O DIA DE JULIO

Tudo começa no ano 1900, com o choro de um recém-nascido, e termina cem páginas depois, no ano 2000, com os últimos suspiros de um homem de 100 anos. O dia de Julio (originalmente serializado em Love and Rockets Vol. 2, mas nunca completado até agora), é a última graphic novel de Gilbert Hernandez, uma obra-prima narrativa elíptica e emocional que traça uma vida – de fato, um século em uma vida humana – em uma série de vinhetas cuidadosamente trabalhadas, sempre surpreendentes e cativantes.

Há esperança e alegria, há perseguição e luto, há guerra (muita guerra – trata-se, afinal, do século XX), há amor, há corações partidos. Esta é uma história singular e autônoma que contribui para sedimentar a posição de Hernandez como um dos mais importantes e originais quadrinistas deste século, ou de qualquer outro.

A PATULÉIA E A MARÉ VERDE

Não é de agora que a velha senhora, o orgulho maior de Cabo Frio, vem sofrendo com toda sorte de maus tratos. Os prefeitos que por aqui passaram, de todas as cores e bandeiras partidárias, não a cuidaram com carinho.

Talvez por inveja os engenhosos bolaram e construíram uma afronta a sua beleza, como a desafiá-la. Tentaram transformar em atração turística, na frente da Praia do Forte (Praia da Barra) aquela piscina de água doce, com pedras artificiais, ridículas e cuja manutenção é caríssima aos cofres públicos.

Está lá jogada, como monumento ao mau gosto, reveladora do autoritarismo provinciano e “sucupirano”, sem a graça e o humor ácido dos personagens de Dias Gomes. Algum dia, quem sabe, pode se apresentar alguém de bom-senso para aterrar e criar um belo jardim. Até porque nos dias que correm desperdiçar água doce não está dando muita audiência.

Nos últimos dias as redes sociais e até mesmo o lento jornalismo da InterTv trataram da “maré verde”, que inundou o Canal do Itajuru e avançou sobre o Oceano Atlântico junto a Praia do Forte. Logo apareceram os “especialistas” para informar e explicar a nós da “patuléia”, que a “maré verde” era formada por algas, mas que sossegássemos, não eram perigosas a saúde.

Como o blog é apenas “especialista em generalidades” podemos afirmar com segurança, que a “ocorrência” é gerada por esgoto não tratado, poluição, cocô mesmo ou qualquer outro nome que queiram dar.

A patuléia agradece aos envolvidos.

PEQUENAS DOSES

O ex-vereador e ex-presidente da câmara Wilmar Monteiro, garante que se tudo der certo, vai se tornar o mais longevo candidato ao legislativo municipal, no pleito de 2020. Saravá!

O ex-vereador Rui Machado não cessa de fazer contatos políticos, nem por um segundo. Rui Machado, que durante muitos anos esteve ligado a Marquinhos Mendes, hoje adormece acalentado pela equipe do deputado Sérgio Azevedo Filho.

Uma pergunta que não quer calar: por que o bravo Cremerj, tão ético e fiscalizador em relação a Cabo Frio, não têm ação tão intensa, digamos assim, na rede hospitalar do Rio de Janeiro. As condições não são diferentes, até piores, que aquelas do Hospital da Mulher.

Mais enrolado, atabalhoado e sem direção, que o governo de Adriano Moreno, impossível. Entretanto, seria interessante investigar se algum setor específico saiu perdendo, na área de saúde. Que tal uma auditoria independente, pegando esse e os governos anteriores?

Todos sabem que a crise na saúde pública de Cabo Frio não começou da noite para o dia, na prefeitura de Adriano Moreno. Refrescando a memória, Alair Francisco Corrêa e Marquinhos Mendes, nos dois últimos mandatos, vivenciaram crise do mesmo porte ou mais séria.

Engraçado, que alguns arautos e denunciantes da crise atual estavam envolvidos “até o pescoço”, participando ativamente da gestão nos governos passados. Como explicar a tardia indignação civilizatória?

A renovação de nomes nas assembléias e câmaras nem sempre significa a mudança de hábitos na política. Nada mais velha, que a “nova política” dos deputados, que assumiram recentemente suas macias poltronas, na ALERJ. Os “rapazes” fazem corar políticos experimentados.

Hoje, ás 15 horas, acontece no Shopping do Peró, Audiência Pública, convocada pelo Ministério Público Federal (MPF) para discutir e esclarecer sobre o projeto de maricultura, na Praia do Peró.

NEM TUDO ESTÁ COMO ANTES NO QUARTEL DO ABRANTES

O governo vai, aos poucos, retornando a rotina. A modorra, sempre silenciosa vai tomando conta dos comissionados, em especial dos secretários, que parecem ter um ritmo próprio.

Este governo, em particular, deveria ter mais pressa, ganhar em agilidade e até em esperteza. O seu tempo é mais curto que os demais e enfrenta herança pesada, que custou a assumir.

O trabalhador, pelo seu lado, vai tocando. O dia a dia, travestido de necessidade de sobrevivência, ameniza e encoberta os problemas, que teimam em não desaparecer por completo.

Cada um, independente do cargo que ocupa, carrega seu andor, mais ou menos pesado, de acordo com as circunstâncias. Em época de crise aguda, na economia do país, segurar o emprego é uma tarefa a ser cumprida. O lema é baixar os olhos, desenrugar a fronte e seguir em frente.

O grande perigo para os políticos, não importa o segmento, é se perder em meio ao seu mundo particular e de seus pares e não olhar para a fronte do povo. Ela diz tudo ou quase …

Acreditar que tudo está orbitando em torno de suas análises, pesquisas e na capacidade de estabelecer relações, que lhes assegure espaço no “establishment”.

Nem sempre “tudo permanece como antes, no Quartel do Abrantes”.

Que tal conferir?

PEQUENAS DOSES

  • O Poder Judiciário precisa respeitar mais a sociedade, que lhe paga os gordos salários. O que faz com a população de Búzios é, no mínimo, um absurdo. O entra e sai de prefeito cria grande instabilidade política e administrativa, que prejudica e muito o município.
  • Ao procurar se entender com o Cremerj e resolver colocar em “banho maria” a questão da Educação, o governo de Adriano Moreno, em Cabo Frio, busca a estabilidade. Sem dúvida, o fim da greve dos professores ajudou.
  • A continuação da greve dos professores, as denúncias protocoladas pelo ex-secretário Cláudio Leitão e a questão do Hospital da Mulher, seriam muitas doses para um governo só com uma base política ainda pouco sólida.
  • O governo parece ter acertado sua relação com a câmara e dispõe de folgada maioria de 12 vereadores. Teve que ceder bastante ao grupo de Marquinhos Mendes, que se plantou dentro da administração e não pretende sair.
  • Os vereadores não parecem interessados em impeachment, principalmente depois que o governo de Adriano Moreno acertou os canais de comunicação com o legislativo. Caso não amplie sua conexão política com a sociedade o vereador Rafael Peçanha tende a ampliar seu isolamento político.
  • As auditorias, hoje tão em moda, devem ser feitas sempre por instituições de grande credibilidade e independentes. Na campanha, o candidato Adriano Moreno prometeu, no governo não fez sob a alegação, que as auditorias eram muito onerosas.
  • As comissões locais de investigação podem ser competentes e honestas, mas por pertencerem ao próprio governo, perdem boa parte da credibilidade. Resultado? Governo e sociedade perdem.
  • A ACIA leia-se Patrícia Cardinot, promove na próxima sexta, 24, no Hotel Paradiso Corporate, o 1º Fórum de Segurança da Região dos Lagos. O governador Wilson Witzel, que deu um “bolo” nos prefeitos da Região dos Lagos, promete dar as caras.
  • A questão da segurança pública aparece em todas as pesquisas como um dos itens, que mais incomodam os cidadãos. Witzel se elegeu na maré bolsonarista, de cunho autoritário e armamentista: a insegurança no Estado do Rio só aumentou com Witzel.

A COMILANÇA DESANDOU

Adriano Moreno foi eleito prefeito impulsionado pela onda conservadora, isso é público e notório, mas é muito pouco para explicar sua ascensão e do seu pequeno e limitado grupo ao poder.

Contou também com a degradação da administração pública, inicialmente beneficiada pelo jorrar dos royalties do petróleo, que fez a festa dos dois últimos prefeitos que alegremente se revezaram no poder.

A cidade não foi preparada para administrar a escassez e contenção. Ao contrário, imaginando volumosa e eterna renda dos royalties foi criada frondosa superestrutura, que não resiste a tempos de crise.

Não por acaso, que no fim da animada festa, os últimos mandatos dos líderes do desperdício, sofreram os efeitos permanentes dessa derrocada. Com as contas públicas em frangalhos, mal conseguiram pagar os salários dos funcionários públicos.

O discurso do “não sou político, apenas um médico e cidadão bem intencionado”, apesar de ser vereador e pertencer aos quadros do alairzismo, colou e deu o caldo de cultura que faltava a rejeição a política tradicional.

Sem quadros, o governo juntou, na mesma administração, reconhecidos nomes de extrema direita, auto proclamados marxistas e até anarquistas. Faltou o tempero para dar liga a comilança, que acabou por desandar.

Os últimos movimentos políticos mostram que, em desespero, o governo busca encontrar sua identidade hegemônica para tentar ter futuro.

Resta saber se terá tempo para tanto.

PEQUENAS DOSES

  • O ex-secretário municipal de educação, Cláudio Leitão, entregou ontem na câmara as denúncias contra o governo de Adriano Moreno. A tendência é jogar água na fervura ou pegar fogo?
  • Cláudio Leitão, esteve na câmara acompanhado pelo cineasta e artista plástico mineiro-cabofriense José Sette. Deixou a documentação, mas não encontrou nenhum vereador para a entrega pessoal.
  • Assembléia realizada pelo Sepe Lagos votou pelo fim da greve. Os professores, em função da crise, fizeram uma assembléia massiva e aprovaram a pauta de reivindicações, que foi negociada com o governo de Adriano Moreno e a nova secretária de educação, Márcia Almeida.
  • A assembléia decidiu adesão à greve geral, que vai paralisar todo o país, em 14 de junho, contra a Reforma da Previdência. Em 23 de maio o Sepe Lagos realiza, na sede do sindicato, a plenária para a organização da participação do Sepe Lagos, na greve geral.
  • O deputado federal Marcelo Freixo esteve em Cabo Frio. O deputado realizou debate no IFF (Instituto Federal Fluminense) e deu entrevista a jornalista Renata Cristiane.
  • A crise econômica não tem dado trégua aos municípios da Região dos Lagos. O mercado imobiliário tanto para aluguel, como para venda anda muito fraco.
  • A calçada lateral, na Rua Francisco Mendes, onde fica a loja da Prolagos, no centro de Cabo Frio, dá bem a medida do cuidado e respeito da concessionária com o povo do município. É só conferir o desleixo.
  • O tal “tratamento a tempo seco” deu o ar de sua graça, com bastante intensidade, nas cidades da Região dos Lagos. Não custa nada lembrar que a Praia do Forte foi atingida com força. Muito mais virá se a sociedade não se mexer.
  • O asfalto da rodovia, que liga Cabo Frio a São Pedro da Aldeia, é no mínimo, deprimente. A pavimentação está toda irregular e cheia de buracos, além das famigeradas lombadas eletrônicas.

UMA QUESTÃO DE BITOLA

A hegemonia da tradição judaico-cristã e a licença poética permitem, em meio ao dilúvio, que o velho Noé e sua barba branca, acompanhado da família e seus inúmeros bichos, tenha sido observado navegando pela Laguna de Araruama, encapelada.

O dono da velha Arca, serpenteando ao longo do Canal do Itajuru, fruto da engenharia belga-francesa de Eugene Steveaux e Leger Palmer, em direção a antiga Boca da Barra.

O velho rabugento lambendo as águas da Praia do Forte, que os antigos teimam em chamar Praia da Barra, rumo ao Atlântico Sul, seguindo os pássaros lá pelas costas da África.

Muito antes da devastação da restinga e da ocupação urbana descontrolada, a água era pouca, mas boa. Longe desse tsunami de esgoto que contaminou o solo e torna imundas as águas da laguna, sem que os “gênios da lâmpada” tenham conseguido explicar a genial idéia do “tratamento a tempo seco”.

Afonsinho, o “numerólogo”, depois de 3 conhaques no Bar do Jair conceituou: “é uma questão de bitola”, fácil para o nosso matemático de plantão:

“O mesmo cano recebe o esgoto e a água pluvial. Quando chove e a chuva é torrencial, a bitola do cano não suporta. Misturado a água da chuva o esgoto inunda as águas da laguna. Com maré cheia, alaga a cidade também”.

Entendeu ou quer que psicografe?

PEQUENAS DOSES

  • O ex-secretário municipal de educação, Cláudio Leitão, garantiu ao Blog do Totonho que na segunda, no máximo terça-feira, os vereadores terão farta documentação para exercer a fiscalização sobre o governo de Adriano Moreno. O que será?
  • Após o fim do impeachment do prefeito, enterrado pela câmara municipal, aumentaram os rumores e boatos sobre a sucessão. José Bonifácio Novellino, Leandro Cunha, Rafael Peçanha, Sérgio Luiz Azevedo e Mauro Bernard, inclusive o do próprio prefeito, estão nesta lista.
  • Antes que alguém questione, o Blog do Totonho explica: o ex-prefeito Marquinhos Mendes está inelegível e pode pegar mais oito anos de “pendura” caso a câmara não aprove suas contas.
  • Os dois últimos, os deputados Sérgio Luiz Azevedo e Mauro Bernard foram eleitos na onda ultra conservadora, que levou Bolsonaro e Witzel ao poder. Resta saber qual o poder de fogo eleitoral da dupla com o fracasso do bolsonarismo. Manterão os eleitores ou derreterão com as águas do “dilúvio” que se abateu sobre Cabo Frio?
  • As deprimentes e vergonhosas práticas do MBL e dos robôs do Bolsonarismo, com notícias falsas, criação de escândalos, ataques a honra, destruição da imagem de figuras públicas, ganharam espaço na política de Cabo Frio. Pena! O nível foi bem melhor.
  • O Museu de Arte Religiosa e Tradicional (MART) e as secretarias municipais de cultura e turismo, apesar dos recursos extremamente limitados, fazem trabalho respeitável. Lamentável que os governos percebam essas áreas como despesas e não como investimentos.
  • A prefeitura de Cabo Frio está se revelando notoriamente lerda, quase incapaz, para resolver os problemas do Hospital da Mulher, sob interdição parcial do Cremerj. Boa parte da oposição também não faz papel melhor, utiliza o drama para promoção política e trampolim eleitoral. Saravá para as mães e seus filhos!
  • Governo e Oposição poderiam dar os braços e sairem pelas ruas de Cabo Frio de cabeça baixa, sob vaias da população, pelo triste papel, que estão fazendo. São anos e anos, que a crise da saúde pública municipal se avoluma, se arrasta, sem que qualquer medida séria seja tomada.
  • As manifestações da extrema-direita em Cabo Frio foram numerosas, contando com a participação de empresários, religiosos e boa parte da classe média. Grande número contribuiu para a eleição de Adriano Moreno, Witzel e Bolsonaro. Hoje, a unidade “foi para o brejo” e as “lideranças” se estapeiam pelas redes sociais e mídia tradicional.

A CONTA DA EDUCAÇÃO

Quando alguém falar para você que o Brasil gasta dinheiro demais em educação, duvide. Nos dias atuais já não é novidade o crescimento de “especialistas” em reprodução de argumentos simplórios via redes sociais.

Um deles, o mais usado, é que o Brasil gasta em torno de 5% do seu PIB no setor, o que é razão mais do que suficiente para colocarmos um pé no freio. No universo estatístico podemos estar sobrando com relação aos nossos “hermanos” argentinos, chilenos, colombianos e mexicanos, todos abaixo desse percentual. Ou seja, reforça a tese do “gasta muito”. Mas não gasta tanto assim.

Quem conhece e estuda educação sabe que há uma dívida histórica do Brasil com relação ao quesito investimentos. Durante décadas não passamos de três por cento do Produto Interno Bruto, destinado ao setor. Para piorar a situação, a porcentagem ainda varia e nos últimos anos amargamos o decréscimo do PIB, resultado da retração econômica crônica pela qual passamos. Ou seja, temos um passivo ainda considerável e um presente que vai aos poucos perdendo o fôlego.

Mas ao menos mostramos capacidade e intenção de investimentos crescentes. Dados da OCDE estimam que, em média, gastamos na Educação Básica 466 dólares mensais com os alunos. Mas não pensemos que esse dinheiro cobre apenas as necessidades dos estudantes. Nessa conta incluímos o salário dos docentes, o investimento em estrutura educacional, em melhorias nas condições de aprendizagem e em políticas de estímulo a carreira profissional do magistério. Ou seja, uma despesa considerável.

Além disso, cada cidade é uma realidade. Isso significa que para algumas delas, há maiores necessidades de recursos para vencer dificuldades como isolamento, precariedade de acesso, déficit docente, excesso de demanda discente, entre outros.

Como contra-argumentos, muitos se referem à corrupção como a grande culpada. Não é bem assim. Apesar de não termos estudos mais aprofundados sobre essa temática, especialistas afirmam ser a margem de desvios das verbas da educação muito exígua. Isso não nos livra da corrupção em absoluto já que é possível, por exemplo, “inchar” redes ou órgãos gestores da educação para fins eleitorais.

Agora, se gastamos mal é porque somos tecnicamente ainda muito despreparados nas secretarias de educação. Isso sem falar na necessidade de aumentar a margem de investimentos seja dos repasses federais ou da complementação de estados e municípios, o que em tempos de crise não é algo tão simples.

O argumento de que o Brasil gasta mais com o Ensino Superior do que com a Educação Básica também não é verdadeiro. O desmonte contemporâneo do ensino público de terceiro grau é uma maldade que enviesa o ultraliberalismo e o chauvinismo governamental.

Para começo de conversa a métrica não é simples. Há sobreposições na fórmula que partilha as responsabilidades pelo financiamento educacional e, via de regra, o conjunto de repasses tende a ser visto como “farinhas do mesmo saco”.

Na verdade, temos cerca de trezentas instituições públicas de ensino superior no Brasil que englobam menos de dois milhões de alunos. O fato dos investimentos no setor chegarem a 1,2% do PIB precisam ser melhor traduzidos no que é absolutamente necessário a qualquer país que pretenda alçar a autonomia, a saber, gastos com bolsas de estudos, financiamento de pesquisas, custeio estrutural e investimentos em inovação.

Sabendo que o setor privado de ensino superior responde por aproximadamente 75% da demanda educacional e onde é raro praticar com afinco a pesquisa e a extensão, alem da remuneração docente como “horistas” (algo que dificulta muito a vida acadêmica em comparação à estabilidade dos pares em institutos públicos), precisamos pensar bem o tipo de modelo que queremos, caso seja nossa meta o status de produtor de ciência e tecnologia.

Mas ao que parece, o desejo que se vislumbra no Brasil é o de fazer, de Educação Básica a Superior, um imenso “escolão” de má qualidade e atrelado de modo escalonado a um mercado de trabalho cada vez menos disposto a remunerar com dignidade a classe trabalhadora. E esse modelo envernizado com a sobreposição do moralismo torpe e a negação do pensamento racional, tem todos os indícios de que vai produzir um estrago considerável.