vôos muito altos a estrutura do governo municipal: o apoio é para o governo não gerar problemas e mais vexames.

A temperatura caiu.

A crise na secretaria municipal de cultura parece estar caminhando para amainar a temperatura, o setor começa a viver uma situação de retorno ao dia a dia. É claro que feridas estão abertas e outras dificilmente fecharão, mas fazem parte do processo político, particularmente na província.

Sidnei Marinho = prestígio.

O Programa Sidnei Marinho, na Litoral News, tem demonstrado prestígio, entrevistando as grandes e controversas figuras políticas de Cabo Frio. Opiniões fortes, incoerências e muita história, fazem o programa, imperdível.

Que venha o centenário!

Moacir Cabral escreveu belo artigo comemorando os 29 anos da Folha dos Lagos, patrimônio de Cabo Frio, de toda a Região dos Lagos e de todos aqueles que gostam do bom jornalismo. A Família Cabral construiu uma história de luta e credibilidade. Que venha o centenário! Logo, logoooooo!!!!

O site do Sette

O cineasta e artista plástico José Sette de Barros também tem site. É muito legal, marcado pelo bom gosto. No site do Sette – www.josesette.com.br – você encontra as pinturas desse intelectual multifacetado, mineiro e morador de Cabo Frio,

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O “JEITINHO” DA PROLAGOS.

A Prolagos deu um “jeitinho” (uma “águada” de cimento) e deu uma “arrumada”, na calçada lateral de sua loja, na esquina da Praça Porto Rocha com Rua Francisco Mendes. Melhorou, mas pelo tamanho e importância da empresa, poderia ter ficado muito melhor.

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DEIXARAM SÓ O TOCO DO ALGODÃO DA PRAIA.

A Avenida Nilo Peçanha foi despojada, pela Comsercaf, de mais um “algodão da praia”, árvore que dava sombra deliciosa e que não tinha doença. Logo ali, na esquina de Nilo Peçanha com Rua Jorge Lóssio, em frente a uma “modernosa” casa de massas e uma imobiliária. Estava atrapalhando o visual? A coordenadoria de meio ambiente foi consultada e aprovou? A árvore cortada praticamente na frente do Corpo de Bombeiros teve autorização? Com base em que?

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PRÓXIMOS PASSOS DA CULTURA CABOFRIENSE

Um aparato de 20 policiais com uma ordem judicial que criminalizava 4 artistas cabofrienses interrompeu a 10° Assembleia do 10° dia de ocupação do Ocupa Charitas,iniciativa da SAL – Sociedade de Artistas Livres. A entidade surgiu como desdobramento direto da péssima condução na exoneração da memorialista Meri Damaceno da Secretaria de Cultura e da interrupção do mais radical experimento de gestão participativa e democrática na história dessa pasta, capitaneado por Meri Damaceno e sua equipe, que teve como espinha dorsal a reativação e fortalecimento das Câmaras Setoriais de cada segmento artístico e a realização de mais de 120 reuniões envolvendo representantes do poder público e sociedade civil em menos de 1 ano de gestão.

Como já comentei nesse mesmo espaço no artigo A PARTICIPAÇÃO POPULAR COMO LEGADO, esse experimento de gestão democrática não foi desprovido de erros, nem tampouco teve um caminho fácil. Mas entre erros e acertos, conseguimos criar um ambiente de valorização do diálogo na construção e no encaminhamento das políticas públicas e de ampla participação da sociedade civil nesse processo. Nesse sentido, a saída de Meri Damaceno e sua equipe, foi considerada uma interrupção de um processo democrático de gestão pública por muitas lideranças artísticas diretamente envolvidas na criação da SAL e no planejamento da Ocupação no Charitas. A enorme rejeição histórica ao nome de Milton Alencar foi o tempero de faltava para que a Ocupação acontecesse com a rapidez demonstrada.  

Nos seus 10 dias de Ocupação, o Ocupa Charitas levou uma média de 60 pessoas por dia ao Charitas envolvendo atividades artísticas que iam de oficinas a palestras, além de contar com uma média de 40 artistas dos mais diversos segmentos participando das Assembleias diárias de avaliação do movimento. Cabe registrar que a Ocupação não interferiu nas atividades artísticas previamente agendadas no espaço e ,inclusive, participou de inúmeras delas. A Ocupação também produziu um documento com mais de 900 assinaturas pedindo, entre outras coisas, uma Audiência Pública com o Prefeito. Um pedido completamente ignorado pelo seu gabinete.

A ação do aparato policial, pedido pelo novo Secretário de Cultura Milton Alencar, teve toques de teatralidade e chegou a interromper o trânsito na Av Assunção, uma das principais vias da cidade. Realmente, dezenas de artistas se reunindo em assembléia, deve ser algo de extremo perigo para quem não tem vocação para caminhos democráticos.

A resolução policialesca desse capítulo aprofundou o abismo na formação do diálogo entre o poder público e um amplo segmento artístico da sociedade civil. Se a Ocupação surgiu como medida extrema para retomada de diálogo com o poder público, a criminalização de parte de suas lideranças no processo de desocupação reforça a imagem de um governo que cada vez mais abre mão do diálogo com a sociedade na resolução de conflitos criados pelo próprio governo.

A tendência é que a resolução desses conflitos esteja cada vez mais carregada de tintas autoritárias e que o governo recorra a articulações de bastidores que promovam a entrada de grupos políticos diretamente envolvidos na criação da crise que hoje a cidade está mergulhada, deixando de conversar com as bases e com outros setores da sociedade. É o governo que pensa apenas no próprio governo enquanto se esquece dos problemas concretos da cidade.

A chegada de Milton Alencar já é sintoma disso e hoje ele se coloca no centro de resoluções de caminhos importantes nas políticas públicas culturais de Cabo Frio. A forma como chegou ao cargo (ler artigo A PARTICIPAÇÃO POPULAR COMO LEGADO) e o enorme aparato policial pedido por ele para encerrar a Ocupação colocam em dúvida a sua disposição para caminhos mais democráticos e transparentes na definição de políticas públicas para a Cultura e sua legitimidade para capitanear esse tipo de caminho.

Passado 1 mês de sua conturbada ascensão, sabe-se pouco do que pretende. Não se sabe que caminhos apontados pela gestão Meri Damaceno ele pretende seguir e quais ele pretende romper. No seu primeiro dia foi-lhe entregue um Dossiê da gestão Meri Damaceno com todas as ações realizadas e todos os processos em curso. Não se sabe o que ele pensa desse dossiê ou mesmo se o leu. Há processos importantes iniciados envolvendo o PROEDI (único edital de fomento direto para criação artística de nossa cidade), o edital ARTE NA RUA (que prevê apresentações artísticas remuneradas em dezenas de praças da cidade), o edital do GRAFITE (que prevê a criação de painéis para o Teatro Municipal de Cabo Frio) elaborados na gestão Meri Damaceno para serem disponibilizados de forma mais democrática e transparente possível para a classe artística da cidade. A reforma de adequação do Teatro Municipal às normas de segurança está em suspensão desde o corte de energia do Teatro por falta de pagamento em meados de maio desse ano. De certa forma, nesse início de trabalho, ele será pautado pela forma nebulosa com que chegou ao cargo e pelas ações iniciadas na gestão Meri Damaceno. 

Sabe-se apenas que ele terá o apoio precioso que foi negado a Meri Damaceno nos últimos meses de sua gestão. Miguel Alencar, seu filho, e Secretário de Governo não poupará esforços para agilizar projetos e processos que envolvem o seu grupo político e o próprio projeto de reeleição. Parecem reproduzir na restinga a lógica que domina o governo federal onde um presidente não tem pudor em admitir favorecimento do próprio filho em decisões estratégicas da nação. Para muitos do segmento cultural, a ratificação dessa decisão fortalece a triste sensação que a Secretaria de Cultura, hoje, é um negócio de família que passa de Pai para Filho e, hoje,o Filho devolve ao Pai. A recusa do Prefeito em realizar uma Audiência Pública para ouvir as pautas e demandas do segmento só agrava a sensação de uma guinada antidemocrática em um governo que surgiu como esperança de novos tempos e que hoje, repete o que ontem criticava, resgatando inclusive os mesmos personagens envolvidos em práticas duvidosas em outras gestões.

A  SAL – Sociedade de Artistas Livres nasce dessa ruptura. Ela não surgiu da simples troca de comando de uma pasta como querem acreditar os simplistas. Ela surge da interrupção de um projeto radicalmente democrático e, não por acaso, é fácil encontrar em seus membros, artistas com farta experiência em colegiados, fóruns, conferências e associações que entendem assembleias como o debate necessário para a definição do bem comum, como preferem os que gostam da parte mais transparente da política. Ainda há um vasto caminho para se afirmar e algumas contradições internas para corrigir, mas ela nasce com a força de uma experiência comum marcante que já se tornou parte da história cultural da cidade. A estratégia da Ocupação, sempre que é tomada por um grupo, é um ato extremo para a defesa de um bem comum. Um grito quando todos os outros recursos não surtiram efeito. Participar de uma Ocupação pressupõe abnegação, sacrifício e espírito consciente e crítico. Que a estratégia que poderia ser a última tenha sido escolhida como a primeira já dá idéia da imensa rejeição ao nome de Milton Alencar e da oposição que ele terá que lidar. Ou seja, tudo leva a crer que a SAL participará ativamente dos desdobramentos que envolvem a continuidade da gestão de Milton Alencar na condução da pasta da Cultura.

Os próximos passos seguem nebulosos e só uma determinação mais clara de Milton Alencar em relação ao lançamento do PROEDI, do edital ARTE NA RUA e a reabertura do Teatro Municipal de Cabo Frio poderão diminuir a temperatura da fervura. E mesmo nessas ações ele deverá mostrar uma transparência nas ações que não combinam muito com o seu histórico em outras gestões.

Haverá muitos olhos atentos na condução desses passos.

Para nós que participamos da gestão Meri Damaceno resta a consciência limpa nas ações efetuadas, o aprendizado com os erros e a frustração pelo não fechamento de um ciclo de tamanho potencial no quesito participação popular na construção das políticas públicas. Mas o que foi iniciado pode ser retomado em um governo com maior vocação para o diálogo com as bases e essa semente foi muito bem plantada.  

BRUNO PEIXOTO CORDEIRO

Documentarista Teatral

Coordenador da En La Barca Jornadas Teatrais

Corpo Gestor do Teatro Municipal de Cabo Frio na gestão Meri Damaceno

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AQUI DIREI – Manoel Justino.

Aqui direi
que teus traços
não às remetem,
escolha ou sorte
mas vem de longe ancestres,
do povo, do outro lado, Atlântico.
essência, de vento e mato,
e deles,
metamorfose de dor, em encanto.

Traquejos na pele
revestiram de lá e,
trouxeram, nos seios de vidas,
que assim, em teu ser transcendem

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SUELY PEDROSA, ÍCONE DO JORNALISMO.

A colunista Sueli Pedrosa, ícone do jornalismo, na Região dos Lagos, está feliz com os resultados do seu site (suelypedrosa.wixsite.com), que, em pouco tempo arrebatou muitos leitores. Elaborado com carinho e bom gosto, o site promete muito mais.

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