Nota mal recebida

Foi muito mal recebida pelos diferentes setores do Movimento Negro e da sociedade em geral a nota do Sepe Lagos que associa o secretário de educação Flávio Guimarães a imagem do “capitão do mato”. A crítica política deve ser feita, mas dentro de um vocabulário civilizado, que só enriquece o debate.

Em tempos fascistas

Esse tipo de linguagem pouco civilizada e que não respeita limites, tentando desconstruir o outro não apenas politicamente, mas também como pessoa, costuma ser típico da extrema direita. Em tempos bolsonaristas, ou melhor, fascistas, vem sendo utilizado em confrontos por diferentes forças políticas, cujo linguajar é cada vez mais áspero, digamos assim.

A linguagem como intimidação

Os grupos, que se afirmam extremamente radicais, até se imaginam como tal, mas nem sempre o são. Utilizam a linguagem dura e insultuosa para emparedar os adversários e intimidar outros segmentos da sociedade, que possam ousar a lhes fazer qualquer crítica mais ácida.

CARTA A UMA JOVEM

Cabo Frio, 30 de março de 2021.

Minha querida amiga,

E a incerteza… Daquelas que num momento deixamos nos paralisar, deixamos de escolher, dentro de nós, não continuar… Com a ênfase na idéia de que isso não é para nós. Mas o que é para você? Qual é seu, meu, nosso legado no meio da opinião de todos… A verdade… Ah… Quem a conhece?

Você é o que é. Mas todos dizem o que você, nós teríamos que ser ou fazer, buscar… Aparentar ser. E você, o que deseja? O que quer?

E o tempo… o tempo… É um mistério.

No viver macabro das lembranças do que poderia ter sido, feito, acontecido se suas escolhas tivessem sido outras, no si… Somos seres com missão e carmas a pagar? Temos realmente o legado de sermos melhores neste mundo? Embora seu livre arbítrio exista. Escolhas… Sempre temos escolhas.

A vitimização nunca deve ser uma escolha. Não podemos ser vítimas. O mundo exige coragem, determinação e sobre tudo escolhas, erradas ou certas. A qualidade de suas escolhas deve estar pautada em não ferir, machucar, agredir ninguém, o corpo de ninguém, a alma de ninguém. Embora isso não a livre de se machucar. Mas… Cada um oferece o que tem. Então ofereça seu melhor.

Não estranhe se de repente você levar um solavanco da vida, faz parte. A vida é inconstância. É isso que faz de nós seres melhores, se nos dispusemos a olhar com olhos de aprendiz. “ Vivendo e aprendendo, morrendo, sem saber de nada”. Aprendi com meu avô.

Injúria, maledicências, deixe para os pequenos. Seja grande. Com incertezas, com paralisias momentâneas, com dúvidas… Mas escolha ser você.

Tenha fé no mundo, nas pessoas, mas principalmente em você. Ria… ria muito quando tiver que rir e a alegria invadir sua alma. Chore, quando sentir vontade ou necessidade, de alegria, tristeza, ansiedade e não se preocupe com os julgamentos. Só as melhores pessoas são autênticas.

Use da veemência para expor o que pensa, mais deixe a grosseria para os imbecis. Defenda-se, fuja de gente vampira, de preguiçosos e agressivos.

O tempo é mistério… E tudo que dói hoje pode ser motivo de alegria amanha.

Não esqueça, tenha sempre os olhos de um aprendiz.

Com carinho,

Leandra Ferreira Bento é Professora.

MUNÍCIPES ATENTOS

Foto: Eduardo Pimenta

Para uma boa governança o fator crítico que define o sucesso é a eficácia em fazer acontecer em áreas que deveriam receber maior atenção por parte de todos se quisermos ser mais eficazes. Só sendo possível pela ação e o princípio é que todas as deliberações sobre as demandas emergentes que afetam a população deveriam sempre ir até o estágio do resultado final. E que nenhuma deliberação sobre o assunto fique somente no nível de intenções teóricas, que não contemplem soluções úteis, práticas e aplicáveis que levem à superação de todas as barreiras a um efetivo fazer acontecer.

Nosso problema atual está na falta de ações pragmáticas e na velocidade no fazer acontecer de ações que já sabemos serem necessárias, pois a cada dia de adiamento os impactos negativos sobre a população são maximizados.Assim todas as deliberações sobre as demandas socioeconômicas e ambientais deverão ser feitas com base na intenção de assegurar o melhor para todos de forma igualitária e justa, da forma mais transparente possível e sempre com real intenção de fazer o necessário acontecer, pelo cumprimento do que se combina.

Nenhuma deliberação deverá acontecer em ambientes de pressão de lobistas ou de grupos de interesse segmentado que conduzam a problemas de conflito de interesses e que desviem o processo decisório dos propósitos inerentes ao próprio conceito de governança.Infelizmente vivemos um ambiente de autoengano e de inversão de valores, onde passamos a achar normal o jogo das promessas que sabemos que não serão cumpridas, dos acordos de bastidores, das intenções ocultas por trás de propostas aparentemente bem intencionadas, que afetam nossas vidas.

Obviamente nada disso é ético e menos ético ainda é fechar os olhos para essa realidade e nada fazer a respeito, tornando permanente esse jogo de ilusões. Sabemos que esse quadro é reversível e essa reversão é absolutamente necessária para fazer com que o conjunto de práticas do aperfeiçoamento do nível da gestão de uma empresa atenda os anseios do público, de modo a resguardar a sua relevância em longo prazo. Que os mecanismos funcionem de maneira a permitir que o agente executivo respeite os direitos e interesses das partes interessadas, de acordo com o espírito democrático.

(*) Eduardo Pimenta é Professor, Biólogo, Ambientalista e Fotógrafo da Natureza.

SOBRE TONS

Como educador e as vezes arriscando na música, o tom é parte constante do metiê. Para ser entendido, para não desafinar, para ser respeitado e também respeitar. Aquele com você profere a palavra ou aquele que você destina a música tem que ao menos ter o melhor entendimento sobre suas intenções.

Aí entra a questão da crítica e dos debates inerentes. Criticar, ser criticado, debater, faz parte. E os tons variam. Leves, moderados, severos. Tudo faz parte. Aqui entra em questão a sua capacidade de articulação a partir daquilo que você acredita, carrega, acumula. Sua bagagem argumentativa, intelectual, de vivência, vale muito para o fazer parte, ter sentido.

Agora penso que em momentos críticos como o nosso, todo gestor mereça ser criticado. Afinal, estamos vendo poucas soluções e muitas privações, certo? E as críticas partem do cidadão comum a instituições organizadas, como um sindicato, por exemplo.

Agora, qual é o tom da crítica? Como educador, sou filiado a SEPE, desde que entrei no concurso do Estado. Tem uns 10 anos já e uma das funções primordiais do sindicato é questionar o poder público diante das suas omissões, evasões e irresponsabilidades. É ponto comum, já que qualquer sindicato, defende os interesses da categoria em questão.

Ainda sim pergunto, qual é o tom da crítica, qual é o tom do questionamento? E a pergunta se torna pertinente pela situação na qual nos encontramos, via município de Cabo Frio. O atual Secretário de Educação, Flávio Guimarães, está sendo durante criticado e questionado. Até aí tudo bem, o gestor tem que ser criticado e questionado, caso aja motivo. Quem é gestor sabe disso ou deveria saber.

Flávio Guimarães é preto e alguns podem dizer: e daí? O SEPE fez um questionamento público comparando o Secretário a um Capitão do Mato por conta das suas inconsistências a frente a Secretaria de Educação. Quando se lê a crítica, por mais verdadeira em suas ações que se possa parecer, podemos questionar o tom dela a partir da comparação.

Afinal, Flávio Guimarães é preto e gestor. O que importa no caso? O fato dele ser preto ou o fato dele ser gestor? Quando faço uma crítica pública ao Secretário de Educação, chamando-o de capitão do mato, o que vem primeiro, o fato dele ser preto ou o fato dele ser gestor?

O capitão do mato era um preto retirado do açoite pelo feitor para caçar outros pretos. Era uma negociata entre esse preto e o feitor. Ele não agia sozinho, alguém o ordenava. Quem seria o feitor, no caso do Flávio e porque o mesmo não é severamente criticado? Aí entra uma questão básica, algum gestor branco já foi chamado de capitão do mato por aí? Por que não?

E entra uma outra questão, porque um gestor, que na ocasião, é preto, tem que ser um exemplo de gestor, sendo que os brancos, ao final do seu mandato, sendo eles péssimos ou não, recebem moções de aplauso na câmara dos vereadores, certo?

Muitas perguntas para dizer uma coisa na qual os movimentos que se dizem plurais e diversos se atentam pouco. Gestores brancos são pessoas que cometem erros, são severamente criticados e eles continuam na vida pública, mas e aos gestores pretos, quando há – coisa rara, existe uma crítica plausível e possível, apenas pelo fato dele ser preto e qualquer erro ou inconsistência, não se há chance de requerimento.

Aí são adjetivações, as derivações de causa que acabam definindo o gestor. Ele não é apenas um gestor ruim, é um gestor preto ruim, logo capitão do mato. Uma vez fui chamado de preto de alma branca por uma pessoa que não vale nominar por conta de uma decisão qualquer na época em que fui gestor público. A crítica a gestão veio depois da minha adjetivação de um preto de alma branca.

Bom, se a gente conseguir questionar as pessoas pretas enquanto gestoras – raras pessoas, ainda, apenas pelos seus atos enquanto gestores, significa que a luta antirracista avançou consideravelmente, está no tom certo. Só que nem o SEPE consegue…

(*) Fábio Emecê é Mc, Poeta e Professor.

CONSTRUIR

Quando minha família veio para Cabo Frio, morávamos em um edifício em que havia apenas duas famílias residindo permanente. Por três meses no ano chegávamos a 100% de ocupação e aí faltava tudo. Água, energia elétrica, vaga de garagem, silêncio para dormir, boa educação… Isso foi em 1977.

Hoje moro em outro edifício em que a lotação fica em torno de 30%. A diferença é que, nos últimos cinco anos, nunca atingiu os 100% de ocupação. Pelo que sei, alguns apartamentos não receberam 01 morador sequer há bem mais tempo do que isso.

Desde que voltava para casa das aulas noturnas no Miguel Couto e atravessava quadras e quadras sem ver uma única janela acesa nos prédios daquelas circunvizinhanças não deixo de me admirar.

Hoje, em certos bairros, pode-se desfrutar da mesma experiência. A diferença é que deve-se abrir mão de um pouco de juízo para caminhar tarde da noite por ruas desertas. Deixamos de ser uma cidade segura faz tempo.

As quadras que vão do Bairro da Passagem até o final do Braga, encontrando a estrada para Arraial do Cabo, seja na linha da praia ou segunda e terceira ruas paralelas, são repletas de prédios que, via de regra, permanecem a maior parte do ano apenas minimamente ocupados. São exemplos mais eloquentes de um padrão comum às diversas áreas mais nobres da cidade.

Em algumas ruas, a impressão de cidade fantasma só não se completa por conta da legião de caseiros, vigias, zeladores e jardineiros que guardam o patrimônio daqueles moradores extemporâneos.

A construção civil e o turismo deram a cara que Cabo Frio tem hoje. E, antes das benesses do dindim carreado pelos royalties, formavam o grosso dos recursos captados pelo município. O peixe e o sal (e a saudosa Álcalis) não sobreviveram aos anos 1990.

Se hoje o negócio já não está tão bom, excluídas as pendengas que se abateram sobre todos os brasileiros, sobra a boa e velha concorrência. Tem empreendimento imobiliário em tudo que é lugarejo de praia do nosso imenso litoral.

Uma de minhas dúvidas já adiantei desde o primeiro parágrafo. Não é de hoje que não suportamos a quantidade de turistas (os proprietários de segundas moradias e os visitantes) que, em tese, poderíamos receber. Nossa estrutura viária, energia elétrica, água e serviços essenciais, suspeito (empirismo puro!), não aguentaria ser demandada em 100% da sua capacidade.

Resta às administrações municipais mais proativas corrigirem, na medida de seus orçamentos, esses gargalos de infraestrutura. Ou rezarem para que nunca venham todos de uma vez para o réveillon cabofriense.

Outra questão fácil. Atravesse do bairro Braga para o Manoel Corrêa, do Peró para o Cajueiro, ou da Ogiva para o Jacaré. Não se percebe benefício visível desse modelo de construção civil para a municipalidade.

Ou seja, pergunto se o dinheiro que veio compensou o impacto social nas populações mais desassistidas.

Antes que me critiquem, adianto que salta aos olhos de qualquer um bairros inteiros impecáveis e vazios e os demais, no máximo, apenas razoavelmente urbanizados.

Nem me digam, que, como acontece em alguns lugares, que os incorporadores proporcionaram a infra-estrutura desses empreendimentos. Deliberadamente, ao longo de décadas, privilegiamos com recursos públicos gente que raramente vem aqui.

Tenho pouca esperança de que a construção civil volte à pujança de décadas anteriores. Além da concorrência, já citada, há a regulamentação mais rígida, a escassez e preço dos terrenos disponíveis, menos acesso a crédito, queda na renda dos compradores, e por aí vai.

Não haverá atividade desse segmento suficiente para corrigir esse impacto social legado pela especulação imobiliária em nossa região. Seremos todos responsáveis por conduzir nossa cidade ao futuro, sabendo que alguns erros, às vezes, são cometidos com as melhores das intenções.

(*) Marcos Antônio de Paula – Ciências Contábeis/UFF.

“MÃOS DE VACA”

“Mãos de vaca”

Muito sugestivo que o novo presidente da COMSERCAF já acumulava com a vice-presidência a diretoria financeira da autarquia. Do “bolso do colete” de José Bonifácio, Heitor Fonseca vai aperfeiçoar a sua parceria com o prefeito: os dois são conhecidos popularmente como “mãos de vaca”, membros daquela ordem que tem “escorpião no bolso”, como símbolo maior.

Economizando grana

A tendência é a grana da COMSERCAF render, otimizando os investimentos da autarquia e negociando com os fornecedores de equipamentos e serviços. Ambos, prefeito e presidente da COMSERCAF, têm muito do espírito daqueles comerciantes da Rua da Alfândega, Senhor dos Passos e arredores, no centro do Rio de Janeiro, conhecido como “Saara”.

Saúde & Servidores

Fazendo um raio-x no governo é fácil perceber que os frutos da economia que o governo vem realizando estão sendo investidos na área de saúde, em função da pandemia do covid-19. O governo também procura colocar os salários dos servidores em dia, deixados pelo governo de Adriano Moreno (Democratas).

Aglomeração irresponsável

Um assíduo leitor do Blog ficou abismado com a concentração de automóveis em frente a uma Igreja, na Rua Belo Horizonte, entre as ruas Vitória e Fortaleza, no bairro das Palmeiras, com flagrante aglomeração. Era noite, domingo, cerca de 20:30h. O leitor ligou para todos os telefones possíveis para comunicar o absurdo: ninguém deu o ar da graça. Assim fica difícil. Depois quando falta vaga nas UTIs os mesmos reclamam.

A ignorância

O número de mortes por covid-19 bate recordes diariamente. Os hospitais, tanto nas enfermarias quanto nas UTIs estão superlotados e muitos teimam desrespeitar regras e se aglomerar. São os mesmos que na hora que o calo aperta reclamam a falta de equipamentos e de UTIs para atender a todos: a ignorância faz muito mais vítimas que a própria covid-19.

Vôos maiores?

O governo tem acertado mais que errado, ao menos nesses primeiros meses, quando têm se concentrado nas questões emergenciais. Nesse universo alguns nomes têm aparecido dentro do governo e nos seus arredores como capazes de vôos maiores: Aquiles Barreto (PT), Flávio Rosa (PSB), Janio Mendes (PDT), Jefferson Vidal (PSC), Miguel Alencar (Democratas), e Rafael Peçanha (Cidadania). Para não despertar ciúmes os nomes foram colocados em ordem alfabética. Certo?

Sucesso ou Fracasso

O tempo, o sucesso ou o fracasso político do governo dirão quem fica até o final ou aqueles que pegam o caminho da roça para a oposição. Importante lembrar que antes do quadro sucessório em 2024 tem a eleição proporcional, em 2022, renovando a Assembleia Legislativa, a Câmara de deputados federais e 1/3 do senado federal. Até lá …

MARX, PT, LULA E BOLSONARO

Às vezes sou tentado a imaginar o que o próprio Marx diria sobre o que fizeram com seus pensamentos e suas obras depois do seu translado para contextos totalmente diferentes na América Latina. Ficou muito complicado “entender” Marx nestes países, inclusive no Brasil, onde predominam os chamados “capitalistas de compadrio”, os “clientes teteiros do Estado”, os que vivem de conluio no jeitinho brasileiro e até do próprio socialismo “contaminado” com os excessos do patrimonialismo brasileiro.

Isso fortaleceua idiotice, o despreparo, a arrogância imbecil, o obscurantismo e a deficiência neuronal de Bolsonaro junto as massas populares acríticas.

Embora, os petistas se recusam a admitir, o PT tem uma parcela de responsabilidade pelo surgimento do “fenômeno Bolsonaro”. Mesmo com os avanços sociais em suas gestões, seus governos abandonaram antigos ideais em nome de um pragmatismo de ocasião em que fizeram o “velho jogo da política tradicional”, modus operandis que o PT sempre combateu antes de chegar ao poder.

Financiamento de campanha com esquemas com grandes empresas, alianças não programáticas, presidencialismo de coalização com setores conservadores da sociedade, com políticos notoriamente corruptos, políticas neoliberais com banqueiros em postos chaves no Ministério da Fazenda e Banco Central, etc.

Tentou servir a dois senhores: O mercado e o povo. Uma combinação difícil para um partido que de dizia de esquerda. O mercado acabou ganhando mais que o povo. Todas essas mudanças tiveram a participação e foram endossadas por Lula, que inclusive em certa ocasião disse que nunca foi de esquerda. E nunca foi mesmo. Lula sempre foi um democrata e hábil negociador político.

As políticas compensatórias adotadas, típicas da social democracia europeia, produziram resultados na melhora da qualidade de vida da população, mas foram gradativamente sendo desidratadas pelos governos que o sucederam. Faltaram políticas mais estruturantes. Não foram feitas as reformas necessárias, principalmente a política e a tributária.

A estratégia foi emancipar a massa trabalhadora pelo consumo e não pelo fortalecimento da cidadania. Isso deixou espaço para a entrada do discurso bolsonarista, que associou religião com o falso combate a corrupção.  Isso calou fundo e funcionou muito bem eleitoralmente, principalmente na classe média iletrada e conservadora e no lumpesinato da classe trabalhadora.

Precisamos parar com este papo furado que carimba segmentos da esquerda socialista que fazem críticas a Lula e ao PT, críticas políticas e respeitosas, de estar a serviço da direita. É óbvio que eu não sou dono da verdade, respeito opiniões contrárias, mas penso que quem se afirma de esquerda precisa reconstruir esta luta em cima de uma alternativa radical e popular, radical no sentido de mudar pela raiz, por fora deste modelo de governança apodrecido.

Será que agora que a justiça reconheceu a parcialidade de Moro e os inúmeros vícios processuais contra Lula, ele pretende construir uma aliança real contra o bolsonarismo ?

Será que o PT buscará as mesmas composições anteriores que deu importantes parcelas de poder em seus governos a notórios corruptos e representantes do capital financeiro que não fizeram políticas para a classe trabalhadora em nome do tal ajuste fiscal?

Espero que as respostas a estas perguntas sejam positivas. O discurso que é apenas isso que permite a atual conjuntura já não cola mais, diante da pandemia e da grave crise que assola os mais pobres. É preciso mais coragem para enfrentar todo este quadro. Lula precisa resgatar sua história e fazer a esperada ruptura com este modelo e trazer para esta composição todos os setores progressistas.

O pior legado do PT foi aniquilar ideologicamente com centenas de milhares de ativistas de esquerda que hoje acreditam que a única saída possível é a conciliação de classes e essas tais “alianças pela governabilidade”. Este prejuízo tem uma dimensão devastadora.

Para a alegria daqueles que apoiam o genocida que ocupa hoje o Palácio do Planalto, que nunca leram uma frase da obra do autor, um dos mais lidos no mundo, o marxismo aqui “segue passando longe” e não é de hoje.

Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado

Karl Marx

(*) Claudio Leitão é economista e professor de história.