DINHEIRO

Marcos Antônio de Paula.

Uma das razões de se falar de financiamento de campanha em um ano sem eleições é fugir das opiniões acaloradas. Presume-se que os ânimos estão menos tensos e os ouvidos menos impacientes. Ademais, me parece que não há previsão para mudanças nas regras eleitorais por esses dias. Não há o perigo do proselitismo.

Consultei agora a pouco os dados consolidados do site Divulgacand, do TSE (https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/).

É o site mantido pelo governo para acompanhar as campanhas eleitorais. É acessível a qualquer cidadão e pode ser muito esclarecedor.

Trata-se de um serviço relativamente fácil de ser consultado. Por isso, sugiro que o façam. Vejam quanto o seu partido gastou, quanto custou a campanha do seu candidato (quer tenha vencido ou não). Com um pouco de tempo livre, dá para saber quanto custou a atual câmara de vereadores, por exemplo.

Seria muito interessante que todo brasileiro tivesse a curiosidade de olhar quanto seu candidato gastou para se eleger. Melhor, com quanto de dinheiro público ele contou para garantir seu mandato.

Porém, como dizia “miss” Margaret Thatcher, não existe dinheiro público, o que existe é o dinheiro dos pagadores de impostos.

Ou seja, mesmo que aquele candidato não tenha recebido meu voto, não comungue dos mesmos valores políticos, foi o meu dinheiro que o colocou onde está. E não se trata de uma figura retórica. O financiamento eleitoral com recursos públicos não custa ressaltar, é a nossa regra atual.

Inicialmente, pensava que este modelo de financiamento de campanha ( dinheiro público + doações de pessoas físicas) fosse o mais adequado para coibir as campanhas bilionárias do passado e as propinas disfarçadas de doações de pessoas jurídicas. Afinal, empresa não faz doação eleitoral. Empresa faz investimento.

Ainda falta um pouco para concluir minha opinião atual sobre o tema.

Talvez seja um pouco árido o início para alguém que deseje se aprofundar na legislação e na contabilidade eleitoral. Mas o DivulgaCand tem o recado que todo cidadão precisaria entender.

Iniciando seus mandatos temos prefeitos e vereadores que estão a soldo do erário público, e se não bastasse, foram eleitos com dinheiro do contribuinte.

É uma boa época para que nos acostumemos a cobrar mais.

Além da confiança depositada na urna, cada eleitor investiu do seu próprio bolso nos nobres detentores dos atuais mandatos.

É importante percebermos menos a imagem de autoridades e mais a de mandatários, pessoas que estão a serviço do cidadão e que devem mostrar eficiência e, de boa vontade, prestar contas.

Respeitemos o nosso voto, porque ele está valendo muito mais do que imaginávamos.

  • Marcos Antônio de Paula – Ciências Contábeis/UFF.
Compartilhe:
Instagram
0Shares

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *