DEUS ESTÁ À VENDA?

É sabido que nós, humanos, temos características especiais que transcendem àsnossas demandas de sobrevivência material; pois, além do corpo, possuímos a alma, que precisa ser alimentada permanentemente, para nos realizarmos espiritualmente. Para isso necessitamos de alimentos vitais, tais como a educação, os esportes, as artes, a religião… Todos esses, essenciais para a nossa elevação e aperfeiçoamento, enquanto seres humanos.

Na dimensão do sagrado, desde sempre, buscamos nos religar a um Ser Supremo, que recebe das diversas religiões denominações baseadas em seus princípios teológicos e em suas culturas. Entretanto, ao longo da História, a religiosidade dos povos nem sempre foi respeitada e dignificada por parte dos poderosos e até mesmo por parte de determinados líderes religiosos. Muito pelo contrário, são usadas por eles como instrumento de dominação, opressão e manipulação, tendo em vista satisfazer suas ambições de poder e manutenção de privilégios.

Nos tempos atuais, isso vem acontecendo com as denominações neopentecostais, através da chamada “teologia da prosperidade”. Nesse caso, “pastores” oportunistas e inescrupulosos usam da boa-fé dos fiéis para enriquecerem, vendendo-os como um rebanho para os poderosos de plantão, em troca de algumas migalhas que os façam cada vez mais ricos e influentes junto aos governantes assemelhados.

Como no capitalismo tudo tem valor de troca e vira mercadoria, essa natureza do sistema acaba por contaminar a tudo e a todos. Assim, no balcão do mercado capitalista, algumas religiões são valorizadíssimas, uma vez que seus pseudos líderes as vendem a peso de ouro, desconsiderando dessa maneira, a boa fé e a crença honesta de seus seguidores.

Aí, então, vem a pergunta que teima em não calar: será que Deus também está à venda?

Para esses vendilhões do templo de hoje, a resposta é sim. Tanto é que alguns poucos se tornaram verdadeiras celebridades, utilizando descaradamente seus programas de televisão como meios de arrecadação, tornando cada vez mais volumosos seus bens e patrimônios, formando assim um restrito e seleto grupo de “milionários divinos”. Bem de acordo com o que reza a cartilha capitalista da concentração de riqueza e renda,

Entretanto, para os fervorosos e devotados fiéis, Deus não está à venda, não é uma mercadoria qualquer, já que para eles Deus é sagrado, e, portanto, indissociável da libertação e da felicidade humanas.

José Américo Trindade (Babade) é Professor.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

Este livro de José Correia Baptista, “O piano tocava sozinho”, reúne pequenos contos.

“Minha ideia de desafio pessoal foi escrever histórias curtíssimas que pudessem apresentar um universo narrativo.”

A edição é de 2005 e apresenta 29 pequenos contos.

“Outra linha de pensamento foi contar histórias que se passam em nosso tempo contemporâneo”, observa o autor.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

A GALINHA E OS DOIS OVOS DE OURO – José Sette de Barros (*)

Vício ou virtude?

Mário encontrou-se com Murilo saindo do hospital Miguel Couto. Ficou assustado, segurou Murilo pelo braço e perguntou: – O que aconteceu com você, meu caro amigo?

Murilo: – Nada de grave, bebi uma água mineral durante o lançamento do livro de minha mulher que estava contaminada por alguma bactéria e me empipoquei todo, mas já estou tomando um genérico…

Mário: – Água mineral? Genérico? Pronto-socorro? Médico recém-formado, sem experiência clínica? Porra Murilo! Você não tem o seguro-saúde?

Murilo: – Eu não tenho nem aposentadoria, quanto mais seguro-saúde…

Mário: Eu te falei para não gastar todo o seu dinheiro com aquele filme, mas sua mulher queria ser atriz…

Os dois andaram em silêncio até a praça do jóquei. Só em frente do bar Garota da Gávea é que Murilo voltou a falar: – Olha, Mario, eu não reclamo mais… Se os boçais de plantão não querem exibir os meus filmes, paciência, o que posso fazer? Já estou me acostumando com esse massacre ao meu cinema.

Mário: – Não seja mais um conformista desesperado! O que você anda fazendo, além de beber água que passarinho não bebe?

Murilo: – Procurando um emprego…

Mário, em tom de deboche: – Isto é muito grave…

Murilo: – O pior, meu amigo, é que não é qualquer merda que me dá o sustendo do meu dia-dia… Vou ter que trabalhar, e muito, até a hora da minha morte!

Mário: – Nada de morte! Aqui só vale a vida… Posso lhe arrumar um trabalho!

Murilo: – Aceito!

Mário: – Só não é uma merda!

Murilo: – Não! Que bom. O que é?

Mário: – Você vai ter que escrever um roteiro de uma comédia picante, bem temperada e de mercado, que eu vou te levantar um belo financiamento com o governo… Eles já estão comprometidos com a minha produtora.

Murilo: – Você sabe que não gosto de escrever comédias!

Mário: – Mas tem de ser uma comédia bem simples! Bem popular! Bem brasileira!

Murilo: – A prostituta que virou escritora depois que se apaixonou por um intelectual bom de cama. Já tenho até o título: “A Galinha e os Dois Ovos de Ouro”. Que tal? …

Mario fica nervoso e exaltado: – Mas isso não é uma comédia é um drama de quinta categoria! Essa merda eu não posso aceitar.

Murilo, desnorteado, afasta-se de Mário atravessando a rua.

Mário, surpreso, olha com tranquilidade a cena e falando consigo mesmo: – Não sabia que sua mulher era uma prostituta… É isso que acontece quando você quer ajudar um amigo.

Murilo atravessa a praça em direção do bar.

Mário, sorrindo, atravessa para o outro lado da rua onde está o seu belo carro conversível.

Murilo, não muito distante de Mário, para de andar e diz para ele em voz alta: – Mário! Você é uma piada idiota. Quanto à comédia, você é que deve escrevê-la. Eu só faço o que acredito e o que gosto, essa é a minha virtude!

Mário, com a voz alta: – Discordo, meu amigo, esse é o seu vício.

Mario entra no carro e arranca com velocidade.

Murilo entra no bar falando baixinho – Todo vício contém algumas virtudes, uma delas é poder ficar livre desse escroto produtor. Vendo o garçom passar diz em voz alta: Garçom! Uma cerveja bem gelada, um conhaque quente e um frio papel de herói da história, um belo puro cubano… No mais, como diziam os gregos, salvemos as nossas virtudes e esqueçamos os nossos vícios! Ou seria ao contrário?

(*) José Sette de Barros é cineasta e artista plástico.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

FALTA EXPLICAR

FALTA EXPLICAR

Muita enternecedora a homenagem de Marquinhos Mendes ao seu irmão Carlos Victor, conhecido por Vivique. Tece infindáveis elogios: “Carlos Victor é um homem leal, competente e trabalhador. Um exemplo de amigo e irmão. Eu te amo! Desejo que Deus o abençoe poderosamente e possamos estar sempre juntos.” Marquinhos só esqueceu de explicar porque apoiou a candidatura do delegado da PF Felipe Laterça, e deixou seu irmão Vivique, que também era candidato, “chupando o dedo”.

CASAMENTO NA TV

Os elogios recebidos por Carlos Victor se assemelham ao “palavratório” do programa “Casamento na TV”, apresentado por Raul Longras, nos primórdios da TV Globo. O apresentador perguntava as mocinhas qual o tipo de homem que gostariam de casar e a resposta invariável era “honesto e trabalhador”. Jorravam elogios, mas por falta de audiência o programa saiu da grade em 1969.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

PEQUENAS DOSES

O FALSO OPOSICIONISTA

O vereador Aquiles Barreto, felizmente recém recuperado do covid-19, tenta se posicionar como candidato de oposição, diz que está preocupado com o fechamento do Hemolagos. O que se pode dizer? O vereador conviveu e desfrutou perfeitamente deste desastroso governo de Adriano Moreno/Cati e agora vem com este papo de oposição?  É muita cara de pau!

MELHOR QUE O CÉU …

O Arraial do Cabo vive uma longa história de descalabros administrativos e políticos, independente da sigla partidária. As perspectivas do município, para as eleições de novembro, não são nada boas: o município está bastante dividido. O processo eleitoral promete ser muito duro e com nível baixíssimo. Tem coisas que só acontecem ao Arraial do Cabo.

O MODELITO DO DEPUTADO

O deputado Sérgio Luiz Azevedo, que já passou pelas procuradorias de Arraial do Cabo (governo de Andinho) e Búzios, agora mantém parcerias com o pessoal da Baixada Fluminense, São Gonçalo e Maricá. Defensor desse modelito de políticos tão sérios, refinados intelectualmente, como a Baixada exporta é que ele está tentando trazer para Cabo Frio.

A DIFERENÇA É GRANDE

O comportamento dos politicos da Baixada Fluminense e adjacências deixaria corado o “Velho Morubixaba”, que ardiloso, foi muitas vezes prefeito de Cabo Frio. A cidade e os cabofrienses estão acostumados a disputas políticas bem diferentes daquelas que ocorrem na Baixada e se o povo tiver o mínimo de consciência e informação os deixará por lá.

O QUE QUER DIRLEI?

O ex-vereador, ex-secretário de saúde e ex-secretário de governo de Alair Corrêa, Dirlei Pereira, um dos articuladores da extrema direita cabofriense, diz que é candidato a prefeito. Não é nenhuma novidade, o “Homem de Deus” e radialista de oposição, já foi candidato a sentar na poltrona do Palácio Tiradentes. Como sabe que não terá nenhuma chance eleitoral, a pergunta inocente é: o que está por trás da candidatura do inquieto radialista?

HENRIQUE GOMES

Candidato a prefeito nas eleições de novembro, em Búzios, o vice Henrique Gomes enfrenta a covid-19. Está internado em hospital público de referência, no Rio de Janeiro e o seu quadro de saúde apresenta melhoras. Desejamos a Henrique Gomes plena recuperação.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

APOCALIPSE NO CERRADO

By: Marcelo de Paula – fotógrafo/cineasta Código Solar Produções

marcelodepaula.codigosolar@gmail.com

Minha consciência sobre à importância do Meio Ambiente e dedicação ao ativismo ambiental vem de tempos atrás! No final dos anos 80 eu já rodava os Parques Nacionais do Brasil, em incursões fotográficas junto à expedições científicas em várias regiões do País: Parques Nacionais da Tijuca, Serra dos Órgãos, Itatiaia, Reserva Biológica Poço das Antas, Reserva Biológica União (RJ); Fernando de Noronha (PE); Iguaçu e Superagüi (PR); Chapada dos Guimarães e Estação Ecológica de Taiamã  (MT); Chapada dos Veadeiros (GO); Amazônia e Anavilhanas (AM); Lagoa do Peixe (RS); do Caparaó (MG); Serra da Bodoquena (MS); Serra da Bocaina (SP); Parque Indígena da Ilha do Bananal (TO) e outros.

Sou fotógrafo dedicado à natureza com inúmeros registros fotográficos e textos publicados em livros da Fundação SOS Mata Atlântica; Fundação Roberto Marinho; Conservação Internacional do Brasil; Revista de Domingo do Jornal do Brasil etc. Além de ter residido em duas tribos indígenas.

São andanças e pesquisas in loco que me credenciam para falar um pouco sobre preservação ambiental, sobre ecossistemas e espécies ameaçados de extinção!

O foco do texto de hoje é sobre o Cerrado brasileiro, que vem sofrendo uma verdadeira era apocalíptica com invasão do agronegócio e seus poderosos venenos e uma alta exploração predatória dos seus recursos naturais.

Apocalipse no Cerrado é o nome do meu filme recém-finalizado, que iniciou sua           trajetória pelos festivais de cinema nacionais e internacionais! Um documentário que versa sobre o caos que se instalou na região do Parque Nacional da Chapada do Guimarães, no Estado do Mato Grosso.

Em 2020, a lista de Agrotóxicos liberados no Brasil bateu recorde! Cerca de 20% dos pesticidas fabricados no mundo são despejados no Brasil. Classificados como perigosos para a saúde, mais de 2 mil produtos estão envenenando o meio ambiente e a mesa dos brasileiros! Tão perigosos que foram proibidos mundialmente!

Além de afetar abelhas, pássaros e animais de grande porte, há mais de 40 mil casos registrados de pessoas intoxicadas por agrotóxicos no País: morte, câncer, má formação de bebês, aborto etc.

E vale aqui lembrar uma frase de Albert Einstein sobre essa questão: “Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais não haverá raça humana.”

Estamos mais uma vez falando sobre extinção, mas aqui no Brasil ela é patrocinada pelo atual Governo Bolsonaro e suas péssimas políticas ambientais!

Cerrado é um ecossistema do tipo savana que ocorre em 25% do território nacional. É o segundo maior bioma da América do Sul!Continuamente abrange os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná e São Paulo. Com áreas fragmentadas no Amapá, Roraima e Amazonas. (2.036.448 km²)

O Cerrado abriga as nascentes e boa parte das três maiores Bacias Hidrográficas da América do Sul:  Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata. Abundância aquífera favorecendo a alta biodiversidade!

São 11 mil espécies de plantas nativas catalogadas. Mais de 220 têm uso medicinal, Mais de 400 são usadas na recuperação e erosão dos solos, como barreiras contra vento e de habitat para predadores naturais das pragas! Fora a grande quantidade de frutos consumidos pelas populações tradicionais e nos centros urbanos.

O bioma também é refúgio de inúmeras espécies de animais ameaçados.O Cerrado brasileiro é considerado a savana mais rica do mundo. Uma biodiversidade única ameaçada de extinção!

Depois da Mata Atlântica é o ecossistema mais degradado pela ocupação humana. Seu território vem sendo destruído pela expansão agrícola e seus venenos, por aberturas de imensas áreas para o consumo de carne, exploração de suas madeiras para carvão e especulação imobiliária.

Essas ações predatórias ao Cerrado estão atingindo diretamente as populações tradicionais que sobrevivem e detêm o verdadeiro conhecimento milenar desses recursos naturais: etnias indígenas, quilombolas, ribeirinhos e outras comunidades que integram o Patrimônio Histórico e Cultural Brasileiro.

Apesar do crescente dano a sua biodiversidade, o Cerrado é o bioma que possui a menor porcentagem de áreas protegidas (8,21%). E ainda sofre pressões governamentais e poderosas influências para diminuir essas áreas protegidas para o agronegócio e o avanço imobiliário. Como é o caso do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães!

Há quem pense que o agronegócio é um bem ou é pop, como dizem por aí! Mas a realidade é outra: Isenções mais redução de impostos para o agronegócio somam    R$ 10 Bilhões/ano; contra R$ 2,7 Bilhões do orçamento previsto para o Ministério do Meio Ambiente em 2020.

Na verdade, o agronegócio vem acabando com o Cerrado, com a Amazônia, com o Pantanal e com diversos outros ecossistemas nacionais!

Como o nome diz, Apocalipse no Cerrado é um documentário impactante, que trata sobre a dura realidade da devastação de um dos mais ricos ecossistemas do Brasil.

Um bioma que vem sendo degradado pelo agronegócio, através do uso abusivo de agrotóxicos, expansão das monoculturas da soja, milho e algodão e aumento da produção pecuária ao redor das suas poucas áreas preservadas, especulação imobiliária e interesses políticos contrários à manutenção do Cerrado.

Apocalipse no Cerrado é narrado a partir de fatos relevantes relacionados à tentativa de suprimir o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães e suas áreas de entorno. 

Apocalipse no Cerrado é um filme denúncia, de média-metragem, contra a ameaça de extermínio do Cerrado, contra a opressão bancada pelo poder econômico e apoiada pela atual e péssima política ambiental do País.

Um cinema de guerrilha em prol da conservação ambiental brasileira! Faço o meu combate com palavras, fotos e filmes!

“É triste pensar que a Natureza fala e que o gênero humano não a ouve.” – Victor Hugo (dramaturgo francês).

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

APRENDENDO A FALAR

Foi bom o tempo

em que estávamos

aprendendo a falar:

você me comia com os olhos

eu te imaginava nua.

Hoje sobram palavras

e te perco

por não saber dizer

o quanto te quero.

Os bárbaros dirão

que falta a palavra certa

mas o que eu mais prezo

é o silêncio do tempo

em que éramos mudos.

(Ricardo do Carmo)

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

VESTIDO DE VIOLENE – Henrique Rossi

Uma águia, um corvo, um vestido, uma flor. Envoltos em um fantástico cenário, onde a terra abraça e a as sombras dançam… Verônica, Janvier, Leonara, Violene, Moricel e Délia ousam enxergar mais além, e gentilmente, cedem a narrativa um ao outro. Uma história que brinca com a “literalidade das metáforas” e as “metáforas dos literais”. Seis vidas entrelaçadas como as tramas do tecido que forma o mundo. Desde fantásticos seres voadores até o lamento de árvores macambúzias, seis destinos hão de se cruzar, ora vestidos de penas, ora vestidos de histórias, ora vestidos de Violene.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter