PSOL LANÇA CANDIDATO A PREFEITO.

O professor Roberto Póvoas, o Betinho é oficialmente pré-candidato do PSOL a prefeito de Cabo Frio. O partido anuncia, entretanto, que a próxima reunião aberta só acontece em 5 de fevereiro, às 19 horas, no Teatro Quintal, na Rua Américo Ferreira da Silva, 3, Parque Burle, atrás da UPA).

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PEQUENAS DOSES

Ficou tudo em casa!

O novo secretário de educação é Ian Eduardo Carvalho, filho do falecido professor Carlos Alberto Carvalho, secretário de agricultura no governo de Marquinhos Mendes. A nomeação de Ian fortalece a dupla Aquiles Barreto e Miguel Alencar.

Amigos de longa data!

Ian Carvalho pertence ao mesmo grupo político de Laura Barreto, Bruna Knauf, Alessandro Teixeira, leia-se Aquiles Barreto e Miguel Alencar. Ian inclusive foi procurador durante a gestão de Laura e é amigo de longa data dos dois vereadores.

Marquinhos enfraquecido?

O fortalecimento dos dois vereadores não significa o ressurgimento de Marquinhos Mendes. O ex-prefeito guarda mágoas profundas da sessão da câmara, que inviabilizou sua candidatura. A conferir!

Agradecimentos – 1

O Estádio Correão está arrumadinho, segundo alguns, tinindo. O empresário Valdemir Mendes, “manda chuva” da Associação Desportiva Cabofriense (não confundir com a tradicional Associação Atlética Cabofriense) deve estar agradecido aos esforços do secretário Flávio Rebel e do prefeito Adriano.

Agradecimentos – 2

A pastelaria da Avenida Nossa Senhora da Assunção agradece com louvor ao vereador Rafael Peçanha, que fez o requerimento e ao prefeito Adriano, que fechou o antigo retorno. Afinal, as “adequações”, digamos assim, deram nova visibilidade ao empreendimento: os motoristas também estão radiantes. Não é?

O mundo dá voltas

Cabo Frio realmente mudou. O ex-vereador e ex-secretário e empresário (dono de uma fábrica de picolés) Dirlei Pereira, se transformou em seguidor da Bíblia e “fiscal da oposição”, preocupado com a corrupção e os direitos do cidadão. O mundo dá muitas voltas, mas às vezes acaba no mesmo lugar.

Paulo César sem o PR

O ex-deputado Paulo César Guia perdeu o controle do PR para o deputado bolsonarista, Sérgio Luiz Azevedo. O deputado sai do PSL, mas deve passar pelo PR para viabilizar a candidatura a prefeito. Seu destino, porém, é o novo partido, que está sendo criado pela Família Bolsonaro. Quanto espírito cristão!

PSOL na mídia

Depois de muita insistência, o discreto PSOL de Cabo Frio, finalmente manda notícias. Segundo importante militante do PSOL, o partido estará na mídia a partir dessa quarta-feira com uma campanha propositiva, usando suas bancadas no parlamento.

Toda alma tem salvação!

O professor José Américo Trindade, o Babade adotou novo estilo de vida. Em Alter do Chão alegou combater queimadas, mas foi visto tomando chopp, no rio, com golfinhos cor de rosa. Esta semana foi fazer “estação de águas”, em Passa Quatro, São Lourenço e Caxambu. O sangue de Jesus tem poder.

Os ônibus de excursão

Muitas críticas contra a desenvoltura com que os ônibus de excursão trafegam pelas ruas estreitas do centro de Cabo Frio. A cidade sofre com a falta de ordenamento urbano: a engenharia de tráfego parece não existir.

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HOJE DE MADRUGADA – Raduan Nassar

O que registro agora aconteceu hoje de madrugada quando a porta do meu quarto de trabalho se abriu mansamente, sem que eu notasse. Ergui um instante os olhos da mesa e encontrei os olhos perdidos da minha mulher. Descalça, entrava aqui feito ladrão. Adivinhei logo seu corpo obsceno debaixo da camisola, assim como a tensão escondida na moleza daqueles seus braços, enérgicos em outros tempos. Assim que entrou, ficou espremida ali ao canto; me olhando. Ela não dizia nada, eu não dizia nada. Senti num momento que minha mulher mal sustentava a cabeça sob o peso de coisas tão misturadas, ela pensando inclusive que .me atrapalhava nessa hora absurda em que raramente trabalho, eu que não trabalhava. Cheguei a pensar que dessa vez ela fosse desabar, mas continuei sem dizer nada, mesmo sabendo que qualquer palavra desprezível poderia quem sabe tranqüilizá-la. De olhos sempre baixos, passei a rabiscar ao verso de uma folha usada, e continuamos os dois quietos: ela acuada ali no canto, os olhos em cima de mim; eu aqui na mesa, meus olhas em cima do papel que eu rabiscava. De permeio, um e outro estalido na madeira do assoalho.

Não me mexi na cadeira quando percebi que minha mulher abandonava o seu canto, não ergui os olhos quando vi sua mão apanhar o bloco de rascunho que tenho entre meus papéis. Foi uma caligrafia rápida e nervosa; foi una frase curta que ela escreveu, me empurrando o bloco todo, sem destacar a folha, para o foco dos meus olhos: “vim em busca de amor” estava escrito, e em cada letra era fácil de ouvir o grito de socorro. Não disse nada, não fiz um movimento, continuei com os olhos pregados na mesa. ?Mas logo pude ver sua mão pegar de novo o bloco e quase em seguida me devolvê-lo aos olhos: “responda” ela tinha escrito mais embaixo numa letra desesperada, era um gemido. Fiquei um tempo sem me mexer, mesmo sabendo que ela sofria, que pedia em súplica, que mendigava afeto. Tentei arrumar (foi um esforço) sua imagem remota, iluminada; provocadoramente altiva, e que agora expunha a nuca a um golpe de misericórdia. E ali, do outro lado da mesa, minha mulher apertava as mãos, e esperava. Interrompi o rabisco e escrevi sem pressa: “não tenho afeto para dar”, não cuidando sequer de lhe empurrar o bloco de volta, mas nem foi preciso, sua mão, com a avidez de um bico, se lançou sobre o grão amargo que eu, num desperdício, deixei escapar entre meus dedos. Mantive os olhos baixos, enquanto ela deitava o bloco na mesa com calma e zelo surpreendentes, era assim talvez que ela pensava refazer-se do seu ímpeto.

Não demorou, minha mulher deu a volta na mesa e logo senti sua sombra atrás da cadeira, e suas unhas no dorso do meu pescoço, me roçando as orelhas de passagem, raspando o meu couro, seus dedos trêmulos me entrando pelos cabelos desde a nuca. Sem me virar, subi o braço, fechei minha mão ao alto, retirando sua mão dali como se retirasse um objeto corrompido, mas de repente frio, perdido entre meus cabelos. Desci lentamente nossas mãos até onde chegava o comprimento do seu braço, e foi nessa altura que eu, num gesto claro, abandonei sua mão no ar. A sombra atrás de mim se deslocou, o pano da camisola esboçou um vôo largo, foi num só lance para a janela, tinha até verdade naquela ponta de teatralidade. Mas as venezianas estavam fechadas, ela não tinha o que ver, nem mesmo através das frinchas, a madrugada lá fora ainda ressonava. Espreitei um instante: minha mulher estava de costas, a mão suspensa na boca, mordia os dedos.

Quando ela veio da janela, ficando de novo à minha frente, do outro lado da mesa, não me surpreendi com o laço desfeito do decote, nem com os seios flácidos tristemente expostos, e nem com o traço de demência lhe pervertendo a cara. Retomei o rabisco enquanto ela espalmava as mãos na superfície, e, debaixo da mesa, onde eu tinha os pés descalços na travessa, tampouco me surpreendi com a artimanha do seu pé, tocando com as pontas dos dedos a sola do meu, sondando clandestino minha pele no subsolo. Mais seguro, próspero, devasso, seu pé logo se perdeu sob o pano do meu pijama, se esfregando na densidade dos meus pêlos, subindo afoito, me lambendo a perna feito uma chama. Fiz a tentativa com vagar, seu pé de início se atracou voluntarioso na barra, e brigava, resistia, mas sem pressa me desembaracei dele, recolhendo meus próprios pés que cruzei sob a cadeira. Voltei a erguer os olhos, sua postura, ainda que eloqüente, era de pedra: a cabeça jogada em arremesso para trás, os cabelos escorridos sem tocar as costas, os olhos cerrados; dois frisos úmidos e brilhantes contornando o arco das pálpebras; a boca escancarada, e eu não minto quando digo que  não eram os lábios descorados, mas seus dentes é que tremiam.

Numa arrancada súbita, ela se deslocou quase solene em direção à porta; logo freando porém o passo. E parou. Fazemos muitas paradas na vida, mas supondo-se que aquela não fosse uma parada qualquer, não seria fácil descobrir o que teria interrompido o seu andar. Pode ser simplesmente que ela se remetesse então a uma tarefa trivial a ser cumprida quando o dia clareasse. Ou pode ser também que ela não entendesse a progressiva escuridão que se instalava para sempre em sua memória. Não importa que fosse por esse ou aquele motivo, só sei que, passado o instante de suposta reflexão minha mulher, os ombros caídos, deixou o quarto feito sonâmbula.

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SEBO DO LANATI

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(22) 99923-2394 – ZAP
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Porto do Carro – Cabo Frio.

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PEQUENAS DOSES

O Retorno – 1

A penúltima crise do governo de Adriano Moreno, a criação de um retorno na Avenida Nossa Senhora da Assunção exclusivo para o Corpo de Bombeiros, bancado pela iniciativa privada, é uma das gotas, das muitas que provocaram o transbordamento do copo.

O Retorno – 2

A abertura do retorno para os bombeiros determinou o fechamento de outro logo após a sede da prefeitura. A abertura de outro retorno mais a frente, que permite a visão de uma pastelaria, por “coincidência” de propriedade do empresário que financiou o retorno especial dos bombeiros.

O Retorno – 3

O repúdio a manobra foi geral, principalmente quando foi divulgado que partiu do vereador Rafael Peçanha o requerimento solicitando a mudança do local do retorno: o vereador fez reunião política na pastelaria do empresário.

O que acontece?

Mesmo com todas as trapalhadas do governo de Adriano Moreno/Antônio Carlos Vieira, o Cati, a manifestação organizada pelo Sepe Lagos foi expressiva, mas não massiva. O que está acontecendo com a categoria mais consciente do serviço público?

A quem interessa?

Os debates no movimento dos trabalhadores da educação, liderado pelo Sepe Lagos, são naturais e frutíferos quando de cunho político e ideológico, inclusive, alimentam a luta. Porém, quando descambam para interesses e conflitos pessoais, estimulam a divisão e beneficiam os exploradores e opressores.

A saída de Márcia Almeida

A saída da professora Márcia Almeida despertou, de imediato, algumas perguntas: quais os motivos? Qual o perfil do novo (a) titular da secretaria? Quais seriam os candidatos ao “sacrifício”?

O novo secretário (a)

A professora Márcia Tardelli teria recusado o convite. Surgiram então outros nomes como o de Bruna Knauft, esposa de Alessandro Teixeira, ex-secretário de educação de Cabo Frio e atual secretário de São Pedro da Aldeia, e Evaldo Bittencourt, que também foi secretário de educação no município vizinho.

Aquiles Barreto & Miguel Alencar

Todos esses nomes aumentam a influência política dos vereadores Aquiles Barreto e Miguel Alencar. Os dois parecem ter formado um oligopólio de poder na área de educação após a saída de Cláudio Leitão e Denize Alvarenga.

A definição do “salvador da pátria”

Os constantes atrasos no pagamento do funcionalismo público, o não cumprimento dos acordos firmados com diferentes categorias, a ausência de políticas públicas, denúncias de favorecimentos e corrupção. Todas essas características reunidas definem o governo de Adriano Moreno.

O PT não é mais o mesmo.

As redes sociais da internet anunciam e promovem a biografia de Qua Quá, o líder petista de Maricá e no estado: “Qua Quá, Da Favela ao Poder”. Em Cabo Frio, o PT lança a candidatura do empresário Renato Marins. O velho PT descascou faz tempo.

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UM CARNEIRO EM MINHA CASA – Pablo Neruda

Eu tinha um parente senador que, depois de ter vencido novas eleições, veio passar uns dias em minha casa de Isla Negra. Assim começa a história do cordeiro.

Acontece que seus eleitores mais entusiastas vieram para festejar o senador. Na primeira tarde da festa assaram um carneiro à moda do campo do Chile, com uma grande fogueira ao ar livre e o corpo do animal enfiado num assador de madeira. A isto chamam asado al palo, que é celebrado com muito vinho e queixosas guitarras criollas.

Outro carneiro ficou para a cerimônia do dia seguinte. Enquanto não chegava a sua hora, amarraram-no junto de minha janela. A noite toda gemeu e chorou, baliu e se queixou de sua solidão. Partia a alma escutar as modulações daquele carneiro, ao ponto que decidi me levantar de madrugada e raptá-lo.

Metido num automóvel levei-o a cento e cinqüenta quilômetros dali, à minha casa de Santiago, onde não o alcançassem as facas. Mal entrou, pôs-se a pastar vorazmente no melhor lugar de meu jardim. As tulipas o entusiasmaram e ele não respeitou nenhuma delas. Ainda que por razões espinhosas, não se atreveu com as roseiras. Mas devorou em troca os goiveiros e os lírios com estranho prazer. Não tive remédio senão amarrá-lo outra vez. E de imediato se pôs a balir, tratando visivelmente de me comover como antes. Senti-me desesperado.

Nesse ponto se entrecruza a história de Juanito com a história do cordeiro. Acontece que por aquele tempo havia começado uma greve de camponeses no sul. Os latifundiários da região, que pagavam a seus rendeiros não mais de apenas vinte centavos de dólar por dia, terminaram a pauladas e prisões com aquela greve.

Um jovem camponês teve tanto medo que subiu num trem em movimento. O rapaz se chamava Juanito, era muito católico e não sabia nada das coisas deste mundo. Quando passou o cobrador do trem examinando as passagens, ele respondeu que não tinha, que se dirigia a Santiago e que pensava que os trens eram para que a gente subisse neles e viajasse quando precisasse. Trataram de desembarcá-lo, naturalmente. Mas os passageiros de terceira classe — gente do povo, sempre generosa — fizeram uma coleta e pagaram a passagem.

Por ruas e praças da capital andou Juanito com um embrulho de roupa debaixo do braço. Como não conhecia ninguém, não queria falar com ninguém. No campo dizia-se que em Santiago tinha mais ladrões do que habitantes e ele tinha medo que lhe roubassem a camisa e as alpercatas que levava debaixo do braço, embrulhadas num jornal. Durante o dia perambulava pelas ruas mais freqüentadas, onde as pessoas sempre tinham pressa e afastavam com um empurrão este Gaspar Hauser(*) vindo de outro planeta. De noite buscava também os bairros mais concorridos mas estes eram as avenidas de cabarés e de vida noturna e ali sua presença era mais estranha ainda, pálido pastor perdido entre os pecadores. Como não tinha um só centavo, não podia comer, tanto assim que um dia caiu ao solo sem sentidos.

Uma multidão de curiosos rodeou o homem estendido na rua. A porta defronte da qual caiu correspondia a um pequeno restaurante. Levaram-no para dentro e o deixaram no chão. É o coração, disseram uns. É uma crise hepática, disseram outros. O dono do restaurante se aproximou, olhou-o e disse: “É fome”. Mal comeu algumas garfadas aquele cadáver reviveu. O dono o pôs para lavar pratos e se tomou de amores por ele. Tinha razões para isso. Sempre sorridente, o jovem camponês lavava montanhas de pratos. Tudo ia bem. Comia muito mais do que na sua terra.

O sortilégio da cidade se teceu de maneira estranha para que se juntassem certa vez, em minha casa, o pastor e o carneiro.

Deu vontade no pastor de conhecer a cidade, encaminhando então seus passos um pouco além das montanhas de louça. Tomou com entusiasmo uma rua, atravessou uma praça, e tudo o deslumbrava. Mas, quando quis voltar, já não o podia fazer. Não tinha anotado o endereço porque não sabia escrever, buscando assim em vão a porta hospitaleira que o tinha recebido. Nunca mais a encontrou.

Um transeunte, com pena de sua confusão, disse-lhe que devia se dirigir a mim, ao poeta Pablo Neruda. Não sei por que lhe sugeriram esta idéia. Provavelmente porque no Chile se tem por mania me encarregar de quanta coisa estranha passe pela cabeça das pessoas e ao mesmo tempo de me jogar a culpa de tudo o que acontece. São estranhos costumes nacionais.

O certo é que o rapaz chegou um dia à minha casa e se encontrou com o bicho preso. Já que eu estava tomando conta daquele carneiro inútil, não me custava também tomar conta deste pastor. Deixei a seu cargo a tarefa de impedir que o carneiro gourmet devorasse exclusivamente minhas flores mas sim que também, de vez em quando, saciasse o apetite com a grama de meu jardim.

Compreenderam-se na hora. Nos primeiros dias ele lhe pôs, só para constar, uma cordinha no pescoço com uma fita e com ela o conduzia de um lugar para outro. O carneiro comia incessantemente e o pastor individualista também, transitando ambos por toda a casa, inclusive por dentro de meus aposentos. Era uma união perfeita, conseguida pelo cordão umbilical da mãe terra, pelo autêntico mandato do homem. Assim se passaram muitos meses. Tanto o pastor como o carneiro arredondaram suas formas carnais, especialmente o ruminante que apenas podia seguir seu pastor de tão gordo que ficou. Às vezes entrava parcimoniosamente em meu quarto, olhava-me com indiferença e saía deixando um pequeno rosário de contas escuras no chão.

Tudo acabou quando o camponês sentiu a nostalgia do campo e me disse que voltava para sua terra distante. Era uma resolução de última hora. Tinha que pagar uma promessa à Virgem de seu povoado. Não podia levar o carneiro. Despediram-se com ternura. O pastor tomou o trem, desta vez com sua passagem na mão. Foi patética aquela despedida.

Em meu jardim não deixou um carneiro mas sim um problema grave, ou melhor, gordo. O que fazer com o ruminante? Quem cuidaria dele agora? Eu tinha preocupações políticas demais. Minha casa andava desordenada depois das perseguições que a minha poesia combativa me trouxe. O carneiro começou de novo a balir suas partituras queixosas.

Fechei os olhos e disse à minha irmã que o levasse. Ai, desta vez eu tinha certeza de que não se livraria do forno!

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