AS AVES DA LAGOA DE ARARUAMA

Flamingo-chileno avistado em frações remotas de esporões no interior lagunar.

Eduardo Pimenta (texto e fotos)

Todos os anos milhares de aves limícolas e migratórias invernam na Lagoa de Araruama entre setembro e abril, onde adquirem massa corpórea e realizam mudas para retornar aos sítios de reprodução. Já as aves residentes e endêmicas encontram alimento em abundância, abrigo e locais para a construção de ninho.

Desde 2012 o Grupo de Estudos de Aves da Universidade Veiga de Almeida – GEAves/UVA vem realizando o inventário dessas aves, já foram identificadas 196 espécies, 86% residentes e 14% migratórias, para ambas a lagoa se apresenta como importante área de forrageamento.

A ave fauna brasileira possui 1919 espécies registradas, das quais 120 são migratórias, dentre as migratórias setentrionais e meridionais, 22,5% podem ser observadas na região da Lagoa de Araruama, um número expressivo para uma área ínfima quando comparada ao território brasileiro, demonstrando a importância dessa bacia hidrográfica hipersalina para com essas aves. Uma vez que, ao realizarem grandes travessias, necessitam dessas áreas para atendimento às suas necessidades de troca de penas ou de reabastecimento energético, necessários à continuação das migrações.

O registro de novas espécies antes não observadas estabelece um marco, como foram os casos do Phalaropuslobatus (Falaropo-de-bico-fino) e Phoenicoparrusandinus (Flamingo-dos-andes). Para Phalaropuslobatus foi reconhecido como a primeira ocorrência para o Brasil, datada em 27 de novembro de 2015, na localidade de Praia Seca no município de Araruama\RJ.

Phoenicoparrus andinus foi registrado entre os meses de outubro e novembro de 2016 em um marnel de sal de Salina no Peró próximo à faixa marginal da lagoa em Cabo Frio. Este registro é considerado a aparição mais ao norte da espécie para o Brasil. Já Calidris Alba(Maçarico-branco) destaca-se por chegar em grandes bandos, onde encontram locais de alimentação e descanso. Sem esses locais preferenciais,as populações que chegam ao limite de suas reservas podem ter dificuldades em alcançar o próximo ponto de parada, ou encontrar nova área para forragear e adquirir energia necessária para seguir viagem.

Phoenicopteruschilensis (Flamingo-chileno) tem sido avistado todo o ano em frações remotas de esporões que adentram o interior lagunar, representados por três exemplares com ocorrências variando entre Araruama e Cabo Frio. Já o emblemático Formicivoralittoralis (Formigueiro-do-litoral) destaca-se por sua distribuição restrita à Região dos Lagos, é habitante das restingas e formações litorâneas do entorno da lagoa.

Através da atividade de observação de aves é possível avaliar o potencial desse nicho de mercado e promover a conservação e o uso racional, conciliando com o ecoturismo na região e movimentando a economia local. São motivos suficientes para que a lagoa seja preservada e seus serviços ecossistêmicos, que há tanto tempo, servem a humanidade, perpetuados.

(*) Eduardo Pimenta é Professor, Biólogo, Ambientalista e Fotógrafo da Natureza.

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