A saída de Juarez

O governo de José Bonifácio (PDT) perdeu esta semana um dos seus quadros mais importantes e progressistas, o engenheiro Juarez Lopes, que pediu demissão, alegando questões de ordem pessoal. Juarez pilotava a secretaria de meio ambiente e além de velho aliado político é amigo pessoal do prefeito José Bonifácio.

Até quando?

A nomeação do substituto de Juarez Lopes vai permitir avaliação sobre a correlação de forças dentro do governo entre os setores conservadores e progressistas. Até agora, “aos trancos e barrancos” o prefeito José Bonifácio vem mantendo o equilíbrio entre os dois grupos, mantendo-se acima de questões políticas e ideológicas. Até quando?

De olho em Brasília

Os candidatos que têm aparecido no cenário político da Região dos Lagos, especialmente em Cabo Frio optaram pela Câmara Federal. Ninguém bate de frente com Janio Mendes (PDT), que aponta sua candidatura para retornar a ALERJ.

Até Vidal

O ex-COMSERCAF, Jefferson Vidal, rompido com o governo de José Bonifácio, teve que optar por brigar por uma vaga na Câmara Federal. Não teve outra opção para poder integrar-se em cargo no governo estadual e não atrapalhar a campanha de reeleição de Sérgio L. Azevedo.

Fortalecer o PT

A entrada do professor Rafael Peçanha pode fortalecer o PT de Cabo Frio. Esse é o objetivo da direção estadual, hoje liderada pelo grupo de Maricá, leia-se Quaquá, inserida na candidatura de Lula: o PT/Maricá, porém, resiste apoiar Marcelo Freixo ao governo do estado.

Molon & Flávio

A opção de Alessandro Molon (PSB) pela campanha de reeleição a Câmara Federal fortalece a campanha de Flávio Rosa. Afinal, Molon é um “puxador” de legenda e deve levar com ele mais três deputados. Não é por acaso que Flávio Rosa intensificou a pré-campanha e vai estar na próxima sexta-feira no Programa Sidnei Marinho.

Continuidade dos parques

Julio Cortázar

Começara a ler o romance dias antes. Abandonou-o por negócios urgentes, voltou à leitura quando regressava de trem à fazenda; deixava-se interessar lentamente pela trama, pelo desenho dos personagens. Essa tarde, depois de escrever uma carta a seu procurador e discutir com o capataz uma questão de parceria, voltou ao livro na tranquilidade do escritório que dava para o parque de carvalhos. Recostado em sua poltrona favorita, de costas para a porta que o teria incomodado como uma irritante possibilidade de intromissões, deixou que sua mão esquerda acariciasse de quando em quando o veludo verde e se pôs a ler os últimos capítulos. Sua memória retinha sem esforço os nomes e as imagens dos protagonistas; a fantasia novelesca absorveu-o quase em seguida. Gozava do prazer meio perverso de se afastar linha a linha daquilo que o rodeava, e sentir ao mesmo tempo que sua cabeça descansava comodamente no veludo do alto respaldo, que os cigarros continuavam ao alcance da mão, que além dos janelões dançava o ar do entardecer sob os carvalhos. Palavra por palavra, absorvido pela trágica desunião dos heróis, deixando-se levar pelas imagens que se formavam e adquiriam cor e movimento, foi testemunha do último encontro na cabana do monte. Primeiro entrava a mulher, receosa; agora chegava o amante, a cara ferida pelo chicotaço de um galho. Ela estancava admiravelmente o sangue com seus beijos, mas ele recusava as carícias, não viera para repetir as cerimônias de uma paixão secreta, protegida por um mundo de folhas secas e caminhos furtivos. O punhal ficava morno junto a seu peito, e debaixo batia a liberdade escondida. Um diálogo envolvente corria pelas páginas como um riacho de serpentes, e sentia-se que tudo estava decidido desde o começo. Mesmo essas carícias que envolviam o corpo do amante, como que desejando retê-lo e dissuadi-lo, desenhavam desagradavelmente a figura de outro corpo que era necessário destruir. Nada fora esquecido: impedimentos, azares, possíveis erros. A partir dessa hora, cada instante tinha seu emprego minuciosamente atribuído. O reexame cruel mal se interrompia para que a mão de um  acariciasse a face do outro. Começava a anoitecer.

Já sem se olhar, ligados firmemente à tarefa que os aguardava, separaram-se na porta da cabana. Ela devia continuar pelo caminho que ia ao Norte. Do caminho oposto, ele se voltou um instante para vê-la correr com o cabelo solto. Correu por sua vez, esquivando-se de árvores e cercas, até distinguir na rósea bruma do crepúsculo a alameda que levaria à casa. Os cachorros não deviam latir, e não latiram. O capataz não estaria àquela hora, e não estava. Subiu os três degraus do pórtico e entrou. Pelo sangue galopando em seus ouvidos chegavam-lhe as palavras da mulher: primeiro uma sala azul, depois uma varanda, uma escadaria atapetada. No alto, duas portas. Ninguém no primeiro quarto, ninguém no segundo. A porta do salão, e então o punhal na mão, a luz dos janelões, o alto respaldo de uma poltrona de veludo verde, a cabeça do homem na poltrona lendo um romance.

Rafael: filiação ao PT

Ato político vai marcar, em fevereiro, a filiação do ex-vereador Rafael Peçanha ao Partido dos Trabalhadores. O professor Rafael continua dentro do arco político/ideológico que elegeu e governa com o prefeito José Bonifácio, mas aporta votos e prestígio ao PT de Cabo Frio.

PT X PSB ?

Embora se recuse a falar em candidaturas existe a possibilidade de Rafael Peçanha ser candidato a uma vaga na Câmara Federal. Nesse caso, disputaria o voto progressista na Região dos Lagos e Cabo Frio com Flávio Rosa, que é candidato pelo PSB, mas preservaria Janio Mendes (PDT), que tenta retornar a Assembleia Legislativa.

Molon em Cabo Frio

O candidato do PSB a Câmara Federal, Flávio Rosa, tem anunciado muitas adesões ao seu projeto político no eixo Cabo Frio/Maricá/Barra do Piraí. Na sexta-feira, 28, Flávio Rosa trás a Cabo Frio o presidente nacional do seu partido, o deputado federal Alessandro Molon, que fará palestra a partir das 18 horas, na Associação Atlética Cabofriense.

Janio Mendes X Extrema Direita

No campo da disputa para a Assembleia Legislativa (ALERJ), com o apoio do prefeito José Bonifácio, Janio Mendes (PDT) tem se reunido com diversas lideranças de toda a Região dos Lagos, buscando pulverizar ao máximo os diferentes apoios que vem recebendo.

Democracia Cristã X Bolsonarismo

Janio Mendes se situa politicamente no campo da democracia cristã. Disputa essencialmente com a extrema direita, profundamente dividida em Cabo Frio e Região dos Lagos por Sérgio L. Azevedo, Mauro Bernardo e Capitão Diogo e outros com menor poder de fogo eleitoral.

Agressividade

A tendência é que o processo eleitoral assista a uma extrema direita progressivamente agressiva, com o aguçamento das rivalidades dentro de sua bolha política/ideológica, mas também contra os adversários no campo progressista.

Cláudio, o inexpressivo

O tsunami bolsonarista acabou e deu lugar ao pragmatismo fisiológico do Centrão, minando o discurso da extrema direita. Hoje representa entre 15% e 22% do eleitorado fluminense e o seu candidato a reeleição ao governo do Estado, Cláudio Castro é inexpressivo eleitoralmente. A extrema direita ideológica vai penar pra conseguir algum resultado eleitoral positivo.

Cenário Nacional, Regional e Local

Eduardo Pimenta

A Baixada Litorânea, também conhecida como Região dos Lagos, tem experimentado um crescimento demográfico e econômico expressivo nos últimos anos, impulsionado pela produção de petróleo e de gás natural, pela construção civil, pela produção pesqueira e pelo turismo, mas ainda carece de serviços básicos, principalmente nas áreas de planejamento e de gestão ambiental.

Assim, a partir de tal demanda, surge a necessidade de formação profissional baseada no binômio quantidade e qualidade, com respaldo na legislação, na cidadania, na ética e na ampliação da qualidade e sustentabilidade, referenciados nas Leis Orgânicas Municipais. A região, tem nos municípios de Araruama, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Iguaba Grande, Saquarema, Casimiro de Abreu, Armação dos Búzios, São Pedro D´Aldeia, Macaé e Rio das Ostrasum contingente populacional de aproximadamente 500.000 habitantes (Censo 2000) e uma população flutuante de até cinco vezes mais, nos picos de alta temporada, como no ano novo e no carnaval.

Com base nas análises dos municípios da região, a partir do Censo 2000, Divisão Territorial 2001 e dos setores produtivos da economia pesquisadas em 2008 é possível traçar o quadro de necessidade de profissionais. Com o crescimento da valorização do meio ambiente, tanto o setor privado quanto o setor público, necessitam cada vez mais de profissionais planejadores e gestores com conhecimento, visão e titulação na área.

Apesar de muitas carreiras serem novas, o mercado de trabalho é promissor. Como a necessidade de profissionais qualificados no mercado é grande, os profissionais com formação universitária na área onde as demandas são emergentes, têm boas perspectivas a curto e médio prazo.

No caso dos gestores ambientais, as empresas voltadas para atividades de grave impacto ambiental, são as que mais empregam atualmente. O profissional formado também tem um espaço amplo, tanto nas escolas, universidades e institutos de pesquisa, como em empresas de diversos ramos (educação ambiental, controle de qualidade do meio ambiente e como consultores).

A poluição ambiental e o aquecimento global estão em destaque nos meios de comunicação quase todos os dias, e com isso não há como negar que o mercado de trabalho para os profissionais da área de Gestão Ambiental está em crescimento.

Eduardo Pimenta é Biólogo, M.Sc. em Engenharia de Produção, Coordenador De Pesquisa e Extensão da Universidade Veiga de Almeida, pesquisador The International Commission for the Conservation of Atlantic Tunas, consultor estratégico do Projeto Albatroz, Presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica Lagos São João e membro da Academia Cabofriense de Letras.

Parceria

A prefeitura de Cabo Frio através da secretaria adjunta de ciência e tecnologia, leia-se professor Rafael Peçanha e o IFRJ/Arraial do Cabo (David Barreto) estabeleceram parceria para realização de processo seletivo para cursos públicos de pós-graduação.

Os cursos de especialização

São 24 cursos públicos de pós-graduação: 11 de especialização em Tecnologias Digitais Aplicadas ao Ensino e 13 em Ciências Ambientais em Águas Costeiras. A parceria para a realização do processo seletivo é inédita na Prefeitura de Cabo Frio.

Enquetes/Pesquisas

A cada dia aparece nas redes sociais da Internet uma enquete/pesquisa diferente com os resultados mais estranhos que se possa imaginar. Os resultados, é claro, diferem de acordo com aquele que propõe e financia o projeto, sempre “imparcial”, digamos assim.

Disputa federal

O ex-prefeito Alair Corrêa tem insistido que é candidato a Deputado Federal (tentou uma vez e foi derrotado). Confirmada a candidatura o ex-prefeito vai disputar com Paulo César Guia, Flávio Rosa, Jefferson Vidal e outros nomes, em Cabo Frio e Região dos Lagos.

Em 2024 …

Há quem diga que em 2024 Alair Corrêa, Marquinhos Mendes e Sérgio L. Azevedo vão disputar a sucessão de José Bonifácio. Assim, uma possível “dobradinha” com Sérgio L. Azevedo revitalizaria a imagem pública do ex-prefeito muito abalada depois do seu último mandato como prefeito do município.

Surpresa?

Quem será o candidato do governo a sucessão de José Bonifácio, em 2024? O ex-vereador e ex-secretário de governo Aquiles Barreto? O atual secretário adjunto de ciência e tecnologia, Rafael Peçanha? Há quem diga que pode ser o ex-prefeito Marquinhos Mendes. Surpresa?

Magdala Furtado

Em 2024, a vice-prefeita Magdala Furtado (Podemos), que tem seu reduto político no Distrito de Tamoios, vai ter a oportunidade de mostrar a sua força política e eleitoral. Pode ser a candidata de Tamoios a ocupar a prefeitura de Cabo Frio. Quem sabe?

Diante da Lei

Franz Kafka

Diante da Lei está um guarda. Vem um homem do campo e pede para entrar na Lei. Mas o guarda diz-lhe que, por enquanto, não pode autorizar-lhe a entrada. O homem considera e pergunta depois se poderá entrar mais tarde. – ”É possível” – diz o guarda. – ”Mas não agora!”. O guarda afasta-se então da porta da Lei, aberta como sempre, e o homem curva-se para olhar lá dentro. Ao ver tal, o guarda ri-se e diz. – ”Se tanto te atrai, experimenta entrar, apesar da minha proibição. Contudo, repara, sou forte. E ainda assim sou o último dos guardas. De sala para sala estão guardas cada vez mais fortes, de tal modo que não posso sequer suportar o olhar do terceiro depois de mim”.

O homem do campo não esperava tantas dificuldades. A Lei havia de ser acessível a toda a gente e sempre, pensa ele. Mas, ao olhar o guarda envolvido no seu casaco forrado de peles, o nariz agudo, a barba à tártaro, longa, delgada e negra, prefere esperar até que lhe seja concedida licença para entrar. O guarda dá-lhe uma banqueta e manda-o sentar ao pé da porta, um pouco desviado. Ali fica, dias e anos. Faz diversas diligências para entrar e com as suas súplicas acaba por cansar o guarda. Este faz-lhe, de vez em quando, pequenos interrogatórios, perguntando-lhe pela pátria e por muitas outras coisas, mas são perguntas lançadas com indiferença, à semelhança dos grandes senhores, no fim, acaba sempre por dizer que não pode ainda deixá-lo entrar. O homem, que se provera bem para a viagem, emprega todos os meios custosos para subornar o guarda. Esse aceita tudo mas diz sempre: – ”Aceito apenas para que te convenças que nada omitiste”.

Durante anos seguidos, quase ininterruptamente, o homem observa o guarda. Esquece os outros e aquele afigura ser-lhe o único obstáculo à entrada na Lei. Nos primeiros anos diz mal da sua sorte, em alto e bom som e depois, ao envelhecer, limita-se a resmungar entre dentes. Torna-se infantil e como, ao fim de tanto examinar o guarda durante anos lhe conhece até as pulgas das peles que ele veste, pede também às pulgas que o ajudem a demover o guarda. Por fim, enfraquece-lhe a vista e acaba por não saber se está escuro em seu redor ou se os olhos o enganam. Mas ainda apercebe, no meio da escuridão, um clarão que eternamente cintila por sobre a porta da Lei. Agora a morte está próxima.

Antes de morrer, acumulam-se na sua cabeça as experiências de tantos anos, que vão todas culminar numa pergunta que ainda não fez ao guarda. Faz-lhe um pequeno sinal, pois não pode mover o seu corpo já arrefecido. O guarda da porta tem de se inclinar até muito baixo porque a diferença de alturas acentuou-se ainda mais em detrimento do homem do campo. – ”Que queres tu saber ainda?”, pergunta o guarda. – ”És insaciável”.

– ”Se todos aspiram a Lei”, disse o homem.

– ”Como é que, durante todos esses anos, ninguém mais, senão eu, pediu para entrar?”. O guarda da porta, apercebendo-se de que o homem estava no fim, grita-lhe ao ouvido quase inerte: – ”Aqui ninguém mais, senão tu, podia entrar, porque só para ti era feita esta porta. Agora vou-me embora e fecho-a”.