O PURITANISMO UDENISTA TEM QUE SE EXPLICAR.

A reforma administrativa e política, aprovada na câmara com apenas três abstenções, tem sido apontada como a grande saída para o governo de Adriano Moreno, até então em crise permanente.

O prefeito e seu secretário de fazenda afirmam que houve queda na arrecadação e que o atraso nos salários dos servidores é fruto dessa falta de recursos.

A argumentação de falta de dinheiro tem sido alvo de inúmeras críticas das lideranças sindicais e também da oposição, na câmara de vereadores: é grande a insatisfação.

As contas do governo, da oposição e dos sindicatos não combinam e as diferenças nos números são gigantescas. As discrepâncias são até grotescas e certamente não resistiriam a uma auditoria independente.

Caso o governo, por qualquer questão, não conseguir comprovar seus números, a pergunta que não quer calar virá à tona: onde foi parar o dinheiro?

A resposta de um governo, que nasceu dizendo ser diferente dos outros e, portanto, com absoluta transparência, terá que explicar, em miúdos, sem bravatas e linguajar tecnicista, a gerência financeira desses recursos públicos.

Qualquer governo deve isso à sociedade e esse, que nasceu do autoritarismo e puritanismo udenista, muito mais que todos os outros reunidos.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

PEQUENAS DOSES

  • A greve dos servidores municipais de Cabo Frio começa dia 14, sexta-feira com a adesão a greve geral, que deve parar o país e continua na segunda-feira, com a paralisação municipal.
  • O Sepe Lagos anuncia nova assembléia para dia 13, próxima quinta-feira, no auditório da Escola Edílson Duarte, a partir das 18 horas. Uma das lideranças mais expressivas do sindicato é a da professora Denize Alvarenga, ex-subsecretária de educação.
  • O governo de Adriano Moreno acredita que com a aprovação, sem grandes sacolejos, da reforma administrativa, na câmara municipal, a tendência é tudo se acalmar e a prefeitura conseguir estabilizar a administração. A prefeitura não pode negar que a câmara tem colaborado: a prefeitura é que precisa “fazer o dever de casa”.
  • Se a secretaria de fazenda conseguir pagar em dia, o secretário Antônio Carlos Vieira deixar de arrumar encrencas e entender que a prefeitura não faz parte do mercado financeiro, é bem possível que a tranqüilidade possa voltar ao município. Sem o “faz-me rir” não tem jeito.
  • A crise em Cabo Frio se arrasta desde os dois últimos mandatos de Alair Corrêa e Marquinhos Mendes. A maior parte dos votos de Adriano veio daqueles que imaginavam que uma pessoa de “fora da política”, embora ele fosse vereador da bancada de Alair, pudesse arrumar a cidade. Ao contrário do que a população imaginava a crise se agravou.
  • Tanto Alair como Marquinhos, nos dois últimos mandatos, sofreram situações semelhantes às de Adriano. Os dois deixaram a prefeitura por motivos diferentes, mas ambos extremamente desgastados junto à opinião pública. O que fazer?
  • A questão é que nenhum deles se dispôs a realmente “cortar na carne” e radicalizar na mudança estrutural dos hábitos políticos e administrativos de Cabo Frio. Se não houver, a cidade continuará a passar periodicamente por problemas financeiros e cada vez mais graves.
  • O ex-prefeito José Bonifácio tem dedicado parte substancial do seu tempo ao distrito de Tamoios, onde a população é mais recente e não o conhece como os outros bairros de Cabo Frio. José Bonifácio tem prestigiado também o calendário cultural da cidade, que sempre foi sua praia.
  • A noite de quinta-feira promete muita coisa boa e animação, principalmente nas bandas do bairro da Passagem. No “Som e Mar” canta Juliana Feliciano e no “Quintal Lusitano”, a historiadora Francisca Lúcia Nogueira de Azevedo relança o seu livro “Carlota Joaquina – Cartas Inéditas”.
  • A Academia Cabofriense de Letras voltou à atividade e se esmera nos cuidados com a Biblioteca Walter Nogueira da Silva. A diretora Zuleika Crespo, feliz com a volta da biblioteca ao seu prédio original, planeja novidades para os freqüentadores.
Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

A mulher feia e o homem que a amava

Era uma mulher feia. E vejam que não está em jogo aqui se era gorda ou magra, baixa ou alta, branca, ruiva ou negra. A mulher era como era e por isso era feia.

No entanto o que mais chamava a atenção era o homem que a amava. Batom vermelho nos lábios dela e ele só faltava sair as ruas pedindo que fechassem portas e janelas. Vá que alguém veja e se encante, ele dizia franzindo a testa. E saia curta? Isso o fazia tremer. Pois tinha certeza de que os olhos alheios ficariam cravados naquelas pernas finas de garça, para ele, mais cheias de graça que verso de poeta moderno.

Houve uma tarde em que não a pudera acompanhar na saída do trabalho. Ela enviou um zap dizendo que não se preocupasse. Disse também que aproveitaria para comprar a blusa de uma vitrine com sorridente promoção. E vejam!, o homem confiava plenamente nela e não lhe proibia nada. Todo problema se resumia nos olhos alheios que, segundo ele, não a deixariam em paz pelos calçadões do centro da cidade.

Por favor, não pensem que esse cronista é um inclemente! É que a mulher era realmente feia. Comprou a blusa de pouco decote que vestiu depois do banho e o homem que a amava disse jamais ter visto criatura tão bela.

Então saíram a passear pela noite fresca e a cidade inteira olhava. A mulher feia e o homem que a amava faziam grande sucesso entre a gente medíocre e sorumbática dessa vida. A gente que entre olhar para a felicidade ou o defeito, sequer pisca ou chicoteia um rabo de olho, de tão atraída que é pelo desânimo.

Rafael Alvarenga

Cabo Frio, 31 de maio de 2019

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

BUNDALELÊ

A administração do “salvador da pátria”, Adriano Moreno, tem sido para boa parte dos seus apoiadores, simpatizantes e sociedade cabofriense, em geral, grande decepção.

A imagem criada em torno do então candidato era de uma espécie de “anjo vingador”, que com sua afiada espada da moral e dos bons costumes iria decepar todos os males de uma classe política venal, que não respeitava o povo.

Enterrados os maus hábitos reprováveis, extintos os costumes perversos, tratar-se-ia de construir, nascida do zero, uma nova estrutura.

Nasceria uma nova Cabo Frio, com políticos, empresários e trabalhadores, todos “homens de boa vontade” ou como está muito na moda, “homens de bem”, a produzirem uma nova cidade de progresso econômico e bem estar social.

Todo esse idílio com o paraíso na Terra não funcionou como os arquitetos dessa “nova política” imaginaram, criando enorme frustração entre a população cada vez mais desencantada.

Ao contrário do sonhado e verbalizado em discursos muitas vezes virulentos, a “A Cidade do Sol”, de Tommaso Campanella acabou se transformando em um teatro de revista, o rebolado dos anos 50, o “Bundalelê”.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

PEQUENAS DOSES

  • A assembleia unificada dos servidores da prefeitura de Cabo Frio, realizada na tarde de ontem, terça-feira, 11, decidiu a deflagração de greve geral a partir da próxima segunda, 17, com concentração a partir das 9 horas, na Praça Tiradentes, em frente à prefeitura.
  • A assembléia também decidiu pela adesão, no dia 14, a Greve Geral Nacional, contra a Reforma Previdenciária, com participação no Ato da Educação às 15h na Praça Porto Rocha, no centro da cidade.
  • A reforma administrativa mandada para a câmara pelo governo de Adriano Moreno, como previsto, foi aprovada com muita facilidade: 14 votos a favor e 3 abstenções. Por incrível que possa parecer não houve nenhum voto contrário.
  • Os vereadores que se abstiveram foram Achilles Barreto, Jefferson Vidal e Rafael Peçanha. A aprovação tranqüila da reforma administrativa acentua dois pontos: apesar da crise o governo ainda mantém a maioria no legislativo e os vereadores tinham bastante interesse na rápida aprovação da matéria.
  • A concentração dos professores, na Praça Porto Rocha, mas o suficiente para demonstrar a insatisfação da categoria com os rumos da nova política pública, no campo da educação, implantada pela prefeitura de Cabo Frio. Tudo leva a crer que “muita água ainda vai passar sob a ponte Feliciano Sodré”. A próxima assembleia está marcada para 5ª feira, 13, às 18 horas, na Escola Municipal Edilson Duarte.
  • Os atritos entre o governo de Adriano Moreno e os sindicatos tendem a se ampliar por conta dos atrasos dos salários e pela política financeira da prefeitura. Segundo observadores, o governo deve manter a serenidade e não hostilizar a postura dos sindicatos.
  • Um grupo de amigos, quase todo na mesma faixa etária logra assumir o poder no município, mas dá com os “burros n’água”. A turma do “Edifício Lila” corre o risco de sair pela porta dos fundos da prefeitura de Cabo Frio. Incompetência aliada à arrogância não funcionou.
  • Cada vez fica mais claro que a estrutura montada pelo grupo que subiu ao poder não estabeleceu objetivos, que englobassem um projeto de desenvolvimento da qualidade de vida no município de Cabo Frio. Hoje, nem os salários em dia a prefeitura consegue pagar.
  • Para quem esculhambava diariamente a política tradicional, em especial Alair Corrêa (padrinho político) e Marquinhos Mendes, Adriano Moreno deveria estar preocupado com o que os livros de história vão dizer dele. Pois é, grande parte dos comissionados (portariados) tem forte ligação com o ex-prefeito Marquinhos Mendes.
  • Na secretaria de educação, o prefeito, depois de inúmeros desentendimentos entre o secretário de fazenda, e a dupla Leitão/Alvarenga, optou pelo conservadorismo do seu amigo Antônio Carlos Vieira, que é chamado nas ruas de “Havengar de Adriano” ou mesmo de “1º Ministro”. Muito do apoio político que o prefeito tinha nessa área está se esvaindo pelo ralo.
Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

GREVE DOS SERVIDORES MUNICIPAIS, EM CABO FRIO.

A assembleia dos servidores da prefeitura de Cabo Frio, decidiu:

1. Deflagração de Greve Geral a partir de 00h00min01seg de segunda-feira (17/06/2019) com concentração às 09h00min na Praça Tiradentes em frente a Prefeitura.

2. Adesão a Greve Geral de 14/06/2019 contra a Reforma Previdenciária com participação no Ato da Educação às 15h na Praça Porto Rocha.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

A INVENÇÃO DA RODA NÃO CAIU DO CÉU.

Amigos e conhecidos mais próximos, com menor ou maior grau de intimidade, garantem que a “cara de paisagem”, quase insensível, do prefeito Adriano Moreno, foi para o “beleléu”. Assim o definiria o “prefeito do obelisco”, o multifacetado, Vovô Bibiu.

Afinal, Adriano Moreno empolgou sua militância com os dotes de médico ortopedista, o cara legal e o vereador, até razoável, mas honesto.

Empurrado pelos ventos da “lava jato”, pelo avanço do perfil conservador e do bolsonarismo, Adriano Moreno chegou lá, ou melhor, chegou à macia poltrona, que espera os prefeitos, no Palácio Tiradentes.

Bastou subir as escadas do Palácio para perceber que para ser prefeito e se sair bem são necessárias outras qualidades e habilidades. Ser “gente boa” ou mesmo o médico que cola e coloca os ossos no lugar, não basta.

É preciso saber construir uma boa equipe, que tenha capacidade administrativa e coerência política e ideológica. Na política, a paciência e a costura com os aliados são essenciais, e com sabedoria respeitar espaços e interesses.

O açodamento, a lentidão excessiva e a arrogância são em geral prejudiciais a boa engenharia política, que dá ao prefeito a tranqüilidade para cumprir seu mandato sem sobressaltos.

Importante lembrar que o novo nasce da degradação do velho.

A invenção da roda não foi um achado e não caiu do céu.

Foi um processo …..

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

PEQUENAS DOSES

  • O Sepe Lagos deu sua resposta ao governo de Adriano Moreno. Em assembléia realizada ontem, 2ª feira, os professores determinaram greve a partir de hoje, com ato na Praça Porto Rocha a partir das 15 horas e participação na greve geral, dia 14. Outra assembléia está marcada para 5ª feira, 13, às 18 horas, na Escola Municipal Edilson Duarte.
  • Os professores decidiram também que paralisarão suas atividades sempre que os salários não forem pagos até o 5º dia util.
  • O secretário de fazenda Antônio Carlos Vieira passou mais um aperto nessa 2ª feira. Servidores inconformados com os atrasos de salários foram à secretaria, na Rua Major Bellegard, que tentou explicar o inexplicável.
  • Olney Vianna, um dos líderes dos servidores públicos municipais, tem se destacado como uma das mais embasadas vozes da oposição. Dificilmente alguém consegue enrolá-lo nos números e freqüentemente deixa o Governo Adriano Moreno de “saia justa”.
  • Os números orçamentários apresentados pelo Governo Adriano Moreno e os dos sindicatos não batem. A diferença não é pequena, isto é, 138 milhões de reais: alguém não sabe fazer conta. Problema que uma auditoria feita por órgão independente resolveria sem grande esforço.
  • No início do governo muito de falou em auditorias, que nunca se concretizaram. A alegação era que auditorias independentes feitas por órgãos de grande credibilidade eram muito caras. Até mesmo setores progressistas caíram nesse papo de quem não quer mesmo apurar nada: “deu no que deu”.
  • A orla do Canal do Itajuru, que os mais apressadinhos e desinformados chamam de Boulevard Canal (coisa de província), tem sido alvo de atitudes discricionárias por parte das autoridades. É preciso, urgentemente, arrumar a bagunça e estabelecer a isonomia no tratamento com o empresariado: o que vale pra um tem que valer pra todos.
  • A câmara vota nessa terça-feira a reforma administrativa da prefeitura de Adriano Moreno. A reforma deve passar sem grandes problemas, apesar do desastre político que ronda o governo e que pode se agravar.
  • É evidente que o descontrole financeiro, a falta de compromisso com os trabalhadores, está se alastrando e obviamente, gerando insatisfação dos sindicatos de servidores. Outros setores do executivo e do legislativo estão preocupados com a extensão e aprofundamento da crise.
  • Caso o governo não mude profundamente, pode perder o controle sobre a administração e atingir a todos. A cidade já tem problemas demais e não tem necessidade de enfrentar a insolvência da prefeitura.
  • A inexperiência ao lidar com a coisa pública, tratada como se fosse iniciativa privada, rouba do governo o traço humanista, que Adriano Moreno anunciava na campanha. O protagonismo, eivado de personalismo do secretário de fazenda, é a antítese do que se esperava do médico humanista e gente boa, que teria assumido o governo.
  • O “freio de arrumação”, que boa parte da sociedade esperava do governo, não veio. A reforma está saindo após a exoneração, mostrando que a prefeitura quer mesmo é poupar dinheiro. Vai colocando um remendo aqui outro acolá e empurrando com a barriga.
  • Muita gente experiente, que convive há tempos no meio político de Cabo Frio está “arrumando as malas” e dizendo tchau ao governo municipal. É gente que conhece a cidade e sabe que politicamente o governo parece ter chegado ao final.
  • O Programa Amaury Valério completou 30 anos com festa no Costa Azul Iate Clube. Amaury foi homenageado por expressivo número de políticos dos municípios da Região dos Lagos.
Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter

CARRO VELHO NÃO PROCURA OFICINA

O ditado popular “carro velho não procura oficina, porque arrisca não sair” tem muito a ver com as últimas administrações, que ocuparam a prefeitura de Cabo Frio. ´

É um remendo aqui, outro acolá, tentando consertar um modelo político-administrativo velho, superado, baseado na politicagem barata e no modelo da fartura proporcionada pelos royalties do petróleo.

O “carro entra e sai da oficina” e continua na mesma: um momento é a embreagem, outro o freio, inclusive a “caixa de marchas”. O mecânico dá um “tapa” e logo depois o carro bate “biela” e volta à oficina, ou seja, a crise, que se agrava com o passar do tempo.

Os seguidos prefeitos da ‘Era dos Royalties’, além de maltratarem constantemente a língua portuguesa, desperdiçam recursos, não conseguem e não tentam resolver questões estruturais de Cabo Frio.

Os profundos problemas da cidade se acumulam de tal maneira, que Cabo Frio, cidade histórica, com belezas naturais incríveis hoje é entendido apenas como um balneário da zona metropolitana do Rio de Janeiro.

Recuperar é possível, mas é preciso estabelecer consensos entre as diferentes forças políticas e ter muita coragem para enfrentar o que vem por aí.

A violência crescente nos mostra que a tarefa será árdua.

Compartilhe:
RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter