CHICO MENDES

Quem é que consegue dormir

com esse assassino rondando a pátria?

Só os ponteiros do relógio,

que em horas como 3 e 15,

4 e 20 e 5 para as 11,

o ponteiro de cima deita sobre o de baixo

no sexo anal-anual-secular dos relógios.

Quem é que consegue dormir

sabendo que o homem está marcado,

numerado, na conta mortal do latifúndio?

Lá fora premiado,

aqui, alvejado, e sua morte

comemorada com um churrasco.

Sua causa era a dos seringueiros

mas seu corpo não era de borracha.

E o mundo segue:

o trem fazendo piuí

o Brasil Piauí

e nós psiiii… Silêncio de hospital!

Não era um rio

não era um rei

era um exemplo.

Um sonho previsto

no manual de instrução

para gente e árvore.

Pena que não exista verde depois da morte

para o morto lutar pelo verde que já morreu!

(Ricardo do Carmo)

POLÍTICA DO BEM X MAL

By: Marcelo de Paula – fotógrafo/cineasta Código Solar Produções

marcelodepaula.codigosolar@gmail.com

O Pantanal ardendo, a Amazônia em chamas, o Cerrado sendo envenenado e a Mata Atlântica sendo consumida pela especulação imobiliária. Animais carbonizados e a fumaça dessa desgraça ambientalchegando a São Paulo, Rio de Janeiro e sabe lá mais onde!

O Covid-19 dizimando a população, dizimando índios e nem Ministro técnico da área de saúde temos! Não temos Governo, o País caminha desgovernando em todas as suas áreas: econômica, cultural, relações exteriores, meio ambiente tem um ser contrário aos interesses ambientais. E principalmente a cabeça desse Governo, Bolsonaro, não faz a mínima ideia do que seja administrar um País da dimensão do Brasil!

Está na hora de uma união nacional para derrubar esse Governo e cortar todos os possíveis tentáculos que o Governo Bolsonaro e seu baú familiar de corrupção possam ter!

Não podemos permitir que essa desgraça avance e se fortaleça em qualquer esfera de política pública! Estamos literalmente no combate do bem contra o mal! Não vai sobrar nada do nosso País se essa onda de fascismo, negacionismo, corrupção escancarada, escárnio com as vidas dos brasileiros se alastrar!

Politicamente, Cabo Frio saiu na frente e montou a corrente do bem para enfrentar com todas as forças que pode a candidatura do ódio, representada pelos candidatos a Prefeitos da cidade, que se escoram nos dizeres, nas posturas e, é lógico, na figura de Bolsonaro e seus familiares!

Muitos candidatos à Prefeitura de Cabo Frio entenderam que é melhor abrir mão de suas candidaturas em prol de um único nome, José Bonifácio, que represente a força do bem x a força do mal!

Com essa postura política, Cabo Frio mostra maturidade de uma união para não deixar a cidade cair numa desgraça ainda maior!

Essa onde progressista de Direita Fascista abocanhou uma grande fatia política do mundo e o Planeta está mostrando que não vai aguentar esse capitalismo selvagem, essa ganância por dinheiro e poder avançando e devastando toda a nossa biodiversidade.

É a volta da escravidão, do preconceito desenfreado, da falsa moral religiosa familiar, da perda dos direitos como cidadãos! Um retrocesso só!

O mundo, o Brasil e Cabo Frio estão divididos entre o bem e o mal!

Vamos cortar a cabeça do dragão na cidade e começar a enfraquecer essa péssima mentalidade bolsonarista, fascista, nazista de poder!

O PATRIARCA

O Patriarca! 1

A Família Bento faz um salto triplamente carpado, na tentativa desesperada de se manter com algum poder na política cabofriense. Vai apoiar o deputado Sérgio L. Azevedo. Existe grupo mais velho e tradicional na política que esse comandado pelo patriarca Silas Bento?

O Patriarca 2

O patriarca nunca esteve fora do poder municipal: Alair Corrêa, Marquinhos Mendes e Adriano Moreno/Cati, sempre deram ao patriarca e sua trupe um naco maior ou menor na estrutura burocrática do poder público municipal. Ao se aliar ao deputado da extrema direita, mostra sua decadência.

No fundo do poço!

O processo eleitoral promete ser farto em “barracos”, notícias falsas e desinformação de toda a natureza. O primeiro envolveu os dois representantes de Cabo Frio na ALERJ, com troca de acusações, de vão de nepotismo e traição. Alguém esperava algo diferente dos dois ínclitos parlamentares? Só se não conhecer as duas “peças”.

Alair corou?

Segundo as paredes cada vez mais murmurantes do Palácio Tiradentes, sede da prefeitura, o ex-prefeito Alair Francisco Corrêa corou tal a intensidade da troca de amabilidades entre os dois deputados. Para o experimentado Alair, de peruca nova, corar, o caro leitor deve imaginar o nível em que chegou a coisa.

O “Nero do Pantanal”

Não existe nada mais contraditório, para dizer o mínimo, que ambientalista estar coligado e apoiar candidato, que diz ter orgulho de estar com o “Nero do Pantanal”. O ambientalista é um equivocado ou seu discurso é sem qualquer fundamento político e ideológico, apenas oportunismo eleitoral. Será que ainda dá tempo de voltar atrás? Quem sabe?

O homem cuja orelha cresceu

Ignácio de Loyola Brandão

Estava escrevendo, sentiu a orelha pesada. Pensou que fosse cansaço, eram 11 da noite, estava fazendo hora-extra. Escriturário de uma firma de tecidos, solteiro, 35 anos, ganhava pouco, reforçava com extras. Mas o peso foi aumentando e ele percebeu que as orelhas cresciam. Apavorado, passou a mão. Deviam ter uns dez centímetros. Eram moles, como de cachorro. Correu ao banheiro. As orelhas estavam na altura do ombro e continuavam crescendo. Ficou só olhando. Elas cresciam, chegavam a cintura. Finas, compridas, como fitas de carne, enrugadas. Procurou uma tesoura, ia cortar a orelha, não importava que doesse. Mas não encontrou, as gavetas das moças estavam fechadas. O armário de material também. O melhor era correr para a pensão, se fechar, antes que não pudesse mais andar na rua. Se tivesse um amigo, ou namorada, iria mostrar o que estava acontecendo. Mas o escriturário não conhecia ninguém a não ser os colegas de escritório. Colegas, não amigos. Ele abriu a camisa, enfiou as orelhas para dentro. Enrolou uma toalha na cabeça, como se estivesse machucado.

Quando chegou na pensão, a orelha saia pela perna da calça. O escriturário tirou a roupa. Deitou-se, louco para dormir e esquecer. E se fosse ao médico? Um otorrinolaringologista. A esta hora da noite? Olhava o forro branco. Incapaz de pensar, dormiu de desespero.

Ao acordar, viu aos pés da cama o monte de uns trinta centímetros de altura. A orelha crescera e se enrolara como cobra. Tentou se levantar. Difícil. Precisava segurar as orelhas enroladas. Pesavam. Ficou na cama. E sentia a orelha crescendo, com uma cosquinha. O sangue correndo para lá, os nervos, músculos, a pele se formando, rápido. Às quatro da tarde, toda a cama tinha sido tomada pela orelha. O escriturário sentia fome, sede. Às dez da noite, sua barriga roncava. A orelha tinha caído para fora da cama. Dormiu.

Acordou no meio da noite com o barulhinho da orelha crescendo. Dormiu de novo e quando acordou na manhã seguinte, o quarto se enchera com a orelha. Ela estava em cima do guarda-roupa, embaixo da cama, na pia. E forçava a porta. Ao meio-dia, a orelha derrubou a porta, saiu pelo corredor. Duas horas mais tarde, encheu o corredor. Inundou a casa. Os hospedes fugiram para a rua. Chamaram a polícia, o corpo de bombeiros. A orelha saiu para o quintal. Para a rua.

Vieram os açougueiros com facas, machados, serrotes. Os açougueiros trabalharam o dia inteiro cortando e amontoando. O prefeito mandou dar a carne aos pobres. Vieram os favelados, as organizações de assistência social, irmandades religiosas, donos de restaurantes, vendedores de churrasquinho na porta do estádio, donas-de-casa. Vinham com cestas, carrinhos, carroças, camionetas. Toda a população apanhou carne de orelha. Apareceu um administrador, trouxe sacos de plástico, higiênicos, organizou filas, fez uma distribuição racional.

E quando todos tinham levado carne para aquele dia e para os outros, começaram a estocar. Encheram silos, frigoríficos, geladeiras. Quando não havia mais onde estocar a carne de orelha, chamaram outras cidades. Vieram novos açougueiros. E a orelha crescia, era cortada e crescia, e os açougueiros trabalhavam. E vinham outros açougueiros. E os outros se cansavam. E a cidade não suportava mais carne de orelha. O povo pediu uma providência ao prefeito. E o prefeito ao governador. E o governador ao presidente.

E quando não havia solução, um menino, diante da rua cheia de carne de orelha, disse a um policial: “Por que o senhor não mata o dono da orelha?”

A multa municipal para o lirismo sentimental

Eça de Queiroz

No folhetim do Diário Popular de 24 de Junho lêem-se notáveis considerações de ordem moral. São em verso. O poeta dirige-se, na sua declamação solitária, a uma mulher.

Numa prosa anterior (prelúdio) escreve que a missão da arte é ensinar a amar (!) — e que na arte não entra realidade, justiça ou moral pública porque (acrescenta) a arte nada tem com os direitos civis. Colocado assim à larga, na anarquia da voluptuosidade e do lirismo, aí está o que o poeta expõe e ensina num jornal popular, com uma tiragem de 20.000 exemplares, que anda por cima das mesas e nos cestos de costura!

Começa por dizer:

— Que é bom amar no campo, à tarde e a sós!

Depois continua:

— Que prefere o campo, porque nas salas do mundo não lhe é dado beijar a mão dela às largas! Que o campo é livre e as sombras dão refúgio!….

Por fim acrescenta:

— Que queria que os raios cintilantes os cingissem a ele só com ela, erguidos em êxtase, longe de quanto é vil…

(Quanto é vil, na gíria da poesia lírica, é o mundo real, a família, o trabalho, as ocupações domésticas, etc.).

Dispensamo-nos de citar mais estrofes lascivas.

Aquelas bastam para legitimar as seguintes observações:

Nenhum jornal publicaria semelhantes teorias em prosa;

Nenhum homem que as escrevesse ousaria lê-las a sua filha, sem gaguejar, e sem comer palavras;

Nenhuma senhora que por acaso as tivesse lido ousaria citá-las.

Como se consente então a sua publicação em verso? A higiene não é só a regularização salutar das condições da vida física; nela devem também entrar os factos da moralidade. Se é proibido que um monturo imundo ou um cão morto corrompam o ar respirável das ruas — porque há-de ser permitido que um poeta, com as suas endechas podres, perturbe o pudor e a tranqüilidade virgem?

Há uma postura da Câmara que impõe uma multa a quem pronuncia palavras desonestas: porque não há-de ser igualmente proibido publicar idéias desonestas?

Um ébrio, um pobre homem a quem se não deu educação, a quem se não pode dar leitura, a quem quase se não dá trabalho, diz uma praga numa rua, ouvida apenas de três ou quatro pessoas, e vai para a cadeia ou paga uma multa de 3$000 réis. Um poeta lírico, esclarecido, aprovado nos seus exames, empregado nas secretarias, publica num jornal de cinqüenta mil leitores em letra impressa, permanente e indelével, uma série de desonestidades, e é apreciado, cumprimentado no Martinho, indigitado para uma candidatura!

Pedimos pois:

Ou que seja permitido livremente dizer na rua e no jornal pragas e desonestidades;

Ou que a multa da Câmara Municipal seja aplicada a todos — e que tanto o ébrio que não sabe o que diz à esquina de uma rua, como o poeta lírico que escreve, com reflexão e rascunho duma semana, ao canto dum jornal, paguem os 3$000 réis à Câmara, um pela sua praga, outro pela sua endecha.

Julho 1871

Marquinhos não quer largar o osso

Mesmo arriscando, por conta da justiça (mais uma vez, Liminar?), não chegar ao fim do processo eleitoral, o ex-prefeito Marquinhos Mendes se lançou candidato a prefeito de Cabo Frio pelo MDB. O ex-prefeito, envolvido em uma série de problemas judiciais parece ter esquecido que o novo presidente do TSE é o ministro Luis Roberto Barroso, aquele que um dia o usou como exemplo.

O que quer Marquinhos?

O grupo político do ex-prefeito ficou muito tempo ligado ao governo de Adriano Moreno/Cati e se dispersou entre outras candidaturas. Tido como muito hábil, o ex-prefeito parece ter perdido o tempo da política. Muita gente se pergunta: o que Marquinhos Mendes, realmente quer?

Até Alair corou

O deputado Sérgio L. Azevedo fez uma convenção onde desprezou o isolamento social e foi acompanhado de figuras inexpressivas da política estadual. Logo depois se meteu em um barraco com o outro deputado Mauro Bernard: as paredes murmurantes da vetusta câmara de vereadores resmungaram que até o “velho morubixaba” ficou corado. Quando isso acontece …

Notícia falsa X Barraco

Entre uma notícia falsa e um barraco dos bons, o deputado malabarista, que já foi procurador em Búzios e Arraial do Cabo, com muitas histórias pra contar tenta se pendurar no trapézio, em Cabo Frio. Busca a atenção do distinto público, que teima em não reconhecê-lo, o que provoca muitas piruetas do candidato, que pode acabar no chão, esborrachando-se nas urnas.

Muita rejeição!

Às reclamações sofre problemas no pagamento das secretarias, especialmente a Saúde, são freqüentes. O pessoal que está em auxílio saúde não recebeu e a prefeitura não se pronuncia sobre o assunto. Impressionante que Adriano Moreno ainda imagina que possa se reeleger, apesar da estratosférica rejeição.

O Cronista é um Escritor Crônico

Affonso Romano de Sant’Anna

O primeiro texto que publiquei em jornal foi uma crônica. Devia ter eu lá uns 16 ou 17 anos. E aí fui tomando gosto. Dos jornais de Juiz de Fora, passei para os jornais e revistas de Belo Horizonte e depois para a imprensa do Rio e São Paulo. Fiz de tudo (ou quase tudo) em jornal: de repórter policial a crítico literário. Mas foi somente quando me chamaram para substituir Drummond no Jornal do Brasil, em 1984, que passei a fazer crônica sistematicamente. Virei um escritor crônico.

O que é um cronista?

Luís Fernando Veríssimo diz que o cronista é como uma galinha, bota seu ovo regularmente. Carlos Eduardo Novaes diz que crônicas são como laranjas, podem ser doces ou azedas e ser consumidas em gomos ou pedaços, na poltrona de casa ou espremidas na sala de aula.

Já andei dizendo que o cronista é um estilita. Não confundam, por enquanto, com estilista. Estilita era o santo que ficava anos e anos em cima de uma coluna, no deserto, meditando e pregando. São Simeão passou trinta anos assim, exposto ao sol e à chuva. Claro que de tanto purificar seu estilo diariamente o cronista estilita acaba virando um estilista.

O cronista é isso: fica pregando lá em cima de sua coluna no jornal. Por isto, há uma certa confusão entre colunista e cronista, assim como há outra confusão entre articulista e cronista. O articulista escreve textos expositivos e defende temas e idéias. O cronista é o mais livre dos redatores de um jornal. Ele pode ser subjetivo. Pode (e deve) falar na primeira pessoa sem envergonhar-se. Seu “eu”, como o do poeta, é um eu de utilidade pública.

Que tipo de crônica escrevo? De vários tipos. Conto casos, faço descrições, anoto momentos líricos, faço críticas sociais. Uma das funções da crônica é interferir no cotidiano. Claro que essas que interferem mais cruamente em assuntos momentosos tendem a perder sua atualidade quando publicadas em livro. Não tem importância. O cronista é crônico, ligado ao tempo, deve estar encharcado, doente de seu tempo e ao mesmo tempo pairar acima dele.