STALKER

Marcos Antônio de Paula

Todo mundo ligado nas redes sociais hoje em dia conhece bem o termo. É, também, nome de vídeo-game.

Muito antes disso, porém, Stalker já era o nome de um filme de ficção científica do cineasta russo Andrei Tarkovsky (1932-1986).

Obrigatório para quem gosta de cinema (aliás, todos os filmes do bom camarada Andrei), o recomendo para amantes da fotografia. Cada fotograma, é, em si, uma obra de arte.

Que ninguém espere a ação frenética padrão Guerra nas Estrelas.

O filme adapta o livro “Piquenique à beira da estrada”, dos irmãos russos Arkádi e Boris Strugatsky. Arrisco dizer que com bastante liberdade, a ponto de as histórias tomarem rumos bem diferentes.

Visto o filme, passei a procurar o livro. É curiosíssimo o universo paralelo que são os autores russos de ficção científica para nós, acostumados à profusão de autores norte-americanos.

Quem quiser ir um pouco além e tiver curiosidade sobre a antiga União Soviética, saiba que tem muita coisa interessante na internet sobre o uso da ficção científica como instrumento de propaganda estatal nos tempos de “seu” Stalin.

Conhecia apenas “Solaris” de Stanislaw Lem, que Tarkovsky também levou às telas e teve um bom remake com o astro e, segundo dizem, gente boníssima, George Clooney. Aqui entre filme e livro, fico com o primeiro.

O mote do Piquenique à Beira da Estrada é bem conhecido e até o precede. Não tem perigo de dar spoiler.

Os aliens já visitaram a Terra em diversas ocasiões, mas sequer notaram a existência dos seres humanos. Explica um dos personagens que as marcas dessas visitas são como aqueles vestígios largados por viajantes que param à beira da estrada para descansar e fazer um lanche rápido antes de seguirem viagem. Guardanapos, restos de comida, latas de refrigerante, bingas de cigarro, marcas de pneu e de sapatos, palitos largados ao acaso que os habitantes locais – insetos, pássaros, pequenos roedores, vermes – tentam dar uso sem a menor possibilidade de saberem a origem, riscos e real utilidade daqueles “achados “.

Imagino que não era intenção dos autores fazer alertas sobre ecologia, bioética e coisas do tipo. Possivelmente queriam apenas contar uma boa história.

Mas, vez por outra, diante do noticiário, visto a carapuça lançada pelos irmãos Strugatsky e fico pensando o quanto não estamos batendo cabeça. Tentando dar uso ao que não dominamos completamente, cuja origem e utilidade desconhecemos e subestimando o real impacto de nossas ações sobre essa franja de acostamento que ocupamos no universo.

(*) Ciências Contábeis/UFF.

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Um comentário em “STALKER”

  1. Marcos Antônio de Paula, parabéns pela resenha crítica. Só vi alguns filmes de Tarkovski porque frequentana a “Rede Estação” de cinemas no Rio, perto de casa então: Botafogo e Payssandu, em cuja loja de locação de Svenska pude estender alguma coisa à mais do grande diretor. Não fui aos livros, mas a comparação com o ritmo frenético dos gringos no Cinema é oportuna, pois essa é uma marca deles diferencial de outras culturas.
    Assim como na consagrada Literatura, o clássico Cinema Soviético é uma Escola fundamental na História da Cinematografia; mas não deixou herdeiros nas repúblicas resultantes do estilhaçamento da URSS!

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