PEQUENAS DOSES

Deve ser engano.

Na véspera de aceitar ou não novamente a cadeira de secretário municipal de fazenda o professor e empresário Clésio Guimarães Faria, disse que o seu lado é Cabo Frio. Engraçado, sempre pareceu que era Marquinhos Mendes. Ora, ora …

Moral da história 1

Cláudio Leitão e Meri Damaceno participaram ativamente da campanha de Adriano Moreno a prefeitura de Cabo Frio. Articularam, deram depoimentos para a mídia, defendendo o candidato. No governo, passaram dificuldades para poderem administrar.

Moral da história 2

Os substitutos, Márcia Almeida, na Educação e Milton Alencar Jr, na Cultura, ligados a Marquinhos Mendes, estão tendo pedidos atendidos e gozando de estruturas mais caprichadas, digamos assim. Qual será a moral da história?

Contradições.

O prefeito Adriano Moreno se elegeu com discurso de renovação, mas durante o governo retrocedeu e se vinculou as legendas partidárias mais conservadoras. Seus encontros políticos são com os deputados do PSL, Democratas, PL. Não é por acaso que a rejeição popular é imensa.

Núcleo bolsonarista.

Não se sabe exatamente qual é a força política das articulações do “senadinho”, as margens do Canal do Itajuru. O que se sabe é o predomínio do pensamento ultraconservador, com grande penetração bolsonarista.

O fracasso!

O fracasso político e econômico do governo Bolsonaro é evidente. A Globo e os bancos o agüentam, porque querem de qualquer maneira a reforma da previdência. Em Cabo Frio, a maioria dos bolsonaristas se esconde atrás dos biombos do Partido Novo.

Com o rabo entre as pernas.

Na campanha presidencial os bolsonaristas entre cantorias do hino nacional e saudações a bandeira fizeram duas grandes concentrações e passeatas. No momento, não conseguem reunir nada além de 30 pessoas: estão com os rabos entre as pernas.

Os empregos.

Há alguns anos se dizia que após a prefeitura, a maior geradora de empregos, em Cabo Frio, era a Auto Viação Salineira, que tem o monopólio do transporte coletivo. Hoje, as empresas de saúde privada geram muito mais dinheiro e empregam mais gente.

A força da saúde privada

Não é por acaso que as empresas de saúde privada, em todos os níveis e setores, ganharam uma importância e peso político nunca antes visto na cidade. Quem quiser ganhar a eleição de 2020 tem que estar atento a este novo quadro da economia cabofriense.

É hora de diversificar a economia

Uma cidade, dita turística, que vive da prefeitura, da empresa que detém o monopólio do transporte coletivo e das empresas de saúde privada, está doente. Precisa com urgência diversificar sua economia: basta olhar para o lado e ver o número de lojas fechando.

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CONSELHO MÉDICO (Como Devemos Tomar Nossos Remédios)

Quando estamos doentes, afinal não temos outro remédio senão tomar remédio.

O remédio, aliás, sempre faz bem. Ou faz bem ao doente que o toma com muita fé; ou ao droguista que o fabrica com muito carinho; ou ao comerciante que o vende com um pequeno lucro de 300 por cento.

Mas apesar do bem que fazem, devemos convir que há remédios verdadeiramente repugnantes, que provocam engulhos e violentas reações de repulsa do estômago.

Como devemos tomar esses remédios repugnantes? Aí está o problema que procuraremos resolver para orientar os nossos dignos e anêmicos leitores.

O melhor meio de vencer as náuseas, quando temos que ingerir um remédio repelente, consiste em recorrer à lógica dos rodeios, adotando os métodos indiretos, até chegar à auto-sugestão, transformando assim o remédio repugnante numa coisa que seja agradável ao paladar. Numa palavra, devemos tomar o remédio com cerveja, por exemplo.

Como devemos proceder para chegarmos a esse magnífico resultado?

É indispensável comprar, antes do remédio, uma garrafa de cerveja. Depois, é necessário bebê-la devagar, saboreando-a, para sentir-lhe bem o gosto. Liquidada a primeira garrafa, pedimos outra cerveja. Esta   vamos tomá-la de outra forma, também devagar, mas com a idéia posta no remédio, cuja lembrança naturalmente nos provocará asco. Para voltarmos ao normal, encomendamos uma terceira garrafa, com a qual, lembrando-nos sempre do remédio, iremos dominando e vencendo a repugnância. Na altura da quinta ou undécima garrafa, nós já estaremos convencidos de que o gosto do remédio deve ser muito semelhante ao da cerveja e, assim, já poderíamos beber calmamente o remédio como cerveja. Mas, como não temos o remédio no momento e já não temos muita força nas pernas para ir à farmácia, então continuamos a beber a infusão de lúpulo e cevada, até chegarmos a esta notável conclusão: se é possível chegar a se tomar um remédio tão repugnante como cerveja, muito mais lógico será que passemos a tomar cerveja como remédio, porque a ordem dos fatores não altera o produto, quando está convenientemente engarrafado.

* Aparício Torelli (Barão de Itararé)

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‘UTOPIA’ – DICA DO BLOG DO TOTONHO.

Com a publicação da Utopia, em 1516, Thomas More criou uma das palavras mais ricas, debatidas e controversas de nosso vocabulário. Construído como uma narrativa de viagem, gênero de longa tradição literária, o livro dá voz ao navegante português Rafael Hitlodeu, que, em latim humanista, critica as instituições inglesas para, em seguida, descrever a ilha de Utopia, que conseguiu criar uma sociedade próxima do ideal, valendo-se do conhecimento existente na época, sem qualquer poder sobre-humano.

A meio caminho entre a literatura e a filosofia, na zona de passagem entre um não lugar que nega nossas misérias e um bom lugar que as torna talvez mais insuportáveis, a utopia de More é um patrimônio cultural tão rico que não cabe apenas no espaço comprimido da tradição acadêmica que a quer domesticar. Ao pensar uma sociedade viável, cria um instrumento crítico com o qual podemos medir nossa realidade.

O posfácio não debate filosoficamente a construção de More, mas passeia de modo livre pelo passado, presente e futuro da utopia (e sua gêmea má, a distopia), demonstrando assim a potência que se gera quando nos deparamos com – ou criamos – o termo certo.

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ENCONTRO DAS ARTES

Um Encontro das Artes com muita música, artesanato, gastronomia e principalmente a maior Arte de todas: A Arte do Encontro!!! Onde todos possam se reunir para uma conversa, uma risada e muito mais. Com ENTRADA FRANCA será no dia 13 de JULHO SÁBADO a partir das 16 horas no Espaço Casa Fechada situada à Rua Espírito Santo 57 Palmeiras Cabo Frio O Grupo Revirando o Baú reunirá expositores com muita arte, artesanato, brechó, design, gastronomia e música ao vivo com o escritor, músico e professor Junior Carriço, apresentação do Coral Cantores da Aldeia sobre a Regência do Maestro Max Oliveira e a participação especial do Grupo Coletivo Griot e apresentação de dança do Studio Dança Esporte e Eventos Katia Santana

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O PITO DE TIA LILA

Poucas vezes na história de Cabo Frio se viu um governo tão rejeitado, não só pelo grosso da população, mas por inúmeras personalidades públicas que querem distância de qualquer intimidade com a administração que jurava tirar a cidade do atoleiro.

Muito pouca gente está se arriscando a vincular seu nome e prestígio conseguido ao longo dos anos a um governo, que se elegeu com uma campanha agressiva, se dizendo do “bem” e que vem derretendo aos olhos de toda a sociedade.

O trabalho contra a corrupção e a favor de uma administração limpa, transparente e técnica por excelência não aconteceu, sequer começou. As prometidas auditorias independentes, realizadas por organismos altamente competentes morreram no nascedouro, ou melhor, na ponta da língua.

O governo nem chegou a tentar. Outros mais malévolos e ousados diriam, que nem chegou a começar. Até hoje atropela a si mesmo, se enrola e dá passos atrás, combinando alianças com forças políticas, que considerava atrasadas e do “mal”.

A “Republiqueta do Edifício das Professoras” mentiu desbragadamente na campanha ou pela mais absoluta incompetência foi obrigada a se desdizer e buscar acordo com quem antes escrachava e esculhambava?

Ambas as alternativas são muito ruins, péssimas mesmo para os moçoilos, que se achavam o “fino da bossa”: os discursos eram absolutamente falsos ou a turminha do Edifício das Professoras (coitada de Tia Lila) não sabe de nada e no mínimo deveria voltar a estudar. Não é um mau negócio, estudar sempre ajuda.

Pela falsidade e incompetência a “Republiqueta do Edifício das Professoras” merecia um pito de Tia Lila.

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PEQUENAS DOSES

Movimento Negro.

Manoel Justino, um dos líderes do Movimento Negro, interrompeu o gozo da licença a prêmio para fazer parte da equipe de Milton Alencar Jr. Manoel Justino pode ser o superintendente da igualdade racial, na nova estrutura da reforma administrativa.

O amigo do Rei.

O secretário Milton Alencar Jr está demonstrando grande prestígio junto ao prefeito Adriano Moreno. A estrutura que está montando na secretaria de cultura, mesmo em meio à crise econômica, é bem maior que a disponibilizada para Meri Damaceno.

Turismo histórico

O novo secretário de turismo Paulo Cotias quer ampliar as relações de sua secretaria com a iniciativa privada. O secretário, que é professor e coordenador de história da Universidade Estácio de Sá, tem interesse em dinamizar o turismo histórico, em Cabo Frio.

Caindo aos pedaços

O novo secretário vai encontrar um grave problema pela frente: o estado precário de preservação dos prédios históricos ainda existentes em Cabo Frio. Alguns, como a Fonte do Itajuru e a sede da Fazenda Campos Novos, estão caindo aos pedaços. O governo precisa disponibilizar recursos e atrair investimentos.

“Balança, mas não cai … caiu”

De alguma forma, todos os mais próximos a Adriano Moreno, que fizeram parte da campanha, e que tiveram problemas com Antônio Carlos Vieira, ficaram no “balança, mas não cai” e, finalmente caíram.

“Puxadinho”

O governo de Adriano Moreno cada vez mais se assemelha, tanto em estrutura, quanto em pessoal, aos governos dos “morubixabas”, Alair Corrêa e Marquinhos Mendes, o que a “Turma de Adriano” condenava diariamente. Segundo um “expertise” da política local o governo da dupla Adriano/Antônio Carlos virou mero “puxadinho” dos 20 anos.

Antônio Carlos X Clésio

Os servidores e contratados estão de olho nas mudanças, na secretaria municipal de fazenda, que deve passar para as mãos do professor e empresário Clésio Guimarães Faria. Quem poderia imaginar tal coisa durante a campanha dos bolsonaristas?

Uma questão de direitos

Aos assalariados interessa muito pouco se o secretário é Antônio Carlos ou Clésio. Todos querem os seus direitos respeitados, que o governo Adriano Moreno teima em não cumprir. O temor é que a crise econômico-financeira se agrave, inviabilizando, inclusive o pagamento dos salários.

Quem paga o pato?

Os moradores de Búzios deveriam iniciar ação coletiva contra a irresponsabilidade do Poder Judiciário. Afinal, o município e sua população “pagam o pato” pelas decisões judiciais, que botam e tiram André Granado e Henrique Gomes da prefeitura. A prepotência do Judiciário e o desrespeito a democracia são evidentes.

Como um passarinho

Faleceu ontem, de parada cardiorespiratória Everardo de Azevedo Mureb (Eve). Seu corpo foi velado no Tamoio Esporte Clube e enterrado no Cemitério Santa Izabel. Eve, de tradicional família cabofriense, teve rápida e vitoriosa passagem pela política: foi vice-prefeito de Cabo Frio, entre 1983 e 1988.

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UM SENHOR MUITO VELHO COM UMAS ASAS MUITO GRANDES.

No terceiro dia de chuva tinham matado tantos caranguejos dentro de casa que Pelayo teve de atravessar o seu pátio inundado para atirá‑los ao mar, pois o bebé recém‑nascido tinha passado a noite com febre e pensava‑se que era por causa da pestilência. O mundo estava triste desde terça‑feira. O céu e o mar eram uma única e mesma coisa de cinza e as areias da praia, que em Março resplandeciam como poeira de luz, tinham‑se transformado numa papa de lodo e mariscos podres. A luz era tão fraca ao meio‑dia que, quando Pelayo regressava a casa depois de ter deitado fora os caranguejos, teve dificuldade em ver o que era que se movia e gemia no fundo do pátio. Teve de aproximar‑se muito, para descobrir que era um homem velho, que estava caído de borco no lodaçal e que, apesar dos seus grandes esforços, não podia levantar‑se, porque lho impediam as suas enormes asas.

Assustado por aquela visão aflitiva, Pelayo correu em busca de Elisenda, sua mulher, que estava a pôr compressas ao bebé doente, e levou‑a até ao fundo do pátio. Ambos observaram o corpo caído com um silencioso pasmo. Estava vestido como um trapeiro. Não lhe restavam mais do que uns fiapos descoloridos no crânio pelado e pouquíssimos dentes na boca, e essa lastimosa condição de bisavô ensopado tinha‑o desprovido de qualquer grandeza. As suas asas de abutre velho, sujas e meio depenadas, estavam encalhadas para sempre no lodaçal. Tanto o observaram, e com tanta atenção, que Pelayo e Elisenda muito rapidamente se recompuseram do assombro e acabaram por achá‑lo familiar. Então atreveram‑se a falar‑lhe, e ele respondeu‑lhes num dialecto incompreensível, mas com uma boa voz de navegante. Foi por isso que deixaram de preocupar‑se com o inconveniente das asas e chegaram à sensata conclusão de que era um náufrago solitário de algum navio estrangeiro, desfeito pelo temporal. Contudo, chamaram, para que o visse, uma vizinha que sabia todas as coisas da vida e da morte, e a ela chegou‑lhe um olhar para tirá‑los do engano.

‑ É um anjo ‑ disse‑lhes. ‑ Com certeza vinha por causa da criança, mas o desgraçado está tão velho que a chuva o fez cair.

No dia seguinte toda a gente sabia que em casa de Pelayo tinham cativo um anjo de carne e osso. Contra o critério da vizinha sábia, para quem os anjos destes tempos eram sobreviventes fugitivos de uma conspiração celestial, não tinham tido coragem para matá‑lo à paulada. Pelayo esteve toda a tarde a vigiá‑lo, da cozinha, armado com o seu garrote de aguazil, e, antes de deitar‑se, tirou‑o de rastros do lodaçal e fechou‑o com as galinhas no galinheiro alambrado. À meia‑noite, quando terminou a chuva, Pelayo e Elisenda continuavam a matar caranguejos. Pouco depois o menino acordou, sem febre e com desejos de comer. Então sentiram‑se magnânimos e decidiram pôr o anjo numa balsa com água doce e provisões para três dias e abandoná‑lo à sua sorte no mar alto. Mas, quando foram ao pátio com as primeiras claridades, encontraram toda a vizinhança em frente do galinheiro, divertindo‑se com o anjo, sem a menor devoção e a atirar‑lhe coisas para comer pelos buracos dos alambres, como se não se tratasse de uma criatura sobrenatural, mas sim de um animal de circo.

O padre Gonzaga chegou antes das sete, alarmado pela desproporção da notícia. A essa hora já tinham acorrido curiosos menos frívolos que os do amanhecer e tinham feito toda a espécie de suposições sobre o futuro do cativo. Os mais simples pensavam que seria nomeado alcaide do mundo. Outros, de espírito mais austero, supunham que seria promovido a general de cinco estrelas, para que ganhasse todas as guerras. Alguns visionários esperavam que fosse conservado como reprodutor, para implantar na Terra uma estirpe de homens alados e sábios que se encarregassem do universo. Mas o padre Gonzaga, antes de ser cura, tinha sido lenhador vigoroso. Chegado aos alambres, fez uma rápida revisão do seu catecismo, e, entretanto, pediu que lhe abrissem a porta, para examinar de perto aquele varão de lástima que mais parecia uma enorme galinha decrépita entre as galinhas absortas. Estava deitado num canto, secando ao sol as asas estendidas, entre as cascas de frutas e as sobras de pequenos‑almoços que lhe tinham atirado os madrugadores. Alheio às impertinências do mundo, mal levantou os seus olhos de antiquário e murmurou alguma coisa no seu dialecto quando o padre Gonzaga entrou no galinheiro e lhe deu os bons‑dias em latim. O pároco teve a primeira suspeita da sua impostura ao verificar que não compreendia a língua de Deus nem sabia cumprimentar os seus ministros. A seguir, observou que, visto de perto, tinha a aparência demasiado humana: tinha um insuportável odor de intempérie, o avesso das asas semeado de algas parasitárias e as penas maiores maltratadas por ventos terrestres, e nada da sua natureza miserável estava de acordo com a egrégia dignidade dos anjos. Então abandonou o galinheiro e, com um breve sermão, preveniu os curiosos contra os riscos da ingenuidade. Recordou‑lhes que o Demónio tinha o mau hábito de servir‑se de artifícios de Carnaval para confundir os incautos. Argumentou que, se as asas não eram o elemento essencial para determinar as diferenças entre um gavião e um aeroplano, muito menos o podiam ser para reconhecer os anjos. No entanto, prometeu escrever uma carta ao seu bispo, para que este escrevesse outra ao seu primaz e para que este escrevesse outra ao Sumo Pontífice, de maneira que o veredicto final viesse dos tribunais mais altos.

A sua prudência caiu em corações estéreis. A notícia do anjo cativo divulgou‑se com tanta rapidez que ao cabo de poucas horas havia no pátio um alvoroço de mercado, e tiveram de levar a tropa, com baionetas, para espantar o tumulto, que já estava quase a deitar a casa abaixo. Elisenda, com o espinhaço torcido de tanto varrer lixo de feira, teve então a boa ideia de taipar o pátio e receber cinco centavos pela entrada para ver o anjo.

Vieram curiosos até da Martinica. Veio uma feira ambulante com um acrobata voador, que passou a zumbir várias vezes por cima da multidão, mas ninguém lhe ligou importância, porque as suas asas não eram de anjo, mas de morcego sideral. Vieram em busca de saúde os doentes mais infelizes do Caribe: uma pobre mulher que desde criança estava a contar os latejos do seu coração e já não tinha números que lhe chegassem, um jamaicano que não podia dormir porque o atormentava o ruído das estrelas, um sonâmbulo que se levantava de noite para desfazer as coisas que tinha feito acordado, e muitos outros de menor gravidade. No meio daquela desordem de naufrágio que fazia tremer a terra, Pelayo e Elisenda estavam felizes de cansaço, porque em menos de uma semana atulhavam de dinheiro os quartos de dormir, e, todavia, a fila de peregrinos que esperavam vez para entrar chegava até ao outro lado do horizonte.

O anjo era o único que não participava do seu próprio acontecimento. O tempo ia‑se‑lhe em procurar acomodação no seu ninho emprestado, aturdido pelo calor de inferno das lamparinas de azeite e das velas de sacrifício que lhe encostavam aos alambres. Ao princípio insistiram para que comesse cristais de cânfora, que, de acordo com a sabedoria da vizinha sábia, era o alimento específico dos anjos. Mas ele desprezava‑os, como desprezou, sem os provar, os almoços papais que lhe levavam os penitentes, e nunca se soube se foi por ser anjo ou por ser velho que acabou por comer nada mais que papas de beringela. A sua única virtude sobrenatural parecia ser a paciência. Sobretudo nos primeiros tempos, quando o espiolhavam as galinhas em busca dos parasitas estelares que proliferavam nas suas asas e os aleijados lhe arrancavam penas, para tocar com elas nos seus defeitos, e até os mais piedosos lhe atiravam pedras, tentando conseguir que se levantasse, para vê‑lo de corpo inteiro. A única vez que conseguiram perturbá‑lo foi quando lhe queimaram as costas com um ferro de marcar novilhos, porque havia tantas horas que estava imóvel que pensaram que estava morto. Acordou sobressaltado, disparatando em língua hermética e com os olhos em lágrimas, e bateu as asas duas vezes, o que provocou um remoinho de estrume de galinheiro e pó lunar e um vendaval de pânico que não parecia deste mundo. Apesar de muitos terem ficado convencidos de que a sua reacção não tinha sido de raiva, mas sim de dor, desde esse dia trataram de não o incomodar, porque a maioria compreendeu que a sua passividade não era a de um herói em gozo de boa reforma, mas a de um cataclismo em repouso.

O padre Gonzaga enfrentou a frivolidade da multidão com fórmulas de inspiração doméstica, enquanto lhe chegava um parecer decisivo sobre a natureza do cativo. Mas o correio de Roma tinha perdido a noção da urgência. O tempo ia‑se‑lhes a averiguar se o prisioneiro tinha umbigo, se o seu dialecto tinha alguma coisa a ver com o aramaico, se podia caber muitas vezes na ponta dum alfinete, ou se não seria simplesmente um norueguês com asas. Aquelas cartas de parcimónia teriam ido e vindo até ao fim dos séculos se um acontecimento providencial não tivesse posto um fim às tribulações do pároco.

Sucedeu que, por esses dias, entre muitas outras atracções das feiras ambulantes do Caribe, levaram ao povoado o espectáculo triste da mulher que se tinha convertido em aranha por ter desobedecido a seus pais. A entrada para a ver não só custava menos que a entrada para ver o anjo, mas ainda permitiam fazer‑lhe toda a espécie de perguntas sobre a sua absurda condição e examiná‑la pelo direito e pelo avesso, de maneira que ninguém pusesse em dúvida a veracidade do horror. Era uma tarântula espantosa do tamanho de um carneiro e com a cabeça de uma donzela triste. Porém, o mais aflitivo não era a sua aparência de disparate, mas a sincera aflição com que contava os pormenores da sua desgraça; sendo quase uma criança, tinha‑se escapado de casa dos seus pais para ir a um baile, e, quando regressava pelo bosque, depois de ter dançado toda a noite sem autorização, um trovão pavoroso abriu o céu em duas metades e por aquela greta saiu o relâmpago de enxofre que a converteu em aranha. O seu único alimento eram as bolinhas de carne moída que as almas caritativas quisessem deitar‑lhe na boca. Semelhante espectáculo, carregado de tanta verdade humana e de tão temível castigo, tinha de derrotar, sem premeditação, o de um anjo despeitoso que mal se dignava olhar para os mortais. Além disso, os raros milagres que se atribuíam ao anjo revelavam uma certa desordem mental, como o do cego que não recuperou a vista mas a quem apareceram três dentes novos, o do paralítico que não pôde andar mas esteve quase a ganhar a lotaria e o do leproso a quem nasceram girassóis nas feridas. Aqueles milagres de consolação, que mais pareciam divertimentos de troça, já tinham enfraquecido a reputação do anjo quando a mulher convertida em aranha acabou de a aniquilar.

Foi desta maneira que o padre Gonzaga se curou para sempre das insónias e o pátio de Pelayo voltou a ficar tão solitário como nos tempos em que choveu três dias e os caranguejos andavam pelos quartos.

Os donos da casa não tiveram nada que lamentar. Com o dinheiro arrecadado construíram uma mansão de dois andares, com balcões e jardins e com muros muito altos, para que não entrassem os caranguejos do Inverno, e com barras de ferro nas janelas, para que não entrassem os anjos. Pelayo instalou, além disso, uma criação de coelhos muito perto da povoação, renunciando para sempre ao seu mau emprego de aguazil, e Elisenda comprou uns sapatos acetinados com saltos altos e muitos vestidos de seda furta‑cor, como os que usavam as senhoras mais categorizadas nos domingos daqueles tempos. O galinheiro foi a única coisa que não mereceu atenção. Se alguma vez o lavaram com creolina e nele queimaram as lágrimas de mirra, não foi para prestar honras ao anjo, mas para conjurar a pestilência de esterqueira, que andava como um fantasma por toda a parte e estava a tornar velha a casa nova. Ao princípio, quando o menino começou a andar, tiveram cuidado para que não estivesse muito perto do galinheiro. Mas depois foram‑se esquecendo do temor e acostumando‑se à pestilência, e antes que o menino mudasse os dentes tinha‑se habituado a brincar dentro do galinheiro, cujos alambres apodrecidos caíam aos bocados. O anjo não foi menos desabrido para com ele do que para com o resto dos mortais, mas suportava as infâmias mais engenhosas com uma mansuetude de cão sem ilusões. Ambos contraíram a varicela ao mesmo tempo. O médico que tratou o menino não resistiu à tentação de auscultar o anjo e encontrou‑lhe tantos sopros no coração e tantos ruídos nos rins que não lhe pareceu possível que estivesse vivo. O que mais o assombrou, contudo, foi a lógica das suas asas. Pareciam tão naturais naquele organismo completamente humano que não podia compreender‑se porque não as tinham também os outros homens.

Quando o menino foi à escola, havia muito tempo que o sol e a chuva tinham desmantelado o galinheiro. O anjo andava a arrastar‑se por aqui e por ali, como um moribundo sem dono. Expulsavam‑no a vassouradas de um quarto e um momento depois encontravam‑no na cozinha. Parecia estar em tantos lugares ao mesmo tempo que chegaram a pensar que se desdobrava, que se repetia a si mesmo por toda a casa, e a exasperada Elisenda gritava, fora de si, que era uma desgraça viver naquele inferno cheio de anjos. Mal podia comer, os seus olhos de antiquário tinham‑se‑lhe tornado tão turvos que andava a tropeçar nas vigas que sustentavam o telhado e já não lhe restavam senão os ráquis pelados das últimas penas. Pelayo atirou‑lhe para cima uma manta e fez‑lhe a caridade de o deixar dormir no alpendre, e só então repararam que passava a noite com febres, delirando, em tartamudeios de norueguês velho. Foi essa uma das poucas vezes em que se alarmaram, porque pensavam que ia morrer e nem sequer a vizinha sábia tinha podido dizer‑lhes o que se fazia com os anjos mortos.

No entanto, não só sobreviveu ao seu pior Inverno como até pareceu melhor com os primeiros sóis. Permaneceu imóvel durante muitos dias no canto mais afastado do pátio, onde ninguém o visse, e em princípios de Dezembro começaram a nascer‑lhe nas asas umas penas grandes e duras, penas de passarão velho, que mais pareciam um novo percalço da decrepitude. Mas ele devia conhecer a razão dessas mudanças, porque tinha todo o cuidado para que ninguém as notasse e para que ninguém ouvisse as canções de navegantes que às vezes cantava sob as estrelas.

Uma manhã, Elisenda estava a cortar rodelas de cebola para o almoço, quando um vento que parecia do alto mar se meteu na cozinha. Então assomou‑se à janela e surpreendeu o anjo nas primeiras tentativas do voo. Eram tão desajeitadas que abriu com as unhas um sulco de arado nas hortaliças e esteve quase a deitar abaixo o alpendre, com aqueles adejos indignos que escorregavam na luz e não encontravam apoio no ar. Mas conseguiu ganhar altura. Elisenda exalou um suspiro de alívio, por ela e por ele, quando o viu passar por cima das últimas casas, sustentando‑se de qualquer maneira com um agourento esvoaçar de abutre senil. Continuou a vê‑lo até ter acabado de cortar a cebola, e continuou a vê‑lo até quando já não era possível que o pudesse ver, porque nesse momento já não era um estorvo na sua vida, mas um ponto imaginário no horizonte do mar.

Gabriel García Márquez, 1968.

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DO CASULO A LIBERDADE!

A política anda bastante desanimadora, sob qualquer ângulo que a examinemos, mas sem ela como resolveremos os graves e complexos problemas do país?

A recente onda de extrema direita, que tenta fazer o Brasil e os brasileiros de reféns, acabou por gerar grupos de resistência democrática nas escolas, universidades e até mesmo empresas.

São jovens saindo dos seus casulos e redescobrindo a política como atividade transformadora, capaz de enfrentar o totalitarismo e apontar, mesmo com incertezas, novos caminhos.

O mais interessante que, passado o assombro provocado pelo crescimento da extrema direita, os jovens estão renascendo na atividade política pelo debate e defesa de todas as formas de liberdade.

Essa discussão antes monopólio de uma camada média, branca, urbana e formalmente letrada, digamos assim, incorporou campos mais vastos do pensamento.

As periferias jovens nas grandes e médias cidades, sob diferentes formas de organização, se tornaram, em muitas oportunidades o núcleo do novo, do experimental e da resistência as diferentes formas e organismos de repressão.

O livre e candente debate é que vai minguar ‘ovo da serpente’ e levá-lo para o seu lugar no abismo onde se encontra a lata de lixo da história.

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PEQUENAS DOSES

Conselho do Fundeb.

Que as coisas não andam bem no governo de Adriano Moreno isso é público e notório, mas pode piorar. O Conselho do Fundeb reconsiderou o parecer de aprovação e agora, desaprova.

O caraminguá da educação.

O governo tem feito grande esforço político para inviabilizar as seguidas críticas na área de Educação. Segundo rumores de algumas paredes bem informadas os profissionais da educação vão receber na próxima sexta-feira.

No pé da câmara

O ex-prefeito Marquinhos Mendes não larga do pé da câmara, batalhando os votos necessários para que os vereadores não aprovem o parecer do TCE-RJ, que lhe é desfavorável.

Os acordos serão cumpridos?

Marquinhos Mendes está namorando e quase noivando com a dupla Adriano Moreno/Antônio Carlos Vieira. O governo tem a esperança que o ex-prefeito cumpra os acordos e não venha candidato em 2020, com liminar.

Derrotas políticas

O todo poderoso Antônio Carlos Vieira tem sofrido algumas derrotas políticas. O seu desempenho como secretário municipal de fazenda tem sido considerado, no mínimo, sofrível, criando imensas arestas e jogando o governo em uma maré de impopularidade, que joga qualquer plano de reeleição no lixo.

Tentativa de blindagem

Apesar das dificuldades o prefeito Adriano Moreno levou Antônio Carlos Vieira para junto de si, colocando-o como assessor especial. Há uma preocupação do governo em blindar o ex-secretário de fazenda, cada vez mais impopular em toda a cidade.

Queda de braço

Os bolsonaristas ganharam a queda de braço dentro do governo de Adriano Moreno. A que custo? O governo consegue superar em desgaste e rejeição os últimos mandatos de Alair Corrêa e Marquinhos Mendes. Depois da experiência com Adriano será muito difícil o “novo” chegar ao poder em Cabo Frio.

O refugiado!

O empresário José Martins, conhecido na cidade como o “Rei da Picanha” ou “Presidente do Senadinho” anda cada vez mais silencioso. Isso não significa que tenha deixado de atuar, apenas foge do que ele chama de “tralhas”, que não o deixam pensar o futuro da cidade. No momento, refugia-se em Campos.

Sabe Cabo Frio ….

O secretário de cultura Milton Alencar Jr. dentro das restrições orçamentárias impostas pelo governo está produzindo a sua equipe. Resta saber de quantos cargos vai dispor para montar a equipe. Esse dado será fundamental para o sucesso ou fracasso político da gestão. Sabe como é Cabo Frio ….

As perdas!

Esta semana a cidade perdeu o consultor imobiliário Claudinho Ferreira, uma das pessoas mais respeitadas e queridas de Cabo Frio e o ex-secretário de fazenda Gelcé Soares dos Santos, companheiro de muitas conversas, no Café per Tutti, no centro. Grande e fraternal abraço as suas famílias.

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VENDO E VENDENDO – Rafael Alvarenga.

Sentada em uma cadeira de madeira ela quebra os ossos do frango e chupa o tutano. Cansada ao meio-dia. Mas a roupa está lavada e estendida no varal que pode ser visto de dentro da sala. A televisão noticia que há pessoas se manifestando na cidade. Não sabe o que é. Suspeita que algo esteja faltando, sido roubado ou ficado caro. Pode ser até alguma indignação diante de um tipo de morte.

Não dá para saber se é a televisão que não diz muito bem, ou se é a fadiga que não a permite compreender tão claramente. Há muitos jovens, a polícia e o sol. Uma moça dá entrevista. Atrás dela um rapaz segura um cartaz. Reclamam da prefeitura. Ela se levanta e raspa o prato lançando no quintal o que sobrou dos ossos. O vira-latas recebeu seu quinhão. Voltou para desligar o aparelho, porém desistiu ao ver, pelo monitor, sob a sombra de uma aroeira, seu neto, com a bicicleta de carga no descanso e a caixa de isopor com os salgados.

      O que você estava fazendo? Ela quis saber no fim da tarde, quando ele chegou a casa. Vendo e vendendo, respondeu o menino. Ela abriu a caixa. Estava vazia. O menino sentou-se para jantar. O vira-latas esperava pelos ossos. Cansada e encucada perguntou ainda: E o que você viu? Uma galera bolada com o prefeito que fez alguma parada sinistra de novo.

      Então ela foi até a porta e olhou para a rua esburacada. Demorou a acostumar as retinas ao escuro dos postes sem luz. Fungou o nariz frente ao mau cheiro do esgoto aberto. E pela primeira vez naquela vida já idosa e amarga falou com rebeldia: Sinistro tá isso aqui. A gente devia era ficar bolado também.

Da porta voltou para a cozinha onde fazia os salgados e procurou a farinha. Amanhã o menino sairia cedo para vendê-los novamente.

Rafael Alvarenga

Cabo Frio, 01 de julho de 2019

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TRAIDORES OU INCOMPETENTES? AS DUAS COISAS?

Cada povo tem suas próprias características influenciadas por sua história e vivência cultural. Uma dessas características mais emblemáticas é a rejeição a qualquer forma de traição ao grupo.

Por essas e muitas outras quando alguém muda sua posição política e ideológica de forma abrupta, alegando pragmatismo, governabilidade e assim por diante, não é perdoado pelo povo. Até a “casa” que o recebeu fica ressabiada

 A deslealdade com a sua própria história e dos seus é imperdoável. Até hoje o ex-presidente e renomado sociólogo Fernando Henrique Cardoso é cobrado pela frase “esqueçam o que escrevi”: estava rasgando sua própria história? Lula até hoje responde pela “Carta aos Brasileiros”.

É óbvio que em Cabo Frio não temos gente desse porte, com essa relevância política e até mesmo institucional. Os grupos tem se formado ao sabor de circunstâncias políticas: aqui por essas bandas a conjuntura tem sempre mais importância que as questões estruturais.

Acontece que o comportamento ou mesmo a incompetência dos trapezistas Adriano e Antônio Carlos não se coaduna com os discursos e mesmo com as lealdades afirmadas e reafirmadas ao longo da campanha que os levou a prefeitura.

O sentimento de traição é generalizado. Não somente a traição ao povo pelos propósitos divulgados e repetidos a exaustão, mas as pessoas que individualmente e coletivamente foram agregadas a campanha e que a ela se entregaram de corpo e alma.

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Mar revolto

Um jovem amigo, observando o que acontece na política de Cabo Frio, acredita que a cidade vive um “mar revolto”. Após a ressaca vem a calmaria e a possibilidade de mais uma vez ter esperanças.

A cultura tem voz

A caminhada do grupo “A cultura tem voz”, que protestou contra a exoneração de Meri Damaceno e de sua equipe da secretaria municipal de cultura, foi, pouco expressiva, abaixo das expectativas.

Choro & Chorinho

O governo deve ter começado a acionar a máquina de concessão de portarias, contratos e outros adereços de pé, mãos e cabeça, típicas do carnaval de Cabo Frio. Na hora certa, vem o “choro” e o “chorinho” para a alegria geral.

Reforma retrô

O governo de Adriano Moreno não está fazendo uma reforma administrativa, mas uma reforma retrô. Parece que Adriano Moreno é apenas chefe de gabinete de novo mandato de Marquinhos Mendes como prefeito.

Clésio, o “novo” secretário de fazenda

Mistura de professor e empresário Clésio Guimarães Faria, que assumiu o lugar do “eterno tesoureiro” Paulo Machado, é o “novo” secretário municipal de fazenda. Clésio foi para o lugar do “príncipe” Antônio Carlos Vieira deslocado para a assessoria do “rei” Adriano Moreno.

O “mago” que fracassou.

Antônio Carlos Vieira assumiu a secretaria de fazenda louvado pelos vitoriosos na eleição e apresentado como uma espécie de mago das finanças: um “expertise”. A sua atuação na área pública não tem justificado a fama que o precedeu: um fracasso atrás do outro.

Finanças da prefeitura no “bagaço”.

As finanças da prefeitura de Cabo Frio estão como diria o Vovô Bibiu, no “bagaço”. Os servidores e os prestadores de serviço estão preocupados com o 2º semestre. Ninguém sabe se a prefeitura da dupla Antônio Carlos/Adriano Moreno vai ter “cacife” para honrar seus compromissos.

A especialidade!

O grupo, que compõe a extrema direita do governo, se especializou em radicalizar o discurso durante a campanha: insultos, acusações levianas, faziam parte do “pacote”. Na hora de governar revelaram a verdadeira face: a incompetência, que envergonha toda a cidade.

O “prefeito de fato”

Tudo leva a crer que, no Palácio Tiradentes, Antônio Carlos Vieira, ganhe ainda mais poder, ampliando seu espaço político. O “mundo político” de Cabo Frio considera que Antônio Carlos Vieira será o “prefeito de fato” ou mesmo uma espécie de 1º Ministro.

A Traição!

A traição a todos os compromissos de campanha e a deslealdade com antigos aliados e grandes amizades pessoais chocaram Cabo Frio e pelo “andar da carruagem” o governo não conseguirá a reeleição tal a rejeição e o repúdio popular. Como voltar a andar pelas ruas da cidade?

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BLOG DO TOTONHO ENTREVISTA A PRESIDENTE DA ACIA, PATRÍCIA CARDINOT.

O Blog do Totonho entrevistou a presidente da ACIA, a empresária do ramo imobiliário, Patrícia Cardinot. A empresária faz uma análise dos problemas que enfrenta ao dirigir a entidade e as soluções que em pouco tempo trouxe para o setor.

Blog do Totonho

Você pode traçar para um perfil pessoal e profissional, inclusive as razões que a levaram a presidência da ACIA?

Patrícia Cardinot

Sou uma mulher independente com 47 anos sem filho e marido, dedicada totalmente ao trabalho e a minha atuação voluntária na busca de melhorias para a segurança pública e melhorias no geral. Além disso, estar sempre ajudando no que for possível para evitar que crianças e adolescentes caminhem para o tráfico, caminho sem volta na maioria das vezes e que não apenas prejudica ao jovem, mas sim a sua família.

Blog do Totonho

Qual a importância de uma mulher, empresária estar presidindo a ACIA, a maior e mais importante associação empresarial da região?

Patrícia Cardinot

Eu fico muito honrada por ter sido indicada e por ser uma mulher de família humilde, sem ser família tradicional, não sendo mulher de ninguém poderoso, amante de ninguém e chegar a um cargo de tanta importância na cidade. Ao aceitar concorrer nem me dei conta de sua amplitude e responsabilidades. O bônus é pequeno, mas os ônus é maior. Tenho enfrentado grande preconceito por ser mulher e o triste é que esse preconceito vem principalmente das mulheres empresárias que às vezes não aceitam outra mulher brilhar e se destacar. Tentam desconstruir minhas ações por seus egos e infelizmente não se unem, parecendo ser eu uma grande ameaça. Triste, mas verdade acontece.

Blog do Totonho

Faça uma análise da crise econômico-financeira vivida pelo país (estagnação e até recuo das atividades econômicas) e a crise em Cabo Frio onde nitidamente muitas casas comerciais estão fechando suas portas.

Patrícia Cardinot

Infelizmente vejo a cidade de Cabo Frio em pleno caos administrativo e sem liderança de gestão. Falta pro atividade e criatividade na administração, impedindo que a cidade caminhe. Não decolou até agora e não vejo um caminho promissor no futuro. O que vejo é um desemprego enorme. Faltam políticas públicas nos bairros e comunidades. Falta o turismo realizado da forma correta e criativa como deveria ser no momento de crise. É o momento que o competente administrador se destaca. Administrar com dinheiro é fácil, mas sem dinheiro se faz necessária sabedoria e competência. Importante aceitar críticas construtivas, ouvir sugestões e mudar atitudes errôneas e ações antiquadas que nunca deram certo há anos. Entretanto, ocorre o bloqueio de pessoas competentes e inteligentes, impedindo-as de se aproximarem. Tentam desqualificar suas imagens, usando atitudes pequenas e sem ética. Tentam esconder o que é óbvio aos olhos de todos. Uma situação caótica com nossas lojas fechando portas, inclusive lojas tradicionais fechando. Desemprego generalizado e o crescimento da criminalidade, que migra pra nossa cidade. Precisamos de muitas ações do poder público, porque hoje às polícias civil e militar é que estão impedindo de se chegar ao caos total. Infelizmente temos hoje uma Guarda Municipal sucateada como nunca antes se viu. Os profissionais da guarda querendo atuar, mas sem as mínimas condições, nem com viaturas.

Blog do Totonho

Existe relação do comércio via internet com a crise do comércio local? Como descrevê-la?

Patrícia Cardinot

A internet mostra nas mídias sociais muitos fatos e blogs como o seu que, inclusive, estava fazendo muita falta. O blog trás conteúdo construtivo e verídico pra que as pessoas esclareçam suas dúvidas.

Blog do Totonho

Qual a relação entre a ACIA e outros órgãos empresariais com a prefeitura de Cabo Frio?

Patrícia Cardinot

Como presidente da ACIA, as poucas vezes que fui até o gabinete do prefeito acompanhando empresários da ‘Rua dos Biquínis’, sempre fomos atendidos. O prefeito foi convocado à reunião na ‘Rua dos Biquínis’ e compareceu . Não vejo problemas até aqui. A ACIA na minha gestão não pede favor, mas exige seus direitos e se não estamos sendo atendidos busco as soluções. Caso não são dadas solicito e solicito até conseguir ou eu mesma vou até secretários e busco como resolver e consegui soluções para tantas questões com tanto pouco tempo de gestão. Basta querer e contornar as dificuldades fazendo os empresários entenderem que às vezes precisamos sim pagar um material uma tinta e o poder público entrar com a mão de obra. Muitas ações nascem daí. Com amor a cidade acho que tudo é possível e não amor apenas ao próprio bolso. Se não olharmos ao nosso redor não vai adiantar seu jardim estar verde; pois se em sua volta tudo secar você será atacado e perderá o que você cuidou e não sobreviverá na crise e no caos. Precisamos de união e isso é infelizmente o mais difícil em Cabo Frio.

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O GRANDE VIÚVO – Nelson Rodrigues.

Na volta do cemitério, ele falou para a família:

— Bem. Quero que vocês saibam o seguinte: — minha mu­lher morreu e eu também vou morrer.

Houve em torno um espanto mudo. Os parentes entreolharam-se. O pai do viúvo ergueu-se:

— Calma, meu filho, calma!

Jair virou-se, violento:

— Calma porque a mulher é minha e não sua! Pois fique sabendo, meu pai: — eu não tenho calma, não quero ter calma e só não me mato agora mesmo, já, sabe por quê?

Uma tia solteirona atalhou:

— Tenha fé em Deus!

Por um momento, Jair esteve para soltar um palavrão. Domi­nou-se, porém. Numa serenidade intensa, fremente, completou:

— Não me mato imediatamente porque quero fazer o mau­soléu de minha mulher. Aliás, dela e meu. Quero dois túmulos, lado a lado. E vocês já sabem: — desejo ser enterrado com Dalila, perceberam?

Ninguém disse nada, e vamos e venhamos: — é muito difí­cil argumentar contra o desespero. E quando Jair passou, imer­so na sua viuvez, a caminho do andar superior, os presentes o acompanharam com o olhar, esmagados de tanta dor. Ele subiu lentamente a escada e foi trancar-se no quarto.

O INCONSOLÁVEL

Na ausência do rapaz, um tio arrisca: — “Será que ele se mata?”. O pai apanha um cigarro e dá a sua opinião:

— Não creio. Cão que ladra não morde.

Ponderam:

— Às vezes, morde.

E o velho, que era um descrente de tudo e de todos:

— O que sei é o seguinte: — a dor de um viúvo ou de uma viúva não costuma durar mais de quarenta e oito horas.

— Não exageremos!

O pai, porém, insistia, polêmico:

— Sim, senhor, perfeitamente! — E referiu um caso con­creto, que todos conheciam: — Por exemplo: — a nossa vizi­nha do lado. O marido foi enterrado de manhã e, de tarde, ela estava no portão, chupando Chicabon. Isso é dor que se apresente?

O episódio do sorvete calou fundo na sala. Sentindo o su­cesso, o velho carregou no otimismo:

— Vamos dar tempo ao tempo. Isso passa. — E concluiu, profundo: — Tudo passa.

A DOR

Quinze dias depois, porém, o viúvo estava tão desespera­do como no primeiro momento. Não se podia dar um passo na­quela casa que não se esbarrasse, que não se tropeçasse num retrato, numa lembrança da morta. E mais: — sabia-se, por in­discrição da arrumadeira, que Jair dormia, todas as noites, com vestidos, camisolas, pijamas da esposa. Certa vez, foi até inte­ressante: — ele meteu a mão no bolso e tirou, de lá, sem que­rer, uma calcinha da falecida. O próprio pai já não sabia o que dizer, o que pensar. Começou a rosnar que o filho estava “le-lé”, “tantã”. Com seu implacável senso comum, chegou a co­gitar de internação. Tiveram que chamá-lo à ordem:

— Internação para saudade? Para viuvez? Sossega o periquito!

— Mas qualquer dia ele mete uma bala na cabeça, ora pipocas!

Alguém lembrou o que Jair dissera, isto é, que só se mata­ria quando estivessem concluídas as obras do mausoléu. Dian­te desse filho que entupia os bolsos com as calcinhas da faleci­da, o ancião gemia: — “Por que que uma grande dor é sempre ridícula?”. Desesperava-o que Jair passasse os dias no cemitério, agarrado a um túmulo, chorando como no primeiro dia. E o pior é que a viuvez do filho era altamente declamatória. De volta do cemitério, ele vinha para casa deblaterar:

— Não se esquece a melhor mulher do mundo! Eu desafio que alguma mulher chegue aos pés da minha!

Dalila era muito mais amada morta do que em vida. O pró­prio Jair acabou sentindo um certo orgulho, uma certa vaidade, dessa dor que não arrefecia. E continuava fiel à idéia do suicí­dio. Batia sempre na mesma tecla: — não acreditava nos viúvos e nas viúvas que sobrevivem. E quando, certa vez, o pai quis argumentar contra esse suicídio datado, ele cortou:

— Meu pai, não adianta: — o senhor já perdeu seu filho. Sou, praticamente, um defunto.

E coisa curiosa: — fosse por auto-sugestão ou por motivo de saúde, o fato é que a pele de Jair adquiria um tom esverdeado de cadáver.

O OUTRO

Então, a família começou a procurar, desesperadamente, uma maneira de salvá-lo. Foi quando um primo longe de Jair teve uma idéia. Chamou o pai do rapaz e começou:

— Olha aqui, o negócio é o seguinte: — só há um meio de curar Jair.

— Qual?

O outro baixa a voz:

— Destruindo o amor que o prende à falecida.

O velho esbugalha os olhos: — “Mas como? Com que rou­pa? É impossível!”. Seguro de si, o primo encosta o cigarro no cinzeiro: — “Nada é impossível!”. Pigarreia e continua:

— Digamos que se descobrisse, de repente, que a falecida teve um amante.

O outro pulou:

— Mas Dalila era honestíssima, séria pra chuchu!

Ri o primo:

— Que era séria, sei eu. Mas até aí morreu o Neves. — No­vo pigarro e insinua: — Nenhuma mulher, viva ou morta, está livre de uma boa calúnia. Podíamos inventar, não podíamos, um amante de araque? E quem pode provar o contrário?

Pálido, o pai balbucia:

— Continua.

E o outro:

— Ora, uma vez convencido de que Dalila foi uma vigaris­ta, Jair perderia, automaticamente, a paixão. Compreendeu o golpe?

Custou a responder:

— Compreendi.

A REVELAÇÃO

O achado da calúnia era tão persuasivo que, depois de uns escrúpulos frouxos, a família aprovou a idéia. Disseram, a título de escusa: — “Os fins justificam os meios”. Uma manhã, en­quanto prosseguiam no cemitério as obras do mausoléu, con­vocam o viúvo. O pai, nervoso, começa perguntando: — “Vo­cê tem certeza que sua esposa merecia a sua dor?”.

Jair percebeu, no ar, a insinuação. Aperta o pai, que, em dado momento, não tem outro remédio senão desfechar o gol­pe: — “Embora seja muito desagradável falar de uma morta, a verdade é que Dalila teve um amante!”.

O viúvo recua: — “Que amante? Como amante?”. E não queria entender. Então, possuído pela calúnia, cada um, ali, con­firmou que sabia do amante, sabia da infidelidade. Atônito, ele perguntava: — “Mas quem era ele? Quero o nome! Quero a iden­tidade!”. A verdade é que ninguém tinha pensado no detalhe.

Fora de si, Jair agarrou o pai pelos dois braços e o sacudia:

— Eu estou disposto a acreditar no amante. Mas quero sa­ber quem foi. Quem é? Digam! Pelo amor de Deus, digam!

O pai refugiou-se na desculpa pusilânime: — “Diz-se o mi­lagre, mas não o nome do santo!”. Então, o filho fez, na frente de todos, promessas delirantes: — “Vocês pensam que eu vou matar? Fazer e acontecer? Juro que não! Não tocarei num cabe­lo do cara!”. E berrava, no meio da sala:

— Se me disserem quem foi, eu não me matarei! Preciso desse homem para viver! Ele será meu amigo, meu único ami­go, para sempre amigo! Digam!

Pausa. Espera o nome. E como ninguém fala, ele dá um pu­lo para trás e puxa o revólver que, desde a morte da mulher, jamais o abandonava. Encosta o cano na fronte: — “Ou vocês dizem o nome ou me mato, agora mesmo!”. Então, o pai vira-se na direção do primo e o aponta:

— Ele!

Apavorado, o primo não sabe onde se meter. Jair pousa o revólver em cima do piano. Aproxima-se do outro, lentamen­te. Súbito, estaca e abre os braços para o céu:

— Graças por ter encontrado quem possa falar de Dalila, comigo, de igual para igual!

Agarra o primo em pânico: — “Diz para esses cabeças-de-bagre se ela foi ou não a melhor mulher do mundo?”. E chora­va no ombro do pobre-diabo, como se este fosse, realmente, seu irmão, seu sócio, seu companheiro em viuvez.

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DICA DO BLOG DO TOTONHO

Antologia reúne contos consagrados e algumas narrativas menos conhecidas no Brasil.

Esta bela seleção de contos do grande Eça de Queirós compõe um panorama dos temas característicos da obra do grande autor português. Seja pela crítica direta aos costumes de sua época ou pela alegoria de situações que mudam com a sociedade, Eça escreveu sobre o comportamento humano, do qual era arguto observador. Sempre em linguagem leve e direta, usando das sutilezas como tempero; o princi­pal eram os personagens e suas histórias. Um talento que o projetou como o mestre do romance português moderno e que também pode ser conferido por meio dos seus contos.

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